A história da engenharia é moldada pela busca constante por eficiência, leveza e soluções para superar a escassez de insumos. Desde o uso pioneiro de alumínio no Audi A8 em 1994 até o aço inoxidável laminado do Tesla Cybertruck, a escolha dos materiais sempre redefiniu o projeto dos automóveis.
Em momentos de crise econômica ou na busca pelo desempenho absoluto, fabricantes apostaram em soluções fora do convencional para erguer suas carrocerias e chassis. Relembre cinco carros que marcaram época ao introduzir materiais inovadores na indústria automotiva.
Citroën 2CV

Apresentado no Salão de Paris de 1948, o Citroën 2CV foi projetado com a missão de motorizar a França rural no pós-guerra. Todavia, diante da escassez extrema de aço na Europa reconstruída, as primeiras unidades adotaram painéis de alumínio ondulado para reduzir o uso de matérias-primas escassas.
Sobretudo, com soluções de engenharia focadas na extrema simplicidade e baixo custo de manutenção, o modelo francês permaneceu em fabricação até 1990, acumulando unidades produzidas também na América do Sul, em países como Argentina, Chile e Uruguai.
Trabant

Produzido na Alemanha Oriental durante o período socialista, o Trabant recorreu a uma solução inusitada para contornar a falta de aço no pós-guerra. Sendo assim, os painéis da sua carroceria eram moldados em Duroplast, um compósito de plástico reforçado com resina e fibras recicladas de algodão da indústria têxtil.
Apesar de leve, barato e imune à corrosão, o material não era biodegradável nem fácil de reciclar, tornando-se uma marca registrada do modelo. Além disso, era impulsionado por um motor dois tempos de dois cilindros refrigerado a ar, que entregava 26 cv.
BMW i3

Lançado em 2013 como o primeiro elétrico de grande produção da marca bávara, o BMW i3 apostou em uma arquitetura revolucionária para compensar o peso das baterias. Aliás, ele empregava uma célula de sobrevivência feita de CFRP (plástico reforçado com fibra de carbono), montada sobre um chassi de alumínio.
Essa combinação permitiu manter o peso total do veículo abaixo dos 1.200 kg, número notável para um carro elétrico da época. Contudo, a estratégia de materiais avançados foi mantida ao longo de todo o ciclo de vida do modelo, que teve a produção encerrada em 2022.
DeLorean DMC-12

Imortalizado pelo cinema, o DeLorean DMC-12 destacou-se no início dos anos 1980 pelo uso de painéis externos em aço inoxidável escovado sem pintura, montados sobre uma estrutura de fibra de vidro. Aliás, a promessa do projeto era oferecer um visual futurista e imunidade total à ferrugem.
Apesar do impacto visual, o desempenho não acompanhava a proposta. Equipado com um motor V6 2.8 de origem Peugeot–Renault–Volvo, o cupê entregava apenas 130 cv e 22,9 kgfm. Ou seja, precisava de 8,7 segundos para ir de 0 a 100 km/h.
McLaren F1

No extremo oposto da busca por eficiência, o McLaren F1 fez história em 1992 ao se tornar o primeiro carro de rua do mundo com monocoque inteiramente construído em fibra de carbono. A tecnologia, até então restrita aos monopostos de Formula 1, garantiu rigidez torcional inédita com peso extremamente reduzido.
A estrutura leve era o par perfeito para o motor V12 6.1 naturalmente aspirado de 627 cv e 69,3 kgfm. Combinado ao câmbio manual de seis marchas, o superesportivo cumpria a aceleração de 0 a 100 km/h em 3,3 segundos e atingia a velocidade máxima de 386 km/h.
E você, sabia que esses modelos usavam materiais tão diferentes? Escreva nos comentários!


