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Fiat ressuscita Autobianchi para dar xeque-mate político na Itália

A Fiat trouxe a Autobianchi de volta no Pandina. Descubra a jogada jurídica da Stellantis para blindar a marca histórica do governo italiano

3 min de leitura

Embora a Stellantis já tenha sugerido um sucessor 100% elétrico para o Fiat Pandina, com linhas futuristas e até posição de dirigir central, o modelo atual está garantido até o final desta década. Contudo, vai ganhar uma edição especial de despedida, batizada com um nome que remete diretamente ao passado de glória do compacto italiano.

O nome escolhido é Autobianchi, marca fundada em 1955 por meio de uma joint venture entre a Bianchi, a Pirelli e a própria Fiat. O fabricante construiu a reputação no segmento de compactos, tendo no clássico A112 o maior sucesso de mercado.

Lançado em 1969 e construído sobre a plataforma de tração dianteira do Fiat 128, o pequeno hatch somou mais de 1,2 milhão de unidades produzidas até se despedir das linhas de montagem em 1986. A marca acabou sendo desativada em 1995, mas os seus direitos continuam sob o guarda-chuva da Stellantis.

Autobianchi A112 laranja parado de frente em fundo neutro
Autobianchi A112 [Divulgação]

O flagrante que entregou o jogo

Em vez de ressuscitar a Autobianchi como uma fabricante independente, a Stellantis preferiu estampar o logotipo histórico diretamente no modelo mais veterano da gama Fiat. O segredo foi revelado pela Quattroruote, que capturaram um protótipo do Pandina rodando fortemente camuflado. No entanto, com a inscrição Tributo Autobianchi nas portas traseiras.

Essa identidade visual deixa claro que a nova edição especial terá a nostalgia como ingrediente principal. Tudo indica que será baseado no Pandina Cross, trazendo de volta uma generosa dose de apliques plásticos. Além disso, deve incluir novos detalhes no para-choque dianteiro, rodas de liga leve com desenho exclusivo e uma pintura em tom bege-marrom vintage.

A tonalidade foi uma das cores usada pela Autobianchi no passado. Por dentro, o interior também deve receber atenção especial, possivelmente com revestimentos inéditos e toques retrô.

O Tributo Autobianchi manterá a veterana base do Panda padrão, que já se aproxima do fim do seu longo ciclo de vida. O compacto permanece praticamente intocado desde a estreia desta terceira geração, lançada em 2011. Atualmente, ele usa o motor 1.0 Firefly de três cilindros com sistema semi híbrido de 69 cv. O câmbio é manual de seis marchas e a tração dianteira.

Panda
Fiat Pandina [Divulgação]

A jogada jurídica contra os chineses

Contudo, por que ressuscitar um emblema extinto há mais de 30 anos? A resposta é jurídica e nas rígidas leis de patentes italianas. Pelas regras locais, uma montadora que deixar de utilizar uma marca histórica em um veículo de produção por um período de cinco anos corre o risco de perder os direitos legais sobre o nome.

Ao lançar o Pandina Tributo Autobianchi, a Stellantis zera esse cronômetro de forma estratégica, mantendo sua herança industrial bem protegido e sob total controle. A estratégia faz ainda mais sentido quando há alguns anos, surgiram fortes rumores de que o governo italiano planejava intervir e oferecer as marcas inativas Autobianchi e Innocenti para montadoras chinesas.

Perua Innocenti Elba vermelha parada de frente
Innocenti Elba [Divulgação]

Com a Fiat blindando os direitos sobre o nome por meio dessa edição especial, esse cenário perde força. Aliás, a menos que a própria Stellantis decida, por conta própria, estampar o emblema em um futuro compacto elétrico urbano da Leapmotor.

E você, o que achou dessa jogada estratégica da Fiat? Escreva nos comentários!

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Rafael Dea

Cursou Jornalismo para trabalhar com carros. Formado em 2005, atuou na mídia impressa por mais de 16 anos e também em veículos on-line. Embora tenha uma paixão por caminhonetes, não dispensa um esportivo — inclusive, foi o único brasileiro a participar do lançamento global do Porsche Panamera GTS.

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