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Jeep Avenger brasileiro parece igual ao europeu, mas muda onde importa

Produzido em Porto Real, SUV ganhou motor 1.0 flex, câmbio CVT e acerto próprio para nossas ruas, enquanto europeu pode ser até elétrico e 4x4

7 min de leitura

O Jeep Avenger brasileiro e o europeu parecem praticamente o mesmo carro, principalmente depois da atualização visual apresentada neste ano. Só que essa semelhança termina rápido quando a gente abre o capô ou olha com mais atenção para aquilo que existe por baixo da carroceria.

Por aqui, o Avenger usa motor 1.0 turbo flex ligado a uma bateria de 12 volts com câmbio CVT e um acerto pensado para nossas ruas. Na Europa, o cardápio é bem maior: tem 1.2 turbo, híbrido de 48V, versão elétrica e até 4xe com tração integral.

O Avenger nasceu justamente para a Europa. A Jeep apresentou o modelo no Salão de Paris, em outubro de 2022, e iniciou a produção na Polônia no começo de 2023. Três anos depois, a Stellantis trouxe o projeto para o Brasil, onde passou a produzi-lo em Porto Real (RJ).

Jeep Avenger Limited na cor Verde Boreal estático
Jeep Avenger Limited [Divulgação]

Até então, quando falávamos de Jeep nacional, a referência estava muito ligada à fábrica de Goiana (PE) com as arquiteturas Small Wide, que sustenta o Renegade, Compass, Commander, além das picapes Fiat Toro e Ram Rampage. O Avenger quebra essa lógica e aproveita a estrutura da CMP, plataforma dos modelos da Peugeot, Citroën e os futuros carros da Fiat.

Visualmente, agora quase não há diferença

Durante boa parte do desenvolvimento do Avenger nacional existia uma dúvida: o brasileiro chegaria com o visual antigo ou a Stellantis aproveitaria a atualização europeia apresentada em maio? No fim, ela foi pelo caminho mais lógico.

Jeep Avenger 85th Anniversary verde de frente
Jeep Avenger 85th Anniversary [divulgação]

Assim, a Jeep lançou o visual atualizado com novos para-choques, rodas redesenhadas, faróis Matrix LED, câmera dianteira e a nova grade com as sete fendas iluminadas. Na Europa, porém, receberá as novas unidades atualizadas apenas em setembro, enquanto no Brasil o modelo já está à venda com o novo visual. 

Aqui, a Limited também ilumina as sete fendas da grade, usa rodas de 18 polegadas e faróis Matrix LED. A Altitude começa com rodas de 16 polegadas, enquanto a Longitude passa para 17. Ou seja, olhando de fora, os dois estão muito próximos.

Jeep Avenger Limited na cor Verde Boreal em movimento
Jeep Avenger Limited [Divulgação]

O brasileiro é praticamente do mesmo tamanho do europeu, porém nos detalhes eles se diferem um pouco  O Avenger brasileiro mede 4,09 metros de comprimento, 1,77 m de largura, 1,58 m de altura e 2,56 m de entre-eixos.

Na Europa, o convencional tem só 1,53 m de altura. Isso acontece porque o Avenger nacional chega a 22,1 cm de vão livre do solo, enquanto o europeu atualizado trabalha com até 20 cm. Além disso, a Jeep mexeu em molas, amortecedores e calibração para adaptar o conjunto às nossas ruas.

Jeep Avenger Limited na cor Verde Boreal estático
Jeep Avenger Limited [Divulgação]

Essa mudança acontece por conta do nosso asfalto mil vezes mais castigado que a Europa, com lombadas, buraco, emendas e diversos cenários que prejudicam mais os ocupantes. 

Na Europa, o Avenger tem muito mais opções de motor

É debaixo do capô que a distância entre os dois realmente começa a crescer. Na Europa, o cliente pode escolher praticamente qual Avenger quer levar.

Jeep Avenger 85th Anniversary [Divulgação]

A versão mais simples usa um 1.2 turbo de três cilindros com 100 cv e 20,9 kgfm, sempre ligado ao câmbio manual de seis marchas e com tração dianteira. Depois aparece o e-Hybrid de 48V. Ele mantém o 1.2, mas adiciona um motor elétrico de 21 kW integrado ao câmbio automatizado de dupla embreagem e seis marchas e gera 136 cv. 

E aqui existe uma diferença importante em relação ao brasileiro: esse sistema consegue movimentar o carro apenas com eletricidade em algumas situações de baixa velocidade. Ou seja, não é igual aos MHEV vendidos no Brasil. Neste caso, chamamos ele de fato de híbrido.  

Jeep Avenger 85th Anniversary [Divulgação]

Além disso, existe o Avenger 100% elétrico, com 156 cv e 26,5 kgfm, bateria de 54 kWh e autonomia entre 385 e 400 km pelo ciclo WLTP. E, se ainda não bastasse, há o 4xe. O Avenger 4xe é é provavelmente a versão que mais se distancia daquilo que temos no Brasil.

Ele combina o motor 1.2 turbo com dois motores elétricos de 21 kW, um em cada eixo, chegando a 145 cv de potência máxima. O câmbio continua sendo de dupla embreagem com seis marchas, mas a grande diferença está na tração integral.

Jeep Avenger 4xe vermelho de traseira andando na terra
Jeep Avenger 4xe [Divulgação]

Em baixa velocidade, por exemplo, o sistema pode dividir a força em 50:50 entre dianteira e traseira. Nada disso aparece no Avenger brasileiro.

Aqui todo mundo usa o mesmo 1.0 T200

No Brasil, a Jeep simplifica a gama por mercado e estratégia. Todas as versões Altitude, Longitude e Limited usam o mesmo 1.0 T200 turbo flex de três cilindros, com 116 cv e 20,4 kgfm. O câmbio também não muda: é sempre o automático CVT com sete marchas simuladas. A tração fica somente na dianteira.

Jeep Avenger motor 1.0 turbo t200 mhev 12 volts
Jeep Avenger Limited [Divulgação]

Além disso, todas as versões usam o sistema MHEV de 12V. E os 116 cv chamam atenção porque esse mesmo T200 já entrega 125/130 cv em outros carros da Stellantis. No Avenger, porém, a potência caiu para encaixar o conjunto em uma faixa mais favorável dentro das novas regras do IPI Verde.

Suspensão também muda 

No Brasil, todos os Avenger usam McPherson na dianteira e eixo de torção na traseira. É uma solução bastante comum nesse segmento e que aparece em seus rivais.

Jeep Avenger 4xe vermelho de frente andando na terra
Jeep Avenger 4xe [divulgação]

A Jeep, porém, trabalhou o acerto especificamente para o nosso mercado, tentando equilibrar conforto com aquele controle de carroceria que normalmente esperamos de um Jeep.

Na Europa, as versões de tração dianteira também têm uma receita mais simples. Já o 4xe recebe a suspensão traseira Multilink independente, justamente para melhorar a articulação do eixo e trabalhar melhor com a tração integral. Com isso, também consegue enfrentar até 40 cm de água e trabalha com 21 cm de altura livre do solo.

O interior brasileiro tem uma cara própria

Jeep Avenger 4Xe [Divulgação]

Por dentro, o Avenger europeu usa botões para selecionar as marchas nas versões automáticas. Isso deixa toda a região central mais limpa e libera espaço no console. Aqui, como o brasileiro usa CVT, entrou uma alavanca de câmbio convencional, a mesma família de peça encontrada na Fiat Toro e com origem no Alfa Romeo Tonale.

Alguns comandos, como dos vidros, botões satélites escondido ao lado direito do volante, botões do teto e luzes de cortesia, entre outros, também vêm de carros como Peugeot 208 e 2008. Ou seja, a Stellantis aproveitou aquilo que já tinha dentro de casa para nacionalizar o carro sem inventar tudo novamente.

Jeep Avenger Limited interior e cabine
Jeep Avenger Limited [Divulgação]

Só que isso não significa que o brasileiro tenha ficado mais simples por dentro. A versão brasileira ganhou um acabamento melhor. Portanto, a Jeep trabalhou bastante na percepção de qualidade do Avenger nacional. Há materiais macios no painel e nas portas dianteiras que mudam conforme a versão.

Na Limited, aparecem bancos em vinil premium e iluminação ambiente configurável em oito cores. Para nós isso é positivo, já que o Avenger europeu original recebeu críticas justamente pelo excesso de plástico rígido.

Jeep Avenger Altitude interior e cabine
Jeep Avenger Altitude [Divulgação]

A atualização de 2026 corrigiu parte disso por lá, com materiais mais macios nas portas, aplicação acolchoada na parte inferior do painel e novos revestimentos.

Então aquela diferença que parecia enorme durante o desenvolvimento do brasileiro acabou diminuindo. Ainda assim, fica claro que a Stellantis olhou para o gosto do consumidor daqui e tentou dar ao Avenger nacional uma sensação de acabamento um pouco mais sofisticada.

Você preferia o Avenger brasileiro como está ou gostaria de ver por aqui o 4xe ou o elétrico europeu? Deixe sua opinião nos comentários!

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Luiz Forelli

Jornalista pela Faculdade Cásper Líbero, sempre fascinado por carros. Passava horas dirigindo no colo da família dentro da garagem ou empurrando carrinhos pela casa, como se já soubesse que seu caminho estaria entre motores e rodas. Hoje, realiza o sonho de infância escrevendo sobre o universo automotivo com a mesma empolgação de quem brincava com um volante imaginário. No lugar do sangue, corre gasolina, e isso nunca foi segredo.

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