O segmento de SUVs grandes estava adormecido no Brasil até a chegada do GWM Haval H9. Afinal, por muitos anos o Toyota SW4 dominou a categoria sem dar chances ao Chevrolet Trailblazer e ao saudoso Mitsubishi Pajero Sport. No entanto, existe um modelo capaz de esquentar — e muito — essa disputa, mas que continua longe das nossas concessionárias: o Ford Everest.
Lançado originalmente em 2003 como derivado da Ford Ranger tailandesa, o modelo está atualmente na terceira geração e parece feito sob medida para o Brasil. Afinal, ele deriva diretamente da atual Ranger, que tem conquistado bons resultados por aqui, ainda que continue atrás da Toyota Hilux.
Produzido na Tailândia desde 2022, de onde também saem as unidades importadas da Ranger Raptor, o Ford Everest segue uma proposta diferente da adotada por Toyota SW4 e GWM Haval H9, embora dispute exatamente o mesmo público.


Assume sem vergonha o papel de SUV da Ranger
Toyota SW4 e GWM Haval H9 compartilham diversos componentes com Hilux e Poer P30, respectivamente. Ainda assim, os dois adotam identidades visuais completamente distintas das picapes das quais derivam. O modelo da Toyota aposta em linhas mais refinadas e arredondadas. Já o SUV da GWM investe em um visual mais quadrado e robusto, sem sequer compartilhar a estrutura da Poer.
O Ford Everest segue por outro caminho. Ele não esconde em nenhum momento que é o SUV da Ranger. Os dois modelos compartilham a mesma dianteira, incluindo os faróis em formato de C e a grade cromada atravessada por uma barra que invade o conjunto óptico.

A principal diferença está no para-choque. No SUV, o desenho é mais sutil e elegante, dispensando as barras verticais que surgem na parte inferior e emolduram a grade frontal da picape. Além disso, a porta dianteira é a mesma nos dois modelos, enquanto a traseira muda completamente.
O Everest traz uma terceira janela integrada ao vidro lateral, solução diferente da utilizada pelo Toyota SW4. Além disso, ele aposta em lanternas interligadas, com o nome do modelo estampado ao centro. Já os elementos verticais em LED tentam remeter ao visual do Mustang.

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Oferece soluções mais sofisticadas que SW4 e H9
Por dentro, Everest e Ranger são quase idênticos. O desenho da cabine muda muito pouco, mas o SUV entrega acabamento superior. Boa parte da região superior do painel recebe revestimento macio ao toque, enquanto algumas versões acrescentam detalhes em couro. Além disso, o nome Everest aparece estampado no lado do passageiro.
Um dos maiores diferenciais do modelo diante dos rivais está no sistema dos bancos traseiros. A terceira fileira conta com rebatimento elétrico acionado por botões localizados no porta-malas. Assim, a operação fica mais simples e prática do que nos bancos laterais do Toyota SW4 ou nos assentos retráteis do GWM Haval H9.

SUV da Ranger já usa os mesmos motores vendidos no Brasil
Durante anos, a Ford justificou a ausência do Everest no Brasil alegando que o SUV utilizava motores indisponíveis na linha Ranger nacional. Nas primeiras fases da geração atual, ele oferecia o 2.3 turbo a gasolina ou o 2.0 turbo diesel de quatro cilindros.
Contudo, o processo de globalização do Ford Everest mudou esse cenário. O SUV da Ranger passou a utilizar os mesmos conjuntos mecânicos da picape. Com isso, adotou tanto o motor 2.0 turbo diesel das versões de entrada quanto o excelente 3.0 V6 turbo diesel.



Ou seja, o Ford Everest já compartilha motores, plataforma e diversos componentes com a Ranger vendida no Brasil. Dessa forma, o que parece faltar para sua chegada não é estrutura técnica, mas sim disposição da Ford. Principalmente agora que o GWM Haval H9 mostrou que o reinado do Toyota SW4 está longe de ser inabalável.
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