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Avanço chinês

Nissan pode abrir espaço para chinesas em fábrica da Europa após cortes e crise

Montadora japonesa vai reduzir operações no Reino Unido e já conversa com empresas chinesas para ocupar capacidade ociosa

4 min de leitura

A Nissan continua tentando reorganizar suas contas globalmente, mas a situação do fabricante japonês continua longe de ser confortável. Depois de fechar fábricas e reduzir produção em outros mercados, agora os cortes começam a atingir também as operações da marca na Europa.

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Segundo informações publicadas pelo jornal Financial Times, a Nissan pretende diminuir cerca de 10% da sua força de trabalho no velho continente. Com isso, falamos de cerca de 900 empregos afetados nos próximos meses. Além disso, a empresa também deve enxugar outras áreas da operação. Um centro logístico de peças em Barcelona, na Espanha, será reduzido, enquanto as operações de distribuição nos países nórdicos também passarão por reestruturações.

Todavia, a ação mais impactante deve acontecer no Reino Unido. A fábrica de Sunderland deve passar a operar com apenas uma linha de produção. Segundo os relatos, a planta atualmente trabalha com cerca de 50% da sua capacidade. Ou seja, deixar duas linhas funcionando já não faz muito sentido financeiramente.

Chinesas podem ocupar espaço da Nissan

Com isso, começou a surgir uma a possibilidade que há poucos anos parecia improvável: a Nissan pode negociar com montadoras chinesas para usar parte da estrutura da fábrica britânica. Conforme os relatos, uma das empresas envolvidas seria a Chery. A marca vem aumentando sua expansão global e quer aumentar sua produção fora da China para reduzir custos logísticos, impostos e barreiras comerciais.

A própria Nissan confirmou ao Financial Times que estuda oportunidades com terceiros para maximizar a utilização da planta. Essa situação não é isolada, pois a BYD também negocia assumir parte da antiga fábrica da Volkswagen em Dresden. E a Geely também pode estar em negociação com a Ford por uma parte da fábrica na Espanha.

Geely EX5 DM-i Ultra verde de dianteira
Geely EX5 DM-i Ultra [Auto+ / João Brigato]

Ou seja, não seria surpresa ver as marcas chinesas começarem justamente a ocupar espaços deixados pelas montadoras tradicionais dentro da própria Europa.

Nissan tenta sobreviver à pressão chinesa

A Nissan não tem muito caminho se não se aliar em alguma chinesa, seja para salva-la ou ganhar alguma rentabilidade. Pois, a ascensão dos fabricantes chinesas está cada vez mais forte. E o cenário só não é pior porque nos Estados Unidos não temos veículos chineses.

Nos quatro primeiros meses de 2026, a Nissan vendeu apenas 28.389 carros no Reino Unido, uma queda de 13,3% em relação ao ano passado. Enquanto isso, a BYD já soma 26.396 unidades no mesmo período, ficando praticamente empatada com a japonesa. A Jaecoo também aparece muito próxima, com 22.789 veículos vendidos.

Desta forma, a Nissan começa a ver concorrentes chinesas encostando em mercados onde antes tinha presença extremamente consolidada.

Fábricas chinesas viram estratégia global

As fabricantes chinesas também perceberam que depender apenas de exportação já não faz tanto sentido. Por isso, produzir localmente ajuda a reduzir tarifas, melhora logística e fortalece a presença regional. A própria BYD já constrói fábricas na Hungria e na Turquia, enquanto outras marcas estudam operações industriais na Europa e América Latina.

No caso da Nissan, Volkswagen e Ford, porém, o cenário chama ainda mais atenção porque estamos falando de uma fabricante tradicional abrindo espaço dentro da própria casa para possíveis rivais chinesas. Algo que até pouco tempo atrás não imaginávamos.

Nissan Gravite Launch Edition verde de frente
Nissan Gravite Launch Edition [divulgação]

E você, acha que as montadoras tradicionais conseguirão reagir ao avanço chinês? Escreva nos comentários!

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Luiz Forelli

Jornalista pela Faculdade Cásper Líbero, sempre fascinado por carros. Passava horas dirigindo no colo da família dentro da garagem ou empurrando carrinhos pela casa, como se já soubesse que seu caminho estaria entre motores e rodas. Hoje, realiza o sonho de infância escrevendo sobre o universo automotivo com a mesma empolgação de quem brincava com um volante imaginário. No lugar do sangue, corre gasolina, e isso nunca foi segredo.

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