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Toyota, GM e VW querem banir carros chineses dos EUA antes que seja tarde

Associação que reúne algumas das maiores fabricantes do mundo pressiona o Congresso americano para reformar as restrições atuais em uma proibição permanente

6 min de leitura

Enquanto as fabricantes chinesas avançam grandiosamente no Brasil, na Europa e em outros mercados, os Estados Unidos continuam praticamente fechados para a BYD, GWM e Geely. E, pelo menos se depender de algumas das maiores montadoras do mundo, essa situação não vai mudar tão cedo, já que querem que as restrições atuais virem banimento permanente das fabricantes chinesas em território americano. 

Segundo a agência Reuters, a Alliance for Automotive Innovation, associação que representa Toyota, General Motors, Volkswagen e outras fabricantes, está pressionando o Congresso americano para aprovar uma proibição permanente de veículos chineses no país, com aprovação ainda em 2026. 

A solicitação acontece logo após as eleições legislativas de meio de mandato, que aconteceram no dia 3 de novembro, e antes da retomada das atividades do Congresso, prevista para a próxima semana.

Honda Civic
Honda Civic [Divulgação]

A associação representa, além das já citadas que formalizou o pedido ao Congresso, a Ford, Honda, Hyundai, Kia, BMW, Mercedes-Benz, Nissan, Porsche, Ferrari, Jaguar Land Rover, McLaren, Mitsubishi, Stellantis e Subaru, além de empresas de tecnologia e fornecedoras de componentes automotivos.

O argumento é que a chegada das fabricantes chinesas poderia prejudicar os investimentos realizados pela indústria americana e, principalmente, colocar em risco a segurança dos dados dos motoristas. Todavia, nós sabemos que um dos medos de várias montadoras é porque os carros chineses vêm conquistando consumidores em diferentes partes do mundo devido aos preços competitivos e alta tecnologia. 

Por que as montadoras querem proibir os carros chineses?

BYD Dolphin SE [Auto+ / Rafael Pocci Déa]

Em uma carta enviada aos parlamentares, John Bozzella, presidente da Alliance for Automotive Innovation, defendeu que os Estados Unidos precisam proteger sua indústria de uma possível entrada em massa de veículos chineses.

“Precisamos proteger o mercado dos Estados Unidos de uma enxurrada de importações chinesas que trazem riscos de vigilância”, afirmou o executivo, que também mencionou os investimentos de longo prazo feitos pelas fabricantes estabelecidas no país.

central multimídia GWM Wey 07 [Auto+ / João Brigato]
GWM Wey 07 [Auto+ / João Brigato]

A preocupação com a segurança que eles alegam está principalmente nos sistemas de conectividade. Afinal, os carros atuais conseguem ter informações sobre localização, trajetos, hábitos de direção e até dados pessoais dos ocupantes.

Na avaliação da associação, veículos que tenham softwares ou componentes desenvolvidos por empresas chinesas poderiam permitir acesso indevido a essas informações. O receio da associação é tanto a privacidade dos consumidores quanto a possibilidade de interferência externa em sistemas automotivos.

BYD Dolphin Mini [Auto+ / João Brigato]

Entretanto, essas preocupações são apenas uma justificativa apresentada pela indústria e autoridades americanas. Isso porque não existe nenhuma comprovação que os veículos chineses compartilhem informações com o governo da China.

Além da segurança, há uma questão comercial. A associação argumenta que as fabricantes chinesas recebem subsídios governamentais e conseguem oferecer veículos a preços que dificultariam a concorrência com empresas estabelecidas nos Estados Unidos.

Jaecoo 5 [Auto+ / Rafael Pocci Déa]

Afinal, General Motors, Honda, Ford, Toyota, Volkswagen e outras marcas têm fábricas, fornecedores e milhares de empregos em território americano. Com a chegada de novos concorrentes com preços inferiores, eles poderiam pressionar as margens de lucro e obrigar essas empresas a rever suas estratégias.

Carros chineses já estão proibidos nos Estados Unidos?

Na verdade, os Estados Unidos já tem a barreira mais rígida do mundo contra veículos chineses. Uma das principais restrições é sobre as tarifas de importação. Em 2024, durante o governo de Joe Biden, os Estados Unidos elevaram para 100% a tarifa adicional sobre carros elétricos importados da China. Considerando outros impostos de importação, a tributação supera esse percentual.

Jetour T2 4x4 XWD na cor Prata Veneer parado na terra estático
Jetour T2 4×4 [Auto+/Luiz Forelli]

Ou seja, mesmo que uma fabricante chinesa quisesse comercializar seus veículos no país, a carga tributária praticamente tiraria boa parte da vantagem de preço que esses modelos têm em outros mercados. Contudo, não é só isso não. 

E aquela agonia comentada por Bozzella vem de janeiro de 2025. Nessa data o Departamento de Comércio americano estabeleceu novas regras para veículos conectados, restringindo a comercialização de automóveis com determinados softwares e componentes ligados à China e à Rússia. Assim, a regulamentação entrou em vigor em março do ano passado. 

GWM Tank 300 cinza de frente
GWM Tank 300 [Auto+ / João Brigato]

Essas restrições abrangem veículos a partir da linha 2027, tirando qualquer chance de vendas de carros  conectados por fabricantes controladas por empresas chinesas. Por isso, uma BYD, Chery, entre outras, não tem e nem irão vender carros nos EUA tão cedo, aparentemente. 

Porém, curiosamente, a BYD tem presença no país. A chinesa mantém uma fábrica de ônibus elétricos em Lancaster, na Califórnia. Além disso, o mercado americano recebe veículos produzidos na China e modelos de empresas ligadas a grupos chineses.

Chery Stockman [Auto+ / Luiz Forelli]
Chery Stockman [Auto+ / Luiz Forelli]

Um exemplo é a Volvo, controlada pela Geely, que obteve uma autorização específica para continuar suas operações dentro das regras americanas. Já a Polestar, também ligada ao grupo chinês, não recebeu a mesma autorização para comercializar novos veículos a partir da linha 2027.

Trump chegou a defender fábricas chinesas nos Estados Unidos

Apesar da pressão da indústria, o presidente Donald Trump demonstrou uma posição diferente em setembro. Em uma entrevista ao programa The Ingraham Angle, da Fox News, ele afirmou que não seria contrário à instalação de fábricas chinesas em território americano. “Se a China quisesse abrir uma fábrica para produzir seus carros aqui, eu aceitaria”, declarou Trump. 

Ford Ranger Raptor [Auto+ / Rafael Pocci Déa]

O presidente argumentou que fabricantes japonesas já produzem veículos nos Estados Unidos e empregam trabalhadores americanos. Portanto, sua principal condição seria que as empresas chinesas seguissem esse mesmo caminho, gerando empregos e investimentos locais.

Por outro lado, Trump deixou claro que não apoiaria a instalação de fábricas chinesas no México para abastecer o mercado americano por meio de importações. Essa declaração não foi nada legal entre os fabricantes e parlamentares que defendem o fechamento do mercado. 

Nissan Rogue/X-Trail na cor azul
Nissan Rogue/X-Trail [Divulgação]

Isso porque uma produção local poderia contornar parte das barreiras tarifárias, embora não eliminasse aquelas restrições relacionadas à origem das empresas e dos sistemas eletrônicos. O curioso é que esse posicionamento de Trump é totalmente ao contrário com a política de restrições que os próprios EUA vêm adotando contra as chinesas.

E você, acredita que os EUA deveriam permitir a entrada das fabricantes chinesas? Deixe seu comentário!

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Luiz Forelli

Jornalista pela Faculdade Cásper Líbero, sempre fascinado por carros. Passava horas dirigindo no colo da família dentro da garagem ou empurrando carrinhos pela casa, como se já soubesse que seu caminho estaria entre motores e rodas. Hoje, realiza o sonho de infância escrevendo sobre o universo automotivo com a mesma empolgação de quem brincava com um volante imaginário. No lugar do sangue, corre gasolina, e isso nunca foi segredo.

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