A Volkswagen passou 45 anos concentrada em caminhões e ônibus no Brasil, mas agora resolveu descer um degrau importante no mercado. A empresa vai entrar pela primeira vez no segmento de vans e utilitários leves, com um novo modelo desenvolvido em parceria com a chinesa SAIC.
A estreia acontecerá durante a Fenatran, entre os dias 9 e 13 de novembro, em São Paulo. Entretanto, já sabemos que o primeiro produto será um furgão de carga a diesel, inicialmente importado da China, antes de uma possível produção na América Latina.
Nova van terá origem chinesa, mas projeto brasileiro
A parceria com a SAIC ajuda a entender como a Volkswagen pretende entrar tão rápido em um segmento completamente novo. O grupo chinês já possui uma gama extensa de comerciais leves por meio da Maxus, a mesma marca em que a nova geração da Amarok será baseada, aproveitando a parceria que o Grupo Volkswagen tem há mais de quatro décadas.

Assim, a nova van da deriva do Maxus Deliver 9, embora a alemã ainda mantenha nome e especificações finais em segredo. O modelo vendido internacionalmente já existe com motor diesel e também em configurações elétricas, o que abre espaço para uma família bem maior no futuro.
Isso, porém, não significa que a Volkswagen simplesmente colocará seu logotipo em um produto chinês pronto. A engenharia brasileira trabalha há mais de dois anos no projeto e modificou ou aprimorou mais de 250 componentes e sistemas para adequar o veículo às condições daqui.
Os protótipos passaram por testes de durabilidade, diferentes pavimentos e situações mais severas de uso. Afinal, uma van que trabalha todos os dias carregada no Brasil precisa suportar uma realidade bastante diferente daquela encontrada em outros mercados.

Essa adaptação será uma das principais armas do comercial. A empresa já conhece o uso profissional brasileiro por causa das famílias Delivery, Constellation e Meteor, mas agora tenta aplicar essa experiência em um produto muito menor.
Primeiro modelo será diesel e manual
A Volkswagen ainda esconde a ficha técnica brasileira, mas já definiu a estratégia inicial. A primeira versão será voltada ao transporte de cargas, terá motor diesel e câmbio manual. Outras configurações deverão aparecer posteriormente.
No exterior, o Maxus Deliver 9 utiliza motor 2.0 turbodiesel e também possui versões totalmente elétricas. Entretanto, a Volkswagen não confirmou que repetirá exatamente essa motorização no Brasil.
A escolha pelo diesel faz mesmo com a eletrificação avançando neste mercado também. O diesel ainda concentra boa parte do volume entre vans maiores, principalmente quando entram na conta autonomia, carga, disponibilidade de recarga e custo operacional.
Além disso, a Volkswagen pretende começar com uma configuração mais generalista antes de ampliar a gama. Chassi-cabine, versões para passageiros, diferentes entre-eixos e outras motorizações aparecem como possibilidades para etapas posteriores.
Volkswagen vai brigar com Sprinter e Master

Entrar nesse segmento significa enfrentar concorrentes que já construíram uma relação longa com frotistas e motoristas profissionais, como a Mercedes-Benz Sprinter e Renault Master, Ford Transit, Iveco Daily, Fiat Ducato e até o Peugeot Boxer e o Citroën Jumper.
A própria Volkswagen estima um mercado de aproximadamente 50 mil unidades por ano e trabalha para chegar a 20% de participação no médio prazo. Isso significaria algo próximo de 10 mil veículos anuais quando a operação estiver consolidada.
Van chinesa pode virar brasileira depo
As primeiras unidades virão prontas da China porque essa é a maneira mais rápida de colocar o projeto nas ruas. Todavia, a Volkswagen já estuda regionalizar a produção e parte dos componentes na América Latina.
O investimento inicial chega a R$ 300 milhões e faz parte de uma estratégia maior de expansão. Curiosamente, uma eventual produção regional não está necessariamente presa à fábrica de Resende, no Rio de Janeiro, já que a empresa avalia alternativas para essa nova operação.
Depois do Brasil, a Argentina será o próximo mercado. A expectativa é levar o utilitário ao país vizinho no primeiro semestre de 2027, ampliando gradualmente a presença da nova família na região.
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