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Uma tristeza!

Nissan Frontier sai de linha no Brasil e sucessora virá da China

Picape atual deixa o catálogo depois de quase três décadas de história no país

6 min de leitura

Algumas fabricantes tradicionais estão recorrendo cada vez mais a projetos chineses para reduzir custos e acelerar o desenvolvimento de novos produtos. E o mundo das picapes entrou também nesse cenário. A Volkswagen prepara uma nova Amarok derivada de um projeto da SAIC, Fiat/Ram já aproveitaram a base chinesa da Changan para criar Titano e Dakota, e agora, a Nissan tira a Frontier de linha para seguir o mesmo caminho. 

Com isso, a Frontier que conhecemos acaba de sair de cena no Brasil. A atual geração desapareceu do catálogo da Nissan e a fabricante confirmou a Quatro Rodas que seu ciclo comercial chegou ao fim por aqui. A expectativa que havia de trocar a origem argentina pelo México acabou então não se concretizando. 

Ou seja, depois de quase três décadas com uma Frontier disponível no país, a Nissan ficará temporariamente sem uma picape nas concessionárias. Todavia, não será por muito tempo. A substituta já roda em testes no Brasil e vai mudar completamente a receita que conhecemos. 

A Frontier brasileira chegou ao fim depois de quase 30 anos

Nissan Frontier 2003 estática
Nissan Frontier [Divulgação]

O nome Frontier estreou oficialmente no Brasil em 1998, embora a Nissan já vendesse sua antecessora D21 por aqui antes disso. A primeira geração começou importada e, em 2002, virou também o primeiro Nissan produzido no Brasil, na fábrica de São José dos Pinhais (PR), onde atualmente é a planta da Renault. 

Depois veio a segunda geração. As primeiras unidades chegaram importadas, inclusive da Espanha e depois da Tailândia, até a produção nacional começar em 2008. Essa geração permaneceu por aqui até a metade da década passada. Em 2017, a terceira geração estreou importada do México. Já no fim de 2018, a produção sul-americana migrou para Santa Isabel, na Argentina, de onde passou a sair as unidades vendidas no Brasil. 

Nissan Frontier LE 2.5 4x4 AT 2010
Nissan Frontier LE 2.5 [Divulgação]

E foi justo essa operação argentina que começou a definir o fim da Frontier atual. A Nissan encerrou a produção em Santa Isabel em outubro de 2025 dentro do plano global de reestruturação para conter a crise. Como a planta pertence à Renault, o espaço no centro industrial ficará para a futura picape intermediária da francesa, a Niagara. 

Voltando à Nissan, inicialmente, a ideia era concentrar novamente as exportações do México para continuar abastecendo a América Latina. Contudo, esse plano ficou pelo caminho. 

Nem a Frontier mexicana vai salvar a geração atual

Nissan Frontier Pro-4X [Auto+ / Rafael Pocci Déa]

A expectativa era que a Nissan faria uma estratégia parecida com a Volkswagen quando mudou a origem do Taos também.Só que isso não aconteceu. A Nissan preferiu encerrar de vez o ciclo da Frontier atual no Brasil e preparar a chegada de um produto muito mais diferente. 

As últimas unidades vendidas por aqui ficaram concentradas principalmente nas versões Attack, Platinum e Pro-4X. Todas utilizavam o conhecido motor 2.3 biturbo diesel de 190 cv e 45,9 kgfm, combinado ao câmbio automático de sete marchas e tração 4×4. 

Nissan Frontier Pro-4X cinza parada de frente
Nissan Frontier Pro-4X [Auto+ / Rafael Pocci Déa]

Embora seja um motor muito consolidado, ela já começava a parecer bastante conservador diante daquilo que o segmento está preparando para os próximos anos. A substituta mostra exatamente o tamanho dessa mudança.

A próxima Frontier brasileira nasce na China

A Frontier Pro foi apresentada oficialmente no Salão de Xangai de 2025 e nasceu dentro da joint venture entre Nissan e Dongfeng (DFM) na China. Ou seja, apesar do nome japonês na grade, sua origem técnica está diretamente ligada ao mercado chinês. A picape compartilha sua base com a Dongfeng Z9, mas recebeu desenho, calibração e identidade próprios da Nissan.

Nova Nissan Frontier híbrida de lateral na cor amarela
Nova Nissan Frontier híbrida [Auto+ / Felipe Yamauchi]

Com isso, a Frontier Pro funciona quase como um atalho. Até porque em vez de gastar anos criando uma picape eletrificada do zero, a marca aproveitou uma arquitetura já desenvolvida junto à parceira chinesa e adaptou o produto para vender também fora daquele mercado.

Sai o diesel, entra um híbrido plug-in de mais de 400 cv

A versão híbrida plug-in combina um motor 1.5 turbo a gasolina com um motor elétrico e transmissão dedicada para híbridos. Assim, a picape gera 410 cv e 81,6 kgfm na especificação chinesa.  O sistema híbrido plug-in utiliza uma bateria de 32,5 kWh nas configurações mais completas.

Nissan Frontier Pro PHEV amarela de frente
Nissan Frontier Pro PHEV [divulgação]

Com ela, a Frontier Pro consegue rodar até 135 km sem ligar o motor a combustão pelo ciclo otimista chinês CLTC. Por isso, naturalmente esse número cairá quando o modelo passar pela homologação brasileira. 

Ela também ficou bem maior

A mudança aparece até na fita métrica. A Frontier que saiu de linha no Brasil tinha 5,26 metros de comprimento, 1,85 m de largura e 3,15 m de entre-eixos. Já a Frontier Pro chinesa chega a 5,49 m de comprimento, 1,96 m de largura, 1,95 m de altura e 3,30 m de entre-eixos.  Ou seja, ela cresce mais de 20 cm em comprimento e também fica consideravelmente mais larga.

Nissan Frontier Pro PHEV [Divulgação]

E por dentro a mudança vai na mesma direção com um quadro de instrumentos digital, central multimídia vertical de 14,6 polegadas, teto solar panorâmico e, dependendo da versão, bancos dianteiros com aquecimento, ventilação e até massagem. 

Frontier virou uma pequena bagunça mundial

Falar simplesmente da nova geração da Frontier ficou cada vez mais complicado porque a Nissan usa nomes diferentes para picapes distintas dependendo do mercado. Nos Estados Unidos, por exemplo, existe uma Frontier própria, desenvolvida principalmente para a América do Norte.

Nissan Frontier Pro [divulgação]
Nissan Frontier Pro [divulgação]

Em outros mercados, a conhecida Navara que era igual a nossa Frontier, vai receber uma nova geração e se distanciar da nossa velha conhecida. Agora, China e parte da América Latina vai receber essa Frontier Pro derivada do projeto desenvolvido com a Dongfeng.

Ou seja, não existe necessariamente uma única Frontier global que substitui todas as outras. A Nissan passou a adaptar o nome para produtos diferentes dependendo da necessidade de cada região. 

Você prefere essa nova Frontier Pro híbrida ou acha que a Nissan deveria ter mantido uma opção turbodiesel? Compartilhe seu comentário!

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Luiz Forelli

Jornalista pela Faculdade Cásper Líbero, sempre fascinado por carros. Passava horas dirigindo no colo da família dentro da garagem ou empurrando carrinhos pela casa, como se já soubesse que seu caminho estaria entre motores e rodas. Hoje, realiza o sonho de infância escrevendo sobre o universo automotivo com a mesma empolgação de quem brincava com um volante imaginário. No lugar do sangue, corre gasolina, e isso nunca foi segredo.

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