Algumas fabricantes tradicionais estão recorrendo cada vez mais a projetos chineses para reduzir custos e acelerar o desenvolvimento de novos produtos. E o mundo das picapes entrou também nesse cenário. A Volkswagen prepara uma nova Amarok derivada de um projeto da SAIC, Fiat/Ram já aproveitaram a base chinesa da Changan para criar Titano e Dakota, e agora, a Nissan tira a Frontier de linha para seguir o mesmo caminho.
Com isso, a Frontier que conhecemos acaba de sair de cena no Brasil. A atual geração desapareceu do catálogo da Nissan e a fabricante confirmou a Quatro Rodas que seu ciclo comercial chegou ao fim por aqui. A expectativa que havia de trocar a origem argentina pelo México acabou então não se concretizando.
Ou seja, depois de quase três décadas com uma Frontier disponível no país, a Nissan ficará temporariamente sem uma picape nas concessionárias. Todavia, não será por muito tempo. A substituta já roda em testes no Brasil e vai mudar completamente a receita que conhecemos.
A Frontier brasileira chegou ao fim depois de quase 30 anos

O nome Frontier estreou oficialmente no Brasil em 1998, embora a Nissan já vendesse sua antecessora D21 por aqui antes disso. A primeira geração começou importada e, em 2002, virou também o primeiro Nissan produzido no Brasil, na fábrica de São José dos Pinhais (PR), onde atualmente é a planta da Renault.
Depois veio a segunda geração. As primeiras unidades chegaram importadas, inclusive da Espanha e depois da Tailândia, até a produção nacional começar em 2008. Essa geração permaneceu por aqui até a metade da década passada. Em 2017, a terceira geração estreou importada do México. Já no fim de 2018, a produção sul-americana migrou para Santa Isabel, na Argentina, de onde passou a sair as unidades vendidas no Brasil.

E foi justo essa operação argentina que começou a definir o fim da Frontier atual. A Nissan encerrou a produção em Santa Isabel em outubro de 2025 dentro do plano global de reestruturação para conter a crise. Como a planta pertence à Renault, o espaço no centro industrial ficará para a futura picape intermediária da francesa, a Niagara.
Voltando à Nissan, inicialmente, a ideia era concentrar novamente as exportações do México para continuar abastecendo a América Latina. Contudo, esse plano ficou pelo caminho.
Nem a Frontier mexicana vai salvar a geração atual

A expectativa era que a Nissan faria uma estratégia parecida com a Volkswagen quando mudou a origem do Taos também.Só que isso não aconteceu. A Nissan preferiu encerrar de vez o ciclo da Frontier atual no Brasil e preparar a chegada de um produto muito mais diferente.
As últimas unidades vendidas por aqui ficaram concentradas principalmente nas versões Attack, Platinum e Pro-4X. Todas utilizavam o conhecido motor 2.3 biturbo diesel de 190 cv e 45,9 kgfm, combinado ao câmbio automático de sete marchas e tração 4×4.

Embora seja um motor muito consolidado, ela já começava a parecer bastante conservador diante daquilo que o segmento está preparando para os próximos anos. A substituta mostra exatamente o tamanho dessa mudança.
A próxima Frontier brasileira nasce na China
A Frontier Pro foi apresentada oficialmente no Salão de Xangai de 2025 e nasceu dentro da joint venture entre Nissan e Dongfeng (DFM) na China. Ou seja, apesar do nome japonês na grade, sua origem técnica está diretamente ligada ao mercado chinês. A picape compartilha sua base com a Dongfeng Z9, mas recebeu desenho, calibração e identidade próprios da Nissan.

Com isso, a Frontier Pro funciona quase como um atalho. Até porque em vez de gastar anos criando uma picape eletrificada do zero, a marca aproveitou uma arquitetura já desenvolvida junto à parceira chinesa e adaptou o produto para vender também fora daquele mercado.
Sai o diesel, entra um híbrido plug-in de mais de 400 cv
A versão híbrida plug-in combina um motor 1.5 turbo a gasolina com um motor elétrico e transmissão dedicada para híbridos. Assim, a picape gera 410 cv e 81,6 kgfm na especificação chinesa. O sistema híbrido plug-in utiliza uma bateria de 32,5 kWh nas configurações mais completas.

Com ela, a Frontier Pro consegue rodar até 135 km sem ligar o motor a combustão pelo ciclo otimista chinês CLTC. Por isso, naturalmente esse número cairá quando o modelo passar pela homologação brasileira.
Ela também ficou bem maior
A mudança aparece até na fita métrica. A Frontier que saiu de linha no Brasil tinha 5,26 metros de comprimento, 1,85 m de largura e 3,15 m de entre-eixos. Já a Frontier Pro chinesa chega a 5,49 m de comprimento, 1,96 m de largura, 1,95 m de altura e 3,30 m de entre-eixos. Ou seja, ela cresce mais de 20 cm em comprimento e também fica consideravelmente mais larga.

E por dentro a mudança vai na mesma direção com um quadro de instrumentos digital, central multimídia vertical de 14,6 polegadas, teto solar panorâmico e, dependendo da versão, bancos dianteiros com aquecimento, ventilação e até massagem.
Frontier virou uma pequena bagunça mundial
Falar simplesmente da nova geração da Frontier ficou cada vez mais complicado porque a Nissan usa nomes diferentes para picapes distintas dependendo do mercado. Nos Estados Unidos, por exemplo, existe uma Frontier própria, desenvolvida principalmente para a América do Norte.
![Nissan Frontier Pro [divulgação]](https://www.automaistv.com.br/wp-content/uploads/2025/10/Nissan-Frontier-Pro-PHEV-2026-1.webp)
Em outros mercados, a conhecida Navara que era igual a nossa Frontier, vai receber uma nova geração e se distanciar da nossa velha conhecida. Agora, China e parte da América Latina vai receber essa Frontier Pro derivada do projeto desenvolvido com a Dongfeng.
Ou seja, não existe necessariamente uma única Frontier global que substitui todas as outras. A Nissan passou a adaptar o nome para produtos diferentes dependendo da necessidade de cada região.
Você prefere essa nova Frontier Pro híbrida ou acha que a Nissan deveria ter mantido uma opção turbodiesel? Compartilhe seu comentário!


