“Montar um carro no Brasil corrobora cada vez mais com a credibilidade que a marca vai ter junto ao consumidor. É o certo, o honesto”, com essa frase, Henrique Sampaio, diretor de marketing, produto e relações públicas da Jetour, deixou claro que o futuro da marca chinesa é se tornar uma fabricante nacional.
Durante o Podcast Auto+, o executivo foi questionado sobre os planos para uma fábrica da Jetour no Brasil, e o sinal foi totalmente positivo. Só que Henrique ainda não revelou como essa fábrica será viabilizada no país: “Só posso falar para você que vai ter fábrica no Brasil.”
“Se eu falar que vai ser com alguém ou não, se vai comprar ou se vai montar fábrica, aí amanhã talvez eu tenha que escolher outra marca para trabalhar”, disse Henrique em tom amigável. Isso porque a Jetour já decidiu internamente qual caminho seguirá para nacionalizar seus carros.
Jetour avalia caminhos para produzir no Brasil
A Jetour tem algumas alternativas. A mais cara é erguer uma fábrica própria do zero, como muitas montadoras de luxo fizeram na época do Inovar Auto. Outra possibilidade, seguida por GWM e BYD, é assumir a fábrica ociosa de alguma montadora que saiu do Brasil ou está prestes a deixar de produzir no país e adaptar a estrutura para sua operação.
A terceira alternativa, adotada por GAC e MG, é usar uma parceira local para viabilizar a fabricação nacional. A GAC vai usar a planta da Mitsubishi em Catalão, enquanto a MG divide a linha de montagem com os elétricos chineses da GM em Horizonte, no Ceará, onde eram fabricados os carros da Troller.

Grupo Chery pode facilitar a nacionalização?
O fato de a Jetour fazer parte do grupo Chery pode facilitar muita coisa, embora sua operação seja totalmente separada da CAOA Chery e da Chery International, responsável por Omoda & Jaecoo, Lepas e iCaur. A Jetour pode usar uma das fábricas dessas empresas? Sim, mas essa possibilidade é bem menor.
A grande questão é que a nacionalização será feita por etapas, para reduzir custos e preparar o terreno. Nenhuma marca chinesa começou a fabricar carros no Brasil com uma grande quantidade de itens nacionais. O processo começa com a montagem em SKD ou CKD e avança gradualmente, com a nacionalização de componentes e a chegada de fornecedores ao país.

Ao ser questionado se a Jetour seguirá o mesmo caminho, Henrique Sampaio afirmou que “é para fabricar. No começo você vai ter alguma coisa na linha de SKD e ir nacionalizando. É aí que mora o segredo da eficiência e onde fica cada vez mais competitivo no Brasil”.
“E poder produzir aqui gera mais emprego, desenvolve tecnologia, desenvolve fornecedores e traz cada vez mais confiança do consumidor para dentro da sua marca. O consumidor fica cada vez mais seguro ao saber que o carro é produzido aqui”, finaliza o executivo.

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