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Jetour registra picape gigante anti-Hilux de 904 cv no Brasil

Nova F700 combina motor híbrido plug-in, porte superior ao da Toyota Hilux e interior luxuoso

5 min de leitura

O mercado brasileiro de picapes está cada vez mais movimentado com a chegada das fabricantes chinesas, que começaram a disputar espaço com as tradicionais Toyota Hilux, Ford Ranger e Chevrolet S10. Inclusive, algumas montadoras conhecidas já aproveitam projetos chineses para desenvolver suas próprias caminhonetes. Agora, a Jetour também pode entrar nessa disputa com a F700 que foi registrada no INPI. 

A fabricante chinesa, que pertence ao grupo Chery, registrou o desenho industrial da Jetour F700 no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), uma picape híbrida plug-in que chama atenção pelos seus 904 cv. Entretanto, vale lembrar que o registro no INPI não significa necessariamente que a picape será vendida no Brasil. 

O procedimento serve para proteger o desenho do veículo e impedir que outras empresas reproduzam sua aparência sem autorização. Mas também pode indicar que a fabricante estuda sua chegada ao país.

Jetour F700 tem o mesmo conjunto híbrido do G700

Jetour F700 INPI
Jetour F700 no INPI [Reprodução]

A F700 faz parte da linha Zongheng, divisão mais sofisticada da Jetour, que também abriga o gigantesco G700, SUV já confirmado para o mercado brasileiro. Além de compartilharem a mesma plataforma GAIA, os dois utilizam o sistema híbrido plug-in CDM-O, desenvolvido para veículos de alto desempenho e com capacidade fora de estrada.

Debaixo do capô, a picape combina um motor 2.0 turbo a gasolina de 211 cv com outros dois motores elétricos, um em cada eixo. Eles trabalham com uma transmissão DHT de duas marchas, exclusiva para veículos híbridos. Com isso, o conjunto entrega malucos 904 cv e 115,7 kgfm de torque.

Jetour F700 Estático na cor bege
Jetour F700 [Reprodução]

Para ter uma ideia, a BYD Shark, que já é uma das picapes mais potentes vendidas no Brasil, entrega 437 cv e 65 kgfm de torque. A F700 praticamente dobra essa potência e acelera de 0 a 100 km/h em apenas cinco segundos, enquanto sua velocidade máxima chega aos 180 km/h.

Além disso, a Jetour utiliza uma bateria de aproximadamente 34,1 kWh, fornecida pela CATL. Com isso, ela permite rodar até 150 km apenas com eletricidade pelo ciclo chinês CLTC. Já a autonomia combinada pode alcançar 1.300 km, enquanto o consumo declarado fica em em torno dos 12,5 km/l no ciclo WLTC.

Jetour F700 Estático na cor bege
Jetour F700 [Reprodução]

Outro destaque é a arquitetura elétrica de 800 volts, que permite recuperar de 30% a 80% da bateria em cerca de dez minutos em condições adequadas de recarga rápida. A F700 também pode dar eletricidade para equipamentos externos, inclusive por meio de uma tomada instalada na caçamba.

Maior que Hilux, Ranger e até BYD Shark

Se a motorização impressiona, o tamanho não fica muito atrás. A Jetour F700 mede 5,49 metros de comprimento, 2,05 m de largura, 1,98 m de altura e 3,35 metros de entre-eixos, portanto supera Toyota Hilux, Ford Ranger e Chevrolet S10 em comprimento com folga.

Jetour F700 Estático na cor bege
Jetour F700 [Reprodução]

Inclusive, ela consegue ser ligeiramente maior que a própria BYD Shark, que já está entre as maiores picapes da categoria e mede 5,45 metros. Já o visual segue a proposta do G700, com linhas bastante quadradas, frente elevada, faróis de LED e uma enorme grade dianteira.

A estrutura utiliza carroceria sobre chassi, suspensão independente de braços duplos nos dois eixos e tração integral inteligente. Além disso, o sistema oferece bloqueios de diferencial, diferentes modos de condução e capacidade declarada de atravessar trechos alagados de até 90 centímetros.

Jetour F700 Estático na cor cinza
Jetour F700 [Reprodução]

Entretanto, existe um detalhe curioso quando olhamos para a caçamba. Apesar de ter aproximadamente 1.300 litros de volume, a capacidade de carga declarada na China varia de apenas 181 a 223 kg, dependendo da configuração, muito abaixo de uma Hilux ou Ranger que passam facilmente dos 1.000 kg de carga. Por outro lado, a capacidade de reboque chega a 3.500 kg, mostrando que ela ainda pode puxar trailers e outros equipamentos pesados.

Interior parece mais um SUV de luxo

Por dentro, a Jetour também resolveu seguir um caminho bem diferente das picapes tradicionais. O painel tem acabamento sofisticado, console central elevado e um volante com as partes superior e inferior achatadas, além de uma enorme central multimídia de 15,6 polegadas.

Jetour F700 INTERIOR
Jetour F700 [Reprodução]

Mas a principal diferença está na tela panorâmica de 35,4 polegadas, que atravessa praticamente toda a parte inferior do para-brisa. A solução lembra o BMW Panoramic Vision, que mostra informações de velocidade, navegação e funcionamento do sistema híbrido, além de dados úteis para o fora de estrada, como bússola e inclinação da carroceria.

A F700 também pode ter configurações para quatro ou cinco ocupantes, com direito a bancos dianteiros com massagem, aquecimento e ventilação, enquanto os passageiros traseiros também podem ter bancos aquecidos e ventilados.

JETOUR F700 interior
Jetour F700 [Divulgação]

Além disso, a lista de equipamentos tem teto solar panorâmico, carregamento de celular por indução, comandos de voz, estacionamento automático e câmeras com visão de 540 graus. Há ainda assistentes de condução semiautônoma, além de sistemas que ajudam a controlar velocidade e trajetória durante viagens.

Por enquanto, a Jetour não confirmou se realmente pretende vender a F700 no Brasil, muito menos quando isso poderia acontecer. Entretanto, considerando que a fabricante já prepara a chegada do G700 ao país e agora registrou sua picape no INPI, a possibilidade de ampliar a linha para além dos SUVs começa a ganhar força.

E você, acha que uma picape híbrida de 904 cv teria espaço no mercado brasileiro? Deixe seu comentário!

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Luiz Forelli

Jornalista pela Faculdade Cásper Líbero, sempre fascinado por carros. Passava horas dirigindo no colo da família dentro da garagem ou empurrando carrinhos pela casa, como se já soubesse que seu caminho estaria entre motores e rodas. Hoje, realiza o sonho de infância escrevendo sobre o universo automotivo com a mesma empolgação de quem brincava com um volante imaginário. No lugar do sangue, corre gasolina, e isso nunca foi segredo.

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