Desde que a Citroën foi reestruturada dentro da Stellantis para ser a marca de baixo custo e de entrada do grupo, foram criadas duas linhas de produtos diferentes para duas regiões. O Brasil e a Índia receberam C3, Basalt e Aircross em suas variantes mais simples, enquanto a Europa abriu mão do SUV cupê e tem versões mais sofisticadas da dupla de compactos.
Contudo, os números mostraram que a estratégia da Europa foi mais bem acertada do que a de Brasil e Índia. Será que ainda dá tempo de recuperar o mercado da Citroën nesses dois mercados ou ela corre o risco de deixar de existir nessas regiões? Vamos analisar.
De janeiro a junho de 2026, a Citroën vendeu 17.501 carros no Brasil, sendo que a marca líder por aqui é a Fiat, com 270.941 emplacamentos. Na Índia foram 4.908 carros, sendo que a Suzuki, líder de mercado, emplacou 1.026.976 carros no mesmo período. Já na França, tivemos 21.281 carros da Citroën vendidos no primeiro semestre, onde a líder é a Renault, com 54.875 carros.

Isso já mostra a diferença de penetração da marca em cada um dos países. Na França, ela é a terceira marca mais vendida; no Brasil, é a décima quinta, enquanto na Índia é a penúltima. E o resultado indiano chama mais atenção porque é o que tem a mesma linha de produtos do Brasil.
O problema dos carros mais baratos
O Basalt, que aqui é o carro mais vendido da Citroën com 7.620 unidades, é o que menos emplaca na Índia. No mesmo período de janeiro a junho, foram vendidas só 329 unidades do SUV cupê. Sem contar que, em relação a 2025, segundo dados do Team-BHP, ele perdeu 86,9% das vendas.

Por outro lado, o Aircross teve crescimento de 44,9% nos emplacamentos, mas ainda é fraco. Foram 512 emplacamentos nos seis primeiros meses do ano. No Brasil, a Fenabrave computa somente os 40 SUVs mais vendidos do país e o Aircross não aparece entre eles. Significa que ele vendeu menos de 2.464 unidades no ano, que é o volume do CAOA Changan Uni-T, o 40º SUV mais vendido do país.
Na França, por outro lado, ele é um dos carros mais vendidos. Se somados os emplacamentos do Aircross a combustão e do elétrico, foram 16.064 unidades, o tornando o décimo segundo carro mais vendido do país. O C3 é o mais vendido por lá, com 28.477 unidades emplacadas, o que o deixa em terceiro lugar no ranking divulgado pela Fiev.

Aqui no Brasil, o C3 é o 53º carro mais vendido do país. Considerando apenas hatches, compactos e subcompactos, visto que ele fica no meio do caminho, o Citroën é o décimo mais vendido, com 6.743 unidades emplacadas. Já na Índia, ele conquistou 4.063 novos compradores no mesmo período.
Europa mostra outro caminho
Qual seria a solução? Visto o nível maior de sofisticação dos produtos franceses da Citroën e o maior êxito dos modelos por lá, a divisão brasileira poderia usar o visual europeu e o interior mais tecnológico como inspiração para a reestilização dos modelos. Assim, poderia haver um novo ânimo para as vendas deles.
![Citroën C3 Aircross europeu [divulgação]](https://www.automaistv.com.br/wp-content/uploads/2024/04/citroen_e-c3_aircross_37_edited-1320x791.jpg)
Entretanto, nos corredores da Stellantis ainda não se fala sobre mudanças visuais para os modelos franceses no Brasil, enquanto a operação indiana corre seríssimo risco de ser fechada. Honestamente, a Citroën merece mais chance do que o nosso mercado tem dado a ela.
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