Os sedans já foram muito populares, sendo que o primeiro modelo em série com os três volumes bem definidos foi o Cadillac Model Thirty (Four-Door Sedan), de 1911. Já o precursor dos SUVs cupês é mais recente, com a moda inaugurada pelo SsangYong Actyon em 2005. São duas escolas separadas por 94 anos, mas que se cruzam entre o Citroën Basalt Feel Turbo 200 AT e o Fiat Cronos Drive 1.3 AT, ambos na faixa abaixo dos R$ 120.000.
Enquanto o Citroën Basalt Feel Turbo 200 AT começa em R$ 117.990 (com preço promocional de R$ 112.690), o Fiat Cronos Drive 1.3 AT parte de R$ 119.990 sem o pacote S-Design (R$ 4.090), um opcional que confere uma personalidade mais esportiva, incluindo rodas de 15 polegadas escurecidas, além de outros itens de conforto e conveniência.
Ambos os fabricantes estão sob o guarda-chuva da Stellantis. O Fiat Cronos é sustentado pela plataforma MP-S (sigla para Modular Platform Sedan), derivada da MP1 do Argo, enquanto o Citroën Basalt emprega a base CMP (Common Modular Platform). Essa arquitetura também dá vida aos Citroën C3 e C3 Aircross, além dos Peugeot 208 e 2008 e também do Jeep Avenger.

Portanto, o Fiat Cronos Drive equipado com o pacote S-Design e pintura sólida vermelho Monte Carlo eleva o preço a R$ 125.070. O sedan mede 4,36 m de comprimento, 1,72 m de largura, 1,50 m de altura e 2,52 m de entre-eixos. O porta-malas é de 525 litros, volume superior ao de concorrentes como o Volkswagen Virtus (521) e o Chevrolet Onix Plus (500).
Cronos e Basalt: estilos e proporções diferentes
O Fiat Cronos mostra os três volumes bem definidos, enquanto o Citroën Basalt exibe o caimento abrupto do teto em direção à tampa do porta-malas. Uma característica que, embora inaugurada pelo Ssangyong Actyon, se popularizou com o BMW X6. Na fita métrica, o Citroën Basalt possui 4,34 m de comprimento, 1,82 m de largura, 1,58 m de altura e 2,64 m de entre-eixos. Já o compartimento de bagagens é de 490 litros.


Uma das grandes sacadas do Citroën Basalt, além do visual que pode agradar a uma parcela maior de brasileiros, está no espaço para pernas e joelhos de quem viaja no banco traseiro. Afinal, os 2,52 m do Cronos o deixam com 12 cm a menos em relação ao SUV cupê. Algo que, para passageiros mais altos, faz toda a diferença no conforto.
O Basalt surfa a onda do momento, contudo, o caimento do teto cria um ponto cego na traseira, o que exige atenção com pilares baixos, veículos ou motociclistas durante as manobras. Já os três volumes do Cronos proporcionam melhor visibilidade, embora o vidro traseiro seja menor. Em ambos, os retrovisores são amplos e ajudam na vida do motorista.


Apesar disso, tanto o Cronos quanto o Basalt oferecem uma posição de dirigir confortável, com bancos que trazem espumas de boa densidade e acomodam bem a região lombar. No entanto, o assento curto deles pode incomodar após horas ao volante por conta da sustentação das pernas.
Acabamento e vida a bordo: plásticos para que te quero
Ambos os carros trazem acabamento interno composto por plásticos rígidos. Entretanto, o Cronos, lançado em 2017 como substituto de Siena, Grand Siena e Linea, é um projeto maduro, com superfícies texturizadas e um isolamento acústico superior, que deixa do lado de fora os ruídos do motor e do ambiente. Os encaixes e arremates mais bem executados transmitem a sensação de uma cabine mais robusta.
Já o Citroën Basalt, parte da família C-Cubed, foca no custo-benefício de aquisição. Embora o acabamento das laterais de porta e do painel exibam áreas revestidas e sensíveis ao toque. Todavia, são concessões feitas para conseguir entregar um produto a um preço competitivo.


De série, o Fiat Cronos Drive traz multimídia de sete polegadas com Android Auto e Apple CarPlay sem fio, faróis Full LED, quadro de instrumentos com tela de 3,5 polegadas, vidros e retrovisores elétricos, ar-condicionado, sensor de estacionamento traseiro e coluna de direção ajustável em altura.
O pacote S-Design (R$ 4.090) adiciona ar-condicionado digital automático, bancos com acabamento exclusivo, câmera de ré, chave presencial, badge S-Design nos para-lamas frontais, função tilt-down no retrovisor direito, volante revestido em couro e rodas de liga leve de 15 polegadas escurecidas, que compõem o visual junto do spoiler estilo ducktail sobre a tampa do porta-malas.

Lista de equipamentos e segurança
O Citroën Basalt é produzido tanto no Brasil, no Polo Automotivo de Porto Real (RJ), quanto na Índia, na fábrica de Thiruvallur. Já o Cronos nasce em Córdoba, na Argentina. A versão Feel Turbo 200 AT é a segunda do catálogo do SUV, posicionada acima da Feel 1.0 manual.
Ela transmite de série quatro airbags (contra dois do Cronos), ar-condicionado digital, monitoramento da pressão dos pneus (também presente no Cronos), direção eletricamente assistida, coluna de direção ajustável em altura e central multimídia com tela de 10 polegadas com Android Auto e Apple CarPlay sem fio.



Quando colocamos a lista na ponta do lápis, o Citroën Basalt Feel Turbo 200 AT aposta no que salta aos olhos em tecnologia e segurança: entrega o motor Turbo 200, quatro airbags, quadro de instrumentos digital TFT de sete polegadas e tela multimídia maior.
Por outro lado, o Fiat Cronos Drive S-Design dá o troco no refinamento do dia a dia. Ele compensa as telas menores com a praticidade da chave presencial, partida por botão, luzes de neblina Full LED, volante em couro e o retrovisor direito com função tilt-down.


Desempenho e motorização: turboflex vs. aspirado
Aqui estão duas propostas distintas: o Cronos emprega a mecânica 1.3 Firefly de quatro cilindros naturalmente aspirada, enquanto o Basalt usa o tricilíndrico 1.0 Turbo 200 com injeção direta. Em ambos, a transmissão é a continuamente variável (CVT) com sete marchas simuladas e possibilidade de trocas sequenciais pela própria alavanca seletora de marchas.
O motor do Basalt pode vibrar um pouco mais em marcha lenta, característica intrínseca aos três cilindros, mas compensa pelo fôlego superior. Com etanol, o SUV cupê rende 130 cv e 20,4 kgfm, contra 107 cv e 13,7 kgfm do Cronos. É uma vantagem expressiva de 23 cv e 6,7 kgfm, que faz toda a diferença em retomadas e ultrapassagens.


A relação peso-potência é de 9,09 kg/cv no Basalt e de 11,03 kg/cv no Cronos (com pesos de 1.182 kg e 1.180 kg, respectivamente). O SUV cupê, vencido o turbolag, caminha à frente com mais disposição. No Cronos, o desempenho é entregue sem atrasos na resposta do acelerador, mas a vivacidade do motor turbo do Basalt agrada mais ao volante.
Cronos e Basalt: ruído a bordo, aceleração e consumo
Embora entregue uma condução mais acesa, o Citroën Basalt sofre mais com ruídos aerodinâmicos acima dos 100 km/h, deixando passar para dentro da cabine o vento no para-brisa e nos retrovisores. Em contrapartida, escuta-se o turbocompressor enchendo e a válvula aliviando a pressão, o que, para quem gosta de carro, é pura música. Além disso, o modelo da Citroën tem a manta acústica no capô.
O Cronos controla melhor os barulhos externos graças ao isolamento acústico mais caprichado. No entanto, é mais lento: a aceleração de 0 a 100 km/h no Fiat ocorre em 11,6 segundos, contra 9,6 segundos no Basalt. São dois segundos de diferença que traduzem na nítida sensação de esperteza do modelo da Citroën.



Na hora do abastecimento, as medições do Inmetro mostram que a maior eficiência do motor naturalmente aspirado dá vantagem ao sedan. O Cronos registra, com etanol, médias de 8,9 km/l na cidade e 10,7 km/l na estrada, enquanto com gasolina os números sobem para 12,6 km/l e 14,6 km/l, respectivamente.
Já o Basalt crava, abastecido com etanol, 8,4 km/l no ciclo urbano e 9,6 km/l no rodoviário, passando para 12,1 km/l e 13,7 km/l quando abastecido com gasolina, nas mesmas condições. Em ambos os modelos, o reservatório de combustível comporta 47 litros.

Comportamento dinâmico e suspensão
O Cronos adota suspensão McPherson na dianteira e eixo de torção na traseira, exatamente a mesma arquitetura do Basalt. No entanto, o ajuste do Cronos é ligeiramente mais firme. O Basalt filtra e absorve melhor as irregularidades do piso, mas deixa a carroceria rolar mais em curvas rápidas. O vão livre do solo do Citroën é de 208 mm, contra 183 mm do Fiat.
Em acelerações mais radicais, a dianteira do Basalt empina mais do que a do Cronos. A direção do Citroën é leve ao esterçar, mas poderia ser um pouco mais pesada em velocidades de rodovia. Já o Cronos entrega um peso de direção mais correto para a estrada.


Os pedais de ambos oferecem boa modulação. O conjunto de freios do Cronos traz discos ventilados de 257 mm na frente e tambores de 203 mm atrás. No Basalt, por conta da maior potência, os discos dianteiros sobem para 284 mm.
Outro diferencial está no ângulo de entrada: 20,5° no Basalt contra 19,7° no Cronos, o que faz o sedan ter uma tendência ligeiramente maior de raspar a dianteira em valetas e lombadas. Apesar disso, as rodas são de liga leve nos dois carros, sendo de 15 polegadas escurecidas com pneus de medidas 185/60 no Cronos e 16 polegadas com pneus 205/60 no Basalt.


Veredicto
No fim das contas, a disputa entre os dois carros revela como receitas opostas atacam praticamente a mesma faixa. O Fiat Cronos se apoia na maturidade, bem como no porta-malas 525 litros, além de outras comodidades. Apesar disso, cobrando em troca a paciência de um motor 1.3 naturalmente aspirado e um espaço traseiro mais acanhado.
O Citroën Basalt Feel T200 AT foca na mecânica turbinada e no conjunto mais esperto, multimídia maior e o entre-eixos de 2,64 m. Além disso, os 208 mm de vão livre do solo garantem a paz de espírito para vencer valetas ou lombadas sem medo.


Na ponta do lápis, o custo com as revisões programadas até os 60.000 km é de R$ 7.187 no Cronos e de R$ 4.900 no Basalt (preço base São Paulo). O Cronos vence na entrega de um produto mais silencioso e tradicional para a família. Já o Basalt leva a melhor ao entregar o pacote mais moderno e divertido, sendo a escolha para quem busca a vivacidade do turbo.
Portanto, o Basalt é o campeão do comparativo. O Cronos fica como a escolha racional e conservadora de quem gosta da condução mais próxima do solo, uma característica dos sedans, assim como pelo desenho tradicional com os três volumes bem definidos.


Ficha técnica: Fiat Cronos Drive 1.3 AT S-Design
- Preço: R$ 119.990 (R$ 125.070 com opcionais)
- Motor: Quatro cilindros 1.3 8V naturalmente aspirado
- Potência e torque: 107 cv a 6.250 rpm e 13,6 kgfm a 4.000 rpm (etanol) / 98 cv a 6.250 rpm e 13,1 kgfm a 4.00 rpm (gasolina)
- Transmissão: CVT de 7 marchas simuladas
- 0 a 100 km/h: 11,6s (etanol) e 12,4s (gasolina)
- Tração: dianteira
- Medidas: 4,36 m de comprimento / 1,72 m de largura / 1,50 m de altura / 2,52 m de entre-eixos
- Porta-malas: 525 litros
- Altura livre do solo: 15,8 cm
- Consumo: 8,9 km/l na cidade e 10,7 km/l na estrada (etanol) / 12,6 km/l na cidade e 14,6 km/l na estrada (gasolina)
Ficha técnica: Citroën Basalt Feel Turbo 200 AT
- Preço: promocionais R$ 112.690 (R$ 114.680 com opcionais)
- Motor: Três cilindros 1.0 12V turbo e injeção direta
- Potência e torque: 130 cv a 5.750 rpm e 20,4 kgfm a 1.750 rpm (etanol) / 125 cv a 5.750 rpm e 20,4 kgfm a 1.750 rpm (gasolina)
- Transmissão: CVT de 7 marchas simuladas
- 0 a 100 km/h: 9,6 segundos (etanol)
- Tração: dianteira
- Medidas: 4,34 m de comprimento / 1,74 m de largura / 1,58 m de altura / 2,64 m de entre-eixos
- Porta-malas: 490 litros
- Altura livre do solo: 20,8 cm
- Consumo: 8,3 km/l na cidade e 9,6 km/l na estrada (etanol) / 11,9 km/l na cidade e 13,7 km/l na estrada (gasolina)
Se você estivesse com R$ 120.000, qual deles levaria para a garagem: o fôlego do turbo com visual de SUV cupê do Basalt ou o estilo tradicional do Cronos? Escreva nos comentários!


