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Em tempos de IA, Volkswagen Saveiro resgata a conexão homem-máquina | Avaliação

Entre a nostalgia e a razão: dirigir a Volkswagen Saveiro Trendline CS é um resgate aos tempos da condução puramente analógica

7 min de leitura

Em tempos de inteligência artificial e de tantas facilidades na palma da mão, os carros assumiram quase que totalmente as rédeas da condução. Aliás, a depender do modelo, perdeu-se aquela conexão pura entre homem e máquina. Não dá para ir contra a tecnologia, pois ela ajuda, é verdade, porém, dirigir a Volkswagen Saveiro Trendline CS é uma experiência analógica que remete diretamente a 2009, quando ela estreou como linha 2010.

Era uma época em que o mundo andava mais devagar, sem o imediatismo, a quantidade de redes sociais e o bombardeio de informações da atualidade. A Volkswagen Saveiro é uma máquina do tempo, representando um período no qual se vivia de forma menos acelerada. Embora atualizada ao longo dos anos, ela manteve a plataforma que mistura as arquiteturas PQ24 e PQ25.

Digo isso, afinal, participei do lançamento da picapinha há quase duas décadas, logo após a chegada do Gol totalmente renovado em 2008. Mas a nostalgia não começa apenas pelo exterior. Para quem tinha 18 anos nos anos 2000, um dos grandes sonhos de consumo era ter uma Saveirinho, de preferência rebaixada e montada sobre rodas Orbitais de 15 polegadas.

Volkswagen Saveiro Trendline CS prata parada de traseira
Volkswagen Trendline CS [Auto+ / Rafael Pocci Déa]

Só que é ao embarcar na cabine que percebemos como os estudos de ergonomia evoluíram. Ainda assim, tudo está lá: a posição de dirigir mais baixa, os comandos posicionados à mão, inclusive com o característico click dos botões dos vidros elétricos, e o próprio desenho e densidade das espumas dos bancos.

Até o ajuste de altura do banco, no qual temos que movimentar o corpo para regular, e o som do fechar da porta é típico daquela época, assim como os comandos dos espelhos retrovisores elétricos na exata mesma posição no painel da porta do motorista. Até o cheiro do habitáculo guarda um toque do passado, enquanto faróis e lanternas usam lâmpadas halógenas. Há um espaço para acomodar objetos atrás dos bancos.

Comandos elétricos dos retrovisores da Volkswagen Saveiro  Trendline CS
Volkswagen Trendline CS [Auto+ / Rafael Pocci Déa]

Volkswagen Saveiro é um retorno à história

Outra sonoridade peculiar é a partida do motor 1.6 aspirado da família EA211, associado ao câmbio manual de cinco marchas MQ200, que traz o ponto de embreagem mais baixo e acionamento macio. No entanto, o que continua brilhando são os engates da transmissão: precisos e leves, são como faca quente na manteiga durante as trocas ou reduções.

Se quem gosta de carro identifica a partida de um motor Volkswagen de longe, independentemente da época, o mesmo pode ser dito do funcionamento da transmissão, que eleva o prazer de dirigir tanto dirigindo de forma tranquila quanto de maneira mais esportiva. Além disso, como antigamente, é possível realizar as trocas no tempo! Os mais saudosistas vão lembrar dessa diversão ao volante, que gerava desafios entre os amigos.

Volkswagen Trendline CS [Auto+ / Rafael Pocci Déa]

Por não ter turbocompressor nem injeção direta, trata-se de um conjunto simples e robusto, equipado com duplo comando de válvulas variável na admissão. Isso se traduz em uma manutenção descomplicada, daquelas em que qualquer profissional da reparação consegue mexer sem mistérios. O resultado desse matrimônio mecânico aparece nos até 116 cv e 16,1 kgfm quando abastecido com etanol.

Os 1.076 kg em ordem de marcha resultam em uma relação peso-potência de 9,27 kg/cv, fazendo a Volkswagen Saveiro Trendline CS andar de acordo com a sua proposta. O fôlego aparece a partir de pouco acima das 2.500 rpm e o utilitário ganha velocidade sem esforços. Claro, não há aquela prontidão imediata do turbocompressor, mas mesmo assim ela não faz feio.

Grudada no chão

Apesar de utilizar uma suspensão de concepção simples, o acerto do conjunto se encarrega de deixar a Volkswagen Saveiro grudada no chão. Ela adota a arquitetura McPherson na dianteira e eixo de torção atrás, ostentando a típica calibração firme da marca de outros tempos. Sem dúvidas, durante a convivência, a sensação foi a de voltar para um período diferente da Volkswagen em comparação com os dias de hoje.

A direção oferece assistência hidráulica, sendo mais pesada ao esterçar em baixas velocidades, como em manobras e balizas, quando comparada aos sistemas elétricos atuais. De todo modo, o diâmetro de giro de 12,3 m facilita as manobras em locais apertados, como garagens de apartamento. A ajuda é reforçada pela visibilidade, assim como os sensores de estacionamento traseiros.

Rodas da Volkswagen Saveiro Trendline CS
Volkswagen Trendline CS [Auto+ / Rafael Pocci Déa]

Apesar da idade do projeto, a Volkswagen Saveiro traz alerta de frenagem de emergência, controles eletrônicos de tração e estabilidade, assistente de partida em rampas e bloqueio eletrônico do diferencial. A boa notícia fica por conta dos freios a disco nas quatro rodas, sendo ventilados no eixo frontal e sólidos no traseiro.

É um carro sem frescuras, mas que não esquece de alguns mimos, embora cobrados à parte. O pacote opcional Trendline Conforto (R$ 6.450) adiciona a coluna de direção com ajuste de altura e profundidade, câmera de ré, faróis de neblina, ganchos para amarração de carga, capota marítima, rodas de liga leve de 15 polegadas vestidas por pneus de medidas 205/60 e protetor de caçamba.

Volkswagen Trendline CS [Auto+ / Rafael Pocci Déa]

A caçamba da Volkswagen Saveiro

Outro pacote opcional disponível é o Composition Touch II (R$ 4.250), que soma dois alto-falantes e dois tweeters, tomada USB-A, central multimídia Composition Touch com tela de nove polegadas e volante multifuncional. Portanto, completa, a Volkswagen Saveiro Trendline CS atinge o preço final de R$ 135.040 quando pintada no tom metálico Prata Sirius.

Esse valor a coloca em patamar equivalente ao da Fiat Strada Volcano 1.3, que custa a partir de R$ 136.490, mas oferece cabine dupla com quatro portas. Sob o capô da rival, contudo, o motor 1.3 aspirado é associado ao câmbio manual de cinco marchas, entregando 107 cv e 13,6 kgfm quando abastecido com o combustível vegetal.

De todo modo, o dia a dia com a Volkswagen Saveiro é descomplicado, seja por não enroscar com facilidade em lombadas e valetas devido ao ângulo de entrada de 23,8º e aos 196 mm de altura em relação ao solo, seja pelo consumo de combustível. Segundo dados do Inmetro, as médias com etanol são de 7,7 km/l na cidade e 8,8 km/l na estrada, enquanto com gasolina os números sobem para 11,2 km/l e 12,9 km/l, na ordem. O tanque de combustível é de 55 litros.

No entanto, quem procura uma caminhonete está de olho na capacidade de carga. A caçamba da Volkswagen Saveiro Trendline CS comporta 924 litros (VDA) e suporta até 664 kg de carga útil. O conforto no manuseio fica por conta da tampa traseira, muito leve de operar até mesmo com uma só mão. O acesso ao compartimento é facilitado pelo degrau integrado na lateral da carroceria, recurso que lembra o utilizado pela segunda geração da Chevrolet Montana. Já a barra traseira ajuda a proteger o vidro contra impactos.

Volkswagen Trendline CS [Auto+ / Rafael Pocci Déa]

Veredicto

A Volkswagen Saveiro é uma veterana. Embora resgate a nostalgia de conduzir um veículo nostálgico do fabricante, ela se firma como uma alternativa racional para quem busca um utilitário de manutenção simples. No entanto, o preço inicial de R$ 122.490 cobrado por esta configuração Trendline CS a coloca em uma faixa obscura, principalmente com a chegada da Tukan.

Trata-se de um projeto que não esconde a idade, apesar de todas as suas virtudes em termos de robustez e facilidade mecânica. Aliás, falando em custos, o plano de revisões do fabricante prevê um desembolso total de R$ 6.436,97 até os 60.000 km, considerando as manutenções preventivas realizadas a cada 10.000 km ou um ano.

E você, o que acha da Volkswagen Saveiro? Teria uma? Caso seja dono ou ex-proprietário, compartilhe sua experiência nos comentários!

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Rafael Dea

Cursou Jornalismo para trabalhar com carros. Formado em 2005, atuou na mídia impressa por mais de 16 anos e também em veículos on-line. Embora tenha uma paixão por caminhonetes, não dispensa um esportivo — inclusive, foi o único brasileiro a participar do lançamento global do Porsche Panamera GTS.

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