Com personalidade furtiva, sobrenome que remete ao helicóptero militar Sikorsky UH-60 Black Hawk e tabelado em R$ 278.990, o Jeep Compass Blackhawk esconde uma condução explosiva que agora também bebe etanol. Aliás, muito antes da criação da Stellantis em 2021, o Fiat 147, lançado em 1979, entrava para a história como o primeiro carro do mundo movido pelo combustível vegetal.
Para que o Jeep Compass Blackhawk pudesse adotar a tecnologia flex, o motor Hurricane 2.0 turbo passou por modificações técnicas. O pacote de engenharia inclui novas bombas de combustível, injetores e velas de ignição, além de alterações na admissão e no turbocompressor. O conjunto recebeu ainda uma calibração inédita para o propulsor de quatro cilindros para o gerenciamento do câmbio automático de nove marchas.
Na prática, os 272 cv a 5.200 rpm e os 40,8 kgfm a 3.000 rpm resultam em um 0 a 100 km/h em breves 6,3 segundos, com máxima de 228 km/h. Ou seja, não há qualquer perda nos números de desempenho ou nas rotações de entrega quando comparado à versão antecessora, que aceitava apenas gasolina. Este é um SUV que seduz pela agilidade e responde de prontidão, transmitindo um temperamento aceso e entregando uma relação peso-potência de 6,32 kg/cv.

Jeep Compass jatão
O que realmente conquista no Jeep Compass Blackhawk é a entrega de força imediata. Não é preciso brigar com o acelerador: com meio curso, o motor já enche e o SUV se projeta à frente, ganhando ou retomando velocidade com facilidade. É um utilitário esportivo que consegue entregar uma dupla personalidade.
Ao mesmo tempo em que não nega fogo na estrada, ele se comporta de maneira dócil e amigável no trânsito urbano do cotidiano, rodando com uma reserva de força invejável que deixa a constante sensação de “sobrar” motor.


Essa característica vigorosa também é vista no Ford Bronco Sport, que recentemente teve o preço reduzido para R$ 249.900, e na caminhonete Ford Maverick Lariat Black. Sobretudo, vale lembrar que o motor Hurricane 2.0 também equipa a Ram Rampage R/T (com preço a partir de R$ 275.990) e o Jeep Wrangler Rubicon (tabelado em R$ 529.990).
No Compass, o propulsor trabalha associado à transmissão automática de nove marchas (ZF 9HP), que permite trocas sequenciais por meio das borboletas atrás do volante ou pela própria alavanca. O câmbio atua de forma praticamente imperceptível, mostrando-se rápido nas reduções e garantindo um casamento mecânico exemplar em prol da performance.

É um Jeep Compass mais firme nas curvas, sem castigar a coluna
Sustentado pela plataforma Small Wide, o Jeep Compass utiliza suspensão independente nas quatro rodas. Todavia, o acerto do Blackhawk é visivelmente mais rígido em comparação com as versões Sport, Longitude e Série S com motor T270, o que beneficia diretamente a estabilidade nas curvas.
As rodas de 19 polegadas vêm calçadas com pneus de perfil 235/45. Trata-se da mesma medida utilizada no Compass Série S T270 (R$ 233.990), que entrega 176 cv e 27,5 kgfm. Portanto, a diferença exata de R$ 45.000 entre as duas configurações é amplamente justificada pelo poder de fogo extra sob o capô.


A dinâmica do Blackhawk flex foi calibrada para lidar com a cavalaria extra. O SUV contorna curvas com pouca rolagem de carroceria e transmite muita segurança, auxiliado por uma direção com assistência elétrica rápida nas respostas e no retorno. É um jatão que, embora apresente uma tendência natural ao subesterço no limite, é extremamente fácil e dócil de controlar.
Para domar toda essa força, o sistema de freios recebeu atenção especial. Os discos dianteiros são ventilados e têm generosos 330 mm de diâmetro, enquanto os traseiros são sólidos com 278 mm. Trata-se de um conjunto maior que o da versão Sport, por exemplo, que utiliza discos de 305 mm na frente.

Tração integral
Aliás, o Jeep Compass Blackhawk flex entrega mais potência do que SUVs híbridos chineses, como o BYD Song Plus (R$ 249.990), que desenvolve 240 cv e 40,8 kgfm combinados, e o GWM Haval H6 Premium HEV (R$ 199.990), com seus 248 cv e 54,5 kgfm. Mesmo pesando 1.720 kg em ordem de marcha e mais alto que um Volkswagen Jetta GLi (1.527 kg), o SUV da Jeep acelera como um sedan esportivo.
Há pouco turbolag, que é vencido rapidamente. Toda essa disposição é distribuída pelo sistema de tração sob demanda. Embora não traga seletor de modos de condução, oferece os programas de terreno Auto, Snow, Sand e Mud. Além disso, com altura livre do solo de 198 mm, ângulo de entrada de 21,7º e de saída de 28,5º, transpõe valetas e lombadas sem qualquer cerimônia. Para comparar, no Compass Sport são 209 mm, 20,9º e 20,8º, na ordem.



Por outro lado, o funcionamento do Start-Stop, que desliga o motor em breves paradas, sendo um tanto perceptível e pode incomodar quem não curte esse sistema. Contudo, ele está lá para reduzir as emissões e o menor gasto com combustível.
E por falar em consumo, como cavalo que anda é cavalo que bebe, os números do Inmetro para o Blackhawk flex refletem seu apetite. Com etanol no tanque, as médias são de 6,0 km/l na cidade e 7,6 km/l na estrada, ao passo que com gasolina o consumo fica em 8,5 km/l no ciclo urbano e 11,0 km/l no rodoviário.

Jeep Compass Blackhawk: cabine premium e muito conforto
O único pênalti dinâmico para quem tem o pé mais pesado é o tanque de combustível de 55 litros, que limitará a autonomia e exigirá visitas frequentes aos postos de serviço. De qualquer forma, o desempenho radical compensa o preço pago na bomba de combustível.
A bordo, o Jeep Compass Blackhawk entrega uma atmosfera premium. O acabamento é primoroso, destacando os revestimentos em suede, enquanto os bancos dianteiros seguram muito bem o corpo graças às abas laterais pronunciadas e oferecem ajustes elétricos tanto para o motorista quanto para o passageiro.


A ergonomia é impecável, com comandos posicionados de forma intuitiva e coluna de direção com ampla regulagem de altura e profundidade. O painel traz um quadro de instrumentos digital de 10,25 polegadas configurável, enquanto a central multimídia de 10,1 polegadas oferece espelhamento sem fio para Apple CarPlay e Android Auto, além de carregador por indução.
Sem opcionais, a lista de mimos de série é generosa: traz teto solar panorâmico, sistema de som premium assinado pela Beats com 506W de potência composto por oito alto-falantes e subwoofer. Além disso, há um pacote de segurança completo.

Segurança
O arsenal inclui acendimento automático dos faróis, assistente ativo de direção, frenagem autônoma de emergência com detecção de pedestres, ciclistas e veículos, assistente de permanência em faixa com correção ativa e comutação automática de farol alto.
O fabricante ainda incluiu alerta de tráfego cruzado traseiro, detector de fadiga, monitoramento de pontos cegos, piloto automático adaptativo, reconhecimento de placas de trânsito, sensores de chuva e de estacionamento dianteiros e traseiros, além de sete airbags, incluindo o de joelho para o motorista, e monitoramento de pressão dos pneus.




Em dimensões, mede 4,40 m de comprimento, 1,81 m de largura, 1,64 m de altura e 2,63 m de entre-eixos, garantindo bom espaço para pernas e joelhos na segunda fileira. Há saídas de ar dedicadas e até uma tomada residencial para recarga de aparelhos. O porta-malas oferece 476 litros de capacidade com os bancos em posição normal, subindo para 1.180 litros com a fileira traseira rebatida, e conta com tampa de abertura e fechamento motorizada.
Veredicto
Não há dúvidas de que o Jeep Compass Blackhawk Flex é um verdadeiro canhão. O seu maior mérito está na capacidade de entregar uma aceleração vigorosa e digna de sedan esportivo sem abrir mão da docilidade no uso diário.
A conversão para o motor flex ampliou o leque de opções na hora de abastecer, ainda que o consumo cobre o preço proporcional toda vez que o motorista abusar do pedal do acelerador. No fim das contas, não existe almoço grátis: para andar forte, é preciso gastar combustível. Mas para quem valoriza desempenho e dinâmica afiada, o ímpeto deste Compass compensa cada centavo.

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