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Caminho certo

BYD Song Plus 2027 amadureceu e agora incomoda de vez o Haval H6 | Avaliação

Com novo motor turbo, bateria maior, mais autonomia elétrica e diversas melhorias, o novo Song Plus 2027 amadureceu demais para brigar com novos SUVs chineses

18 min de leitura

Quando a BYD chegou no Brasil, ela trouxe praticamente os mesmos carros vendidos na China. Eram modelos recheados de tecnologia, mas que ainda careciam de adaptações para o nosso mercado. Só que o cenário mudou nesses três anos. Isso porque a concorrência chinesa cresceu, os consumidores ficaram mais exigentes e a marca precisou evoluir. O Song Plus não ficou de fora das mudanças e a linha 2027 melhorou ainda mais.

Na nova linha, o SUV recebeu um novo conjunto com bateria maior, melhorias na multimídia e a continuação dos ajustes que mostram que a BYD está realmente disposta a ouvir o consumidor brasileiro. Mas ela precisava agir rápido. Afinal, hoje o Song Plus divide espaço com Geely EX5, Jaecoo 7, Omoda 7, Jetour S06/T1, GWM Haval H6 e Caoa Chery Tiggo 8 PHEV, um cenário bem diferente daquele encontrado quando chegou por aqui.

Custando o mesmo preço de R$ 249.990, o Song Plus 2027 mostra que amadureceu bastante ao passar dos anos. Tudo bem, ainda existem alguns detalhes que precisam de atenção para ficar realmente com o CPF brasileiro, mas, considerando que a montagem do SUV em Camaçari (BA) está prevista para começar ainda este ano, é difícil imaginar que essas evoluções demorem muito para aparecer.

A primeira mudança está onde ninguém vê

Novo motor 1.5 turbo do BYD Song Plus 2027
BYD Song Plus 2027 [Auto+/Luiz Forelli]

A maior novidade do Song Plus 2027 começa justamente onde poucos enxergam. Debaixo do capô, a BYD aposentou o conhecido motor 1.5 aspirado de 105 cv e 13,7 kgfm — o mesmo usado no Atto 2, Song Pro e King — para dar lugar ao novo 1.5 turbo, agora com 130 cv e 20,4 kgfm de torque.

À primeira vista, muitos podem achar uma evolução de desempenho. Só que, na verdade, não foi esse o objetivo escolhido pela engenharia. A principal missão desse novo conjunto é lidar com uma bateria muito maior, que saltou de 18,3 kWh para 26,6 kWh. Ou seja, a priorização é autonomia elétrica, e não potência.

BYD Song Plus 2027 estático na rua na cor Delan Black para avaliação e teste
BYD Song Plus 2027 [Auto+/Luiz Forelli]

Por isso, o ganho de desempenho praticamente passa despercebido. A potência combinada aumentou apenas 4 cv, passando de 235 cv para 239 cv. Já o torque total continua sem divulgação. Contudo, como a própria BYD divulgava anteriormente os 40,8 kgfm do conjunto, tudo indica que a mudança também tenha sido discreta.

Desta forma, o comportamento continua sendo exatamente aquilo que conhecíamos do Song Plus – modesto e bem feito -,praticamente sem mudanças na dirigibilidade. Afinal, potência nunca foi o principal argumento do Song Plus. Basta olhar para um rival direto como o Haval H6 PHEV19 que entrega 326 cv e 55 kgfm, acelerando de 0 a 100 km/h em apenas 7,6 segundos. O verdadeiro talento do Song Plus sempre esteve em outro lugar.

O foco agora é rodar mais

BYD Song Plus 2027 estático na rua na cor Delan Black para avaliação e teste
BYD Song Plus 2027 [Auto+/Luiz Forelli]

A adoção da bateria maior trouxe uma consequência inevitável: peso. Segundo a própria engenharia da BYD, em conversa com o Auto+, o conjunto ficou aproximadamente 180 kg mais pesado. Foi justamente por isso que a autonomia combinada anunciada caiu de 1.200 km para 1.150 km. Além disso, segundo o Inmetro, seu consumo também caiu ligeiramente. 

Em compensação, a autonomia elétrica deu um salto enorme. Segundo o Inmetro, ela passou de 68 km para 99 km. Pois é, quem lembra dos primeiros Song Plus que rodam apenas 28 km? Essa pressão por mudança se deve a concorrência também, mais especificamente ao Haval que até então já rodava mais de 100 km nas versões PHEV35. 

BYD Song Plus 2027 estático na rua na cor Delan Black para avaliação e teste
BYD Song Plus 2027 [Auto+/Luiz Forelli]

Porém, foi durante os nossos testes que a autonomia elétrica surpreendeu positivamente. Rodando normalmente, com ar-condicionado ligado, trânsito urbano e até alguns trechos da Rodovia Castelo Branco e Marginal Tietê, alcançamos impressionantes 137 km exclusivamente no modo elétrico.

É uma autonomia muito superior aos 99 km homologados pelo Inmetro e praticamente encosta perto dos 150 km divulgados no ciclo NEDC, muito mais otimista. Até o momento, foi simplesmente a maior autonomia elétrica registrada por um SUV PHEV realizado pelo Auto+.

Quando acaba a bateria, ele continua rodando

Interior do BYD Song Plus 2027 para teste e avaliação
BYD Song Plus 2027 [Auto+/Luiz Forelli]

Outro ponto que muitos se perdem e deixam de lado a escolha de um SUV híbrido plug-in é achar erroneamente que o sistema híbrido para de funcionar por acreditar que seja obrigatório carregar o carro. O sistema DM-i da BYD faz tudo automaticamente para trazer o melhor resultado de eficiência energética. 

Por isso, ao atingir 20% de carga, o Song Plus simplesmente deixa de permitir o modo EV. Nesse momento, o motor a combustão entra em funcionamento e passa a abastecer a bateria, tudo automaticamente. Desta forma, ele deixa de funcionar como um híbrido plug-in de fato e passa a trabalhar exatamente como um híbrido convencional, como um Corolla Cross Hybrid

BYD Song Plus 2027 estático na rua na cor Delan Black para avaliação e teste
BYD Song Plus 2027 [Auto+/Luiz Forelli]

Com isso, a bateria nunca acaba por completo, justamente para preservar sua vida útil e garantir que sempre exista energia suficiente para alimentar o motor elétrico nas arrancadas e acelerações. Foi justamente nesse cenário que registramos médias entre 17,8 e 18,8 km/l em ciclo urbano ou, como informa o computador de bordo, entre 5,3 e 5,6 l/100 km.

Assim, considerando apenas esse funcionamento híbrido, a autonomia ultrapassa os 1.040 km, pegando uma média de 18,3 km/l. Somando os 137 km percorridos exclusivamente no modo elétrico, chegamos a cerca de 1.180 km totais durante nossos testes. É um resultado que realmente é de cair o queixo para um SUV médio familiar.

BYD Song Plus 2027 estático na rua na cor Delan Black para avaliação e teste
BYD Song Plus 2027 [Auto+/Luiz Forelli]

Já na estrada, registramos média de 13,3 km/l, o que representa 758 km utilizando apenas o motor híbrido. Somando cerca de mais 100 km possíveis no modo elétrico antes da bateria atingir sua reserva, o Song Plus pode ter 850 km em viagens rodoviárias.

Carregamento mais rápido

E boa parte dos proprietários dificilmente chegará a rodar utilizando tanta gasolina. Afinal, quem compra um híbrido plug-in normalmente instala um carregador wallbox em casa. No Song Plus, o carregamento em corrente alternada acontece a até 6,6 kW, podendo recuperar a bateria de 30% para 80% em aproximadamente 4,2 horas.

A grande novidade da linha 2027, porém, está no bocal CCS Tipo 2. Agora o Song Plus finalmente aceita carregamento rápido em corrente contínua (DC), algo que rivais como Geely EX5, Jetour S06 e GWM Haval H6 já ofereciam. 

A potência máxima ainda é modesta, limitada a 18 kW — inferior aos mais de 30 kW encontrados em alguns concorrentes —, mas já é suficiente para levar a bateria de 30% a 80% em cerca de 55 minutos, segundo a BYD.

Refinado, previsível e cada vez mais maduro

BYD Song Plus 2027 estático na rua na cor Delan Black para avaliação e teste
BYD Song Plus 2027 [Auto+/Luiz Forelli]

Enquanto a autonomia foi o grande chamariz da linha 2027, a dirigibilidade mostra como o Song Plus vem amadurecendo, embora aqui sentimos praticamente aquilo que conhecíamos da linha antiga, o que deixa claro o esforço da BYD em adaptar seus carros ao gosto do brasileiro.

Como acontece em praticamente todo híbrido plug-in, o motor elétrico é quem dá o tom nas primeiras acelerações. O torque aparece imediatamente, a dianteira levanta levemente nas saídas e o SUV deixa a inércia com bastante facilidade, escondendo bem seus quase 1.970 kg. As arrancadas são rápidas, silenciosas e lineares, enquanto o 0 a 100 km/h caiu de 8,5 para 8,1 segundos.

BYD Song Plus 2027 estático na rua na cor Delan Black para avaliação e teste
BYD Song Plus 2027 [Auto+/Luiz Forelli]

A força não chega a espantar, mas responde exatamente como se espera de um SUV familiar: rápido, progressivo e previsível. Por isso, no trânsito urbano, isso faz bastante diferença. Basta um toque no acelerador para costurar o trânsito, mudar de faixa ou aproveitar pequenos espaços sem qualquer hesitação. 

Na estrada, esse comportamento continua aparecendo. Depois que o Song Plus já venceu a resistência do ar e ganha embalo, as retomadas se desenvolvem bem e transmitem segurança para ultrapassagens. Em praticamente todas as situações existe potência suficiente para acelerar sem esforço.

Modos de condução bem-vindos

BYD Song Plus 2027 estático na rua na cor Delan Black para avaliação e teste
BYD Song Plus 2027 [Auto+/Luiz Forelli]

Todavia, um comportamento somente me incomodou. Praticamente em todo o teste utilizei o modo Eco. E em algumas ultrapassagens mais rápidas, principalmente quando era necessário acelerar com mais decisão, a eletrônica parecia limitar um pouco a entrega de potência. 

E então foi preciso afundar mais o pé no acelerador até dar o clique no fim do curso para o conjunto entender que o motorista quer toda a potência e acordar o motor a combustão. Por isso, a recomendação acaba sendo utilizar o modo Normal na maior parte do tempo em estradas que precisam fazer bastante retomadas, como exemplo de mão única. 

BYD Song Plus 2027 estático na rua na cor Delan Black para avaliação e teste
BYD Song Plus 2027 [Auto+/Luiz Forelli]

Neste caso, o modo Normal deixa o Song Plus mais esperto sem alterar drasticamente sua personalidade. Já o modo Sport aumenta um pouco mais a prontidão do acelerador, embora a diferença também não seja tão radical. Inclusive, achei o conjunto um pouco mais disposto do que o Geely EX5 de 262 cv em acelerações e retomadas, mesmo tendo menos potência e pesando mais. 

Ainda tem jeito de chinês, mas bem menos

Toda a evolução do conjunto também aparece na dinâmica que continua revelando ser um SUV confortável, longe daquela sensação excessivamente macia que marcou muitos carros da BYD nos primeiros anos. 

BYD Song Plus 2027 estático na rua na cor Delan Black para avaliação e teste
BYD Song Plus 2027 [Auto+/Luiz Forelli]

Portanto, em velocidades mais altas, ele permanece estável, sem flutuações exageradas e transmitindo bastante segurança nas trajetórias. O Song Plus 2027 ainda tem um pouco da calibração claramente voltada ao conforto, mas a carroceria deixou de ter aquela sensação molenga e desengonçada.

Já na cidade, com as atualizações de amortecedores e suspensão, espere o Song Plus em seu melhor momento desde que desembarcou no Brasil. Embora ainda não dê para comparar sua leitura de solo com alguns europeus e americanos que conseguem interpretar melhor o asfalto, é inegável o quanto o Song Plus amadureceu nesse aspecto. 

Suspensão do BYD Song Plus 2027
BYD Song Plus 2027 [Auto+/Luiz Forelli]

A antiga sensação de carroceria excessivamente boba e molenga praticamente ficou para trás. O SUV continua privilegiando o conforto, mas agora os amortecedores trabalham com uma calibração mais firme e progressiva, controlando muito melhor os movimentos da carroceria sem abrir mão da boa absorção.

Desta forma, ele continua filtrando muito bem buracos, remendos, valetas e desníveis, só que agora faz isso sem aquele efeito rebote que fazia a cabine balançar além do necessário depois de passar por uma irregularidade. Ademais, o curso continua longo e por isso não espere fim de curso. 

Ajustes necessários

Interior do BYD Song Plus 2027 para teste e avaliação
BYD Song Plus 2027 [Auto+/Luiz Forelli]

A direção também acompanhou essa melhora. Ainda existe sim uma sensação um pouco anestesiada ao redor da posição central, nos primeiros graus de esterço, em que sentimos um ponto morto, característica mais do que comum dos chineses que imploram sempre para o conforto.

Por outro lado, também é fácil perceber que a BYD vem trabalhando justamente nesse aspecto. Em virtude disso, a calibração ficou mais pesada do que antes e já transmite uma confiança maior do que a encontrada em vários rivais chineses. 

BYD Song Plus 2027 estático na rua na cor Delan Black para avaliação e teste
BYD Song Plus 2027 [Auto+/Luiz Forelli]

Durante o teste deixei a direção configurada no modo Conforto porque o modo Sport acabou deixando o volante pesado demais em baixas velocidades. Além que essa direção mais consistente e suspensão ajustada também contribuí em fazer curvas com mais competência e com a inclinação da carroceria mais controlada. 

Silêncio a bordo

Outro ponto que merece destaque é o isolamento acústico. A cabine continua sendo um dos ambientes mais silenciosos da categoria. Pouco do que acontece do lado de fora chega aos ocupantes, seja ruído de rodagem, vento ou do próprio funcionamento do conjunto que aparentemente está um pouco mais silencioso por conta do turbo. 

Interior do BYD Song Plus 2027 para teste e avaliação
BYD Song Plus 2027 [Auto+/Luiz Forelli]

Na frenagem, porém, ainda tem aquele espaço para evolução. O sistema freia bem e consegue parar o SUV com competência, mas o pedal continua tendo aquela sensibilidade um pouco borrachuda com um curso relativamente longo até o motorista sentir uma desaceleração mais intensa. É mais uma questão de adaptação. 

Inclusive, a BYD permite alterar também esse comportamento com os  modos Conforto e Sport para o freio, modificando justamente essa sensibilidade do pedal.

Interior evolui onde o brasileiro mais reclamava

Interior do BYD Song Plus 2027 para teste e avaliação
BYD Song Plus 2027 [Auto+/Luiz Forelli]

Por dentro, o Song Plus continua transmitindo a boa impressão que já conhecíamos das últimas linhas. O acabamento continua sendo um dos seus pontos fortes, com praticamente todo o tablier revestido em material macio ao toque, portas dianteiras acolchoadas e um conjunto que passa sensação de categoria superior. O console central também é muito bem construído e o nível de refinamento continua acima da média.

Todavia, acabamento bonito nem sempre significa qualidade de montagem. Recentemente tive contato com alguns modelos da BYD já rodados, alguns deles com mais de 30 mil e até 60 mil km, e em alguns casos apareceram pequenos ruídos internos. Afinal, nossas ruas esburacadas castigam qualquer carro e é justamente aí que os encaixes mostram sua qualidade com o passar do tempo.

Interior do BYD Song Plus 2027 para teste e avaliação
BYD Song Plus 2027 [Auto+/Luiz Forelli]

A principal novidade da linha 2027, porém, aparece logo de cara. Além do tradicional acabamento claro, o Song Plus finalmente passa a oferecer novas combinações de cores para o interior. Agora o cliente pode escolher entre o Basalt Black, totalmente preto, o Red Heart Brown, em um elegante marrom avermelhado, e o já conhecido Blue and Gray Dual Color, combinando tons de azul e cinza.

É uma mudança pequena, mas bastante importante para o nosso mercado, já que muitas pessoas reclamavam da obrigatoriedade do interior claro nas versões anteriores.

Tecnologia continua sendo um dos maiores trunfos

Interior do BYD Song Plus 2027 para teste e avaliação
BYD Song Plus 2027 [Auto+/Luiz Forelli]

Se o acabamento praticamente mudou pouco, a tecnologia recebeu pequenas mas bem-vindas atualizações. O painel de instrumentos de 12,3 polegadas continua presente, mas ganhou uma nova interface mais moderna. A principal novidade é que agora ele permite projetar diretamente à frente do motorista a navegação do Google Maps ou Waze através do Apple CarPlay e Android Auto, evitando que seja necessário olhar toda hora para a central.

Falando nela, a enorme tela de 15,6 polegadas continua sendo um dos destaques do Song Plus. A qualidade de imagem continua excelente, as respostas são rápidas e a navegação permanece bastante intuitiva. A diferença é que agora ela trabalha apenas na posição horizontal, abandonando o sistema rotativo das versões anteriores.

Interior do BYD Song Plus 2027 para teste e avaliação
BYD Song Plus 2027 [Auto+/Luiz Forelli]

Mas a maior evolução está por dentro. O Song Plus passa a contar com o Google Built-in, ou seja, o Google nativo integrado ao sistema. Assim, isso significa ter Google Maps funcionando diretamente no carro, Play Store para instalar aplicativos como Spotify e Google Assistant integrado ao veículo, tudo sem depender do celular.

Desta forma, basta pedir um endereço, uma informação ou até mesmo um comando do carro que o assistente executa rapidamente. Também é possível abrir os vidros, controlar o teto solar, ajustar o ar-condicionado ou pesquisar qualquer informação em tempo real usando a própria infraestrutura do Google, deixando a experiência bem mais legal do que simplesmente espelhar o smartphone.

Bem equipado, mas ainda com alguns detalhes

Interior do BYD Song Plus 2027 para teste e avaliação
BYD Song Plus 2027 [Auto+/Luiz Forelli]

O restante da lista de equipamentos continua extremamente completa. O head-up display continua projetando velocidade no para-brisa. O carregador de celular por indução permite carregar dois smartphones simultaneamente, enquanto som Infinty com dez alto falantes, conectividade 4G, tecnologia NFC, ar-condicionado digital de duas zonas, freio de estacionamento eletrônico com auto hold completam o pacote.

Os bancos dianteiros permanecem oferecendo ajustes elétricos tanto para motorista quanto passageiro, além da ventilação, que continua sendo um diferencial interessante para o nosso clima. Por outro lado, a função de aquecimento deixou de ser oferecida na linha 2027. Também senti falta de um ajuste elétrico para apoio lombar, principalmente considerando a faixa de preço do Song Plus.

Interior do BYD Song Plus 2027 para teste e avaliação
BYD Song Plus 2027 [Auto+/Luiz Forelli]

O console central mantém a conhecida manopla de cristal para seleção das marchas, além dos comandos físicos para escolher os modos de condução — Eco, Normal, Sport e Neve — e alternar rapidamente entre os modos EV e HEV. O volante multifuncional revestido em couro também continua muito agradável de segurar e reúne praticamente todos os comandos principais.

Segurança continua muito completa

Em segurança, praticamente nada mudou — e isso é uma ótima notícia. O Song Plus mantém as cinco estrelas conquistadas no Euro NCAP e continua oferecendo um pacote  completo de assistências à condução.

Interior do BYD Song Plus 2027 para teste e avaliação
BYD Song Plus 2027 [Auto+/Luiz Forelli]

Entre elas estão o piloto automático adaptativo com função Stop & Go, assistente de permanência e centralização em faixa, alerta de ponto cego, alerta de tráfego cruzado com frenagem automática, câmera 360 graus de excelente qualidade, além dos seis airbags, divididos entre frontais, laterais e de cortina.

Mas na pratica, porém, nem todos os sistemas agradaram da mesma forma. O controle de cruzeiro adaptativo agora reduz automaticamente a velocidade antes das curvas, mas continuo achando sua atuação um pouco exagerada. Em alguns momentos ele acelera com muita rapidez e depois freia de maneira bem brusca, deixando de  longe da suavidade encontrada em alguns concorrentes.

Interior do BYD Song Plus 2027 para teste e avaliação
BYD Song Plus 2027 [Auto+/Luiz Forelli]

O assistente de permanência em faixa também poderia ser melhor calibrado. Embora não seja invasivo, em algumas curvas percebi certa dificuldade na leitura das faixas e uma atuação menos consistente do que eu esperava vindo de um chinês. 

Espaço continua sobrando… menos para quem dirige

Se existe um ponto que ainda merece atenção é a ergonomia para motoristas mais altos. Com meus 1,88 m, continuei sofrendo exatamente com o mesmo problema encontrado em outros modelos chineses: o banco dianteiro simplesmente não recua o suficiente.

Interior do BYD Song Plus 2027 para teste e avaliação
BYD Song Plus 2027 [Auto+/Luiz Forelli]

Com isso, acabei ficando mais próximo do volante, do painel e dos pedais do que gostaria. Além disso, a espuma do banco é relativamente espessa e, dependendo da posição de dirigir ou de quem já sofre com dores lombares, pode acabar cansando um pouco em viagens mais longas. 

Curiosamente, esse problema não aparece para quem vai atrás. Mesmo com o banco totalmente ajustado para trás, na minha posição, ainda sobrava praticamente um palmo entre meus joelhos e o encosto dianteiro. O espaço para as pernas continua excelente com o assoalho plano, há saídas de ar-condicionado, portas USB-A e USB-C, além de boa folga para a cabeça.

Porta-malas do BYD Song Plus 2026
BYD Song Plus 2026 [Auto+ / Rafael Pocci Déa]

O porta-malas de 552 litros também continua como um forte argumento e atende perfeitamente ao uso familiar. A única ausência continua sendo o estepe, já que a BYD mantém apenas o kit de reparo para os pneus.

Veredicto

O Song Plus chega à linha 2027 mostrando exatamente o quanto a BYD aprendeu do Brasil e amadureceu. Hoje o SUV consegue entregar uma autonomia condizente com os rivais, uma condução melhorada e um produto mais consistente do que aquele visto nas primeiras unidades vendidas por aqui. Não por acaso, ao lado do GWM Haval H6, continua sendo um dos SUVs híbridos plug-in mais interessantes do mercado brasileiro.

BYD Song Plus 2027 estático na rua na cor Delan Black para avaliação e teste
BYD Song Plus 2027 [Auto+/Luiz Forelli]

A escolha entre os dois, inclusive, passa muito mais pelo perfil do comprador do que propriamente pela qualidade do projeto. Quem procura desempenho mais forte e respostas mais esportivas provavelmente continuará olhando para o Haval H6. Já quem prioriza autonomia no total, encontra no Song Plus argumentos muito convincentes. 

O único ponto que ainda precisamos ter atenção é o próprio ritmo acelerado da indústria chinesa. As atualizações chegam cada vez mais rápido e, junto delas, vem uma desvalorização mais precoce das versões anteriores. Ainda assim, a tendência é que esse ciclo desacelere. Por isso, para quem pensa em comprar um Song Plus, talvez valha apenas esperar a produção nacional em Camaçari (BA), para virar flex.  

E você, compraria um BYD Song Plus ou iria de GWM Haval H6? Deixe seu comentário!

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Luiz Forelli

Jornalista pela Faculdade Cásper Líbero, sempre fascinado por carros. Passava horas dirigindo no colo da família dentro da garagem ou empurrando carrinhos pela casa, como se já soubesse que seu caminho estaria entre motores e rodas. Hoje, realiza o sonho de infância escrevendo sobre o universo automotivo com a mesma empolgação de quem brincava com um volante imaginário. No lugar do sangue, corre gasolina, e isso nunca foi segredo.

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