Uma caminhonete média deve ser majoritariamente a diesel e entregar mais de 200 cv, certo? Paralelamente às crenças populares, algumas picapes do segmento médio à venda no Brasil, como a GWM Poer P30, com 184 cv, fogem a essa regra que se convencionou. Nem por isso, ela faz feio. E a Foton Tunland V9 mostra que um utilitário novato oferece mais qualidades do que defeitos.
A Foton, marca chinesa famosa por seus caminhões, decidiu explorar um território dominado por clientes fiéis a marcas como Chevrolet, Ford, Toyota, Nissan e Volkswagen, por exemplo. No entanto, sempre há espaço para mais um. A missão pode ser difícil, porém a Foton Tunland V9 responde à altura, inclusive com sistema híbrido-leve de 48V.
Ok, a Foton Tunland V9 exibe um visual frontal diretamente associado à Ram 1500, enquanto a irmã Tunland V7 se conecta à Ford F-150, sobretudo pelos faróis verticais, que invadem os para-lamas e incorporam a iluminação diurna em formato de C. Só que, paralelamente ao design, essa caminhonete é mais do que aparência, como veremos ao longo desta avaliação.

Afinal, na ponta da fita métrica, ela impressiona com 5,61 m de comprimento. Ou seja, é superlativa em relação à Ford Ranger Limited (5,35 m), à Chevrolet S10 High Country (5,40 m) ou à Toyota Hilux (5,32 m), para citar alguns exemplos de caminhonetes médias à venda em nosso mercado. Não é exagero dizer que a Tunland V9 fica em um meio-termo entre uma média e uma full size.
Cabine de transatlântico
Outras medidas também impressionam e auxiliam na boa amplitude interna para até cinco ocupantes. São 2,09 m de largura, 1,95 m de altura e 3,35 m de entre-eixos, números que transmitem a sensação de embarcar em um transatlântico, evidenciada pelo entre-eixos maior do que o da Ford Ranger (3,27 m) e o da Chevrolet S10 (3,09 m).
Embora sejam de segmentos diferentes, a descontinuada Ram Classic tinha 3,57 m de entre-eixos, o que ajuda a dimensionar o amplo espaço para pernas e joelhos de quem viaja na segunda fileira de bancos da Tunland V9. Sobretudo, ainda sugere a sensação de estarmos embarcados em um carro da Mercedes-Benz.


O acabamento está acima do que estamos acostumados nas caminhonetes médias à venda no Brasil. Há revestimentos em couro espalhados por todos os cantos do habitáculo, assim como materiais macios ao toque nas laterais de portas e no painel. Realmente impressiona, embora o ambiente predominantemente laranja não seja do gosto de todos.
Com preço de R$ 309.990, a Foton Tunland V9 entrega um pacote recheado, com teto solar panorâmico, carregamento de smartphone por indução, pacote de luzes internas configurável, saídas de ar dedicadas à segunda fileira, além de ar-condicionado de duas zonas e um completo conjunto de telas.

Tela de Mercedes-Benz
É impossível não reparar na semelhança dos grafismos das telas com os carros da Mercedes-Benz, algo reforçado pelo quadro de instrumentos de 12,3 polegadas. É praticamente um CTRL C e CTRL V. O multimídia é de 14,6 polegadas, em posição central, e oferece Android Auto e Apple CarPlay sem fio.
Não são apenas as telas que remetem à Mercedes-Benz, pois o console central e os botões dos vidros elétricos também possuem desenho muito similar ao dos modelos do fabricante de Stuttgart. De todo modo, os confortáveis bancos frontais são aquecidos e ventilados. O do motorista conta com ajustes elétricos em oito posições e três memórias.




A posição de dirigir é excelente, privilegiando a visibilidade à frente, com ergonomia favorecida pela coluna de direção amplamente regulável em altura e profundidade. Tudo está à mão e, paralelamente às dimensões da cabine, o acabamento interno é de arrancar elogios.
Inegavelmente, os chineses aprenderam a construir carros de qualidade. Embora alguns consumidores ainda se mostrem céticos, essa impressão é reforçada pela Foton Tunland V9, completamente distante quando comparada a outros utilitários chineses que já estiveram à venda no Brasil, como a SsangYong Actyon Sports.

Leva o mundo nas costas
Só que uma caminhonete nasceu para ser, antes de tudo, um veículo de transporte de cargas. A caçamba da Foton Tunland V9 tem capacidade volumétrica de 1.379 litros e capacidade de carga de uma tonelada. Ou seja, oferece volumetria superior à da Ford Ranger Limited (1.250), da Chevrolet S10 High Country (1.061) e da Toyota Hilux SRX Plus (1.000). A área da Tunland V9 ganha até mesmo da Ram 1500 Laramie (1.200).
A tampa do compartimento possibilita manuseio leve e conta com sistema de amortecimento, impedindo que a peça desabe ao ser aberta e reduzindo o esforço no fechamento. Além disso, há uma prática escada para auxiliar o acesso à caçamba, algo bem pensado devido à altura da carroceria em relação ao piso.




Mas esta é a primeira caminhonete híbrida a diesel à venda no Brasil. Portanto, como é a condução? Se os consumidores do segmento de caminhonetes médias prezam principalmente pela robustez e pelas capacidades, eles também buscam uma mecânica capaz de entregar desempenho sem dores de cabeça.
A Foton Tunland V9 está alinhada aos tempos modernos por conta da hibridização. O conjunto motriz é composto pelo motor Aucan 2.0 turbodiesel associado ao sistema híbrido-leve de 48V, além da transmissão automática de oito marchas. A unidade elétrica entrega 12 cv e 5 kgfm, auxiliando nas saídas de semáforo e nas ultrapassagens.

Caminhonete híbrida a diesel
A experiência de condução é sui generis e diferente das demais caminhonetes a diesel por conta da eletrificação. O motor Aucan 4F20 trabalha de maneira silenciosa, com pouco turbolag, que não incomoda no uso diário. Ao contrário, o desempenho é favorecido pela transmissão automática de oito marchas.
As suspensões adotam arquitetura independente por braços sobrepostos na dianteira e eixo rígido com molas helicoidais na traseira. Aqui está uma diferença importante em relação à irmã Tunland V7, que utiliza feixe de molas atrás. A calibração da Foton Tunland V9 segue o caminho do conforto, resultando em uma caminhonete macia tanto no asfalto quanto no fora de estrada.


Não há batidas secas, e as suspensões atuam de maneira progressiva e confortável. Guardadas as devidas proporções, a sensação ao volante é a de estar embarcado em um Cadillac, principalmente pela maciez. No entanto, uma caminhonete precisa levar carga, o que pode ser um dos critérios decisivos na hora de fechar negócio.
A Tunland V9 pode transportar até 1.000 kg, enquanto a Tunland V7 suporta 1.050 kg. Mesmo descarregada, a V9 não apresenta traseira solta, tampouco pula ou bate seco ao transpor obstáculos. Para quem fará uso fora de estrada, cooperam os ângulos de entrada de 28°, de saída de 26° e o vão livre do solo de 240 mm. A capacidade de imersão é de 700 mm.

Consumo
Paralelamente às qualidades da primeira caminhonete híbrida a diesel, a dirigibilidade é favorecida pela direção assistida eletricamente, leve ao esterço e ao retorno. As rodas de 18 polegadas calçam pneus 265/70, e o perfil 70 contribui para o bom trabalho da suspensão.
Ao contrário da BYD Shark, por exemplo, que também é híbrida, mas equipada com um motor 1.5 turbo a gasolina associado a dois motores elétricos, a Tunland V9 bebe diesel. O consumo declarado pelo Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular do Inmetro pode não animar logo de início.



São informados 8,7 km/l no uso urbano e 9,9 km/l na estrada. Contudo, a calibração da transmissão prioriza o conforto e, mesmo trabalhando de forma eficiente, a Foton Tunland V9 leva um tempo para embalar seu peso em ordem de marcha de 2.335 kg (2.285 kg na Tunland V7).
Ainda assim, durante o nosso convívio registramos médias bem próximas às divulgadas pelo Inmetro. O que incomoda é a quantidade excessiva de bipes e alertas durante a condução. Está certo que segurança é importante, mas a caminhonete da Foton exagera na quantidade de avisos. Em contrapartida, agradam o seletor de modos de condução e o amplo pacote de assistentes.

O utilitário oferece os programas Eco, Normal, Areia, Lama e Neve, além de um arsenal de assistências à condução, como frenagem autônoma de emergência, assistente de permanência em faixa, alertas de colisão e de ponto cego, controle de cruzeiro adaptativo, reconhecimento de placas de trânsito, detector de fadiga, frenagem pós-colisão, seis airbags, câmera de 360ª, freios a discos nas quatro rodas, entre outros.
Veredicto
A Foton Tunland V9 seduz por ser a primeira caminhonete a diesel equipada com sistema híbrido à venda no Brasil. Embora não seja um canhão, como alguns utilitários com motores V6, ela cumpre bem a proposta e surpreende positivamente no conjunto da obra.
Sem dúvida, o acabamento interno é de arrancar elogios pela qualidade construtiva e pela amplitude da cabine. Afinal, trata-se de um modelo médio, mas com aptidões de full size pelo espaço oferecido aos até cinco ocupantes. Há incômodos, como o excesso de bipes e alertas, mas eles podem ser desligados e vida que segue. A realidade é que a Tunland V9 reúne atributos suficientes para cair no gosto dos consumidores de caminhonetes. O tempo dirá qual será seu desempenho diante das marcas tradicionalistas do mercado.

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R$ 309.990
5,61 m de comprimento, 2,09 m de largura, 1,95 m de altura e 3,35 m de entre-eixos
Volume de 1.379 litros e 1.000 kg de carga
Motor 2.0 turbodiesel associado ao sistema híbrido-leve de 48V associado ao câmbio automático de oito marchas
De acordo com o Programa de Etiquetagem Veicular do Inmetro, são informados 8,7 km/l no uso urbano e 9,9 km/l na estrada



