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Ele piorou?

Jeep Renegade Sahara se sacrificou demais pelo Avenger | Avaliação

Renovação visual do Jeep Renegade veio com algumas economias para se manter competitivo com a chegada do Avenger e a eminente chegada de uma nova geração

9 min de leitura

Não posso começar essa avaliação antes de deixar um importante disclaimer. Eu sou proprietário de um Jeep Renegade Sem Nome. Sempre fui fã do SUV compacto, a ponto de colocá-lo entre meus carros preferidos. Por isso, cada mudança que a Stellantis faz nele sempre me deixava com medo de estragar a fórmula consagrada.

Até então, sempre que o Jeep Renegade mudou, ele ganhou coisas boas. Quando mudou pela primeira vez, ficou mais sofisticado e ganhou um visual mais equilibrado. Depois, aposentou o péssimo motor 1.8 aspirado em favor do divertido 1.3 turbo. Agora, ganhou sua derradeira mudança visual antes da nova geração, motor e interior inspirado no Compass.

Enquanto essas mudanças estavam apenas na teoria, eu me empolguei. Afinal, o interior era o mesmo desde 2015, enquanto o motor 1.3 turbo havia perdido alguns cavalos antes da reestilização e a salvação poderia vir através do sistema MHEV. Mas, como um bom irmão, o Renegade abriu mão de muita coisa para deixar o Avenger brilhar.

Jeep Renegade Sahara [Auto+ / João Brigato]
Jeep Renegade Sahara [Auto+ / João Brigato]

A antiga referência

Antes dos chineses, o Jeep Renegade era a referência quanto à qualidade de acabamento interno entre os SUVs compactos. Era, porque a regressão de qualidade foi muito sentida nessa reestilização. Esperava pelo painel do Compass adaptado a ele, mas a Stellantis trouxe um painel todo em plástico duro e com rebarbas bem aparentes na parte superior.

A única parte macia é um tecido, bem áspero, em uma faixa larga no painel. As portas são quase iguais a antes, salvo por um vinco mais reto na parte superior. O mesmo tecido áspero do painel é encontrado na forração de portas e em parte dos bancos revestidos em couro artificial. Aliás, o couro dos bancos e, principalmente, do volante piorou.

Interior Jeep Renegade Sahara [Auto+ / João Brigato]
Jeep Renegade Sahara [Auto+ / João Brigato]

Agora, o couro transmite menos qualidade do que o revestimento usado nos carros da Fiat, como Pulse e Fastback. Entretanto, o visual mais retilíneo e o console central mais alto transmitem modernidade e contribuíram para o refinamento, se os materiais acompanhassem. A unidade avaliada também tinha muito barulho de acabamento solto.

Outro ponto de economia que a Jeep fez foi no piso do porta-malas. Antes, o Renegade tinha um piso mais rígido que permitia colocar o porta-malas em duas alturas diferentes. Agora, é um pedaço de carpete levemente reforçado por um MDF fino, que dobra nas pontas e parece ceder com objetos mais pesados. Um contraste com o enorme teto panorâmico de série no Jeep Renegade Sahara.

Cabine Jeep Renegade Sahara [Auto+ / João Brigato]
Jeep Renegade Sahara [Auto+ / João Brigato]

A ergonomia está melhor

Apesar dos deslizes, a ergonomia do Jeep Renegade é impecável. Ele tem comandos físicos para o ar-condicionado digital de duas zonas, botões em todos os lugares que se fazem necessários e todos à mão sempre. Até mesmo os comandos ocultos do rádio na parte traseira do volante merecem elogios pela facilidade de uso.

O painel de instrumentos totalmente digital recebeu um novo layout e está mais rápido e nítido em relação ao modelo anterior. Ainda merecia uma tela de mais qualidade, mas já é um passo importante. Outro elemento é a central multimídia, que agora ficou mais alta e fácil de mexer.

A tela tem qualidade excelente, enquanto os menus são claros e fáceis de usar. No Renegade Sahara, há conexão com Android Auto e Apple CarPlay sem fio, além de Alexa integrada. Ele também traz duas saídas USB com os dois tipos de cabo e carregador por indução com refrigeração para não esquentar seu aparelho móvel.

Atrás, a novidade fica por conta da saída de ar, algo que era pedido no Renegade há muito tempo. Ele também traz duas saídas USB para carregamento de celular. O espaço continua muito apertado lá atrás, sendo um dos piores SUVs compactos nesse quesito. O porta-malas leva 320 litros e também é pequeno.

Renegade, Compass ou Commander?

Debaixo do capô, o Jeep Renegade recebeu uma ajuda elétrica. O motor 1.3 quatro cilindros turbo de 176 cv e 27,5 kgfm de torque agora é MHEV. Ou seja, trocou o alternador e o motor de partida por um pequeno motor elétrico que auxilia o 1.3 turbo a reduzir emissões e consumo. Mas, como não move as rodas sozinho, não pode ser considerado híbrido pleno.

Palmas para a Stellantis, que parou de chamar esse sistema de híbrido e agora coloca MHEV na traseira. Essa eletrificação deveria ajudar o motor 1.3 a perder o delay que recebeu quando a programação para o PL8 entrou. Mas não.

Motor jeep Renegade híbrido
Jeep Renegade Sahara [Auto+ / João Brigato]

Quando você acelera o Renegade, ele pensa quando o Avenger será lançado, se ele é um Compass e se o Commander ainda tem sete lugares. Só depois acelera. É um delay tão forte quanto o do motor 200 TSI da Volkswagen no T-Cross e irrita muito. Em subidas, o Renegade se arrasta como se não tivesse força.

Cadê o torque?

A culpa disso também é do torque, que chega aos 2.000 giros, justamente pouco abaixo da faixa em que ele troca de marcha. É preciso o tempo todo pisar mais no acelerador do que nos antigos Renegade turbo de 185 cv e isso faz com que ele passe a sensação de ser manco — algo que ele não é. Porque, depois que embala, anda muito.

Jeep Renegade Sahara [Auto+ / João Brigato]
Jeep Renegade Sahara [Auto+ / João Brigato]

O câmbio automático de seis marchas também já mostra sinais de cansaço, mas isso acontece desde os tempos do 1.8 aspirado. Ele fica vacilando entre quinta e sexta marcha na estrada. As reduções, por conta do delay do acelerador, também demoram. Pelo menos, as trocas são extremamente suaves e acontecem no tempo certo.

E lembre-se: o sistema start-stop não pode ser desligado. A Stellantis diz que esse é o grande charme do sistema MHEV, mas ele desliga o ar-condicionado. Com isso, é preciso tirar rapidamente o pé do freio para que ele volte a ligar o motor. Na hora de uma manobra, isso é bem chato.

Jeep Renegade Sahara [Auto+ / João Brigato]
Jeep Renegade Sahara [Auto+ / João Brigato]

Segundo a Jeep, o consumo oficial ficou em 8,3 km/l na cidade com etanol e 8,6 km/l na estrada. Já com gasolina, marca 11,9 km/l na cidade e 11,8 km/l na estrada. Eu não escrevi errado: mesmo sendo MHEV, ele gasta mais na estrada com gasolina. Durante nossos testes, contudo, a média foi de 10,7 km/l com gasolina.

Ainda é um filho de Wrangler

Se algo não mudou no Jeep Renegade na reestilização foi sua robustez. Ele é um pequeno tanque de guerra gostoso de dirigir, que aguenta buraqueiras, asfalto ruim e todo tipo de superfície sem reclamar. Ruas de paralelepípedo e lombadas altas são diversão para ele, que trafega por esses trechos com velocidade e valentia.

Jeep Renegade Sahara [Auto+ / João Brigato]
Jeep Renegade Sahara [Auto+ / João Brigato]

O volante ficou um pouco mais leve do que no modelo anterior, mas ainda é suficientemente firme e seguro em altas velocidades. Aliás, nesse momento, mesmo com seu formato de caixa, o Renegade segue muito estável e na mão. É um ótimo carro para cruzar estradas em velocidades não recomendadas.

Na versão Sahara, que conta com sistema de manutenção em faixa e frenagem autônoma de emergência, os auxílios à condução estão menos chatos e agora atuam somente quando extremamente necessário. Ele ainda traz assistente de luz alta, alerta de ponto cego e de tráfego cruzado. Mas fica devendo o piloto automático adaptativo para quem custa R$ 175.990.

Jeep Renegade Sahara [Auto+ / João Brigato]
Jeep Renegade Sahara [Auto+ / João Brigato]

Principais itens de série

  • Seis airbags
  • Chave presencial
  • Ar-condicionado digital de duas zonas
  • Bancos revestidos em couro artificial e tecido
  • Central multimídia com Android Auto e Apple CarPlay sem fio
  • Banco do motorista com regulagem elétrica
  • Farol automático
  • Sensor de estacionamento dianteiro e traseiro
  • Câmera de ré
  • Faróis full-LED com acendimento automático e assistente de luz alta
  • Alerta de tráfego cruzado
  • Frenagem autônoma de emergência
  • Teto solar panorâmico
  • Central multimídia com Android Auto e Apple CarPlay sem fio
  • Carregador de celular por indução

Veredicto

O Jeep Renegade continua como o mais valente e robusto dos SUVs compactos. Ainda é um carro muito gostoso de dirigir e transmite o status de uma marca como a Jeep. Além disso, em um mundo de SUVs cada vez mais genéricos, ele tem uma quantidade absurda de personalidade própria em seu visual.

Mas o acabamento piorou muito para um carro de uma marca que se posiciona acima das generalistas. O sistema MHEV, que veio para solucionar um problema (delay de acelerador), não cumpriu essa missão e ainda criou outro (start-stop insuportável). Os problemas de sempre também seguem presentes, como a falta de porta-malas e espaço interno.

No final das contas, se você quer um Jeep Renegade, tente garimpar pelo modelo antigo ou fique com as versões de entrada, que têm excelente custo-benefício. Se chegou aos R$ 175.990 da versão Sahara, você tem duas opções: migrar para um Compass ou buscar um rival mais refinado.

Especialmente agora que há muitos SUVs tão refinados quanto ele era antigamente, esse tipo de cuidado faz falta. Só não terá o mesmo nível de robustez de um Jeep. Mas e o Avenger? É um carro de categoria inferior e deve ser menos refinado, o que preocupa diante do que foi feito com esse modelo. Se você é da turma do Renegade antigo, ele não é para você.

Você teria um Jeep Renegade? Conte nos comentários.

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João Brigato

Formado em jornalismo e design de produto, é apaixonado por carros desde que aprendeu a falar e andar. Tentou ser designer automotivo, mas percebeu que a comunicação e o jornalismo eram sua verdadeira paixão. Dono de um Jeep Renegade Sem Nome, até hoje se arrepende de ter vendido seu Volkswagen up! TSI.

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