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Dois lados da mesma moeda

Mercedes SL 63 AMG é um lorde com o demônio no ombro | Avaliação

O Mercedes-Benz SL 63 AMG consegue viver duas realidades ao mesmo tempo: uma hora é um gentleman, na outra um esportivo endiabrado.

8 min de leitura

Em sua grande maioria, os carros esportivos são extremamente inconvenientes de serem usados no dia a dia. Quer seja porque têm suspensão dura demais, posição de dirigir cansativa ou por serem exagerados para o uso regular. Mas o Mercedes-Benz SL pode ser um ponto de equilíbrio… desde que não seja provocado.

Carro mais longevo da história da Mercedes-Benz, o SL atualmente está em sua sétima geração e vive uma nova realidade. Agora, ele só tem versões AMG, voltou a ter teto de tecido e tenta equilibrar o luxo de um Classe S com a esportividade de um AMG GT. Por quase R$ 2 milhões (para ser preciso, R$ 1.823.990), ele consegue.

O V8 eletrificado

Diferentemente do crime cometido com o C 63 AMG, o SL 63 AMG mantém o motor V8 debaixo do capô, mas com uma pequena ajuda. O 4.0 biturbo de 612 cv e 86,7 kgfm de torque já seria suficiente para fazer um estrago. Mas ele recebe auxílio de um motor elétrico na traseira de 204 cv e 32,6 kgfm.

motor Mercedes-Benz SL 63 AMG [Auto+ / João Brigato]
Mercedes-Benz SL 63 AMG [Auto+ / João Brigato]

O resultado? Absurdos 816 cv e 144,8 kgfm de torque. Sim, um torque digno de um caminhão. Algo capaz de empurrar esse conversível aos 100 km/h em 2,9 segundos e deslocar uns três órgãos do seu corpo. A alegria é que a Mercedes conseguiu dar mais força para o V8, reduzir emissões e torná-lo econômico sem tirar um pouco da sua mágica.

Até porque parte do encanto se perdeu no momento em que a Europa veio com suas leis de emissões de poluentes sonoros e impediu que o V8 borbulhasse como antes ou emitisse seu rouco e característico ronco. Ainda é uma sinfonia bonita, mas é como se Adele tentasse cantar a plenos pulmões em um volume aceitável para uma biblioteca.

Mercedes-Benz SL 63 AMG [Auto+ / João Brigato]
Mercedes-Benz SL 63 AMG [Auto+ / João Brigato]

Força, é claro, não vai faltar em nenhuma situação. Mas é interessante o jogo entre os motores. A autonomia elétrica é ridiculamente baixa, com apenas 9 km ao todo. Isso porque as baterias têm apenas 6,1 kWh e podem receber carga por meio de um plug no para-choque traseiro (uma posição nada feliz, diga-se de passagem).

PHEV com jeito de HEV

A vantagem é que o Mercedes-Benz SL 63 AMG recarrega rapidamente as baterias em uso, além de permitir que o motor elétrico ajude muito a reduzir o consumo. Em várias situações de uso urbano e até rodoviário, só o motor elétrico ficou funcionando, mesmo com a bateria bem baixa.

Mercedes-Benz SL 63 AMG [Auto+ / João Brigato]
Mercedes-Benz SL 63 AMG [Auto+ / João Brigato]

Com isso, você tem consumos muito melhores do que os declarados pela Mercedes-Benz. Oficialmente são 6,2 km/l na cidade e 7,4 km/l na estrada. Só bati esses números durante os testes dinâmicos acelerando o SL 63 AMG com tudo. Em uso normal, ele fez 9,8 km/l na cidade e chegou a 11 km/l na estrada.

Patadas nas trocas

Todo esse conjunto é gerenciado por uma transmissão automatizada de dupla embreagem com nove marchas. E aqui ele mostra seus lados diversos. Ao rodar tranquilamente, ele larga com o motor elétrico e só entra com o V8 já em terceira ou quarta marcha de maneira muito suave. As trocas não são sentidas.

Mercedes-Benz SL 63 AMG [Auto+ / João Brigato]
Mercedes-Benz SL 63 AMG [Auto+ / João Brigato]

Agora, em modo Sport ou Sport+, ou ainda com o pé fundo no acelerador, cada troca de marcha é uma patada. As reduções vêm acompanhadas do motor enchendo forte, enquanto as trocas ascendentes trazem um tranco instigante que faz você querer acelerar ainda mais o conversível da Mercedes.

Depende do seu humor

O que mais me surpreendeu foi a suspensão do Mercedes-Benz SL. Ela consegue ser macia e confortável em modo normal, absorvendo relativamente bem os impactos e pulando pouco. Claro que, por ser um carro muito baixo, em que seu traseiro fica a poucas camadas de espuma do chão, você sentirá muito do que acontece.

Mercedes-Benz SL 63 AMG [Auto+ / João Brigato]
Mercedes-Benz SL 63 AMG [Auto+ / João Brigato]

Mas o conjunto com molas pneumáticas faz com que ele se comporte como um sedan. Se provocado, ele gruda no asfalto com força e faz curvas muito bem. Mérito também da direção elétrica, bem direta e com assistência voltada à entrega de um peso extra.

Só que estamos falando de um carro de 2.195 kg, com 4,70 m de comprimento e 1,91 m de largura. Por mais que seja baixo, com 1,35 m de altura, e tenha entre-eixos de 2,70 m, o SL 63 AMG é um transatlântico. Há muita massa para mover e um peso extra perceptível. Por isso, não espere agilidade, mas sim força mais do que bruta para fazê-lo um carro rápido. A tração 4Matic nas quatro rodas também ajuda.

Mercedes-Benz SL 63 AMG [Auto+ / João Brigato]
Mercedes-Benz SL 63 AMG [Auto+ / João Brigato]

Auxílio de todo canto

Por ser um Mercedes-Benz que carrega a letra S no nome, o SL 63 AMG tem tudo o que você pode esperar em auxílio à condução. Mas um dos maiores destaques vai para os faróis de LED Matrix. Além de fazer desenhos na parede ao ligar o esportivo, eles conseguem desenhar no asfalto alertas para fazer você manter distância do carro à frente.

Eles criam também zonas claras e escuras para não ofuscar ninguém na via, ao mesmo tempo em que mantêm a visibilidade intacta. Há alerta de ponto cego, sistema de manutenção em faixa, piloto automático adaptativo e muito mais. Mas algo que ajuda na prática é o sistema de elevação da suspensão dianteira para não raspar nas vias. Se configurado, ele faz isso automaticamente ao chegar em casa.

Couro, couro e mais couro

interior Mercedes-Benz SL 63 AMG [Auto+ / João Brigato]
Mercedes-Benz SL 63 AMG [Auto+ / João Brigato]

Quer se sentir em um quarto (apertado) do hotel mais chique da cidade? Entre em um Mercedes-Benz SL 63 AMG. O acabamento desse carro é um verdadeiro espetáculo, com couro em tudo quanto é canto. Até mesmo a tampa do porta-luvas recebe couro acolchoado. Há até uma parte de metal no console e alguns raros plásticos.

No modelo testado, o couro bege claro adiciona uma camada a mais de elegância e refinamento, mas se torna um atrativo para sujeiras, especialmente no volante. Mas quem tem quase R$ 2 milhões para gastar em um carro tem como lavá-lo constantemente.

cabine Mercedes-Benz SL 63 AMG [Auto+ / João Brigato]
Mercedes-Benz SL 63 AMG [Auto+ / João Brigato]

Os bancos contam com sistema de aquecimento do pescoço para permitir dirigir de capota aberta mesmo em dias frios, além de regulagem elétrica automática de acordo com a sua altura. Mas são desconfortáveis para dirigir por muito tempo. Além disso, a cabine é apertada, tanto para a altura da cabeça quanto lateralmente.

A Mercedes até colocou bancos na traseira do SL 63 AMG, mas eles são meramente decorativos. O assento é pequeno, o encosto é reto e o espaço para a cabeça só existe se o teto estiver aberto. O porta-malas de 110 litros é menor que muito frunk de carro elétrico, mas surpreendentemente tem abertura elétrica.

Minimalismo no ponto certo

Algo interessante sobre o Mercedes-Benz SL 63 AMG é que a cabine é, de certa maneira, minimalista, mas sem exageros. Ele conta com botões para todas as funções necessárias e comandos de fácil acesso para os recursos presentes na central multimídia, como o ar-condicionado.

A única mancada fica por conta do acionamento da capota. É preciso acessar um menu na central e ficar pressionando a tela por um tempo até que a operação seja concluída. Seria mais cômodo um comando igual ao presente em carros com teto solar: perto do retrovisor e com acionamento físico.

Mercedes-Benz SL 63 AMG [Auto+ / João Brigato]

Fora isso, a central multimídia é um show de altíssima definição e uso facilitado, sendo uma enorme referência no segmento premium. Detalhe que ela ainda pode ficar mais vertical caso haja incidência de luz, evitando reflexos. O painel de instrumentos também é totalmente digital, com uma tela excelente.

Principais itens de série

  • Ar-condicionado digital de duas zonas
  • Central multimídia com Android Auto e Apple CarPlay sem fio
  • Chave presencial
  • Faróis full-LED Matrix
  • Alerta de tráfego cruzado
  • Piloto automático adaptativo
  • Câmeras 360 graus
  • Sensor de estacionamento dianteiro e traseiro
  • Suspensão pneumática
  • Aerofólio traseiro eletricamente retrátil
  • Porta-malas com abertura elétrica
  • Tração integral
  • Bancos dianteiros elétricos com memória
  • Controle de largada
  • Auto-hold
  • Head-up Display
  • Sistema de som Burmester

Veredicto

Mercedes-Benz SL 63 AMG [Auto+ / João Brigato]
Mercedes-Benz SL 63 AMG [Auto+ / João Brigato]

Quando você paga quase R$ 2 milhões em um carro, espera o melhor de tudo. E o Mercedes-Benz SL 63 AMG entrega o que promete e ainda mais. Ele anda de maneira absurda, acelera fortíssimo, conta com o auxílio elétrico para ser surpreendentemente econômico e ainda oferece um extremo de luxo.

Claro que, por ser um conversível, mal tem espaço interno e, nas proporções grandes que tem, se torna um carro pouco ágil para estradas sinuosas. Só que quem se importa com isso se é possível desfilar durante o dia com elegância e refinamento para depois acelerar feito um endiabrado à noite com um V8 roncando?

Você teria um Mercedes-Benz SL 63 AMG? Conte nos comentários.

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João Brigato

Formado em jornalismo e design de produto, é apaixonado por carros desde que aprendeu a falar e andar. Tentou ser designer automotivo, mas percebeu que a comunicação e o jornalismo eram sua verdadeira paixão. Dono de um Jeep Renegade Sem Nome, até hoje se arrepende de ter vendido seu Volkswagen up! TSI.

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