A faixa dos R$ 200 mil no mercado brasileiro é dominada por SUVs híbridos chineses. Cada vez mais presentes, eles apostam em porte generoso, eletrificação e tecnologia. Mas existem consumidores que buscam outros atributos, como robustez, tração 4×4 de verdade e dirigibilidade mais apurada. Para eles, o Mitsubishi Eclipse Cross existe.
Recentemente reprecificado, o SUV japonês produzido no Brasil ficou mais atraente. Para entender se ainda vale a pena, testamos a versão topo de linha Black, de R$ 224.990. Afinal, já diz o ditado: panela velha é que faz comida boa. Mas, quando falamos de um carro que já tem anos de estrada, isso ainda vale?
Origens compartilhadas com a Stellantis
Originalmente lançado em 2017 e reestilizado uma única vez em 2021, o Mitsubishi Eclipse Cross usa a plataforma GS e representa o último remanescente dessa base de 2005. O então grupo Chrysler, hoje parte da Stellantis, concebeu a plataforma em parceria com a Mitsubishi. Ela equipou 22 carros, sendo 7 Mitsubishi, 3 Dodge, 2 Jeep, 3 Chrysler, 1 Lancia, 2 Peugeot e 2 Citroën.

O Brasil conheceu muito bem essa plataforma. Além do Eclipse Cross, tivemos os Mitsubishi Lancer, ASX e a geração anterior do Outlander, além dos primos Fiat Freemont e Dodge Journey. Ou seja, é uma base bem antiga, mas que já se provou há muito tempo robusta e confiável – pontos nos quais a Mitsubishi se apoia bastante.
E isso fica evidente ao volante do Eclipse Cross. Ele é um carro parrudo e bem construído. O Mit aguenta buraqueiras e asfalto ruim sem reclamar, além de ser bom de curva. É interessante o equilíbrio conseguido pela marca japonesa entre robustez e uma pegada mais esportiva para dirigir.

A direção elétrica é sensivelmente pesada, especialmente em manobras. Mas não é uma crítica, pelo contrário. O comportamento lembra muito o de carros mais caros e de marcas premium, colaborando, mais uma vez, para a sensação de robustez que o Eclipse Cross passa ao dirigir.
Os contrastes mecânicos
O Mitsubishi Eclipse Cross usa uma receita mecânica muito comum no mercado, mas em um layout diferente. O motor é um 1.5 quatro cilindros turbo a gasolina com 165 cv e 25,5 kgfm de torque. Ou seja, fica dentro da média da categoria de SUVs médios não eletrificados. Mas a versão Black traz consigo tração nas quatro rodas com o sistema avançado da Mitsubishi.

Ao contrário de um monte de SUVs chineses que usam motores elétricos na traseira para prover tração nas quatro rodas, o Eclipse Cross é raiz e vem com eixo cardã. O chamado S-AWC da Mit trabalha também com sistemas eletrônicos, como controle de tração e estabilidade, e só envia tração para a traseira quando há necessidade real.
Entretanto, diferentemente de outros modelos, como até o Jeep Compass, em que é preciso deixar selecionado que a tração 4×4 deve ser usada, o Eclipse Cross já se precavê. Ele mantém a tração dianteira como prioridade para baixar o consumo, mas a tração traseira está ali pronta para entrar em ação em milissegundos quando se faz necessária.
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O CVT…
Só que tem algo que entrega, e muito, a idade do projeto do Eclipse Cross: o câmbio CVT. Ele segue a moda antiga, em que produz o famoso efeito enceradeira. Teoricamente, são oito marchas simuladas que o motorista pode trocar por enormes aletas de metal atrás do volante. Na prática, a história é outra.
O Eclipse Cross só simula marcha quando o motorista usa o kickdown do pedal do acelerador. Nessa situação, vai simular no máximo duas trocas, sem tanto ímpeto assim. Com o pé fundo antes desse clique final, o SUV médio berra muito enquanto acelera, mantendo a rotação constante para aproveitar ao máximo o torque.
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Isso torna o sistema muito mais eficiente? Claro que sim. Mas a sensação de ganho de velocidade fica atrapalhada, além de ser um tanto quanto não natural. Como o isolamento acústico do motor não é lá essas coisas, o 1.5 turbo invade fortemente a cabine quando acelera.
Em compensação, como o motor trabalha bem com o câmbio, as retomadas do Eclipse Cross são bem rápidas. Ele não tem delay de acelerador ou demora para acordar, até fazendo parecer ser eletrificado dadas as respostas rápidas. Outro ponto é que, tanto em trajeto urbano quanto rodoviário, ele ascende rápido.
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Anda muito
O contraste entre o isolamento acústico do motor e o de rodagem, junto da solidez da carroceria do SUV, faz com que ele te engane sobre a velocidade em que está. É fácil tomar uma multa com o Eclipse Cross, porque ele sempre está mais rápido do que você imagina. Na estrada, então, ele roda firme e com giro baixo, mesmo acima do limite da rodovia.
Já o consumo fica dentro do esperado para um SUV médio que bebe apenas gasolina. Oficialmente, são 10,2 km/l na cidade e 11,5 km/l na estrada, números que nossos testes cumpriram rigorosamente. Como o tanque tem 60 litros, o Eclipse Cross quase consegue rodar 700 km sem abastecer.
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Ele tem ADAS!
Mesmo com um projeto antigo, a Mitsubishi conseguiu equipar o Eclipse Cross com sistema ADAS completo. Ele tem frenagem autônoma de emergência (que usa português de Portugal para avisar que foi ativada ao escrever “travar” no painel de instrumentos) e piloto automático adaptativo.
Além disso, ele conta com alerta de tráfego cruzado, alerta de ponto cego, sistema de manutenção em faixa e farol alto automático. A Mit conseguiu deixar esses sistemas pouco intrusivos no Eclipse Cross, servindo, de fato, como auxílios à condução, não como babás eletrônicas chatas. Esse é um dos pontos mais positivos do SUV médio.
O jeito certo e bem feito
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A cabine do Mitsubishi Eclipse Cross deixa muito claro que o tempo passou e o SUV não acompanhou. Mas, ao mesmo tempo, traz uma qualidade de construção e de materiais superior à do Jeep Compass, mas ainda inferior à dos SUVs chineses. Entretanto, alguns pontos chamam muita atenção.
Se, por um lado, temos o painel todo revestido na parte superior com materiais macios, por outro temos um painel de instrumentos analógico. Ele é bem feito e tem visores claros, mas o computador de bordo é muito limitado e o motorista o controla por três botões atrás do volante. Além disso, as luzes dos comandos usam um defasado tom alaranjado.
![cabine Mitsubishi Eclipse Cross Black [Auto+ / João Brigato]](https://www.automaistv.com.br/wp-content/uploads/2026/09/mitsubishi-eclipse-cross-black-07-1320x743.webp)
O head-up display, item essencial no Eclipse Cross, projeta suas informações em um acrílico que se levanta por trás do painel de instrumentos. Uma operação muito mais complexa e cara do que um reflexo nos vidros, como 99% dos outros carros fazem. Outro ponto é que a marca usa fibra de carbono fake nas portas e na moldura do painel de instrumentos.
Por falar em portas, elas contam com revestimento macio e uma dose bem generosa de couro, além de um encosto de braço muito confortável. Mas os comandos dos vidros elétricos ficam em posição pouco ergonômica por conta do puxador de porta. Além disso, só o botão do motorista é iluminado e tem função de um toque.


E tem uns pontos…
Não acredito que vou pontuar isso, mas o Eclipse Cross tem um excesso de botões, em contraste com os SUVs chineses que têm botões de menos. Algumas funções poderiam ficar na central multimídia. Pelo menos o ar-condicionado tem botões próprios e a central multimídia tem controle de volume.
Por falar na central, ela nitidamente é mais moderna do que o projeto concebido para o Eclipse Cross. A tela fica bem posicionada, tem boa qualidade, além de ser rápida. Mas a conexão com Android Auto e Apple CarPlay sem fio é inconstante, com quedas frequentes. Além disso, não tem integração alguma com o carro, não sendo possível acertar parâmetros do SUV.
![central multimídia Mitsubishi Eclipse Cross Black [Auto+ / João Brigato]](https://www.automaistv.com.br/wp-content/uploads/2026/09/mitsubishi-eclipse-cross-black-02-1320x743.webp)
Vale destacar que o interior da versão Black traz bancos revestidos em couro com parte central em suede perfurado. É um toque bem elegante e os assentos são bem confortáveis. Atrás, mesmo com seu perfil cupê, o Eclipse Cross é surpreendentemente espaçoso, mas o banco ficou alto demais.
Outro destaque é o teto panorâmico duplo, em que o passageiro traseiro pode controlar a cortina independentemente do que acontece na fileira da frente. Além disso, há porta-copos e saída de ar traseira. O porta-malas, com abertura elétrica, leva 473 litros.



Principais itens de série
- Seis airbags
- Banco do motorista com regulagem elétrica
- Chave presencial
- Piloto automático adaptativo
- Frenagem autônoma de emergência
- Sistema de manutenção em faixa
- Alerta de ponto cego
- Freio de estacionamento eletrônico com função auto-hold
- Faróis full-LED com lavador e acendimento automático
- Ar-condicionado digital de duas zonas
- Bancos dianteiros com aquecimento
- Central multimídia com Android Auto e Apple CarPlay sem fio
- Carregador de celular por indução
- Câmera de ré
- Sensor de estacionamento dianteiro e traseiro
- Sensor de chuva
- Freio a disco nas quatro rodas
- Rodas de liga-leve de 19 polegadas
- Alerta de tráfego cruzado
![Mitsubishi Eclipse Cross Black [Auto+ / João Brigato]](https://www.automaistv.com.br/wp-content/uploads/2026/09/mitsubishi-eclipse-cross-black-13-1320x743.webp)
Veredicto
O Mitsubishi Eclipse Cross é um carro que está presente no mercado há muito tempo sem atualizações. Entretanto, ainda entrega uma fórmula muito competente: é robusto, muito bom para dirigir, tem bom acabamento e boa lista de itens de série, sem ser excessivamente caro. Nessa categoria, tem muito SUV pior que ele e que vende mais.
Mas, em tempos de eletrificação, a tração 4×4 e os atributos positivos do modelo podem não ser suficientes na faixa dos R$ 200 mil. Ele não é um carro irrecomendável, muito pelo contrário. Só que é para um cliente muito específico que precisa de um carro confiável e do 4×4, mas não quer um SUV necessariamente monstro do off-road.
![Mitsubishi Eclipse Cross Black [Auto+ / João Brigato]](https://www.automaistv.com.br/wp-content/uploads/2026/09/mitsubishi-eclipse-cross-black-19-1320x743.webp)
Ficha técnica
- Preço: R$ 224.900
- Motor: 1.5 quatro cilindros turbo
- Potência e torque: 165 cv e 25,5 kgfm
- Transmissão: CVT de 8 marchas simuladas
- 0 a 100 km/h: 11,4 segundos
- Tração: 4×4
- Medidas: 4,54 m de comprimento / 1,80 m de largura / 1,68 m de altura / 2,67 m de entre-eixos
- Porta-malas: 473 litros
- Altura livre do solo: 21,5 cm
- Consumo: 10,2 km/l na cidade e 11,5 km/l na estrada
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