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Mitsubishi Triton Savana encara o fim do mundo e debocha dos alagamentos | Avaliação

A Mitsubishi Triton Savana é uma caminhonete média para encarar o fim do mundo, seja pelo visual, seja pelos aprimoramentos para o off-road

9 min de leitura

Caso o mundo acabasse hoje, talvez sobrariam as baratas, Keith Richards (guitarrista dos Rolling Stones), um telefone tijolão da Nokia e a Mitsubishi Triton Savana 2026. Afinal, essa caminhonete média com visual apocalíptico, no estilo do seriado Walking Dead, aguenta adversidades que outros utilitários tremeriam só de pensar ou de encarar.

Baseada na versão topo de linha Katana (que parte de R$ 324.990), a Savana sai por R$ 354.990 já incluindo a pintura amarela, marca registrada da linhagem criada em 2004. Também está disponível a tonalidade verde Forest. Sobretudo, o pacote de série traz acessórios para encarar um fora de estrada Heavy Metal: snorkel, proteções inferiores e laterais, bagageiro de teto com prancha e pá, além de pneus de uso misto.

É uma caminhonete parruda na essência e com visual intimidador, porém sem abrir mão da dirigibilidade amigável na cidade. Seja pela calibração das suspensões, seja pelos itens de conforto e conveniência embarcados na cabine. Afinal, quem disse que para ser bruta precisa sacrificar o conforto dos até cinco passageiros?

Mitsubishi Triton Savana amarela parada de traseira com muro de pedras ao fundo
Mitsubishi Triton Savana [Auto+ / Rafael Pocci Déa]

A posição de dirigir assegura um ótimo campo de visão, enquanto o porte empata com algumas rivais médias do segmento: são 5,36 m de comprimento, 1,93 m de largura, 1,81 m de altura e 3,13 m de entre-eixos. Aliás, para comparar, a carroceria da Ford Ranger Limited V6 (R$ 346.900) oferece 5,35 m, 1,91 m, 1,88 m e 3,27 m, respectivamente.

Mitsubishi Triton Savana é boa de barro, mas pronta para o asfalto

Quem olha para a Mitsubishi Triton Savana acha que ela só serve para a lama por conta de todo o visual e dos sapatos fornecidos pela Goodyear. Só que toda essa personalidade casca-grossa também ajuda a livrar o condutor de alguns perrengues da cidade. À época em que ela chegou à minha casa, São Paulo foi castigado com uma chuva que alagou algumas das principais ruas e avenidas da metrópole.

Enquanto alguns condutores se amontoavam para vencer o trajeto, principalmente, para não ficar pelo caminho devido a um calço hidráulico no motor, a Mitsubishi Triton Savana superou o mar urbano uma mão amarrada nas costas. A força vem do propulsor de quatro cilindros em linha 2.4 biturbo atrelado ao câmbio automático de seis marchas, produzindo 205 cv e saudáveis 47,9 kgfm de 1.500 a 2.750 rpm.

Ou seja, uma mesa de torque e força bruta para carregar sem esforços os seus 2.130 kg em ordem de marcha e abrir o caminho alagado que se formou na Avenida Faria Lima e na Marginal Pinheiros. Aliás, a mecânica MIVEC 4N16 SHP (sigla para Super High Power) transmite o característico som de motor cheio das mecânicas turbodiesel.

É uma sonoridade similar à da Nissan Frontier e à da Chevrolet S10. Aliás, esta última debutou recentemente a versão Trail Boss (a partir de R$ 341.290), cuja sacada está na suspensão mais alta fornecida pela Ironman, com o conjunto frontal erguido em 3 centímetros.

Motor da caminhonete Mitsubishi Triton Savana
Mitsubishi Triton Savana [Auto+ / Rafael Pocci Déa]

Quando a cidade vira litoral

A Mitsubishi Triton Savana acorda de forma progressiva e possui um comportamento linear, que possibilita andar em baixa velocidade sem pedir marcha ou transmitir solavancos aos ocupantes. O funcionamento do motor turbodiesel é liso, com baixa vibração e pouca aspereza. Uma pegada sentida tanto na Ford Ranger quanto na Chevrolet S10.

O conforto, aliás, é evidenciado pelas suspensões com arquitetura independente com braços triangulares duplos (Double Wishbone) na frente e eixo rígido com molas semielípticas na traseira. O conjunto não apenas assegura o bem-estar a bordo dos passageiros, como garante boa dinâmica nas curvas e agilidade nas mudanças de faixas de rolagem ou enfrentar locais apertos graças ao raio de giro de 6,2 metros.

Apesar da altura em relação ao solo de 22,2 cm, a caminhonete da Mitsubishi ataca as curvas com vontade, sem muita rolagem de carroceria. A boa calibração ainda possibilita trafegar sem o incômodo pula-pula mesmo com a caçamba de 1.080 kg de carga útil descarregada. Além disso, o sistema de amortecimento possibilita abrir ou fechar a tampa do compartimento de bagagens com apenas uma mão.

A dinâmica é reforçada pela direção assistida eletricamente, leve ao esterço para um utilitário médio e rápida no retorno. Em meio ao alagamento em velocidade constante, o snorkel deu uma dose de segurança e tranquilidade extra: cabeça leve, mente leve. Sobretudo, é um equipamento que ajuda a formar a personalidade da Mitsubishi Triton Savana.

Mitsubishi Triton Savana [Auto+ / Rafael Pocci Déa]

O perrengue continuou

Para quem achou que a aventura tinha terminado, ela seguiu pelas Avenidas Rebouças e Faria Lima, ambas debaixo d’água. E novamente a Mitsubishi Triton Savana provou o seu valor. Ela pode enfrentar áreas alagadas com até 80 cm de profundidade. Além disso, os ângulos de entrada e de saída são de 29º e 23º, respectivamente, com ângulo de rampa de até 24º e inclinação lateral de até 45º.

O contato com o solo é assegurado pelas rodas de 18 polegadas pintadas de preto brilhante e calçadas por pneus Goodyear Wrangler Duratec RT de medidas 265/60 (80% para o off-road e 20% para o asfalto). Sob o chassi, motor, transmissão, diferencial traseiro e o tanque de combustível de 75 litros são protegidos por uma blindagem de aço.

Também estão presentes os reforços de metal nos para-choques e os Rock Sliders nas laterais, que ajudam a proteger a carroceria contra choques em pedras ou troncos. Ficou faltando apenas a capota marítima para proteger os objetos transportados na caçamba, que oferece 1,55 m de comprimento, 1,54 m de largura e 525 mm de altura.

De todo modo, a Mitsubishi Triton Savana compensa a falha com sete programas de condução (Normal, Eco, Gravel (cascalho), Snow (neve), Mud (lama), Sand (areia) e Rock (pedra) e o seletor giratório com os modos de tração 2H (4×2 traseira), 4H (4×4 tempo integral), 4HLc (4×4 tempo parcial) e 4LLc (4×4 tempo parcial e reduzida).

Caminhonete Mitsubishi Triton Savana amarela parada de frente com muro de pedras ao fundo
Mitsubishi Triton Savana [Auto+ / Rafael Pocci Déa]

Na prática, o sistema Super Select II permite mudar de tração simples (2H) para 4×4 (4H) em movimento com a caminhonete a até 100 km/h, sem precisar encostar no acostamento para operar o seletor. Já para os atoleiros de verdade, o bloqueio do diferencial traseiro força as rodas do eixo a girarem juntas, garantindo a tração necessária para sair do sufoco.

A tecnologia da Mitsubishi Triton Savana

Passado o clima de fim do mundo, a paz voltou a reinar e, na cidade, o sistema Start-Stop mostrou funcionamento suave tanto ao desligar quanto ao religar o propulsor, auxiliando no consumo. Durante nossa convivência, a caminhonete registrou médias urbanas entre 9,5 km/l e 12 km/l. Além disso, a caminhonete da Mitsubishi ainda oferece uma garantia de cinco anos.

Ao abrir a porta do habitáculo, aparecem o quadro de instrumentos com display colorido de sete polegadas, o ar-condicionado de duas zonas e o prático circulador de ar no teto, que distribui o ar da porção dianteira para a traseira da cabine de forma rápida e uniforme. Já o multimídia é de nove polegadas com Android Auto e Apple CarPlay sem fio, além de GPS nativo.

Mitsubishi Triton Savana [Auto+ / Rafael Pocci Déa]

O sistema de som é composto por quatro alto-falantes e dois tweeters. Há ainda entradas USB dos tipos A e C. Todavia, a lista de segurança e assistência traz sete airbags, controles eletrônicos de tração, estabilidade e vetorização de torque, assistente de frenagem de emergência, câmera de 360º, sensores de estacionamento frontais e traseiros, carregador de smartphone por indução e controlador de velocidade adaptativo.

Além disso, o pacote inclui ainda monitoramento de ponto cego, frenagem autônoma de emergência, sinal de parada de emergência, assistente de partida em rampa, controle de descida, alerta de mudança involuntária de faixa, aviso de tráfego cruzado traseiro e assistente de estabilidade de trailer, para citar.

Veredicto

Se a Ford Ranger elevou a régua do segmento de caminhonetes médias, a Mitsubishi Triton seguiu a mesma escola, sendo o segundo melhor utilitário à venda em nosso mercado, perdendo apenas para a rival do oval azul. Sobretudo, nesta configuração Savana, ela eleva as capacidades no fora de estrada sem perder a usabilidade urbana, repetindo uma fórmula parruda e de sucesso inaugurada em 2004.

Ela entrega um conjunto único para quem realmente vai alternar o asfalto castigado das metrópoles com o fora de estrada pesado no fim de semana. Embora não seja uma caminhonete barata, ela cumpre com folga o que promete. Para quem busca um utilitário de alma bruta, visual intimidador e recheado de eletrônica, a Mitsubishi Triton Savana prova que é uma alternativa para enfrentar o apocalipse sobre quatro rodas.

Ficha técnica

  • Preço: R$ 354.990
  • Motor: 4 cilindros em linha, 2.4 16V, turbodiesel
  • Potência e torque: 205 cv e 47,9 kgfm
  • Transmissão: automática de 6 marchas
  • 0 a 100 km/h: n/d
  • Tração: 4×2, 4×4 e 4×4 com reduzida
  • Medidas: 5,36 m de comprimento / 1,93 m de largura / 1,81 m de altura / 3,13 m de entre-eixos
  • Caçamba: 1.080 kg
  • Altura livre do solo: 22,2 cm
  • Consumo: n/d

E você, o que achou da Mitsubishi Triton Savana? Compraria essa picape média ou optaria por outro modelo do segmento? Escreva nos comentários!

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Rafael Dea

Cursou Jornalismo para trabalhar com carros. Formado em 2005, atuou na mídia impressa por mais de 16 anos e também em veículos on-line. Embora tenha uma paixão por caminhonetes, não dispensa um esportivo — inclusive, foi o único brasileiro a participar do lançamento global do Porsche Panamera GTS.

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