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Como os SUVs mataram hatches médios e minivans no Brasil

Cada vez mais populares no Brasil e no mundo, os SUVs mataram as minivans e os hatches médios e os números provam isso
SUVs colocaram minivans e hatches médios para comerem poeira [divulgação]
SUVs colocaram minivans e hatches médios para comerem poeira [divulgação]

Goste ou não, os SUVs dominaram o mercado brasileiro e mundial. Apesar de terem roubado clientes de sedãs médios e hatches compactos, duas categorias em específico foram as que mais sofreram com eles: as minivans e os hatches médios.

Prova disso é que os hatches médios vendem 30 vezes menos hoje do que há dez anos, enquanto as minivans tiveram suas vendas ceifadas em cinco vezes. Em contrapartida, os SUVs multiplicaram sua atuação no mercado em seis vezes.

O gráfico abaixo mostra muito bem a escalada dos SUVs e como eles rapidamente viraram o jogo. Com dados fornecidos pela Fenabrave desde 2003 a 2020, fica claro como essa dominação aconteceu.

Hatches médios: as primeiras vítimas

Em 2003, o mercado de SUVs ainda era bastante fraco. O Ford EcoSport já estava por aí, representando 65% das vendas totais da categoria. Além dele, o mercado trazia apenas modelos de porte médio e grande.

Já entre os hatches médios, a categoria era mais diversa com Chevrolet Astra, Fiat Stilo, Volkswagen Golf, Ford Focus, Audi A3 e Peugeot 307. Nessa época foram vendidos 68.277 hatches médios contra 41.525 SUVs.

Chevrolet Astra [divulgação]
Chevrolet Astra [divulgação]
Em média, os três primeiros colocados tinham cerca de 15 mil unidades vendidas em 2003, não tão distante dos 27.177 EcoSport emplacados no ano. Mas as coisas começaram a mudar e rápido.

Em 2004, os hatches médios conseguiram chegar a 64.630 novas garagens, mantendo a média do ano anterior. Já os SUVs, cresceram 37,5% e atingiram recorde de 57.084 unidades vendidas. No mesmo ano as minivans passavam de 100 mil unidades vendidas pela primeira vez na história com 109.350 unidades.

Ford EcoSport sozinho vendia mais que todos os SUVs somados antigamente  [divulgação]
Ford EcoSport sozinho vendia mais que todos os SUVs somados antigamente [divulgação]
A virada de jogo para os SUVs só aconteceu em 2006. O Ford EcoSport ainda dominava sozinho, mas já tinha a companhia de outros SUVs, ainda que sem tanta representatividade. O Ford tinha 56% do mercado, que atingiu 76.821 unidades nesse ano.

Mantendo o volume estável em relação ao ano anterior, os hatches médios conquistaram 65.355 unidades vendidas em 2006. A partir daí, todo o mercado automotivo cresceu e a diferença nas vendas entre os hatches médios para os SUVs foi ficando cada vez maior.

Hyundai i30 [divulgação]
Hyundai i30 [divulgação]

Derrota das minivans

Enquanto as familiares Fiat Idea, Chevrolet Meriva e Zafira, Citroën Xsara Picasso, riam da cara dos SUVs e cresciam nas vendas ano a ano, a turma do EcoSport estava preparando a virada. Elas mantiveram vendas acima de 100 mil unidades entre 2005 e 2014, ajudadas também pelo Honda Fit que entra na categoria por ser monovolume.

O crescimento nas vendas foi constante até 2009, quando elas começaram a perder fôlego e lentamente caíram. Contudo, o jogo já havia sido virado para o lado dos SUVs em 2008. Pela primeira vez na história os utilitários vendiam mais que as minivans.

Chevrolet Meriva [divulgação]
Chevrolet Meriva [divulgação]
Eles conquistaram 147.981 unidades em 2008 contra 130.699 unidades delas. Um ano antes a diferença já era pequena com 123.722 minivans vendidas contra 110.058 SUVs. Isso se deve a alguns fatores. O EcoSport vendia muito ainda, mas não representava mais de 50% da categoria quando a virada aconteceu.

Modelos fortes como Hyundai Tucson, Chevrolet Tracker, Mitsubishi Pajero TR4, Honda CR-V, Chevrolet Captiva e Kia Sportage já eram bastante representativos na categoria. No caso dos médios, não tanto quanto o Jeep Comapass é hoje, mas ainda fortes.

Chevrolet Captiva já foi rei dos SUVs médios (divulgação)

Alta do mercado

Coincidentemente, o ano de 2010 marca o ápice das vendas de hatches médios e minivans. Foi também um dos melhores anos da indústria automotiva brasileira, que passava pela primeira vez de 5 milhões de carros vendidos.

Os SUVs já dominavam o mercado com 168.096 unidades emplacadas. Mas os hatches médios e as minivans não estavam mal. Ineditamente, as três categorias estavam acima de 100 mil unidades emplacadas no fechamento do ano. Resultado que se repetiu somente em 2011 para nunca mais.

Renault Duster (divulgação)

As minivans conquistavam 151.064 unidades nesse ano, seu recorde histórico. Já os hatches médios, impulsionados pelo sucesso do Hyundai i30, abocanhavam 121.644 unidades. Em contrapartida, os SUVs se aproximavam das 300 mil unidades vendidas com 270.443 novos modelos da categoria nas ruas brasileiras em 2010.

Ladeiras

A partir daí foi uma grande mudança no mercado. Os SUVs batiam recordes de vendas. Eles atingiram 100 mil unidades vendidas em 2007, dobraram o volume em 2010, romperam a barreira das 300 mil unidades em 2016, depois 400 mil em 2017, meio milhão em 2018 e em 2019 seu ápice com 600.140 unidades vendidas.

Já os hatches médios foram ladeira abaixo. Depois de terem mantido 100 mil unidades vencidas em 2011, eles despencaram para 83.600 unidades em 2013. Mas o grande tombo veio depois. Em 2014, foram 65.781 hatches médios vendidos contra fracos 25.150 modelos da categoria no ano seguinte.

Chevrolet Spin Activ 2018

O pior resultado de todos aconteceu em 2019 quando somente 8.776 hatches médios foram vendidos no Brasil. Agora em 2020 tende a ser pior, visto que só temos modelos de luxo na categoria, salvo o Chevrolet Cruze Sport6. Até outubro foram emplacados 4.069 hatches médios.

Já as minivans também viram sua categoria ser dizimada. Hoje, apenas a Chevrolet Spin e o Honda Fit representam o segmento entre os carros feitos no Brasil. Elas se mantiveram mais estáveis até 2014 com 136.739 unidades vendidas.

fit
Honda Fit (divulgação)

No ano seguinte o primeiro tombo veio com metade das vendas cortadas: 64.874 unidades. A categoria ficou abaixo das 60 mil unidades entre 2018 e 2019. E, novamente, 2020 mostra um ano negativo para elas, com 27.093 unidades empacadas até novembro contra 403.072 SUVs.

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João Brigato

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