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Qualquer carro pode quebrar

5 Toyota que parecem indestrutíveis, mas têm defeitos 

A japonesa construiu sua fama por carros extremamente resistentes, mas como qualquer carros também existem defeitos

5 min de leitura

Poucas marcas conseguiram construir uma reputação de confiabilidade tão forte quanto a Toyota. Seja o Corolla que passa de pai para filho, a Hilux trabalhando durante décadas e Etios com quilometragens absurdas ajudaram a criar aquela impressão de que basta trocar óleo, colocar combustível e continuar andando. 

Só que existe uma diferença entre carro confiável e carro que nunca quebra. Principalmente no mercado de usados, idade, manutenção negligenciada e alguns pontos específicos de projeto podem fazer aquele Toyota aparentemente indestrutível em uma conta bem salgada. Diante disso, o Auto+ separou cinco Toyota conhecidos pela robustez, mas que carregam defeitos ou pontos de atenção.

Toyota Corolla Brad Pitt e Corollão — 2002 a 2014

Toyota Corolla [divulgação]

Provavelmente nenhum carro representa melhor a fama que o Corolla de indestrutível ao lado da Hilux. No caso do sedan, a geração conhecida como Brad Pitt, vendida por aqui a partir de 2002, quanto o chamado Corollão, lançado em 2008, ainda aparecem aos montes rodando normalmente. 

Na décima geração, inclusive, os motores 1.8 e posteriormente 2.0 vieram acompanhados do antigo automático de quatro marchas, uma caixa simples perto das atuais, mas muito boa justamente pela durabilidade quando recebe a manutenção correta. Agora, não compre achando que qualquer Corolla de 15 ou 20 anos está automaticamente perfeito. 

Toyota Corolla XRS vermelho parado de frente
Corolla XRS [Divulgação]

Nos modelos 2008 a 2014, existem relatos recorrentes de batidas e ruídos na caixa de direção, principalmente em pisos ruins, e a própria Toyota chegou a distribuir um boletim de serviço para orientar sua rede. Além disso, vale conferir trizetas, sonda lambda e o histórico do fluido do câmbio. 

Nesse último caso, não estamos falando de uma transmissão cronicamente ruim. O problema aparece justamente quando décadas de fama de inquebrável fazem o dono acreditar que manutenção preventiva também é opcional.

Toyota Hilux e SW4 3.0 D-4D — 2005 a 2015

Toyota Hilux SRV 3.0 4x4 AT 2012
Toyota Hilux SRV [Divulgação]

A Toyota Hilux e o SW4 dessa geração provavelmente estão entre os melhores exemplos de Toyota feito para apanhar. A picape encara qualquer desaforo, enquanto o SW4 usa a mesma receita com carroceria fechada. O conhecido 3.0 turbodiesel de 171 cv e 36,7 kgfm ajuda muito nessa reputação. Por outro lado, justamente o diesel merece atenção. 

A Hilux e o SW4 produzidas entre 2006 e 2013 tiveram casos documentados de carbonização no sistema de admissão, além de problemas envolvendo EGR e assentamento dos injetores. A própria Toyota emitiu boletins técnicos sobre as situações. 

Toyota SW4  2012
Toyota SW4 2012 [Divulgação]

Com isso, os sintomas podem ser fumaça, marcha lenta irregular, perda de potência e consumo anormal de óleo.  Se o proprietário continuar andando sem investigar, o prejuízo pode crescer e envolver turbina, bomba e injetores.

Toyota Etios — 2012 a 2021

Toyota Etios
Toyota Etios [Divulgação]

O Toyota Etios tinha um desenho que nunca foi unanimidade e o primeiro painel parecia uma balança de supermercado, mas mecanicamente o compacto construiu uma reputação enorme. Existe até Etios brasileiro de táxi que chegou a 999.999 km e simplesmente fez o hodômetro atingir seu limite. Mesmo assim, principalmente as primeiras unidades manuais merecem atenção com a embreagem. 

Alguns proprietários relataram pedal pesado, trepidações, rangidos e desgaste precoce e surgiu casos de conjuntos substituídos com quilometragens relativamente baixas. O acionamento por cabo dos primeiros anos aparece bastante nessas reclamações.

Toyota Etios [Divulgação]

Além disso, batentes da suspensão, regulador de pressão do combustível e peças simples do acabamento também merecem uma olhada. Já o marcador de combustível dos painéis antigos nunca foi exatamente uma referência de precisão. 

Toyota RAV4 — 2013 a 2018

Toyota RAV4 2.5 4x4 2015
Toyota RAV4 2.5 4×4 2015 [Divulgação]

O RAV4 dessa geração é outro daqueles Toyota que envelheceram de uma forma interessante. Ele chegou ao Brasil em 2013 com motor 2.0, e opções 4×2 ou 4×4, enquanto a configuração mais cara utilizava o 2.5. Depois, o 2.0 ganhou mais espaço na gama. Diante disso, ainda é comum encontrar exemplares com quilometragem alta.Mas aqui existe um detalhe. 

Algumas unidades 2.5 automáticas 2013 a 2015 tiveram casos documentados de trepidação do conversor de torque sob aceleração leve. Nos Estados Unidos, a Toyota chegou a criar um programa de extensão de garantia específico para esse problema e publicou boletim técnico com troca do conversor e atualização do módulo. 

Toyota RAV4
Toyota RAV4 [Divulgação]

Isso não significa que todo RAV4 brasileiro terá a falha e o 2.0 CVT sequer usa a mesma transmissão. Por isso, diante de um 2.5 usado, vale prestar atenção a vibrações entre 40 e 80 km/h. Já nos carros mais rodados, ruídos e desgaste de componentes da suspensão traseira também merecem uma boa vistoria.

Toyota Camry 3.5 V6 — 2007 a 2011

Toyota Camary 2012
Toyota Camary 2012 [Divulgação]

O Toyota Camry é grande, confortável, discreto e usa o excelente V6 3.5 2GR-FE. No Brasil, o XLE entregava perto de 280 cv e vinha com câmbio automático, além de oferecer um nível de conforto muito acima do Corolla. Todavia, em determinados Camry 2007 a 2010 com o 2GR-FE, a Toyota realizou nos Estados Unidos uma campanha de serviço para substituir uma seção de borracha da linha de óleo do sistema VVT-i, que poderia degradar e provocar vazamento. 

Portanto, em um exemplar dessa fase, vale verificar qual componente está instalado e se existe histórico de substituição. Além disso, a fabricante também criou por lá um programa de garantia estendida para painéis que podiam rachar ou ficar pegajosos depois de anos expostos a calor e umidade, envolvendo Camry 2007 a 2011.

E você, qual Toyota acrescentaria nessa lista? Deixe seu comentário!

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Luiz Forelli

Jornalista pela Faculdade Cásper Líbero, sempre fascinado por carros. Passava horas dirigindo no colo da família dentro da garagem ou empurrando carrinhos pela casa, como se já soubesse que seu caminho estaria entre motores e rodas. Hoje, realiza o sonho de infância escrevendo sobre o universo automotivo com a mesma empolgação de quem brincava com um volante imaginário. No lugar do sangue, corre gasolina, e isso nunca foi segredo.

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