Poucas marcas conseguiram construir uma reputação de confiabilidade tão forte quanto a Toyota. Seja o Corolla que passa de pai para filho, a Hilux trabalhando durante décadas e Etios com quilometragens absurdas ajudaram a criar aquela impressão de que basta trocar óleo, colocar combustível e continuar andando.
Só que existe uma diferença entre carro confiável e carro que nunca quebra. Principalmente no mercado de usados, idade, manutenção negligenciada e alguns pontos específicos de projeto podem fazer aquele Toyota aparentemente indestrutível em uma conta bem salgada. Diante disso, o Auto+ separou cinco Toyota conhecidos pela robustez, mas que carregam defeitos ou pontos de atenção.
Toyota Corolla Brad Pitt e Corollão — 2002 a 2014

Provavelmente nenhum carro representa melhor a fama que o Corolla de indestrutível ao lado da Hilux. No caso do sedan, a geração conhecida como Brad Pitt, vendida por aqui a partir de 2002, quanto o chamado Corollão, lançado em 2008, ainda aparecem aos montes rodando normalmente.
Na décima geração, inclusive, os motores 1.8 e posteriormente 2.0 vieram acompanhados do antigo automático de quatro marchas, uma caixa simples perto das atuais, mas muito boa justamente pela durabilidade quando recebe a manutenção correta. Agora, não compre achando que qualquer Corolla de 15 ou 20 anos está automaticamente perfeito.

Nos modelos 2008 a 2014, existem relatos recorrentes de batidas e ruídos na caixa de direção, principalmente em pisos ruins, e a própria Toyota chegou a distribuir um boletim de serviço para orientar sua rede. Além disso, vale conferir trizetas, sonda lambda e o histórico do fluido do câmbio.
Nesse último caso, não estamos falando de uma transmissão cronicamente ruim. O problema aparece justamente quando décadas de fama de inquebrável fazem o dono acreditar que manutenção preventiva também é opcional.
Toyota Hilux e SW4 3.0 D-4D — 2005 a 2015

A Toyota Hilux e o SW4 dessa geração provavelmente estão entre os melhores exemplos de Toyota feito para apanhar. A picape encara qualquer desaforo, enquanto o SW4 usa a mesma receita com carroceria fechada. O conhecido 3.0 turbodiesel de 171 cv e 36,7 kgfm ajuda muito nessa reputação. Por outro lado, justamente o diesel merece atenção.
A Hilux e o SW4 produzidas entre 2006 e 2013 tiveram casos documentados de carbonização no sistema de admissão, além de problemas envolvendo EGR e assentamento dos injetores. A própria Toyota emitiu boletins técnicos sobre as situações.

Com isso, os sintomas podem ser fumaça, marcha lenta irregular, perda de potência e consumo anormal de óleo. Se o proprietário continuar andando sem investigar, o prejuízo pode crescer e envolver turbina, bomba e injetores.
Toyota Etios — 2012 a 2021

O Toyota Etios tinha um desenho que nunca foi unanimidade e o primeiro painel parecia uma balança de supermercado, mas mecanicamente o compacto construiu uma reputação enorme. Existe até Etios brasileiro de táxi que chegou a 999.999 km e simplesmente fez o hodômetro atingir seu limite. Mesmo assim, principalmente as primeiras unidades manuais merecem atenção com a embreagem.
Alguns proprietários relataram pedal pesado, trepidações, rangidos e desgaste precoce e surgiu casos de conjuntos substituídos com quilometragens relativamente baixas. O acionamento por cabo dos primeiros anos aparece bastante nessas reclamações.

Além disso, batentes da suspensão, regulador de pressão do combustível e peças simples do acabamento também merecem uma olhada. Já o marcador de combustível dos painéis antigos nunca foi exatamente uma referência de precisão.
Toyota RAV4 — 2013 a 2018

O RAV4 dessa geração é outro daqueles Toyota que envelheceram de uma forma interessante. Ele chegou ao Brasil em 2013 com motor 2.0, e opções 4×2 ou 4×4, enquanto a configuração mais cara utilizava o 2.5. Depois, o 2.0 ganhou mais espaço na gama. Diante disso, ainda é comum encontrar exemplares com quilometragem alta.Mas aqui existe um detalhe.
Algumas unidades 2.5 automáticas 2013 a 2015 tiveram casos documentados de trepidação do conversor de torque sob aceleração leve. Nos Estados Unidos, a Toyota chegou a criar um programa de extensão de garantia específico para esse problema e publicou boletim técnico com troca do conversor e atualização do módulo.

Isso não significa que todo RAV4 brasileiro terá a falha e o 2.0 CVT sequer usa a mesma transmissão. Por isso, diante de um 2.5 usado, vale prestar atenção a vibrações entre 40 e 80 km/h. Já nos carros mais rodados, ruídos e desgaste de componentes da suspensão traseira também merecem uma boa vistoria.
Toyota Camry 3.5 V6 — 2007 a 2011

O Toyota Camry é grande, confortável, discreto e usa o excelente V6 3.5 2GR-FE. No Brasil, o XLE entregava perto de 280 cv e vinha com câmbio automático, além de oferecer um nível de conforto muito acima do Corolla. Todavia, em determinados Camry 2007 a 2010 com o 2GR-FE, a Toyota realizou nos Estados Unidos uma campanha de serviço para substituir uma seção de borracha da linha de óleo do sistema VVT-i, que poderia degradar e provocar vazamento.
Portanto, em um exemplar dessa fase, vale verificar qual componente está instalado e se existe histórico de substituição. Além disso, a fabricante também criou por lá um programa de garantia estendida para painéis que podiam rachar ou ficar pegajosos depois de anos expostos a calor e umidade, envolvendo Camry 2007 a 2011.
E você, qual Toyota acrescentaria nessa lista? Deixe seu comentário!


