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BYD Dolphin Mini e Geely EX2 têm filas bem diferentes e lojas se aproveitam

O Auto+ apurou por que alguns dos elétricos mais vendidos do Brasil aparecem até R$ 12 mil acima do preço oficial em lojas

5 min de leitura

Atualmente, dois dos carros elétricos mais procurados do Brasil são BYD Dolphin Mini e Geely EX2. O primeiro já sai da fábrica de Camaçari, na Bahia, e vende horrores. O segundo, por outro lado, ainda chega importado da China e só começará a ser produzido em São José dos Pinhais, no Paraná, em dezembro. Diante disso, no caso do Geely, não tem carro disponível para quem entra hoje na concessionária. Já a BYD é diferente. 

E graças a isso, muitas lojas de multimarcas se aproveitam disso e coloca Dolphin Mini e EX2 zero km custando mais que a tabela. Em alguns casos, a diferença passa dos R$ 10 mil. O Auto+ foi atrás para entender por que isso acontece e, principalmente, quem está cobrando esse valor.

Por que Dolphin Mini e EX2 aparecem acima da tabela?

Parte dos carros anunciados acima da tabela pertence a lojistas independentes que compram unidades para manter em estoque e depois oferecem esses veículos a pronta entrega. Neste caso, portanto, não tem nada a ver com a BYD ou Geely cobrando mais. São empresas que aproveitam dessa fila para cobrar mais. 

Geely EX2 verde de frente vs BYD Dolphin Mini azul de traseira com um fundo azul forte
Geely EX2 vs BYD Dolphin Mini [Auto+ / João Brigato]

É como um fura-fila pago. No caso do Dolphin Mini GS, por exemplo, o preço oficial é de R$ 119.990. Ainda assim, aparecem carros zero km anunciados em algumas cidades por R$ 123.990, R$ 125.990 e até R$ 127.990. Em Natal (RN), existem diversos anúncios nessa faixa. Ou seja, dependendo da unidade, são até R$ 8 mil a mais apenas para comprar aquele carro disponível naquele momento.

Com o Geely EX2, a diferença fica ainda maior. A versão Pro custa oficialmente R$ 123.800, enquanto a Max parte de R$ 136.800. Todavia, existem EX2 Max zero km anunciados em Natal por R$ 148.990 e unidades em Recife na casa dos R$ 146.990. Com isso, o ágio pode passar dos R$ 12 mil diante da tabela oficial.

Geely EX2 pode ter até quatro meses de espera

Geely EX2 Pro [Auto+ / João Brigato]
Geely EX2 Pro [Auto+ / João Brigato]

Nossa apuração confirmou que concessionárias Geely trabalham com prazos que podem variar entre 60 e até 120 dias para o EX2. Além disso, como o modelo ainda vem da China, a rede depende da chegada dos carros importados para conseguir faturar os pedidos.

Diante disso, o consumidor tem basicamente duas escolhas. Pode entrar na fila, comprar pela rede oficial e pagar o preço sugerido, ou procurar uma unidade pronta em uma loja independente e, eventualmente, pagar mais caro. 

Geely EX2 Max verde visto de frente
Geely EX2 Max [Auto+/ Luiz Forelli]

Além disso, como há um intervalo considerável entre o pedido e o faturamento de alguns EX2, as concessionárias consultadas pelo Auto+ na Grande São Paulo pedem R$ 5 mil de sinal, valor que depois é descontado do preço do veículo.

Contudo, se a tabela sofrer um reajuste antes do faturamento, a nova condição pode ser repassada ao consumidor, dependendo do que estiver previsto no pedido. Ou seja, além de esperar alguns meses, o cliente pode não ter certeza absoluta de que o preço encontrado hoje continuará igual quando aquela unidade chegar.

Lanterna do Geely EX2 Max acesa
Lanterna do Geely EX2 Max [Auto+/ Luiz Forelli]

Por outro lado, essa situação tende a melhorar quando o EX2 passar a ser produzido no Brasil mais para o final do ano. A fabricação nacional em São José dos Pinhais deve justamente diminuir a dependência dos lotes importados e, consequentemente, melhorar a oferta.

E o EX2 já vende bastante mesmo com a espera

Mesmo diante dessa limitação, o Geely EX2 encontrou rapidamente seu espaço. Em 2026, já são cerca de 26,5 mil unidades emplacadas. Além disso, o ritmo aumentou bastante nos últimos meses. Foram 4.383 unidades em junho, 5.897 em julho e outras 5.804 em agosto. 

farol aceso do Geely EX2 Max
Farol do Geely EX2 Max [Auto+/ Luiz Forelli]

Portanto, embora ainda venda bem menos que o Dolphin Mini, estamos falando de um elétrico que já encostou nas 6 mil unidades mensais mesmo chegando ao Brasil apenas no final de 2025. Neste caso, o EX2 também só não emplaca mais por não ter unidades suficientes no Brasil. 

Dolphin Mini vive uma situação diferente

Na BYD, o Dolphin Mini já é produzido em Camaçari desde 2025 e, diante disso, a oferta é bem maior. Segundo nossa apuração, atualmente a espera informada pela rede em São Paulo fica em cerca de 15 dias. Ou seja, são praticamente duas semanas entre o pedido e o carro estar disponível para o cliente.

BYD Dolphin Mini GS 2026 azul estático
BYD Dolphin Mini 2026 [Auto+/Luiz Forelli]

Além disso, a BYD trabalha com várias condições comerciais diferentes. A versão GL, por exemplo, já teve preço de R$ 99.990 para PcD e R$ 98.590 para taxistas, dependendo das isenções e condições vigentes. 

Dolphin Mini vende muito no Brasil

O Dolphin Mini fechou agosto com nada menos que 8.299 emplacamentos, seu melhor mês desde que estreou no Brasil em fevereiro de 2024. Antes disso, já havia registrado 7.265 unidades em julho e mais de 6,4 mil em junho.Com isso, o hatch elétrico já passa das 51 mil unidades emplacadas somente em 2026. 

BYD Dolphin Mini GS 2026 azul estático
BYD Dolphin Mini 2026 [Auto+/Luiz Forelli]

Além da disponibilidade, existe o detalhe da localização. Boa parte dos anúncios acima da tabela aparece fora dos maiores centros de distribuição das marcas. 

Encontramos exemplos em Natal, Recife e outras cidades nas quais uma unidade pronta pode ter um valor comercial diferente diante da oferta disponível naquela região. Com isso, logística, estoque local, versão, cor e, principalmente, a pressa do comprador entram na formação do preço pedido pela loja. 

E você, pagaria R$ 10 mil a mais para pegar o carro imediatamente ou preferiria entrar na fila? Deixe seu comentário!

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Luiz Forelli

Jornalista pela Faculdade Cásper Líbero, sempre fascinado por carros. Passava horas dirigindo no colo da família dentro da garagem ou empurrando carrinhos pela casa, como se já soubesse que seu caminho estaria entre motores e rodas. Hoje, realiza o sonho de infância escrevendo sobre o universo automotivo com a mesma empolgação de quem brincava com um volante imaginário. No lugar do sangue, corre gasolina, e isso nunca foi segredo.

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