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Carros que são verdadeiros Frankensteins sobre rodas

Descubra cinco carros que parecem modernos, mas usam peças e plataformas de veículos antigos para cortar custos

5 min de leitura

No universo dos carros, nem sempre as montadoras conseguem projetar modelos novos partindo do zero. Os altos custos de desenvolvimento, as crises financeiras globais e as previsões de baixo volume de vendas forçam soluções drásticas na indústria. Consequentemente, engenheiros recorrem ao reaproveitamento de componentes para criar carros que parecem inéditos, mas escondem bases antigas sob a lataria.

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Essa estratégia acaba gerando carros com características de Frankenstein, misturando peças de diferentes gerações e até de marcas distintas do mesmo grupo. Selecionamos cinco exemplos marcantes de veículos que adotaram essa receita curiosa e que já saíram de linha no mercado global.

Seat Exeo

Seat Exeo [divulgação]
Seat Exeo [divulgação]

Dentro do Grupo Volkswagen, a Audi ocupa o segmento premium, enquanto a Seat historicamente se posiciona como uma marca de entrada voltada ao custo-benefício. Para economizar no desenvolvimento de um sedã médio, a Seat reaproveitou todo o ferramental descartado da geração passada do Audi A4 para criar o Exeo.

O modelo nasceu em 2008 trazendo exatamente as mesmas portas, teto e colunas laterais do sedã alemão que havia saído de linha. Para tentar disfarçar o parentesco, os espanhóis alteraram apenas os para-choques, capô, faróis e as lanternas traseiras. Até mesmo o interior veio emprestado da Audi utilizando especificamente o painel da versão conversível do A4, e a mesma receita se repetiu na perua Exeo ST.

Nissan Frontier (EUA)

Nissan Frontier
Nissan Frontier [Divulgação]

Enquanto os consumidores brasileiros receberam uma geração totalmente renovada da picape média, que está prestes a sair de linha, quem mora nos Estados Unidos conviveu com o modelo antigo por muito tempo. Em vez de investir na nacionalização da picape global, a Nissan optou por uma solução caseira muito mais barata.

A fabricante pegou a antiga base nascida originalmente em 2004, espichou os componentes do chassi e redesenhou completamente a carroceria. O visual recebeu fortes inspirações estéticas na picape grande Titan, ostentando linhas musculosas para parecer um produto de última geração nas concessionárias. Em suma, o cliente americano comprava um design agressivo e atualizado, mas que rodava sobre a mecânica velha.

Chevrolet Agile

Chevrolet Agile [divulgação]

Durante a grave crise financeira que abalou a General Motors em 2009, a subsidiária brasileira precisou criar carros com extrema agilidade. O objetivo do projeto consistia em substituir as versões mais caras do Corsa de terceira geração utilizando uma receita muito mais em conta. Para viabilizar o plano sem estourar o orçamento limitado, os engenheiros recorreram à velha plataforma do Corsa de 1994 para fazer o Agile.

Essa base antiga apresentava custos de produção reduzidos e já servia como espinha dorsal para os compactos Celta e Classic na mesma época. O resultado final gerou polêmica devido ao visual nada harmônico. Apesar das críticas, o Agile é um herói. Afinal, cumpriu seu papel comercial com louvor e gerou o lucro necessário para financiar a base GSV que gerou a família Onix, além de Cobalt e Spin.

Mercedes-Benz CLC

Mercedes-Benz CLC [divulgação]

O Mercedes-Benz CLA pode até parecer alemão mas é brasileiro. Isso porque sua produção foi feita exclusivamente na fábrica de Juiz de Fora, em Minas Gerais. Ele nasceu com a missão de atualizar o antigo Classe C Sport Coupé, que utilizava a carroceria da geração W203. No entanto, a montadora alemã não desejava investir em uma plataforma nova para um segmento que vendia volumes pequenos.

A solução da engenharia foi fazer um enxerto visual, soldando a dianteira moderna da nova geração W204 na estrutura antiga do cupê. O resultado final mostrava claramente que que a frente não combinava com as linhas arredondadas das laterais do carro. Esse modelo que mistura gerações acabou sendo exportado para diversos países até ser substituído definitivamente pelo Classe C coupé.

Ford Escort RS Cosworth

Ford Escort RS Cosworth azul parado de frente
Ford Escort RS Cosworth [divulgação]

Os icônicos carros de homologação para competições de rali costumam esconder segredos mecânicos fascinantes por trás do regulamento. A Ford precisava construir um número mínimo de unidades de rua do Escort RS Cosworth para validar sua participação no campeonato mundial. Contudo, a carroceria padrão do hatch não possuía espaço suficiente para acomodar o motor turbo longitudinal e o sistema de tração integral.

Para resolver o problema técnico, os projetistas cortaram a carroceria do Escort e a encaixaram por cima da plataforma do sedã Sierra. Essa base maior fez com que ele ficasse consideravelmente mais largo, comprido e pesado do que os carros civis que rodavam pelas ruas. Mesmo sendo uma colcha de retalhos estrutural, a mistura deu muito certo e transformou o modelo em um dos carros esportivos mais lendários da Ford.

Qual outro carro Frankenstein você se lembra? Conte nos comentários.

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João Brigato

Formado em jornalismo e design de produto, é apaixonado por carros desde que aprendeu a falar e andar. Tentou ser designer automotivo, mas percebeu que a comunicação e o jornalismo eram sua verdadeira paixão. Dono de um Jeep Renegade Sem Nome, até hoje se arrepende de ter vendido seu Volkswagen up! TSI.

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