De O Mais Longo dos Dias e Patton a O Resgate do Soldado Ryan e à série Band of Brothers, o Willys MB aparece como um coadjuvante de peso. Feito pela Willys-Overland entre 1941 e 1945, ele somou 361.339 unidades e virou praticamente o veículo oficial do Dia da Vitória, em 8 de maio de 1945, data que marcou a rendição incondicional da Alemanha e o fim da Segunda Guerra Mundial no continente europeu.
O Jeep Renegade busca inspiração estilística e detalhes no clássico Willys MB dos anos 1940. Uma personalidade ímpar sim, que ajuda a vender. Aliás, a primeira safra Willys surgiu em 2018 no SUV, restrita primeiramente a 250 unidades e baseada na versão Trailhawk 2.0 diesel, oferecida à época por R$ 146.990 na fase de pré-venda.
Contudo, o que antes era uma edição restrita virou uma configuração regular na linha 2025, com produção de 500 unidades por ano. Agora, na linha 2027, a Willys segue marcando território. Ao contrário das configurações Longitude e Sahara, ela não adota o sistema MHEV de 48V, mas é a única da família a entregar a tração 4×4 sob demanda e o câmbio automático de nove marchas.

O Jeep Renegade Willys 2027 custa a partir de R$ 189.490 e não possui opcionais. Só que as tonalidades metálicas custam R$ 2.200 extras, enquanto as perolizadas, R$ 2.500 a mais. Igual ao das fotos na cor verde Recon com o teto preto sai por R$ 191.900, já incluindo o teto solar panorâmico, detalhes de acabamentos próprios e o seletor de terrenos com o exclusivo modo Rock, para citar.
Jeep Renegade Willys T270 4×4 e o visual militar
Apesar de manter o visual quadrado característico ao longo de 11 anos em produção no Polo Automotivo da Stellantis em Goiana (PE), houve atualizações de estilo na linha 2027, encontradas na dianteira, traseira e interior. Entre elas, retoques nos faróis, a nova grade de sete barras mais fechada e as rodas de liga leve de 17 polegadas calçadas por pneus ATR+ de uso misto de medidas 225/65.
Aliás, o para-choque frontal com skid plate redesenhado aumentou o ângulo de ataque para 31,9º (no Sahara MHEV de 25,6º). Houve ainda a inclusão de detalhes em vermelho, além dos adesivos alusivos tanto no capô, com a inscrição 1941, fazendo referência ao ano de criação e fundação da marca Jeep, quanto Willys nos para-lamas frontais. Na traseira, o para-choque mudado oferece ângulo de saída de 33,6º (31,8º no Sahara MHEV).



Ou seja, com a saída da configuração Trailhawk da família, a Willys passou a ser a mais casca-grossa da família, principalmente pelo maior apelo off-road, maior valentia e capacidade de encarar terrenos difíceis no fora de estrada. Tanto é que ele incorpora a certificação Trail Rated, que comprova que passou por testes exaustivos em cinco categorias: tração, submersão, manobrabilidade, articulação e distância do solo.
É um Jeep Renegade parrudo, mas amigável
A distância mínima do solo entre os eixos no Jeep Renegade Willys é de 228 mm, sendo de 208 mm na versão Sahara MHEV (a partir de R$ 175.990) e de 205 mm na configuração Altitude T270 (iniciais R$ 129.990). Esta última, uma das grandes relações custo-benefício à venda em nosso mercado.
Um dos pontos altos desde o lançamento do Jeep Renegade, em 2015, está na plataforma Small Wide, que também dá vida aos modelos Compass e às caminhonetes Fiat Toro e Ram Rampage. Na ponta da fita métrica, o SUV mede 4,27 m de comprimento, 1,80 m de largura, 1,73 m de altura e 2,56 m de entre-eixos.

Apesar disso, o porta-malas de 314 litros ainda é um calcanhar de Aquiles. Embora seja mais barato em relação ao Volkswagen T-Cross Extreme 250 TSI (parte de R$ 204.590), ele oferece um compartimento de bagagens de 373 litros e são 422 litros no Hyundai Creta Ultimate (R$ 201.590).
Ao abrir a porta, a novidade fica pelo novo painel com o desenho inspirado no Compass. Todavia, o material emborrachado foi trocado por plásticos rígidos, embora haja áreas em tecido verde exibindo a inscrição Willys do lado do carona, bem como a pintura laranja nas saídas de ar.


Novo multimídia
O novo multimídia da linha 2027 do Jeep Renegade passou a ser flutuante com tela de 10,1 polegadas com Android Auto e Apple CarPlay sem fio. A pegada militar ainda marca presença nos bancos com áreas em verde, para realizar a composição com o painel, bem como a inscrição Willys nos encostos dianteiros.
De bom gosto e que ajuda a transmitir o universo militar ao SUV compacto. O teto solar panorâmico Command View ajuda na sensação de amplitude. Ele é de série tanto no Willys quanto no Sahara MHEV. E também estão presentes o banco do motorista ajustável eletricamente em oito posições, ar-condicionado digital de duas zonas e quadro de instrumentos TFT de sete polegadas.

O pacote ainda contempla monitoramento de pontos cegos, chave presencial, aviso de mudança de faixas, bancos revestidos em couro, controles eletrônicos de tração, estabilidade e anticapotamento, detector de fadiga do motorista, frenagem autônoma de emergência, reconhecimento de placas de trânsito, seis airbags e monitoramento da pressão dos pneus.
A ergonomia mostra os comandos bem localizados à mão e a comodidade elevada com o carregador de smartphone por indução. A posição de dirigir possibilita guiar o Jeep Renegade enxergando o capô, do mesmo jeito que ocorre ao volante do clássico Willys MB. Entretanto, quem viaja na segunda fileira encontra apenas um espaço suficiente para as pernas e os joelhos por conta do entre-eixos de 2,56 m.




Ao volante do Jeep Renegade Willys T270 4×4
O Jeep Renegade Willys esconde sob o capô o motor 1.3 de quatro cilindros com turbo e injeção direta combinado ao câmbio automático de nove marchas para entregar 176 cv e 27,5 kgfm, seja rodando na gasolina ou no etanol. É um desempenho que possibilita arrancar com fôlego partindo da imobilidade ou durante as retomadas nas ultrapassagens.
Após vencer a fase aspirada, o SUV compacto da Jeep ganha velocidade sem esforços. A transmissão automática de nove marchas passa as marchas brevemente e privilegia as baixas rotações. As trocas sequenciais podem ser realizadas pela nova alavanca seletora de marchas ou pelas borboletas atrás do volante.

Os pneus ATR, apesar do desenho da banda de rodagem, rodam quietos no asfalto e asseguram uma dose extra de aderência no fora de estrada. E aí está um dos detalhes da versão Willys não ter o sistema semi-híbrido MHEV: ela prioriza o desempenho no off-road ao invés dos congestionamentos urbanos.
As suspensões adotam a arquitetura independente em ambos os eixos e são mais elevadas em relação ao solo. Elas filtram e absorvem muito bem as irregularidades. E, obviamente, em relação a uma versão civil do SUV, sente-se que a carroceria tende a rolar ligeiramente a mais nas curvas.



Apesar disso, o Jeep Renegade Willys ainda oferece protetores de cárter, tanque de combustível e transmissão, para enfrentar o off-road, além de controle de descida. Apesar disso, na cidade, a atuação do Start-Stop não incomoda, ao contrário de outros carros.
Consumo
O sistema desativa momentaneamente o motor durante breves paradas, como nos semáforos, ajudando a diminuir o consumo e a emissão de poluentes na atmosfera. De acordo com o Programa de Etiquetagem Veicular do Inmetro, o consumo com etanol é de 6,3 km/l na cidade e de 7,3 km/l na estrada. Com gasolina, sobe para 9,1 km/l e 9,7 km/l, respectivamente.
O peso em ordem de marcha do Jeep Renegade Willys T270 4×4 é de 1.620 kg, o que assegura uma relação peso-potência de 9,20 kg/cv. A velocidade máxima é de 197 km/h (gasolina/etanol) e o zero a 100 km/h é realizado em 9,9 segundos com ambos os combustíveis.

Para comparar, a versão Sahara T270 MHEV com sistema de 48V crava, quando abastecido com etanol, médias de 8,3 km/l (cidade) e de 8,6 km/l (estrada), enquanto rodando na gasolina faz 11,9 km/l e 11,8 km/l, respectivamente. O peso em ordem de marcha é de 1.531 kg. Ou seja, a diferença na balança entre elas é de 89 kg. Já diante da Altitude T270 (1.451 kg), a diferença é de 169 kg.
Como tudo o que anda uma hora precisa parar, o Jeep Renegade Willys, assim como as demais versões da família, emprega freios a disco nas quatro rodas, com 305 mm de diâmetro no eixo dianteiro e de 278 mm no traseiro. Ou seja, o mesmo tamanho das configurações Altitude T270 e Sahara T270 MHEV. Aliás, os pedais de acelerador e de freio possuem uma calibração amigável que torna o SUV bastante agradável nos congestionamentos.


Veredicto
O Jeep Renegade Willys é o único da gama a oferecer o câmbio automático de nove marchas e a tração 4×4. Uma alternativa para quem não dispensa ou precisa de uma dose extra de robustez no fora de estrada. Além disso, oferece um pacote de série de conveniências e de segurança completo.
Sem opcionais, o que encarece é a tonalidade do exterior. Com um apelo visual forte e um interior que cativa pela atenção aos detalhes, com a caracterização alusiva à versão, ele te faz sentir no desfile do Dia da Vitória, mesmo em uma ida ao supermercado ou ao trabalho.


E você, o que achou do Jeep Renegade Willys T270 4×4? Escreva nos comentários.


