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Homenagem Histórica

Jeep Renegade Willys T270 4×4 te faz sentir no campo de batalha | Avaliação

O Jeep Renegade resgata as origens da marca na opção Willys, sendo atualmente a única com câmbio automático de nove marchas e tração 4x4

9 min de leitura

De O Mais Longo dos Dias e Patton a O Resgate do Soldado Ryan e à série Band of Brothers, o Willys MB aparece como um coadjuvante de peso. Feito pela Willys-Overland entre 1941 e 1945, ele somou 361.339 unidades e virou praticamente o veículo oficial do Dia da Vitória, em 8 de maio de 1945, data que marcou a rendição incondicional da Alemanha e o fim da Segunda Guerra Mundial no continente europeu.

O Jeep Renegade busca inspiração estilística e detalhes no clássico Willys MB dos anos 1940. Uma personalidade ímpar sim, que ajuda a vender. Aliás, a primeira safra Willys surgiu em 2018 no SUV, restrita primeiramente a 250 unidades e baseada na versão Trailhawk 2.0 diesel, oferecida à época por R$ 146.990 na fase de pré-venda.

Contudo, o que antes era uma edição restrita virou uma configuração regular na linha 2025, com produção de 500 unidades por ano. Agora, na linha 2027, a Willys segue marcando território. Ao contrário das configurações Longitude e Sahara, ela não adota o sistema MHEV de 48V, mas é a única da família a entregar a tração 4×4 sob demanda e o câmbio automático de nove marchas.

Jeep Renegade Willys T270 4x4 verde parado de frente com portão ao fundo
Jeep Renegade Willys T270 4×4 [Auto+ / Rafael Pocci Déa]

O Jeep Renegade Willys 2027 custa a partir de R$ 189.490 e não possui opcionais. Só que as tonalidades metálicas custam R$ 2.200 extras, enquanto as perolizadas, R$ 2.500 a mais. Igual ao das fotos na cor verde Recon com o teto preto sai por R$ 191.900, já incluindo o teto solar panorâmico, detalhes de acabamentos próprios e o seletor de terrenos com o exclusivo modo Rock, para citar.

Jeep Renegade Willys T270 4×4 e o visual militar

Apesar de manter o visual quadrado característico ao longo de 11 anos em produção no Polo Automotivo da Stellantis em Goiana (PE), houve atualizações de estilo na linha 2027, encontradas na dianteira, traseira e interior. Entre elas, retoques nos faróis, a nova grade de sete barras mais fechada e as rodas de liga leve de 17 polegadas calçadas por pneus ATR+ de uso misto de medidas 225/65.

Aliás, o para-choque frontal com skid plate redesenhado aumentou o ângulo de ataque para 31,9º (no Sahara MHEV de 25,6º). Houve ainda a inclusão de detalhes em vermelho, além dos adesivos alusivos tanto no capô, com a inscrição 1941, fazendo referência ao ano de criação e fundação da marca Jeep, quanto Willys nos para-lamas frontais. Na traseira, o para-choque mudado oferece ângulo de saída de 33,6º (31,8º no Sahara MHEV).

Jeep Renegade Willys T270 4x4 verde parado de traseira
Jeep Renegade Willys T270 4×4 [Auto+ / Rafael Pocci Déa]

Ou seja, com a saída da configuração Trailhawk da família, a Willys passou a ser a mais casca-grossa da família, principalmente pelo maior apelo off-road, maior valentia e capacidade de encarar terrenos difíceis no fora de estrada. Tanto é que ele incorpora a certificação Trail Rated, que comprova que passou por testes exaustivos em cinco categorias: tração, submersão, manobrabilidade, articulação e distância do solo.

É um Jeep Renegade parrudo, mas amigável

A distância mínima do solo entre os eixos no Jeep Renegade Willys é de 228 mm, sendo de 208 mm na versão Sahara MHEV (a partir de R$ 175.990) e de 205 mm na configuração Altitude T270 (iniciais R$ 129.990). Esta última, uma das grandes relações custo-benefício à venda em nosso mercado.

Um dos pontos altos desde o lançamento do Jeep Renegade, em 2015, está na plataforma Small Wide, que também dá vida aos modelos Compass e às caminhonetes Fiat Toro e Ram Rampage. Na ponta da fita métrica, o SUV mede 4,27 m de comprimento, 1,80 m de largura, 1,73 m de altura e 2,56 m de entre-eixos.

Jeep Renegade Willys T270 4x4 verde parado de frente
Jeep Renegade Willys T270 4×4 [Auto+ / Rafael Pocci Déa]

Apesar disso, o porta-malas de 314 litros ainda é um calcanhar de Aquiles. Embora seja mais barato em relação ao Volkswagen T-Cross Extreme 250 TSI (parte de R$ 204.590), ele oferece um compartimento de bagagens de 373 litros e são 422 litros no Hyundai Creta Ultimate (R$ 201.590).

Ao abrir a porta, a novidade fica pelo novo painel com o desenho inspirado no Compass. Todavia, o material emborrachado foi trocado por plásticos rígidos, embora haja áreas em tecido verde exibindo a inscrição Willys do lado do carona, bem como a pintura laranja nas saídas de ar.

Novo multimídia

O novo multimídia da linha 2027 do Jeep Renegade passou a ser flutuante com tela de 10,1 polegadas com Android Auto e Apple CarPlay sem fio. A pegada militar ainda marca presença nos bancos com áreas em verde, para realizar a composição com o painel, bem como a inscrição Willys nos encostos dianteiros.

De bom gosto e que ajuda a transmitir o universo militar ao SUV compacto. O teto solar panorâmico Command View ajuda na sensação de amplitude. Ele é de série tanto no Willys quanto no Sahara MHEV. E também estão presentes o banco do motorista ajustável eletricamente em oito posições, ar-condicionado digital de duas zonas e quadro de instrumentos TFT de sete polegadas.

Teto solar panorâmico do Jeep Renegade Willys T270 4x4
Jeep Renegade Willys T270 4×4 [Auto+ / Rafael Pocci Déa]

O pacote ainda contempla monitoramento de pontos cegos, chave presencial, aviso de mudança de faixas, bancos revestidos em couro, controles eletrônicos de tração, estabilidade e anticapotamento, detector de fadiga do motorista, frenagem autônoma de emergência, reconhecimento de placas de trânsito, seis airbags e monitoramento da pressão dos pneus.

A ergonomia mostra os comandos bem localizados à mão e a comodidade elevada com o carregador de smartphone por indução. A posição de dirigir possibilita guiar o Jeep Renegade enxergando o capô, do mesmo jeito que ocorre ao volante do clássico Willys MB. Entretanto, quem viaja na segunda fileira encontra apenas um espaço suficiente para as pernas e os joelhos por conta do entre-eixos de 2,56 m.

Porta-malas do Jeep Renegade Willys T270 4x4
Jeep Renegade Willys T270 4×4 [Auto+ / Rafael Pocci Déa]

Ao volante do Jeep Renegade Willys T270 4×4

O Jeep Renegade Willys esconde sob o capô o motor 1.3 de quatro cilindros com turbo e injeção direta combinado ao câmbio automático de nove marchas para entregar 176 cv e 27,5 kgfm, seja rodando na gasolina ou no etanol. É um desempenho que possibilita arrancar com fôlego partindo da imobilidade ou durante as retomadas nas ultrapassagens.

Após vencer a fase aspirada, o SUV compacto da Jeep ganha velocidade sem esforços. A transmissão automática de nove marchas passa as marchas brevemente e privilegia as baixas rotações. As trocas sequenciais podem ser realizadas pela nova alavanca seletora de marchas ou pelas borboletas atrás do volante.

Jeep Renegade Willys T270 4×4 [Auto+ / Rafael Pocci Déa]

Os pneus ATR, apesar do desenho da banda de rodagem, rodam quietos no asfalto e asseguram uma dose extra de aderência no fora de estrada. E aí está um dos detalhes da versão Willys não ter o sistema semi-híbrido MHEV: ela prioriza o desempenho no off-road ao invés dos congestionamentos urbanos.

As suspensões adotam a arquitetura independente em ambos os eixos e são mais elevadas em relação ao solo. Elas filtram e absorvem muito bem as irregularidades. E, obviamente, em relação a uma versão civil do SUV, sente-se que a carroceria tende a rolar ligeiramente a mais nas curvas.

Jeep Renegade Willys T270 4×4 [Auto+ / Rafael Pocci Déa]

Apesar disso, o Jeep Renegade Willys ainda oferece protetores de cárter, tanque de combustível e transmissão, para enfrentar o off-road, além de controle de descida. Apesar disso, na cidade, a atuação do Start-Stop não incomoda, ao contrário de outros carros.

Consumo

O sistema desativa momentaneamente o motor durante breves paradas, como nos semáforos, ajudando a diminuir o consumo e a emissão de poluentes na atmosfera. De acordo com o Programa de Etiquetagem Veicular do Inmetro, o consumo com etanol é de 6,3 km/l na cidade e de 7,3 km/l na estrada. Com gasolina, sobe para 9,1 km/l e 9,7 km/l, respectivamente.

O peso em ordem de marcha do Jeep Renegade Willys T270 4×4 é de 1.620 kg, o que assegura uma relação peso-potência de 9,20 kg/cv. A velocidade máxima é de 197 km/h (gasolina/etanol) e o zero a 100 km/h é realizado em 9,9 segundos com ambos os combustíveis.

Jeep Renegade Willys T270 4×4 [Auto+ / Rafael Pocci Déa]

Para comparar, a versão Sahara T270 MHEV com sistema de 48V crava, quando abastecido com etanol, médias de 8,3 km/l (cidade) e de 8,6 km/l (estrada), enquanto rodando na gasolina faz 11,9 km/l e 11,8 km/l, respectivamente. O peso em ordem de marcha é de 1.531 kg. Ou seja, a diferença na balança entre elas é de 89 kg. Já diante da Altitude T270 (1.451 kg), a diferença é de 169 kg.

Como tudo o que anda uma hora precisa parar, o Jeep Renegade Willys, assim como as demais versões da família, emprega freios a disco nas quatro rodas, com 305 mm de diâmetro no eixo dianteiro e de 278 mm no traseiro. Ou seja, o mesmo tamanho das configurações Altitude T270 e Sahara T270 MHEV. Aliás, os pedais de acelerador e de freio possuem uma calibração amigável que torna o SUV bastante agradável nos congestionamentos.

Veredicto

O Jeep Renegade Willys é o único da gama a oferecer o câmbio automático de nove marchas e a tração 4×4. Uma alternativa para quem não dispensa ou precisa de uma dose extra de robustez no fora de estrada. Além disso, oferece um pacote de série de conveniências e de segurança completo.

Sem opcionais, o que encarece é a tonalidade do exterior. Com um apelo visual forte e um interior que cativa pela atenção aos detalhes, com a caracterização alusiva à versão, ele te faz sentir no desfile do Dia da Vitória, mesmo em uma ida ao supermercado ou ao trabalho.

E você, o que achou do Jeep Renegade Willys T270 4×4? Escreva nos comentários.

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Rafael Dea

Cursou Jornalismo para trabalhar com carros. Formado em 2005, atuou na mídia impressa por mais de 16 anos e também em veículos on-line. Embora tenha uma paixão por caminhonetes, não dispensa um esportivo — inclusive, foi o único brasileiro a participar do lançamento global do Porsche Panamera GTS.

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