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Cada um com sua proposta

Jeep Avenger poderia matar o Renegade, mas no Brasil será diferente

Na Europa, os dois conviveram até o Renegade sair de linha, enquanto por aqui, tamanho, motor, suspensão e preço deixam cada Jeep em um lugar diferente

7 min de leitura

A chegada do Jeep Avenger ao Brasil faz com que muitas pessoas cocem a cabeça de como a fabricante americana posicionará o SUV junto ao Renegade. Afinal, esse filme já aconteceu em outros lugares e o Renegade foi de arrasta para cima para dar espaço ao menor modelo. Mas no Brasil, a Stellantis fará totalmente diferente. 

O Avenger começou a ser vendido na Europa em 2023 e conviveu por cerca de dois anos com o Renegade, até a Jeep encerrar a produção europeia do SUV maior no fim de 2025. Hoje, a gama da marca por lá se concentra justamente em Avenger e Compass nos segmentos menores. 

Nos Estados Unidos, o Renegade também deu adeus, embora por outro motivo — suas vendas caíram muito por lá. O Avenger, vale lembrar, nem sequer é vendido naquele mercado. Por isso, muita gente imaginou que o mesmo aconteceria aqui quando o Avenger finalmente chegasse. Só que a Stellantis escolheu outro caminho.

Jeep Avenger amarelo e Jeep Renegade azul estacionados lado a lado na Itália
Jeep Avenger e Jeep Renegade lado a lado [Auto+/João Brigato]

No Brasil, Jeep Avenger e Renegade vão conviver. Mais do que isso, a marca separou claramente a função dos dois: o recém-chegado entra na guerra dos SUVs subcompactos, enquanto o Renegade continua um degrau acima entre os compactos. E basta colocar os dois lado a lado.

Avenger é bem menor que o Renegade

O Avenger é oficialmente o menor Jeep vendido no Brasil. São 4,08 metros de comprimento, 1,78 m de largura, 1,58 m de altura e 2,56 m de entre-eixos. Não por acaso, seus rivais são Volkswagen Tera, Fiat Pulse, Renault Kardian e Chevrolet Sonic. 

Jeep Avenger Limited [Auto+ / João Brigato]

Já o Renegade chega a aproximadamente 4,27 metros de comprimento, 1,80 m de largura e 2,56 m de entre-eixos. Ou seja, são quase 20 centímetros adicionais de carroceria, embora curiosamente a distância entre os eixos seja praticamente igual. 

Isso faz a gente entender também porque simplesmente chamar os dois de SUVs compactos é um equívoco. No caso do Avenger, ele usa uma receita mais urbana, sob a plataforma CMP, além de ter sido desenvolvido para competir justamente no andar de baixo do mercado. 

Jeep Renegade Willys T270 4×4 [Auto+ / Rafael Pocci Déa]

Já o Renegade nasceu sobre a arquitetura Small Wide, mais parruda e a mesma de carros mais sofisticados, como o Compass, Commander, Ram Rampage, entre outros modelos, tudo isso para ter uma construção mais robusta, além de soluções mecânicas mais sofisticadas.

Um dos pontos também fica na suspensão. No Avenger, a dianteira usa esquema McPherson, enquanto atrás há eixo de torção, exatamente a solução utilizada pela maioria dos SUVs subcompactos atuais. O Renegade tem a suspensão independente nas quatro rodas, uma característica rara nesta faixa de preço e que sempre ajudou a construir seu bom compromisso entre conforto e controle de carroceria.

Jeep Renegade Lontidude MHEV na cor Azul Jazze e sua suspensão independente para avaliação e teste
Jeep Renegade Lontidude MHEV [Auto+/Luiz Forelli]

Na Europa, por outro lado, curiosamente, o Avenger tinha versões mais sofisticadas que utilizam a suspensão independente atrelado a tração 4×4. Aqui não, ele é mais simples no seu compromisso para justamente não ofuscar o irmão maior. 

Diferença de motor é enorme

Se nas dimensões ainda existe alguma proximidade, basta abrir o capô para acabar com qualquer dúvida sobre qual deles está acima. Todas as versões do Avenger usam o conhecido 1.0 T200 turbo flex, agora calibrado para 116 cv e 20,4 kgfm. O câmbio é CVT com sete marchas simuladas e há um sistema  MHEV de 12V.

Jeep Avenger Limited [Auto+ / João Brigato]

O Renegade parte para outra direção. Desde o Altitude, ele usa o 1.3 T270 turbo flex de 176 cv e 27,5 kgfm, conectado ao automático convencional de seis marchas. Portanto, estamos falando de 60 cv e 7,1 kgfm a mais.

Nas versões Longitude e Sahara, esse 1.3 recebe o sistema MHEV de 48V, mais robusto que a eletrificação de 12V encontrada no Avenger. Já quem realmente quer algo mais próximo da velha essência da Jeep ainda tem o Willys.

Motor jeep Renegade híbrido
Jeep Renegade Sahara [Auto+ / João Brigato]

Ele continua com os 176 cv, mas troca o câmbio de seis pelo automático de nove marchas e adiciona tração 4×4, modos específicos para diferentes terrenos. É justamente aqui que a distância técnica entre Avenger e Renegade fica maior. 

Por dentro, cada um também segue seu caminho

O Avenger tem uma cabine mais moderna visualmente, horizontal e com aquela cara de produto que nasceu agora. Desde a entrada, há central multimídia de 10,25 polegadas, painel digital de 7”, ar-condicionado digital e freio de estacionamento eletrônico. 

Painel do Jeep Avenger Limited
Jeep Avenger Limited [Auto+ / João Brigato]

Conforme subimos de versão, entram carregador por indução, ACC, painel digital de 10,25”, câmera 360°, faróis Matrix LED, iluminação ambiente e até ChatGPT integrado ao sistema da Jeep no Limited.  Ou seja, o Avenger usa bastante tecnologia para criar sensação de valor.

O Renegade foi por outro caminho na atualização de 2027. Depois de mais de uma década usando praticamente a mesma arquitetura interna, ganhou um painel bastante reformulado, multimídia de 10,1 polegadas, quadro digital de 7” e um console central mais alto. 

Jeep Renegade Willys T270 4×4 [Auto+ / Rafael Pocci Déa]

Além disso, todas as versões têm ar-condicionado digital de duas zonas, carregador de celular por indução refrigerado e saídas de ventilação para os passageiros traseiros. As opções Sahara e Willys ainda acrescentam ajuste elétrico para o banco do motorista. 

E os preços?

No papel, a Jeep também criou uma separação clara. O Avenger chegou nesta quarta-feira (12) por R$ 114.990 nas primeiras mil unidades. Depois, o pacote High Altitude aparece por R$ 124.990, enquanto Longitude e Limited custam R$ 135.990 e R$ 145.990, respectivamente.

Jeep Avenger Limited [Auto+ / João Brigato]

O Renegade 2027, por sua vez, teve sua gama propositalmente enxugada antes da chegada do irmão menor. A antiga versão Sport saiu do catálogo, justamente aquela que ocupava a parte mais barata da linha. 

Assim, o Avenger assumiu o espaço de entrada, enquanto o Renegade agora começa no Altitude. Na linha 2027, a tabela ficou em R$ 141.990 para o Altitude, R$ 158.690 no Longitude, R$ 175.990 no Sahara e R$ 189.490 no Willys. 

No Brasil, Renegade ainda tem força demais para morrer

Jeep Renegade Lontidude MHEV na cor Azul Jazz estático para avaliação e teste
Jeep Renegade Lontidude MHEV [Auto+/Luiz Forelli]

Também existe um motivo comercial para a Jeep não repetir simplesmente aquilo que fez na Europa. O Renegade tem uma importância enorme no Brasil.

Desde que começou a ser produzido em Goiana (PE), em 2015, já ultrapassou 700 mil unidades fabricadas no país e mais de 580 mil emplacamentos, segundo a própria Jeep. Foi justamente o Renegade que ajudou a transformar a operação brasileira da marca e participou diretamente da explosão dos SUVs compactos por aqui.

Jeep Renegade Lontidude MHEV na cor Azul Jazz estático para avaliação e teste
Jeep Renegade Lontidude MHEV [Auto+/Luiz Forelli]

Na Europa, o cenário era outro. Sua plataforma envelheceu diante das novas exigências e o Avenger conseguiu ocupar boa parte do espaço abaixo do Compass. Assim, a produção europeia chegou ao fim em 2025 depois de aproximadamente dois anos de convivência entre os dois.

Por aqui, eliminar o Renegade significaria abandonar um nome ainda muito forte e, principalmente, deixar um enorme buraco entre Avenger e Compass. É justamente por isso que a estratégia brasileira faz mais sentido com os dois.

Se os dois estiverem pelo mesmo preço, você levaria um Avenger completo ou um Renegade mais básico? Deixe seu comentário!

1 comentário em “Jeep Avenger poderia matar o Renegade, mas no Brasil será diferente”

  1. Pedro Gabriel Lima Vasconcelos

    Apesar de toda a matéria o que me parece claro é que sim o avenger vai matar as vendas do renegade mas a stellantis já sabe disso e prepara o novo renegade para que a convivência seja pacífica

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Luiz Forelli

Jornalista pela Faculdade Cásper Líbero, sempre fascinado por carros. Passava horas dirigindo no colo da família dentro da garagem ou empurrando carrinhos pela casa, como se já soubesse que seu caminho estaria entre motores e rodas. Hoje, realiza o sonho de infância escrevendo sobre o universo automotivo com a mesma empolgação de quem brincava com um volante imaginário. No lugar do sangue, corre gasolina, e isso nunca foi segredo.

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