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Perdemos mais uma batalha

Volkswagen não vai vender mais carros com câmbio manual nos EUA

Marca alemã vai abandonar de vez os três pedais na América do Norte, enquanto mercado global acelera rumo aos automáticos

4 min de leitura

Existe uma contradição entre a paixão dos entusiastas e a morte comercial do câmbio manual. Isso acontece porque o faturamento das montadoras depende do consumidor comum, não dos puristas. Por isso os SUVs aumentaram, as peruas somem e cada vez menos câmbio manual. A Volkswagen confirmou que deixará de vender carros manuais nos Estados Unidos após o fim da linha 2026.

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O último sobrevivente da marca na região é o Volkswagen Jetta GLI equipado com transmissão manual de seis marchas. Entretanto, o sedan esportivo perderá a opção de três pedais na linha 2027 e passará a oferecer apenas o câmbio automatizado DSG de sete marchas que vemos no Brasil.

Volkswagen admite que demanda ficou pequena demais

A decisão já vinha sendo desenhada há alguns anos. Antes disso, a Volkswagen também tirou o câmbio manual dos Volkswagen Golf GTI e Volkswagen Golf R no mercado norte-americano, mostrando que até modelos tradicionalmente ligados aos entusiastas não escaparam da nova realidade.

Volkswagen Jetta GLI 350 TSI branco parado de frente com muro de pedras ao fundo
Volkswagen Jetta GLI 350 TSI [Auto+ / Rafael Pocci Déa]

Segundo a própria Volkswagen, o problema deixou de ser paixão e passou a ser viabilidade comercial.

“Como motoristas e entusiastas de carros, também apreciamos os câmbios manuais! É por isso que nossa região se esforçou tanto para mantê-los disponíveis — sabemos que isso é importante para um pequeno, porém apaixonado, grupo de motoristas que adoram ter o controle total da direção e trocar as marchas manualmente.”, disse um porta-voz da marca ao TFLCar.

E concluiu: “Mesmo assim, a demanda global continuou a diminuir a ponto de o mercado não conseguir sustentá-la. Por mais doloroso que seja, essa realidade significou tomar decisões difíceis”, finalizou.

Câmbio manual continua vivo em mercados emergentes

Volkswagen Saveiro Extreme [Auto+ / João Brigato]
Volkswagen Saveiro Extreme [Auto+ / João Brigato]

Apesar da decisão nos Estados Unidos, a Volkswagen ainda tem diversos carros manuais ao redor do mundo, ainda mais em mercados emergentes, onde o preço mais baixo e manutenção simples continuam pesando na decisão de compra.

No Brasil, por exemplo, o câmbio manual continua vivo nos carros de entrada, como o Volkswagen Polo, Virtus, Saveiro e também no novo Volkswagen Tera.

Volkswagen Tera MPI [Auto+/Rafael Pocci Déa]

Além disso, mercados como Índia e parte da Europa ainda preservam versões mais acessíveis com três pedais. O Volkswagen T-Cross europeu, por exemplo, continua oferecendo caixa manual nas versões de entrada. O mesmo vale para o Taigo (Nivus) e para algumas configurações civis do Polo europeu.

Por outro lado, modelos esportivos da marca alemã já abandonaram essa proposta. O Polo GTI europeu usa apenas transmissão DSG, repetindo exatamente o mesmo cenário no Golf GTI e no Golf R.

Leis de emissões também ajuda no fim dos manuais

Volkswagen Virtus 170 TSI prata estacionado de lateral
Volkswagen Virtus 170 TSI [Auto+ / Rafael Déa]

Além da preferência do consumidor, as leis de emissões cada vez mais rígidas também ajudaram a acelerar a morte do câmbio manual. Isso acontece porque transmissões automáticas modernas conseguem trabalhar de forma mais eficiente para reduzir consumo e emissões em testes padronizados.

Ao mesmo tempo, desenvolver uma nova transmissão manual virou algo caro demais para um segmento pequeno. E nem mesmo fornecedores parecem interessados em continuar investindo nisso.

Volkswagen Polo Track [Auto+ / João Brigato]
Volkswagen Polo Track [Auto+ / João Brigato]

Frank van Meel, chefe da divisão M da BMW, resumiu bem essa situação recentemente ao afirmar que “o câmbio manual não faz mais muito sentido”.

Segundo ele, criar transmissões inéditas para um nicho cada vez menor se tornou financeiramente complicado, principalmente porque fornecedores já não enxergam retorno suficiente nesse mercado.

E você, prefere câmbio manual ou automático? Deixe seu comentário!

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Luiz Forelli

Jornalista pela Faculdade Cásper Líbero, sempre fascinado por carros. Passava horas dirigindo no colo da família dentro da garagem ou empurrando carrinhos pela casa, como se já soubesse que seu caminho estaria entre motores e rodas. Hoje, realiza o sonho de infância escrevendo sobre o universo automotivo com a mesma empolgação de quem brincava com um volante imaginário. No lugar do sangue, corre gasolina, e isso nunca foi segredo.

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