A Volkswagen mexeu no Tera justamente onde ninguém consegue perceber olhando para ele. A linha 2027 mantém o mesmo visual e interior, mas as versões Comfort e High ficam mais potentes ao trocar o conhecido 170 TSI pelo motor 200 TSI, como o Nivus e T-Cross. Além disso, o antigo câmbio automático de seis marchas dá lugar a uma nova transmissão de oito velocidades.
As novidades chegam às concessionárias em outubro, enquanto os preços ainda permanecem em segredo. Portanto, quem esperava uma mudança estética terá de procurar a principal diferença na tampa do porta-malas, que agora passa a carregar a inscrição 200 TSI.
Tera finalmente recebe o motor 200 TSI
Desde o lançamento, o Tera ocupou uma posição bastante calculada dentro da Volkswagen. Mesmo compartilhando boa parte de sua arquitetura com outros compactos da marca, o SUV ficou com uma configuração mais mansa do motor 1.0 turbo para não se aproximar demais de Nivus e T-Cross.

O atual 170 TSI entrega 109 cv com gasolina e 116 cv com etanol, além de 16,8 kgfm de torque. Nas versões Comfort e High, ele trabalha com uma transmissão automática de seis marchas. Agora essa distância diminui, já que a Volkswagen afirma ter ouvido os clientes e a imprensa.
Agora, o 1.0 turbo passa à calibração 200 TSI, com 116 cv quando abastecido com gasolina e 128 cv com etanol. O torque também cresce para 20,4 kgfm. Assim, são 12 cv adicionais com etanol, mas o ganho de torque chama ainda mais atenção. O Tera passa de 16,8 para 20,4 kgfm, diferença de pouco mais de 21%. É justamente essa força extra que tende a aparecer com mais facilidade em saídas, retomadas e ultrapassagens.
A Volkswagen ainda não divulgou os novos números de aceleração nem a homologação de consumo da linha 2027. Por isso, ainda precisamos esperar para descobrir quanto essa mudança efetivamente deixará o Tera mais rápido.
Oito marchas entram para controlar consumo
A potência maior não chegou sozinha. Comfort e High também abandonam o conhecido automático de seis marchas e passam a usar uma caixa de oito velocidades. É uma estratégia que a Volkswagen já começou a aplicar em outros modelos como o T-Cross 2027 que recebeu a transmissão AQ300 de oito marchas justamente nas configurações equipadas com o 200 TSI.

Segundo a marca, as relações adicionais permitem manter o motor em rotações menores em velocidade constante e ajudam na eficiência. No Tera, essa característica ganha importância porque a Volkswagen precisa equilibrar duas coisas que normalmente caminham em direções opostas: melhorar o desempenho e, ao mesmo tempo, atender regras cada vez mais exigentes de consumo e emissões.
Essa preocupação passa pelo Proconve L8, que apertou as metas de emissões e consumo para os fabricantes. Afinal, hoje não basta colocar um motor mais forte debaixo do capô; a conta da eficiência de toda a frota também precisa fechar.
IPI também entra nessa conta
Existe ainda outro detalhe que ajuda a entender por que a Volkswagen tratava a potência do Tera com tanto cuidado: o novo IPI Verde. A regra parte de uma alíquota-base de 6,3% para automóveis de passeio e depois adiciona bônus ou penalizações conforme tecnologia de propulsão, eficiência energética, potência, segurança e reciclabilidade.

No critério específico de potência existe um degrau importante em 85 kW, equivalentes a aproximadamente 115,6 cv. Até esse limite, não há acréscimo de alíquota por potência. Acima dele e até 105 kW, o veículo recebe 0,75 ponto percentual adicional.
Com até 128 cv, o novo Tera 200 TSI entra justamente nessa segunda faixa. Isso não significa, porém, que seu IPI final será simplesmente de 7,05%, porque os demais critérios podem adicionar reduções ou novos acréscimos. Ainda assim, a potência maior deixa de ter somente uma consequência mecânica e passa a influenciar também a tributação.
Não por acaso, outras fabricantes já passaram a calibrar motores muito perto desses degraus do IPI Verde como a Chevrolet com o Onix e Tracker, por exemplo, chegaram a 115,5 cv.
Além disso, essa resposta vem ao contrário dos seus principais rivais: Avenger e Pulse. Ambos SUVs compactos contam com 116 cv e 20,4 kgfm de torque. Vale lembrar, porém, que no caso do Pulse, o modelo produzido em Betim (MG) tinha 125/130 cv graças ao motor 1.0 T200. Porém, também devido às regras de tributação, a Stellantis diminuiu a potência no SUV.

A Volkswagen afirma que trabalhou para manter o posicionamento comercial do Tera equilibrado mesmo com a mudança mecânica. Entretanto, como os preços da linha 2027 ainda não foram divulgados, resta sabermos quanto desse custo aparecerá para o consumidor.
Preço do Tera 2027 pode mudar
Hoje, antes da chegada da nova linha, o Tera parte de R$ 107.190 na configuração MPI manual. O 170 TSI manual aparece por R$ 123.190, enquanto justamente as duas versões que receberão a nova mecânica custam R$ 133.190 na Comfort e R$ 146.190 na High.
Por fora, é exatamente o mesmo Tera
Se você colocar um Tera 2026 ao lado do 2027, porém, será difícil encontrar novidades. Faróis, para-choques, grade, lanternas, rodas e toda a carroceria permanecem como antes. As dimensões também não mudam. O SUV continua com 4,15 metros de comprimento, 1,77 m de largura, cerca de 1,50 m de altura e 2,57 m de entre-eixos. O porta-malas mantém 350 litros pelo padrão VDA.
Por dentro acontece a mesma coisa. O desenho do painel permanece intacto, assim como a central VW Play de 10 polegadas e os quadros de instrumentos digitais que variam conforme a configuração. A High, por exemplo, continua trazendo painel digital de 10,25 polegadas, ar-condicionado digital, carregador de celular por indução, sensores dianteiros e traseiros e os equipamentos de assistência já conhecidos.
Por isso, chamar a linha 2027 de uma grande renovação seria exagero. A Volkswagen não tentou fazer parecer novo aquilo que continua igual e ganhando o mercado, já que o Tera é atualmente o segundo SUV mais vendido do Brasil com 61.921 emplacamentos no acumulado até agosto, segundo a Fenabrave.
E você, acha que os 128 cv deixam o Tera mais interessante ou prefere o 170 TSI se ele continuar mais barato? Deixe seu comentário!


