Até pouco tempo atrás, falar da BYD significava olhar para a China. Era ali que a fabricante vendia todos os seus modelos, que já crescia em um ritmo absurdo. Só que essa dependência do país mudou bastante nos últimos anos. A chinesa do Build Your Dreams divulgou que no primeiro semestre de 2026 mandou mais de 790 mil veículos para mercados internacionais, enquanto o volume cresceu cerca de 71%.
Isso já representa 44% de todas as vendas da fabricante no período. Ou seja, de cada dez carros comercializados pela BYD, mais de quatro já encontram compradores fora da China. E essa expansão não pesa apenas no volume, já que os mercados internacionais também passaram a ter uma participação cada vez maior nos resultados da companhia.
Crescer dentro da China ficou muito mais difícil
A China continua sendo o maior mercado automotivo do planeta e, claro, ainda é o coração da BYD. O problema é que vender carro por lá virou uma briga muito mais complicada. Quem acompanha o mercado chinês já percebeu o tamanho dessa guerra.

BYD, Geely, Chery, SAIC, Xiaomi, Nio e dezenas de outras fabricantes disputam o mesmo consumidor, principalmente entre elétricos e híbridos plug-in. E não adianta simplesmente colocar uma tela maior ou alguns equipamentos a mais.
Uma fabricante reduz o preço, a outra responde. Uma entrega 150 km de autonomia elétrica, outra aparece com 200 km. O ciclo dos produtos ficou mais curto e a pressão sobre as margens aumentou junto. Não por acaso, o mercado chinês vem sofrendo com essa disputa.

Em julho deste ano, as vendas domésticas de automóveis caíram pelo décimo mês consecutivo, enquanto as exportações das fabricantes chinesas continuaram aumentando. A própria BYD viu isso com seus resultados divulgados, em que a receita do segundo trimestre caiu 3,2%, para 194,6 bilhões de yuans. Ainda assim, o lucro líquido cresceu 30% e chegou a aproximadamente 8,2 bilhões de yuans. Essa diferença acontece justamente fora de casa.
Vender fora da China também deixa mais dinheiro
A expansão internacional não serve apenas para colocar mais carros na rua. Hoje, vender fora da China também pode ser mais interessante financeiramente para a BYD. A margem bruta dos negócios internacionais chegou perto de 22% no primeiro semestre. Ao mesmo tempo, a guerra de preços é o que pressiona a operação doméstica.

Desta forma, em uma prática clara para se explicar é que dentro da China, a BYD precisa enfrentar dezenas de concorrentes, promoções agressivas e consumidores acostumados a receber cada vez mais pagando menos. Fora dela, a situação é completamente diferente.
Em muitos países, principalmente onde a eletrificação ainda está crescendo, como é o caso do Brasil, a fabricante consegue entrar com carros tecnologicamente competitivos e preços capazes de incomodar marcas tradicionais.
O Brasil caiu como uma luva para a BYD

Quando o Dolphin chegou por aqui em 2023, ele ajudou a mudar a conversa sobre o carro elétrico. Hoje, a BYD está no Brasil com fábrica, desenvolvimento local e adaptação da sua tecnologia às particularidades brasileiras, como é o caso do sistema flex, visto no Atto 2 e Song Pro.
E o mercado respondeu rapidamente. Em julho de 2026, a marca emplacou 23.465 veículos, atingiu 9,1% do mercado total e terminou o mês como a quarta maior fabricante do país, atrás somente de Fiat, Volkswagen e Chevrolet. Para uma empresa que começou a vender carros de passeio oficialmente por aqui há poucos anos, é uma mudança gigantesca e impossível de ser ignorada.

Ao mesmo tempo, o Brasil tem exatamente algumas das características que as chinesas procuram neste momento. É um mercado grande, historicamente dominado por fabricantes tradicionais e onde os carros ficaram muito caros.
Além disso, híbridos e elétricos ainda tinham pouco espaço até poucos anos atrás. Portanto, havia uma oportunidade clara para alguém chegar oferecendo mais tecnologia por um preço parecido. E obviamente, os chineses também gostam de SUVs. O Brasil? Ama. Então, mais um motivo para virem praticamente intactos nesse segmento.
A BYD não quer depender apenas da China

A BYD cresceu dentro da China, aproveitou escala, domínio de baterias, fornecedores próximos e uma política industrial que ajudou toda a cadeia de carros eletrificados. Agora, todavia, essa mesma indústria chinesa ficou tão competitiva que olhar para fora deixou de ser opcional.
Até que a BYD não está sozinha. A Geely, GWM, Chery, GAC, Leapmotor e tantas outras vão no mesmo caminhos, cada uma com sua estratégia. Todas descobriram que depender exclusivamente do gigantesco mercado chinês também é viver dentro de uma disputa extremamente agressiva. Por isso, os carros chineses que começaram a aparecer em quantidade no Brasil não chegaram por acaso.
Você acha que as marcas tradicionais conseguirão acompanhar o avanço da BYD e das outras fabricantes chinesas? Deixe seu comentário!


