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E cresce cada vez mais

BYD já vende quase metade dos seus carros fora da China  e quer mais

Mercados externos já respondem por 44% das vendas e ajudam a BYD a crescer, já que na China ficou mais difícil

5 min de leitura

Até pouco tempo atrás, falar da BYD significava olhar para a China. Era ali que a fabricante vendia todos os seus modelos, que já crescia em um ritmo absurdo. Só que essa dependência do país mudou bastante nos últimos anos. A chinesa do Build Your Dreams divulgou que no primeiro semestre de 2026 mandou mais de 790 mil veículos para mercados internacionais, enquanto o volume cresceu cerca de 71%.

Isso já representa 44% de todas as vendas da fabricante no período. Ou seja, de cada dez carros comercializados pela BYD, mais de quatro já encontram compradores fora da China. E essa expansão não pesa apenas no volume, já que os mercados internacionais também passaram a ter uma participação cada vez maior nos resultados da companhia.

Crescer dentro da China ficou muito mais difícil

A China continua sendo o maior mercado automotivo do planeta e, claro, ainda é o coração da BYD. O problema é que vender carro por lá virou uma briga muito mais complicada. Quem acompanha o mercado chinês já percebeu o tamanho dessa guerra. 

BYD King GS [Auto+ / Luiz Forelli]

BYD, Geely, Chery, SAIC, Xiaomi, Nio e dezenas de outras fabricantes disputam o mesmo consumidor, principalmente entre elétricos e híbridos plug-in. E não adianta simplesmente colocar uma tela maior ou alguns equipamentos a mais. 

Uma fabricante reduz o preço, a outra responde. Uma entrega 150 km de autonomia elétrica, outra aparece com 200 km. O ciclo dos produtos ficou mais curto e a pressão sobre as margens aumentou junto. Não por acaso, o mercado chinês vem sofrendo com essa disputa. 

BYD King GS [Auto+ / Luiz Forelli]

Em julho deste ano, as vendas domésticas de automóveis caíram pelo décimo mês consecutivo, enquanto as exportações das fabricantes chinesas continuaram aumentando. A própria BYD viu isso com seus resultados divulgados, em que a receita do segundo trimestre caiu 3,2%, para 194,6 bilhões de yuans. Ainda assim, o lucro líquido cresceu 30% e chegou a aproximadamente 8,2 bilhões de yuans. Essa diferença acontece justamente fora de casa. 

Vender fora da China também deixa mais dinheiro

A expansão internacional não serve apenas para colocar mais carros na rua. Hoje, vender fora da China também pode ser mais interessante financeiramente para a BYD. A margem bruta dos negócios internacionais chegou perto de 22% no primeiro semestre. Ao mesmo tempo, a guerra de preços é o que pressiona a operação doméstica. 

BYD Atto 8 [Auto+ / João Brigato]

Desta forma, em uma prática clara para se explicar é que dentro da China, a BYD precisa enfrentar dezenas de concorrentes, promoções agressivas e consumidores acostumados a receber cada vez mais pagando menos. Fora dela, a situação é completamente diferente.

Em muitos países, principalmente onde a eletrificação ainda está crescendo, como é o caso do Brasil, a fabricante consegue entrar com carros tecnologicamente competitivos e preços capazes de incomodar marcas tradicionais. 

O Brasil caiu como uma luva para a BYD

BYD Dolphin GS preto de lado no meio de uma rua
BYD Dolphin GS [Auto+ / João Brigato]

Quando o Dolphin chegou por aqui em 2023, ele ajudou a mudar a conversa sobre o carro elétrico. Hoje, a BYD está no Brasil com fábrica, desenvolvimento local e adaptação da sua tecnologia às particularidades brasileiras, como é o caso do sistema flex, visto no Atto 2 e Song Pro.

E o mercado respondeu rapidamente. Em julho de 2026, a marca emplacou 23.465 veículos, atingiu 9,1% do mercado total e terminou o mês como a quarta maior fabricante do país, atrás somente de Fiat, Volkswagen e Chevrolet. Para uma empresa que começou a vender carros de passeio oficialmente por aqui há poucos anos, é uma mudança gigantesca e impossível de ser ignorada.

BYD Dolphin Mini GS 2026 azul estático
BYD Dolphin Mini 2026 [Auto+/Luiz Forelli]

Ao mesmo tempo, o Brasil tem exatamente algumas das características que as chinesas procuram neste momento. É um mercado grande, historicamente dominado por fabricantes tradicionais e onde os carros ficaram muito caros.

Além disso, híbridos e elétricos ainda tinham pouco espaço até poucos anos atrás. Portanto, havia uma oportunidade clara para alguém chegar oferecendo mais tecnologia por um preço parecido. E obviamente, os chineses também gostam de SUVs. O Brasil? Ama. Então, mais um motivo para virem praticamente intactos nesse segmento. 

A BYD não quer depender apenas da China

BYD Song Plus 2027 estático na rua na cor Delan Black para avaliação e teste
BYD Song Plus 2027 [Auto+/Luiz Forelli]

A BYD cresceu dentro da China, aproveitou escala, domínio de baterias, fornecedores próximos e uma política industrial que ajudou toda a cadeia de carros eletrificados. Agora, todavia, essa mesma indústria chinesa ficou tão competitiva que olhar para fora deixou de ser opcional.

Até que a BYD não está sozinha. A Geely, GWM, Chery, GAC, Leapmotor e tantas outras vão no mesmo caminhos, cada uma com sua estratégia. Todas descobriram que depender exclusivamente do gigantesco mercado chinês também é viver dentro de uma disputa extremamente agressiva. Por isso, os carros chineses que começaram a aparecer em quantidade no Brasil não chegaram por acaso.

Você acha que as marcas tradicionais conseguirão acompanhar o avanço da BYD e das outras fabricantes chinesas? Deixe seu comentário!

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Luiz Forelli

Jornalista pela Faculdade Cásper Líbero, sempre fascinado por carros. Passava horas dirigindo no colo da família dentro da garagem ou empurrando carrinhos pela casa, como se já soubesse que seu caminho estaria entre motores e rodas. Hoje, realiza o sonho de infância escrevendo sobre o universo automotivo com a mesma empolgação de quem brincava com um volante imaginário. No lugar do sangue, corre gasolina, e isso nunca foi segredo.

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