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Índia, China e Brasil

Hyundai vai importar carros indianos e chineses para o Brasil

Com o objetivo de crescer mais no Brasil, com ou sem ajuda da Kia e da Chevrolet, a Hyundai vai usar outros países para isso

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Desde o divórcio da Hyundai com a CAOA, a marca sul-coreana tem atuado discretamente no mercado brasileiro. Mas o primeiro passo de uma nova fase veio com o i20 e o acordo com a Chevrolet. Só que o Brasil ficou de fora do Investors Day da fabricante, o que chamou a atenção. A resposta, porém, estava lá mesmo, só que não diretamente.

Em entrevista à revista Auto Esporte, o CEO global da Hyundai, José Munõz, revelou que os planos da marca para o Brasil envolvem Índia e China, dois países que ganharam protagonismo na apresentação a investidores.

Para crescer mais no Brasil, a Hyundai vai importar carros da Índia e da China. Essa estratégia surgiu por causa da forte demanda nacional por carros eletrificados e da necessidade de expandir o portfólio de modelos vendidos por aqui. Hoje, a marca enfrenta uma situação complicada para ampliar sua operação.

Hyundai i20 Ultimate [Auto+ / João Brigato]
Hyundai i20 Ultimate [Auto+ / João Brigato]

O atual portfólio nacional, constituído por HB20, HB20S, i20 e Creta, ocupa toda a fábrica de Piracicaba, interior de São Paulo. Tanto que, para o Bayon chegar, o HB20S vai morrer e, pouco a pouco, o HB20 será descontinuado para deixar o i20 respirar. Já o Creta dará lugar a uma nova geração e terá de dividir espaço com uma caminhonete.

Por isso, inclusive, o acordo com a Chevrolet colocou em pauta o uso das fábricas da marca norte-americana para reforçar a produção da sul-coreana. Vale lembrar que i20, Bayon, Creta e a picape do Creta darão origem aos próximos Chevrolet Onix, Sonic, Tracker e Montana.

Hyundai Creta 2028 camuflado de frente
Hyundai Creta 2028 [Carscoops]

Fábricas limitam expansão

Além disso, existe o projeto de uma segunda fábrica do grupo Hyundai no Brasil, também em Piracicaba. Contudo, essa planta será da Kia e representa uma contrapartida pedida pelo Governo Federal para perdoar a dívida bilionária contraída pela marca nos tempos da Asia Motors. A medida também resultou no takeover das operações da Kia, hoje controladas pelo grupo Gandini.

Com isso, a Hyundai está com as mãos amarradas, nacionalmente falando, para expandir sua linha. A solução será usar seus dois maiores centros fabris para manter preço competitivo e ampliar o portfólio com modelos que interessam ao Brasil. A Índia deverá ganhar protagonismo nesse momento.

Hyundai Exter [divulgação]
Hyundai Exter [divulgação]

Por lá, a Hyundai tem uma fábrica na cidade de Pune capaz de fazer 1,1 milhão de carros por ano. Além disso, a unidade passa por expansão para chegar a 1,42 milhão de carros produzidos anualmente a partir de 2030. Ou seja, com tanto carro saindo das linhas de produção, a exportação se torna necessária.

A Índia é um ponto estratégico da Hyundai e tem modelos muito interessantes para o Brasil. Por lá, a marca fabrica os SUVs subcompactos Exter e Venue, que poderiam atuar no Brasil como uma porta de entrada abaixo do Bayon. Já o Grand Creta (Alcazar) seria uma interessante alternativa de sete lugares por aqui.

Hyundai Alcazar / Grand Creta [divulgação]
Hyundai Alcazar / Grand Creta [divulgação]

A marca também produz o Verna, que poderia substituir o HB20S e manter o segmento de sedans vivo, mesmo com volume mais baixo. Outro carro que tem grandes chances é o Creta elétrico, visto que a categoria de carros elétricos explodiu no Brasil e a Hyundai só tem o caríssimo Ioniq 5.

China também entra nos planos

Da China, a Hyundai também pode trabalhar com modelos como Santa Fe, prometido desde 2024, e a nova geração do Tucson. Modelos elétricos também podem vir de lá, com destaque para o exótico e futurista Ioniq V. E esse foco elétrico tem relação justamente com o momento do Brasil, como explicou Munõz.

Hyundai Verna [divulgação]
Hyundai Verna [divulgação]

“Há um ano, eu diria que os planos eram [investir em modelos] flex e híbridos, mas sem elétricos. Agora, também temos os elétricos [nos planos]. Vimos como os elétricos evoluíram muito rápido no Brasil e queremos expandir nosso portfólio. O mercado [brasileiro] está crescendo muito neste ano, e estamos em uma posição sólida”, ressaltou o CEO global da Hyundai.

Você acredita que a Índia e a China vão ajudar a Hyundai a crescer no Brasil? Conte nos comentários.

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