Ao vivo
Home » Manutenção » 5 barulhos no carro que podem custar seu rim

Manutenção

5 barulhos no carro que podem custar seu rim

Alguns ruídos pequenos na direção, suspensão, embreagem, freio ou motor podem esconder defeitos caros quando o motorista quer deixar para depois

7 min de leitura

Todo carro faz algum tipo de ruído com o tempo, principalmente no Brasil, onde as ruas testam a suspensão, direção, pneus e paciência. O problema começa quando o motorista escuta um estalo, um assobio ou um zumbido estranho e coloca tudo na conta da idade do carro.

Na verdade, alguns barulhos realmente são simples. Porém, outros funcionam como aviso prévio de um prejuízo bem maior. Aquele toc seco ao passar em uma valeta, por exemplo, pode começar em uma bucha cansada, mas terminar em bandeja, pivô, pneu com desgaste irregular e alinhamento perdido. Por isso, o Auto+ separou cinco barulhos aparentemente bobos que merecem sua atenção. 

Estalo seco ao esterçar pode vir da direção

Interior do Nissan Kicks Play Advance Plus
Nissan Kicks Play Advance Plus [Auto+/LuizForelli]

O primeiro sinal costuma aparecer em uma manobra simples. O motorista vira o volante com o carro parado, escuta um estalo seco e segue a vida. Nesse caso, o barulho pode nascer em componentes da direção ou da suspensão dianteira.Entre os suspeitos estão terminal de direção, barra axial, junta homocinética, rolamento do coxim do amortecedor e até caixa de direção com folga. Ou seja, não é um ruído para tratar como frescura de carro usado. 

O problema fica mais sério porque essas peças trabalham justamente quando o carro muda de direção. Com folga, o conjunto perde precisão, aumenta ruídos e pode comprometer o alinhamento da dianteira. Além disso, o defeito raramente melhora sozinho. 

O estalo que aparece só na garagem pode evoluir para batidas em curvas, trepidações no volante e desgaste irregular dos pneus. Neste cenário, o prejuízo cresce rápido. Uma peça isolada pode custar pouco, mas caixa de direção, amortecedores, coxins e pneus novos já mudam completamente a conversa.

Assobio ao pisar na embreagem pede atenção

Embreagem [Auto+]

Outro barulho que muita gente ignora aparece nos carros manuais. Ao pisar de leve no pedal da embreagem, surge aquele assobio metálico, um chiado ou um ruído fino. Na pressa, muita gente acha que dá para conviver. Só que esse som pode indicar desgaste no rolamento de liberação, no atuador, no rolamento piloto ou em componentes do próprio kit de embreagem. Em outras palavras, o sistema pode estar avisando antes de falhar de vez.

A embreagem trabalha entre motor e câmbio, portanto qualquer defeito ali afeta diretamente a troca de marchas. Quando o rolamento começa a sofrer, ele pode dar ruído, vibração no pedal e dificuldade para desacoplar o conjunto. O drama aparece quando o motorista empurra o problema. 

Se o componente trava ou trabalha desalinhado, ele pode danificar platô, disco e até volante do motor, conforme a construção do veículo. Diante disso, aquele assobio discreto pode virar troca completa de embreagem. Em alguns carros, principalmente modelos turbo ou importados, a conta passa fácil de alguns milhares de reais.

Zumbido que aumenta com a velocidade pode ser rolamento

Revisão de fim de ano
Nissan [divulgação]

O rolamento de roda costuma avisar antes de entregar os pontos. Isso porque o som normalmente começa como um zumbido distante, quase parecido com pneu roncando no asfalto. Depois, ele cresce junto com a velocidade. A diferença está no comportamento. Se o barulho aumenta conforme o carro embala, muda em curvas e parece vir de uma das rodas, o rolamento entra forte na lista de suspeitos.

Esse componente permite que a roda gire com baixo atrito. Quando perde lubrificação, cria folga ou sofre desgaste interno, ele passa a trabalhar com atrito excessivo. Com isso, o ruído aumenta e a segurança diminui. Além disso, rodar com rolamento comprometido pode dar ruim no cubo de roda, sensor do ABS e até pneus. 

Em casos extremos, o conjunto pode aquecer demais e criar risco de travamento. Por isso, não dá para tratar o zumbido como trilha sonora de estrada. Se o ruído apareceu e cresce com a velocidade, o ideal é investigar antes da próxima viagem.

Batida seca em valeta pode condenar a suspensão

Geely EX5 EM-i [Auto+/Luiz Forelli]

A suspensão brasileira trabalha em regime de guerra. Temos um cardápio cheio: lombada alta, buraco remendado, valeta torta e asfalto ondulado fazem parte da rotina. Mesmo assim, a batida seca não pode virar normalidade. Quando o carro passa por uma valeta e faz um toc forte, o ruído pode vir de bieleta, bucha de bandeja, pivô, coxim, batente ou amortecedor. Às vezes, uma peça pequena começa a conversa. Depois, ela puxa o resto do conjunto.

Com isso, uma bieleta com folga pode parecer bobagem porque o carro continua rodando. Porém, ela interfere na estabilidade, aumenta ruídos e acelera o desgaste de outros componentes. O mesmo vale para buchas e pivôs. 

Quando essas peças perdem firmeza, a roda muda de posição sob esforço, o carro perde precisão e os pneus começam a gastar errado. Por outro lado, adiar a revisão da suspensão costuma sair caro porque o defeito se espalha. O que era uma peça simples vira pacote com bandeja, amortecedor, alinhamento, balanceamento e jogo de pneus.

Chocalho metálico na partida pode vir do motor

Revisão da suspensão [divulgação]
Revisão da suspensão [divulgação]

Esse talvez seja o barulho mais traiçoeiro da lista. O motorista liga o carro pela manhã, escuta um chocalho metálico por alguns segundos e, como o som desaparece, acha que está tudo bem. Em alguns motores, esse ruído pode ser desgaste na corrente de comando, tensor cansado ou falha de lubrificação no primeiro instante da partida. Ou seja, o problema pode morar dentro do motor.

A corrente de comando sincroniza o movimento do virabrequim com o comando de válvulas. Quando ela ganha folga ou trabalha sem tensão adequada, o motor perde precisão no funcionamento. No começo, o carro pode apenas fazer barulho frio. Depois, podem ter falhas, perda de desempenho, luz de injeção e dificuldade de partida.

O risco maior aparece quando a sincronização sai do ponto. Dependendo do motor, isso pode causar contato entre válvulas e pistões, algo que transforma um reparo preventivo em retífica pesada. Com isso, o chocalho rápido da manhã merece investigação. Ele pode ser só um componente periférico, mas também pode ser o aviso de uma conta grande chegando.

Barulho metálico ao frear não aceita desculpa

Revisão da suspensão [divulgação]
Revisão da suspensão [divulgação]

Freio barulhento nunca deve entrar na lista do depois eu vejo. Se o carro faz ruído metálico ao pisar no pedal, principalmente um som de ferro raspando, existe chance de desgaste severo nas pastilhas ou dano nos discos. Em muitos carros, a pastilha começa a avisar quando chega perto do fim. Porém, se o motorista insiste, o material de atrito desaparece e a parte metálica passa a raspar diretamente no disco.

A partir daí, o reparo deixa de ser simples. Em vez de trocar apenas pastilhas, o dono pode precisar substituir discos, revisar pinças e avaliar fluido, flexíveis e todo o conjunto. Além disso, freio não envolve só dinheiro. 

Um sistema desgastado aumenta a distância de parada, piora a estabilidade em frenagens fortes e compromete a segurança de todos no carro. Portanto, se o barulho metálico apareceu, o próximo destino não deveria ser uma viagem. Deveria ser uma oficina.

E você, já ignorou algum barulho no carro e depois descobriu que a conta era bem maior? Comete sua experiência nos comentários! 

Deixe um comentário

Luiz Forelli

Jornalista pela Faculdade Cásper Líbero, sempre fascinado por carros. Passava horas dirigindo no colo da família dentro da garagem ou empurrando carrinhos pela casa, como se já soubesse que seu caminho estaria entre motores e rodas. Hoje, realiza o sonho de infância escrevendo sobre o universo automotivo com a mesma empolgação de quem brincava com um volante imaginário. No lugar do sangue, corre gasolina, e isso nunca foi segredo.

Você também poderá gostar