A possibilidade de uma aproximação entre BYD e Maserati não é uma história nova e ela voltou a ganhar força após uma declaração de Stella Li, vice-presidente executiva da fabricante chinesa. Durante uma entrevista, a executiva afirmou que considera as marcas italianas “muito interessantes”, comentário que reacende novamente especulações que envolvem a tradicional fabricante de Modena.
Por enquanto, porém, não existe qualquer negociação confirmada entre as empresas. Além disso, a Stellantis continua afirmando que a Maserati não está à venda, mesmo após diversos rumores surgirem nos últimos meses. Ainda assim, o momento vivido pela montadora italiana ajuda a explicar por que qualquer menção ao assunto chama atenção do mercado.
Maserati atravessa uma de suas maiores crises
A especulação aparece justamente quando a Maserati passa um cenário bastante delicado. Depois de vender cerca de 26,6 mil veículos em 2023, a fabricante registrou apenas 11,3 mil unidades em 2024, uma queda de aproximadamente 57%.

A situação continuou piorando em 2025. Somente no primeiro trimestre, as entregas globais caíram mais de 48%, com cerca de 1.700 veículos vendidos em todo o mundo.
Os números financeiros também não são nada bons. Em 2024, a operação acumulou prejuízo operacional de 260 milhões de euros (cerca de R$ 1,6 bilhão). Já no primeiro semestre de 2025, as perdas chegaram a 139 milhões, acompanhadas por uma margem operacional negativa de 37%.

Diversos fatores ajudam a explicar o cenário. A Maserati encerrou a produção dos sedãs Ghibli e Quattroporte, aposentou o SUV Levante e viu o Grecale assumir sozinho a responsabilidade de sustentar boa parte do volume da marca.
Além disso, a estratégia de eletrificação avançou mais rápido do que parte dos clientes estava disposta a acompanhar. Ao mesmo tempo, a desaceleração do mercado chinês de luxo diminuiu ainda mais a demanda pelos modelos da fabricante italiana.

Para ter dimensão do tombo, a Maserati chegou a vender mais de 51 mil carros em 2017. Em menos de uma década, o volume caiu para pouco mais de 11 mil unidades anuais.
Stellantis concentra esforços em marcas de maior volume
Embora a Stellantis negue qualquer intenção de vender a Maserati, o grupo tem direcionado grande parte dos investimentos para marcas com maior participação global, como a Fiat, Jeep, Ram, Peugeot, Citroën e Dodge.

Enquanto isso, a fabricante italiana tenta recuperar espaço em um segmento cada vez mais competitivo e dominado por marcas alemãs e novas fabricantes chinesas de luxo. Por isso, essa situação alimentou rumores sobre possíveis alternativas para o futuro da Maserati, como parcerias estratégicas ou até mesmo a entrada de investidores externos.
BYD aparece como possível interessada
Do lado da BYD, uma aproximação faria sentido sob aspectos estratégicos para fortalecer sua presença global e ampliar sua atuação em segmentos mais sofisticados do mercado. Além que também a empresa tem mais concorrência e vê sua rentabilidade pressionada na Europa pelas tarifas impostas aos veículos elétricos importados.

Uma eventual parceria poderia acelerar o desenvolvimento de novos produtos, reduzir custos de engenharia e permitir acesso mais rápido a tecnologias que hoje precisam de investimentos bilionários
Mas apesar das especulações, qualquer aproximação entre as empresas continua sendo apenas uma hipótese de mercado. A Stellantis continua negando que a Maserati esteja disponível para venda e não existem sinais concretos de negociações em andamento. Além disso, a identidade da marca italiana continua sendo um dos ativos mais valiosos dentro do grupo.
E você, acredita que uma parceria entre BYD e Maserati faria sentido para as duas empresas? Deixe seu comentário!




Por que a Stellantis não entrega logo o controle da Maserati nas mãos da Ferrari? Seria uma forma da montadora de Maranello entrar no seguimento da Porsche com a Maserati, sem sequer mexer na sua imagem de alto padrão como concorrente da Lamborguini. Seriam duas linhas de frente: esportivos e veículos de passeio de alto luxo com a Maserati; e veículos esportivos de ultra luxo e exclusividade com a Ferrari.
Seria mais ou menos a relação que a Porsche e a Bugatti tinham dentro do Grupo VW (antes da venda da Bugatti, claro).
Por que a Stellantis não entrega logo o controle da Maserati nas mãos da Ferrari? Seria uma forma da montadora de Maranello entrar no seguimento da Porsche com a Maserati, sem sequer mexer na sua imagem de alto padrão como concorrente da Lamborguini. Seriam duas linhas de frente: esportivos e veículos de passeio de alto luxo com a Maserati; e veículos esportivos de ultra luxo e exclusividade com a Ferrari.
Seria mais ou menos a relação que a Porsche e a Bugatti tinham dentro do Grupo VW (antes da venda da Bugatti, claro).
E ainda manteria a Exor (Holding que controla parte das ações do Grupo Stellantis e dona do Grupo Ferrari, separada para proteger a marca) controlado a montadora de Modena.
BYD quer comprar a Maserati, mas vai ficar só querendo mesmo, Stellantis já deixou claro que aceita parcerias ou joint-ventures, mas vender suas marcas não, tanto que já anunciou parceria com a Jac pra fazer um novo Maserati, se a BYD quer mesmo a Maserati tem que engolir o orgulho e tentar uma aliança 50-50 que nem a BMW teve da Mini com a GWM ou a Mercedes teve da Smart com a Geely.
Na verdade estão comprando uma tecnologia da Huawei montada na fábrica da JAC (onde fabricam o Maextro), e não é uma parceria direta com a JAC. É insustentável a longo prazo investir, ainda mais no caso da Stellantis, e manter investimentos em uma marca de luxo, que em 2025 vendeu pouco mais de mil carros, sem uma venda. O futuro dirá. Se pra BYD ou pra outra não sabemos, mas o destino não é mais com a Stellantis.