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Dominância pura

Europa fechou uma brecha, mas chineses acharam outra

Após conseguirem driblar as tarifas contra carros elétricos, BYD, Chery e Geely crescem com modelos híbridos plug-in e obrigam a Europa a rever sua estratégia

6 min de leitura

A Europa tentou frear os carros elétricos chineses com tarifas bem grandes, mas as fabricantes encontraram outra porta de entrada. Em vez de insistirem apenas nos modelos 100% elétricos, elas então começaram a comercializar carros híbridos plug-in. E não é que deu certo? Hoje essa tecnologia que une motor a combustão com bateria já representa mais de um terço do segmento no velho continente. 

Segundo dados da Dataforce, os veículos produzidos por fabricantes chinesas responderam por 34% das vendas europeias de híbridos plug-in no último mês. Conforme o levantamento, a  BYD, Chery e Geely puxaram esse crescimento, acompanhadas pela Polestar e Leapmotor também.

A Europa fechou uma porta, mas deixou outra aberta

Isso se deve porque os carros elétricos chineses receberam taxas adicionais em 2024, enquanto os híbridos plug-in continuaram pagando apenas a tarifa comum de importação. O resultado apareceu rapidamente nas concessionárias, onde as fabricantes reduziram a presença de elétricos puros e ampliaram a oferta de PHEVs. 

Caoa Chery Tiggo 5X Pro [Auto+ / João Brigato]

Vale lembrar que a União Europeia adotou essas tarifas após após investigar possíveis subsídios estatais concedidos às fabricantes. Desde o fim de 2024, as taxas extras variam entre 7,8% e 35,3%, conforme a empresa e seu nível de colaboração com as autoridades europeias.

A BYD, por exemplo, recebeu uma cobrança adicional menor que a imposta à SAIC, dona da MG. Geely, Tesla, BMW e outras empresas que produzem carros elétricos em fábricas chinesas também entraram na lista.

BYD Song Plus 2027 estático na rua na cor Delan Black para avaliação e teste
BYD Song Plus 2027 [Auto+/Luiz Forelli]

No entanto, essas medidas atingiram apenas veículos 100% elétricos. Já os híbridos plug-in, que combinam motor a combustão, bateria maior e possibilidade de recarga externa, continuaram sujeitos à tarifa comum de 10%.

As marcas chinesas perceberam a diferença e reorganizaram suas gamas. Em vez de oferecer somente carros elétricos em países onde a infraestrutura ainda limita parte do público, passaram a apostar em modelos que podem rodar diariamente com eletricidade, mas sem abandonar o tanque de combustível.

Geely EX5 EM-i verde estático para avaliação e teste
Geely EX5 EM-i [Auto+/Luiz Forelli]

Mas claro que muitas fabricantes chinesas estão investindo na Europa para construir fábricas e tirar essas taxas sob os carros. A Geely, por exemplo, é a fabricante chinesa com maior infraestrutura própria ativa no continente devido suas subsidiárias como a Volvo, Polestar e Lotus. Porém a chinesa negociou uma parte da fábrica da Ford na Espanha. 

A Leapmotor também está começando a montagem de seus carros em uma fábrica na Polônia. Enquanto a BYD já constroi sua primeira grande fábrica na Hungria; a Chery fez uma joint-venture para reativar uma fábrica da Nissan na Espanha, entre outras chinesas que vem crescendo na Europa. 

Um em cada três híbridos plug-in já vem da China

BYD Song Plus 2027 estático na rua na cor Delan Black para avaliação e teste carregando
BYD Song Plus 2027 [Auto+/Luiz Forelli]

As fabricantes chinesas alcançaram 34% das vendas europeias de híbridos plug-in no último mês analisado pela Dataforce. Ao considerar híbridos convencionais e plug-in juntos, a participação das empresas ligadas à China chegou perto de 25%. No mercado total, incluindo carros a gasolina, diesel e eletrificados, essas marcas ficaram com aproximadamente 11% das vendas. Já entre os veículos 100% elétricos, a fatia alcançou 15%.

Além disso, a presença não depende mais somente de preços baixos. A BYD, Chery, Geely, Leapmotor e SAIC chegam com equipamentos completos, baterias maiores e sistemas híbridos desenvolvidos originalmente para um mercado chinês extremamente competitivo.

Leapmotor C10 REEV branco parado de frente com muro e plantas ao fundo
Leapmotor C10 REEV [Auto+ / Rafael Pocci Déa]

Não por acaso, as vendas europeias de híbridos plug-in continuam crescendo mais rapidamente do que as de elétricos em alguns períodos. Os modelos a bateria mantiveram uma participação entre 10% e 15% durante boa parte dos últimos 18 meses, enquanto os plug-in vem ganhando ritmo com a chegada das novas marcas.

Aliás, basta olhar para o Brasil para entender por que essa estratégia funciona. Por aqui, o domínio chinês entre os híbridos plug-in é ainda maior, com BYD e GWM transformando essa tecnologia em uma opção quase comum entre SUVs médios, já que muitos têm ainda o receio de ter um carro 100% elétrico. 

No Brasil, os chineses também dominam a eletrificação, mas os elétricos ainda lideram

GWM Haval H6 HEV2 cinza parado de traseira
GWM Haval H6 HEV2 [Auto+ / Rafael Pocci Déa]

Se 34% parece um número alto para a Europa, o Brasil também mostra como as fabricantes chinesas vêm mudando o mercado de carros eletrificados. Por aqui, porém, os híbridos plug-in ainda não superaram os elétricos, embora tenham crescido bastante.

Segundo a ABVE, entre janeiro e junho de 2026 foram emplacados 215.023 veículos eletrificados no país, somando elétricos, híbridos plug-in (PHEV), híbridos convencionais e modelos semi-híbridos.

Omoda 5 Prestige
Omoda 5 Prestige [Auto+ / João Brigato]

Os 100% elétricos ficam na liderança, com 90.626 unidades, o equivalente a 42% desse mercado. Logo atrás aparecem os híbridos plug-in, que acumulam 76.400 emplacamentos, cerca de 36% das vendas. Já os híbridos convencionais representam 22%.

Boa parte dessa liderança vem da própria BYD. O Dolphin Mini permanece como o carro eletrificado mais vendido de 2026, com 30.803 emplacamentos, seguido pelo BYD Dolphin, que soma 15.892 unidades.

BYD Song Pro GS 2026 preto estático para avaliação
BYD Song Pro [Auto+/Luiz Forelli]

Só então aparecem os híbridos plug-in. O BYD Song Plus ocupa a terceira posição geral, com 10.951 unidades, praticamente empatado com o BYD Song Pro, que registra 10.888 emplacamentos. Fechando o grupo dos cinco primeiros está o Geely EX2, outro elétrico, com 9.001 unidades.

Quando o recorte considera apenas os híbridos plug-in, os chineses continuam protagonistas. Song Plus e Song Pro lideram com folga, enquanto o Toyota Corolla Cross Hybrid aparece entre os poucos representantes das fabricantes tradicionais capazes de disputar esse mercado. Logo atrás vêm GWM Haval H6 PHEV, BYD King e Omoda 5 HEV.

E você, acha que os carros chineses vão dominar ainda mais o mercado? Deixe seu comentário!

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Luiz Forelli

Jornalista pela Faculdade Cásper Líbero, sempre fascinado por carros. Passava horas dirigindo no colo da família dentro da garagem ou empurrando carrinhos pela casa, como se já soubesse que seu caminho estaria entre motores e rodas. Hoje, realiza o sonho de infância escrevendo sobre o universo automotivo com a mesma empolgação de quem brincava com um volante imaginário. No lugar do sangue, corre gasolina, e isso nunca foi segredo.

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