A Europa tentou frear os carros elétricos chineses com tarifas bem grandes, mas as fabricantes encontraram outra porta de entrada. Em vez de insistirem apenas nos modelos 100% elétricos, elas então começaram a comercializar carros híbridos plug-in. E não é que deu certo? Hoje essa tecnologia que une motor a combustão com bateria já representa mais de um terço do segmento no velho continente.
Segundo dados da Dataforce, os veículos produzidos por fabricantes chinesas responderam por 34% das vendas europeias de híbridos plug-in no último mês. Conforme o levantamento, a BYD, Chery e Geely puxaram esse crescimento, acompanhadas pela Polestar e Leapmotor também.
A Europa fechou uma porta, mas deixou outra aberta
Isso se deve porque os carros elétricos chineses receberam taxas adicionais em 2024, enquanto os híbridos plug-in continuaram pagando apenas a tarifa comum de importação. O resultado apareceu rapidamente nas concessionárias, onde as fabricantes reduziram a presença de elétricos puros e ampliaram a oferta de PHEVs.

Vale lembrar que a União Europeia adotou essas tarifas após após investigar possíveis subsídios estatais concedidos às fabricantes. Desde o fim de 2024, as taxas extras variam entre 7,8% e 35,3%, conforme a empresa e seu nível de colaboração com as autoridades europeias.
A BYD, por exemplo, recebeu uma cobrança adicional menor que a imposta à SAIC, dona da MG. Geely, Tesla, BMW e outras empresas que produzem carros elétricos em fábricas chinesas também entraram na lista.

No entanto, essas medidas atingiram apenas veículos 100% elétricos. Já os híbridos plug-in, que combinam motor a combustão, bateria maior e possibilidade de recarga externa, continuaram sujeitos à tarifa comum de 10%.
As marcas chinesas perceberam a diferença e reorganizaram suas gamas. Em vez de oferecer somente carros elétricos em países onde a infraestrutura ainda limita parte do público, passaram a apostar em modelos que podem rodar diariamente com eletricidade, mas sem abandonar o tanque de combustível.

Mas claro que muitas fabricantes chinesas estão investindo na Europa para construir fábricas e tirar essas taxas sob os carros. A Geely, por exemplo, é a fabricante chinesa com maior infraestrutura própria ativa no continente devido suas subsidiárias como a Volvo, Polestar e Lotus. Porém a chinesa negociou uma parte da fábrica da Ford na Espanha.
A Leapmotor também está começando a montagem de seus carros em uma fábrica na Polônia. Enquanto a BYD já constroi sua primeira grande fábrica na Hungria; a Chery fez uma joint-venture para reativar uma fábrica da Nissan na Espanha, entre outras chinesas que vem crescendo na Europa.
Um em cada três híbridos plug-in já vem da China

As fabricantes chinesas alcançaram 34% das vendas europeias de híbridos plug-in no último mês analisado pela Dataforce. Ao considerar híbridos convencionais e plug-in juntos, a participação das empresas ligadas à China chegou perto de 25%. No mercado total, incluindo carros a gasolina, diesel e eletrificados, essas marcas ficaram com aproximadamente 11% das vendas. Já entre os veículos 100% elétricos, a fatia alcançou 15%.
Além disso, a presença não depende mais somente de preços baixos. A BYD, Chery, Geely, Leapmotor e SAIC chegam com equipamentos completos, baterias maiores e sistemas híbridos desenvolvidos originalmente para um mercado chinês extremamente competitivo.

Não por acaso, as vendas europeias de híbridos plug-in continuam crescendo mais rapidamente do que as de elétricos em alguns períodos. Os modelos a bateria mantiveram uma participação entre 10% e 15% durante boa parte dos últimos 18 meses, enquanto os plug-in vem ganhando ritmo com a chegada das novas marcas.
Aliás, basta olhar para o Brasil para entender por que essa estratégia funciona. Por aqui, o domínio chinês entre os híbridos plug-in é ainda maior, com BYD e GWM transformando essa tecnologia em uma opção quase comum entre SUVs médios, já que muitos têm ainda o receio de ter um carro 100% elétrico.
No Brasil, os chineses também dominam a eletrificação, mas os elétricos ainda lideram

Se 34% parece um número alto para a Europa, o Brasil também mostra como as fabricantes chinesas vêm mudando o mercado de carros eletrificados. Por aqui, porém, os híbridos plug-in ainda não superaram os elétricos, embora tenham crescido bastante.
Segundo a ABVE, entre janeiro e junho de 2026 foram emplacados 215.023 veículos eletrificados no país, somando elétricos, híbridos plug-in (PHEV), híbridos convencionais e modelos semi-híbridos.

Os 100% elétricos ficam na liderança, com 90.626 unidades, o equivalente a 42% desse mercado. Logo atrás aparecem os híbridos plug-in, que acumulam 76.400 emplacamentos, cerca de 36% das vendas. Já os híbridos convencionais representam 22%.
Boa parte dessa liderança vem da própria BYD. O Dolphin Mini permanece como o carro eletrificado mais vendido de 2026, com 30.803 emplacamentos, seguido pelo BYD Dolphin, que soma 15.892 unidades.

Só então aparecem os híbridos plug-in. O BYD Song Plus ocupa a terceira posição geral, com 10.951 unidades, praticamente empatado com o BYD Song Pro, que registra 10.888 emplacamentos. Fechando o grupo dos cinco primeiros está o Geely EX2, outro elétrico, com 9.001 unidades.
Quando o recorte considera apenas os híbridos plug-in, os chineses continuam protagonistas. Song Plus e Song Pro lideram com folga, enquanto o Toyota Corolla Cross Hybrid aparece entre os poucos representantes das fabricantes tradicionais capazes de disputar esse mercado. Logo atrás vêm GWM Haval H6 PHEV, BYD King e Omoda 5 HEV.
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