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BYD tem nova denúncia de trabalho forçado em fábrica

Investigação aponta jornada excessiva e retenção de salários em obra de fábrica

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A BYD voltou ao centro de uma nova denúncia envolvendo condições de trabalho. Desta vez, o caso ocorre na Europa, mais precisamente em Szeged, na Hungria, também durante a construção de sua fábrica. Quem revelou o caso foi a rede CBC News. Segundo a reportagem, a investigação aponta irregularidades graves na obra da fábrica.

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A organização China Labor Watch fez o levantamento, onde o grupo entrevistou 50 trabalhadores chineses envolvidos na construção. De acordo com os relatos, os operários passaram jornadas de até 14 horas por dia. Além disso, muitos trabalham sete dias por semana, sem folga.

Os trabalhadores também relataram atrasos salariais de até três meses. Em alguns casos, os pagamentos finais só ocorrem após o retorno à China.

BYD King GS [Auto+ / João Brigato]
BYD King GS [Auto+ / João Brigato]

Ou seja, segundo a investigação, essas práticas indicam trabalho forçado. Conforme a reportagem, os trabalhadores pagam taxas altas para conseguir o emprego. Com isso, muitos chegam já endividados e acabam presos ao trabalho. Além disso, vários entraram no país com vistos irregulares.

Assim, eles ficam mais vulneráveis a abusos e sem acesso a serviços básicos. A entidade responsável pela investigação disse o seguinte: 

É importante que os consumidores saibam o que realmente está por trás de alguns desses veículos elétricos e as condições de trabalho envolvidas na produção desses carros”, disse a coordenadora de projetos Elaine Lu.

Cadeia de fornecedores levanta questionamentos

BYD King em montagem na fábrica da BYD em Camaçari
BYD King em montagem [Auto+/Luiz Forelli]

Outra questão levantada na reportagem é quem realmente responde por esses problemas. Nesse caso, a obra tem várias empresas terceirizadas. 

A investigação diz que uma dessas empresas está ligada a um grupo maior. Além disso, esse mesmo grupo já apareceu no caso brasileiro. Com isso, fica mais difícil identificar o responsável direto e a montadora pode jogar a responsabilidade para as terceirizadas.

BYD não comentou o caso

BYD Dolphin Mini GS 2026 azul estático
BYD Dolphin Mini 2026 [Auto+/Luiz Forelli]

A reportagem diz que a BYD não respondeu aos pedidos de posicionamento. As autoridades locais já receberam os dados para começarem a realizar a investigação. Vale destacar também que um trabalhador chines morreu no local em fevereiro. 

No Brasil, o caso ocorreu em dezembro de 2024. Na ocasião, autoridades resgataram 163 trabalhadores chineses em condições análogas à escravidão.

Trabalhadores na planta da BYD em situação análoga
Trabalhadores na planta da BYD em situação análoga [Reprodução]

A repercussão levou à inclusão da BYD na chamada lista suja do trabalho. No entanto, a Justiça suspendeu essa decisão de forma temporária em abril.

E aí, você acha que montadoras devem responder diretamente por toda a cadeia? Deixe seu comentário!

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Luiz Forelli

Jornalista pela Faculdade Cásper Líbero, sempre fascinado por carros. Passava horas dirigindo no colo da família dentro da garagem ou empurrando carrinhos pela casa, como se já soubesse que seu caminho estaria entre motores e rodas. Hoje, realiza o sonho de infância escrevendo sobre o universo automotivo com a mesma empolgação de quem brincava com um volante imaginário. No lugar do sangue, corre gasolina, e isso nunca foi segredo.

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