Uma falha no microfone abriu espaço para uma provocação de Antonio Filosa, CEO global da Stellantis, durante uma reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Após trocar o equipamento, o executivo italiano sugeriu que a bateria defeituosa teria vindo da Ásia.
“Deve ser de origem asiática a bateria”, brincou Filosa diante de Lula, do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e de outros integrantes do governo. O comentário arrancou risadas de parte dos presentes, como Alckmin. Lula, por sua vez, não esboçou reação.
Com isso, a frase soou como uma alfinetada na indústria chinesa, que vem avançando rapidamente sobre o mercado brasileiro. No entanto, o episódio chama atenção por um segundo motivo em que e a própria Stellantis estreitou seus laços com fabricantes do país asiático nos últimos anos.
Apresentação dos investimentos
![Fiat Fastback [divulgação]](https://www.automaistv.com.br/wp-content/uploads/2026/06/006_Fiat_Fastback_foto-1320x742.webp)
O episódio aconteceu na última quarta-feira (22) durante uma audiência no Palácio do Planalto. A reunião fez parte das comemorações pelos 50 anos da Fiat no Brasil e reuniu executivos da Stellantis com representantes do governo federal.
Neste caso, Filosa apresentava os investimentos realizados pela companhia no país, além dos números de empregos ligados às operações brasileiras, quando o microfone parou de funcionar. Depois de algumas tentativas, o executivo pegou outro aparelho de uma pessoa que estava próxima.

Foi nesse momento que ele soltou a provocação sobre a suposta origem asiática da bateria. Além de Lula e Alckmin, participaram do encontro integrantes do primeiro escalão do governo e executivos da Stellantis, como Herlander Zola, presidente da companhia para a América do Sul.
Fiat comemorou 50 anos no Brasil
Além disso, a passagem de Filosa pelo Brasil também marcou os 50 anos de operação da Fiat no país. Antes do encontro no Planalto, a fabricante reuniu jornalistas e executivos em Betim (MG), onde tem seu principal complexo industrial brasileiro.

O italiano, que inclusive conhece bem o Brasil, já que trabalhou na América do Sul e até participou de projetos como a implementação da fábrica da Jeep em Goiana (PE), voltou a defender a produção nacional como resposta ao avanço das marcas chinesas. Segundo o executivo, a Stellantis pretende localizar veículos, desenvolver fornecedores e utilizar mão de obra brasileira, em vez de depender apenas de importações.
Stellantis também tem marcas chinesa
Apesar da provocação, a Stellantis tem uma relação cada vez mais próxima com a indústria automotiva chinesa. O principal exemplo está na Leapmotor, fabricante que chegou ao Brasil com apoio comercial e industrial do grupo.

A Stellantis controla 51% da Leapmotor International. No Brasil, os modelos vendidos são o B10 e C10, que serão produzidos no Brasil, além do futuro C16 que será importado. A aproximação não para na Leapmotor. A Stellantis também ampliou sua cooperação com a Dongfeng, uma das maiores fabricantes de veículos da China.
Além disso, Stellantis e Dongfeng planejam uma operação conjunta na Europa. A parceria deverá envolver modelos eletrificados da chinesa, com participação da estrutura industrial, comercial e de engenharia do grupo europeu. Enquanto no Brasil, a parceria também é estudada com produção local.
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