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Está complicado

Chery já incomoda Estados Unidos sem vender um carro lá

Maior exportadora de carros da China confirma interesse no mercado americano, mas pressão política cresce contra marcas chinesas

4 min de leitura

Diversas fabricantes chinesas, como a BYD, Geely e GAC, já mostraram seus interesses em vender carros nos Estados Unidos. Todavia, as tarifas altíssimas ainda impedem a chegada dessas marcas ao segundo maior mercado automotivo do mundo. Agora, a Chery voltou a admitir que sua entrada no país é apenas questão de tempo, embora o cenário ainda esteja longe de ser favorável.

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Conforme informações do site Carscoops, o presidente da Chery International, Zhang Guibing, admitiu que a marca tem interesse no mercado americano:

“Quando encontrarmos um momento bom e adequado no futuro, certamente esperamos entrar nesse mercado. Todos sabem que o mercado automobilístico americano é enorme… nós definitivamente temos a ideia de vender carros nos Estados Unidos. Todos certamente têm essa ideia.”

Chery já construiu um império fora da China

Sabemos que o mercado americano movimenta milhões de veículos por ano e possui enorme peso global para qualquer fabricante. Além disso, a Chery, atualmente a maior exportadora de veículos da China, graças ao seu enorme portfólio de marcas como Omoda & Jaecoo, Jetour, Exeed, entre outras, tem ambição de levar seus SUVs gigantescos, justamente os modelos que os americanos mais consomem.

Omoda 5 Prestige [Auto+ / João Brigato]

Enquanto os Estados Unidos estão praticamente fechados para os chineses, a Chery aproveita sua escalada em regiões como a Europa, onde já fez o Jaecoo 7 ser o veículo mais vendido do Reino Unido em março. Ao mesmo tempo, a fabricante continua crescendo no Oriente Médio, Sudeste Asiático e também aqui no Brasil.

Vale lembrar que o Canadá reduziu recentemente a tarifa de carros elétricos chineses de 100% para 6,1%. Com isso, o país passou a liberar a importação de até 49 mil veículos elétricos chineses por ano, volume que representa menos de 3% do mercado canadense de carros novos.

Jaecoo 7 Prestige azul de frente em um local cheio de grama
Jaecoo 7 Prestige [Auto+ / João Brigato]

E quem já está de olho? A própria Chery, que prepara sua entrada no mercado canadense possivelmente já em 2026. Ainda assim, nem todos veem isso com bons olhos. 

A Associação Canadense de Fabricantes de Veículos afirmou que a decisão de autorizar a venda de carros elétricos fabricados na China é motivo de “profunda preocupação”. O presidente Donald Trump também foi duro e classificou a medida como “um desastre”.

Tarifas e política viraram a maior barreira

Jetour G700 [Auto+ / Rafael Pocci Dea]
Jetour G700 [Auto+ / Rafael Pocci Dea]

Apesar do interesse das chinesas em vender veículos nos EUA, o principal obstáculo são ainda as tarifas elevadas, que praticamente inviabilizam qualquer operação competitiva no país.

Recentemente, o presidente Donald Trump até afirmou que não descarta a presença de marcas chinesas no mercado americano, porém disse que isso só aconteceria caso os veículos fossem produzidos em solo americano e usando a mão de obra local.

Congresso teme impacto na indústria americana

Exeed Sterra ET / Xlantix E0Y [divulgação]

No mês passado, dezenas de deputados democratas enviaram uma carta a Trump pedindo medidas duras contra a entrada das montadoras chinesas no país. O receio é que essas empresas acabem pressionando muito as fabricantes locais, como a Ford e GM, afetando empregos e parte da indústria americana.

Isso acontece porque muitos políticos veem as marcas chinesas como uma ameaça parecida ao que aconteceu com fabricantes japonesas e coreanas décadas atrás, porém em uma velocidade muito maior,.

E você, acha que as marcas chinesas conseguiriam ameaçar as gigantes americanas? Deixe seu comentário!

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Luiz Forelli

Jornalista pela Faculdade Cásper Líbero, sempre fascinado por carros. Passava horas dirigindo no colo da família dentro da garagem ou empurrando carrinhos pela casa, como se já soubesse que seu caminho estaria entre motores e rodas. Hoje, realiza o sonho de infância escrevendo sobre o universo automotivo com a mesma empolgação de quem brincava com um volante imaginário. No lugar do sangue, corre gasolina, e isso nunca foi segredo.

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