A General Motors concordou em pagar US$ 220 milhões (R$ 1,2 bi) para encerrar um processo nos Estados Unidos após ser acusada de vender informações pessoais de milhões de motoristas sem autorização para as seguradoras, podendo influenciar diretamente o preço do seguro. As informações divulgadas eram desde localização dos veículos até a maneira como os proprietários dirigiam.
Segundo as investigações, a prática aconteceu entre 2016 e 2024 por meio do Smart Driver, uma funcionalidade ligada ao OnStar, sistema de conectividade da GM que também está presente em veículos da vendidos no Brasil, como o Onix, Tracker e S10. Entretanto, as irregularidades investigadas acontecem nos EUA.
Na época, um dos serviços apresentados pela fabricante era uma ferramenta que ajudava os proprietários a melhorar seus hábitos ao volante. Contudo, enquanto os motoristas acompanhavam informações sobre sua condução, o sistema também jogava esses dados que posteriormente eram comercializados com empresas especializadas.
Como a GM utilizou os dados dos motoristas?
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O Smart Driver conseguia identificar a frequência com que o proprietário usava o carro, os horários das viagens, a localização e até situações específicas na hora que o motorista dirigia. Uma delas era as frenagens mais bruscas, acelerações fortes e momentos em que o veículo ultrapassava o limite de velocidade que também entraram nesse levantamento.
Até aí, o monitoramento poderia fazer parte da proposta de um serviço voltado à segurança. O problema, segundo as autoridades norte-americanas, é que a GM não informou adequadamente aos consumidores que esses registros seriam vendidos para empresas como LexisNexis e Verisk, responsáveis por comercializar informações utilizadas pelo setor de seguros.

Com isso, uma seguradora poderia utilizar o histórico de condução para avaliar o risco de determinado motorista e, com isso, aumentar o valor da apólice, mesmo que ele nunca tivesse se envolvido em um acidente. A situação ganhou repercussão em março de 2024, quando uma investigação do jornal The New York Times revelou o compartilhamento dessas informações.
Um dos casos apresentados aconteceu com um proprietário que recebeu um aumento de 22% no seguro, posteriormente atribuído por seu corretor aos dados de direção fornecidos por uma empresa intermediária. O motorista conseguiu acesso a um relatório de 130 páginas, que reunia informações detalhadas sobre os trajetos realizados com seu veículo durante seis meses.
Clientes eram cadastrados sem saber

A investigação também identificou problemas na maneira como os consumidores eram inscritos no Smart Driver. Isso porque boa parte das adesões acontecia ainda nas concessionárias, durante a compra dos veículos e a ativação dos serviços OnStar.
Segundo os procuradores, funcionários de algumas lojas chegavam a aceitar os termos e condições em nome dos clientes, sem obter autorização. Ao mesmo tempo, a GM oferecia incentivos financeiros para aumentar o número de inscrições nos serviços conectados, além de bonificações aos vendedores.

Mas havia outra situação ainda mais chata. Mais de 370 mil motoristas receberam informações incorretas pelo aplicativo OnStar, que indicava que eles não participavam do Smart Driver. Apesar disso, seus veículos continuavam coletando dados, posteriormente vendidos a terceiros.
Quando a fabricante identificou o problema, retirou esses clientes do programa sem comunicar o erro, conforme apontaram as autoridades. As informações coletadas anteriormente, porém, permaneceram com as empresas intermediárias e seguradoras.
O que acontece agora com a General Motors?

A GM havia encerrado o Smart Driver em 2024, pouco depois da repercussão das denúncias. Entretanto, a decisão não foi suficiente para encerrar os problemas judiciais da fabricante. Em janeiro de 2025, a Comissão Federal de Comércio dos Estados Unidos (FTC) anunciou medidas contra a empresa.
A decisão definitiva, aprovada em janeiro de 2026, proibiu a GM de compartilhar determinados dados de localização e comportamento de direção com agências de informações ao consumidor durante cinco anos.

Além disso, a fabricante passou a ter obrigações relacionadas ao consentimento dos proprietários, que devem contar com mecanismos para consultar, solicitar a exclusão e limitar a coleta de seus dados, respeitadas as exceções previstas na decisão.
Agora, com o acordo de US$ 220 milhões, a GM também terá de reforçar seus procedimentos de privacidade, realizar avaliações internas e externas de proteção de dados e melhorar a supervisão das concessionárias. O dinheiro será destinado aos estados participantes do acordo, mas sem indenização aos proprietários afetados, pelo menos em curto prazo.

Em posicionamento divulgado à imprensa norte-americana, a General Motors afirmou que encerrou o Smart Driver em 2024 e que vem reforçando suas práticas de privacidade. A fabricante também defendeu a importância dos dados dos veículos conectados para oferecer serviços mais seguros e personalizados, desde que exista clareza sobre seu uso.
E os proprietários de Chevrolet no Brasil?
Embora o caso tenha ocorrido nos Estados Unidos, a fabricante chegou a disponibilizar por aqui uma funcionalidade semelhante, chamada Condução Inteligente, que permitia aos motoristas acompanhar informações sobre seu comportamento ao volante. Entretanto, o serviço foi descontinuado globalmente em 26 de junho de 2024.

Em um documento oficial publicado para esclarecer o encerramento da ferramenta, a Chevrolet afirmou que os dados coletados pelo Condução Inteligente não eram compartilhados com empresas terceirizadas na América do Sul, como a LexisNexis e Verisk.
E você, deixaria que uma fabricante compartilhasse seus hábitos de direção? Comente abaixo sua opinião!


