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EUA faz ao contrário do mundo todo com seus carros

Governo Trump derruba meta de eficiência dos carros americanos para 2031 e aposta que motores menos eficientes podem ajudar a reduzir o preço dos zero km

5 min de leitura

Enquanto Europa e China continuam empurrando suas indústrias para carros mais eficientes, híbridos e elétricos, os Estados Unidos vai para outro lado. O governo de Donald Trump finalizou nesta segunda-feira (28) uma mudança bastante grande nas regras de consumo dos veículos novos e reduziu drasticamente aquilo que as fabricantes precisarão atingir nos próximos anos.

Neste caso, a meta média projetada para carros e comerciais leves em 2031 cai para 34,9 milhas por galão, contra 50,4 mpg dentro das regras aprovadas ainda durante o governo de Joe Biden. Isso não é uma pequena revisão para dar um pouco mais de tempo às montadoras. É literalmente uma mudança de direção na política automotiva americana.

Tamanho do carro influencia

As regras da Corporate Average Fuel Economy (CAFE), não obrigam cada carro vendido nos Estados Unidos a alcançar exatamente 34,9 mpg. A conta considera a média das frotas das fabricantes e ainda leva em consideração fatores como tamanho e categoria dos veículos.

Chevrolet Silverado High Country [Auto+ / João Brigato]
Chevrolet Silverado High Country [Auto+ / João Brigato]

Ou seja, a Ford poderá continuar vendendo F-150, Chevrolet seguirá com suas grandes picapes e SUVs e assim por diante. O que muda é o quanto cada fabricante precisa compensar esses carros com modelos mais eficientes dentro de sua gama. E é justamente nesse ponto que Trump mexeu.

As normas definidas em 2024 previam uma evolução de eficiência que levaria a frota de carros e comerciais leves para aproximadamente 50,4 mpg em 2031. Agora, a NHTSA calcula apenas 34,9 mpg para aquele mesmo ano.

Trump diz que carro ficará mais barato

Ford Mustang Dark Horse vermelho de frente
Ford Mustang Dark Horse [Auto+ / João Brigato]

A justificativa do governo é que obrigar as fabricantes a atingir números tão altos custaria caro. Trump afirmou que as novas regras vão tirar aquilo que chamou de desperdício da produção automotiva americana e permitir que as fabricantes façam os carros que os consumidores realmente querem comprar.

O Departamento de Transportes estima uma redução de aproximadamente US$ 1.300 no custo médio de um veículo novo. Além disso, calcula uma economia de US$ 138 bilhões para os americanos durante os próximos cinco anos. Essas são projeções apresentadas pelo próprio governo para defender a mudança.

Ram 1500 Laramie Night Edition [Auto+ / João Brigato

Além disso, segundo cálculos divulgados pelo governo e reportados pela Reuters, as montadoras poderiam economizar cerca de US$ 60,6 bilhões em tecnologias necessárias para cumprir as regras até 2031. 

Somente a General Motors teria uma redução estimada de US$ 20,4 bilhões. Stellantis, Ford, Toyota e Honda também aparecem entre as empresas que teriam bilhões de dólares a menos em custos de desenvolvimento e adequação.

Só existe um pequeno problema nessa conta

Ram 1500 Laramie Night Edition e Ford F-150 [Auto+ / João Brigato

Mas todos nós sabemos que economizar US$ 1.300 para produzir um carro não significa necessariamente colocar US$ 1.300 a menos na etiqueta. Ok que algumas podem usar essa margem para reduzir preços, claro, mas também pode simplesmente melhorar sua rentabilidade. 

Afinal, Ford, General Motors e diversas outras marcas são empresas abertas, respondem aos acionistas e não existe nenhuma obrigação de repassar integralmente essa economia ao consumidor. E a própria análise da NHTSA mostra o outro lado.

Ford Bronco Sport vermelho
Ford Bronco Sport [Auto+/João Brigato]

Embora o custo tecnológico estimado por veículo caia cerca de US$ 1.289, o gasto de combustível ao longo da vida útil do carro deve aumentar em mais de US$ 1.600. Além disso, o consumo de combustível da frota americana deve crescer aproximadamente 4,6% até 2050 em comparação com o cenário anterior.

Ou seja, o americano pode eventualmente pagar menos quando tira o carro da concessionária e devolver parte dessa diferença depois, cada vez que parar no posto.

Ram Classic R/T [Auto+ / Rafael Dea]

Quanto mais rígida fica uma meta média de consumo, maior a pressão para colocar híbridos e elétricos dentro da gama. Um elétrico, afinal, ajuda bastante uma fabricante a reduzir a média geral de consumo de sua frota. Quando a exigência cai de 50,4 para 34,9 mpg, essa pressão diminui.

Enquanto isso, Europa ainda aperta o cerco

A Europa também começou a flexibilizar parte de sua política automotiva. Em 2025, a Comissão Europeia até propôs aliviar a regra originalmente prevista para 2035 e abrir espaço para híbridos, extensores de autonomia, combustíveis sintéticos e até motores a combustão em determinadas condições. Mas nada definido. 

Ford Maverick Hybrid 2026 verde de frente
Ford Maverick Hybrid 2026 [Auto+ / João Brigato]

Mesmo assim, o caminho europeu continua sendo de forte redução de CO2. Hoje, a legislação vigente determina 49,5 g/km como média para carros novos entre 2030 e 2034. Além disso, a China corre em direção para aumentar a potência de recarga para os carros elétricos e a autonomia. 

E você, acha correto essa decisão dos EUA? Deixe seu comentário!

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Luiz Forelli

Jornalista pela Faculdade Cásper Líbero, sempre fascinado por carros. Passava horas dirigindo no colo da família dentro da garagem ou empurrando carrinhos pela casa, como se já soubesse que seu caminho estaria entre motores e rodas. Hoje, realiza o sonho de infância escrevendo sobre o universo automotivo com a mesma empolgação de quem brincava com um volante imaginário. No lugar do sangue, corre gasolina, e isso nunca foi segredo.

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