Enquanto Europa e China continuam empurrando suas indústrias para carros mais eficientes, híbridos e elétricos, os Estados Unidos vai para outro lado. O governo de Donald Trump finalizou nesta segunda-feira (28) uma mudança bastante grande nas regras de consumo dos veículos novos e reduziu drasticamente aquilo que as fabricantes precisarão atingir nos próximos anos.
Neste caso, a meta média projetada para carros e comerciais leves em 2031 cai para 34,9 milhas por galão, contra 50,4 mpg dentro das regras aprovadas ainda durante o governo de Joe Biden. Isso não é uma pequena revisão para dar um pouco mais de tempo às montadoras. É literalmente uma mudança de direção na política automotiva americana.
Tamanho do carro influencia
As regras da Corporate Average Fuel Economy (CAFE), não obrigam cada carro vendido nos Estados Unidos a alcançar exatamente 34,9 mpg. A conta considera a média das frotas das fabricantes e ainda leva em consideração fatores como tamanho e categoria dos veículos.
![Chevrolet Silverado High Country [Auto+ / João Brigato]](https://www.automaistv.com.br/wp-content/uploads/2024/07/Chevrolet-Silverado-High-Country-02_edited-1320x791.webp)
Ou seja, a Ford poderá continuar vendendo F-150, Chevrolet seguirá com suas grandes picapes e SUVs e assim por diante. O que muda é o quanto cada fabricante precisa compensar esses carros com modelos mais eficientes dentro de sua gama. E é justamente nesse ponto que Trump mexeu.
As normas definidas em 2024 previam uma evolução de eficiência que levaria a frota de carros e comerciais leves para aproximadamente 50,4 mpg em 2031. Agora, a NHTSA calcula apenas 34,9 mpg para aquele mesmo ano.
Trump diz que carro ficará mais barato

A justificativa do governo é que obrigar as fabricantes a atingir números tão altos custaria caro. Trump afirmou que as novas regras vão tirar aquilo que chamou de desperdício da produção automotiva americana e permitir que as fabricantes façam os carros que os consumidores realmente querem comprar.
O Departamento de Transportes estima uma redução de aproximadamente US$ 1.300 no custo médio de um veículo novo. Além disso, calcula uma economia de US$ 138 bilhões para os americanos durante os próximos cinco anos. Essas são projeções apresentadas pelo próprio governo para defender a mudança.

Além disso, segundo cálculos divulgados pelo governo e reportados pela Reuters, as montadoras poderiam economizar cerca de US$ 60,6 bilhões em tecnologias necessárias para cumprir as regras até 2031.
Somente a General Motors teria uma redução estimada de US$ 20,4 bilhões. Stellantis, Ford, Toyota e Honda também aparecem entre as empresas que teriam bilhões de dólares a menos em custos de desenvolvimento e adequação.
Só existe um pequeno problema nessa conta

Mas todos nós sabemos que economizar US$ 1.300 para produzir um carro não significa necessariamente colocar US$ 1.300 a menos na etiqueta. Ok que algumas podem usar essa margem para reduzir preços, claro, mas também pode simplesmente melhorar sua rentabilidade.
Afinal, Ford, General Motors e diversas outras marcas são empresas abertas, respondem aos acionistas e não existe nenhuma obrigação de repassar integralmente essa economia ao consumidor. E a própria análise da NHTSA mostra o outro lado.

Embora o custo tecnológico estimado por veículo caia cerca de US$ 1.289, o gasto de combustível ao longo da vida útil do carro deve aumentar em mais de US$ 1.600. Além disso, o consumo de combustível da frota americana deve crescer aproximadamente 4,6% até 2050 em comparação com o cenário anterior.
Ou seja, o americano pode eventualmente pagar menos quando tira o carro da concessionária e devolver parte dessa diferença depois, cada vez que parar no posto.

Quanto mais rígida fica uma meta média de consumo, maior a pressão para colocar híbridos e elétricos dentro da gama. Um elétrico, afinal, ajuda bastante uma fabricante a reduzir a média geral de consumo de sua frota. Quando a exigência cai de 50,4 para 34,9 mpg, essa pressão diminui.
Enquanto isso, Europa ainda aperta o cerco
A Europa também começou a flexibilizar parte de sua política automotiva. Em 2025, a Comissão Europeia até propôs aliviar a regra originalmente prevista para 2035 e abrir espaço para híbridos, extensores de autonomia, combustíveis sintéticos e até motores a combustão em determinadas condições. Mas nada definido.

Mesmo assim, o caminho europeu continua sendo de forte redução de CO2. Hoje, a legislação vigente determina 49,5 g/km como média para carros novos entre 2030 e 2034. Além disso, a China corre em direção para aumentar a potência de recarga para os carros elétricos e a autonomia.
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