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Ford confirma F-150 Raptor no Brasil e prepara ofensiva para 2027

Picape chega no começo de 2027 com V6 3.5 biturbo, enquanto Ranger ganha versões PHEV e Tremor e Mustang GT muda ainda em 2026

8 min de leitura

A Ford vai finalmente vender a F-150 Raptor oficialmente no Brasil. A versão mais preparada da picape foi confirmada durante o Festival Interlagos para completar uma família que já tem Lariat, Lariat Black e Tremor por aqui. Ainda em 2026, a marca lança o Mustang GT Performance 2026, enquanto a Ranger prepara duas mudanças importantes para 2027.

Só que a F-150 Raptor é, de longe, a novidade mais importante desse pacote. A Ford ainda não revelou preço nem a ficha técnica definitiva para o Brasil, mas já confirmou o conhecido 3.5 V6 EcoBoost biturbo, justamente o motor que diferencia a Raptor das F-150 atualmente vendidas por aqui.

F-150 Raptor troca o V8 por um V6 ainda mais forte

Essa diferença começa embaixo do capô. Hoje, todas as F-150 brasileiras usam o conhecido Coyote 5.0 V8 aspirado, com 405 cv e 56,7 kgfm, sempre ligado ao câmbio automático de dez marchas. A Tremor, atualmente a mais preparada para o fora de estrada, custa R$ 580 mil. Na Raptor, a receita muda completamente.

Ford F-150 Raptor [Auto+/João Brigato]
Ford F-150 Raptor [Auto+/João Brigato]

Nos Estados Unidos, o 3.5 V6 EcoBoost High-Output usa dois turbocompressores e entrega 456 cv e 70,5 kgfm. O câmbio também é automático de dez marchas e a tração é 4×4. Portanto, apesar de perder dois cilindros diante da F-150 brasileira atual, a Raptor trabalha com aproximadamente 51 cv e quase 14 kgfm extras.

É justamente o torque que ajuda a explicar a escolha desse motor. Um V8 aspirado entrega força de maneira bastante linear e tem todo o apelo sonoro esperado de uma picape americana, mas o EcoBoost joga muito mais força nas rotações intermediárias.

Nesse caso, a proposta é conseguir manter velocidades muito mais altas em terra, areia e terrenos bastante irregulares, seguindo a escola das provas Baja disputadas no deserto. Como referência, testes norte-americanos colocam a atual F-150 Raptor 3.5 em 5,2 segundos.

Suspensão FOX é a grande diferença da Raptor

Ford F-150 Raptor [Auto+/João Brigato]
Ford F-150 Raptor [Auto+/João Brigato]

Por isso, talvez a parte mais importante da F-150 Raptor nem esteja embaixo do capô, e sim debaixo dela como a Ranger Raptor. A versão usa amortecedores FOX Racing com tecnologia Live Valve, controlados eletronicamente e capazes de variar o amortecimento conforme a condição do terreno. 

A Ford calibra esse conjunto justamente para absorver impactos maiores e controlar os movimentos de uma carroceria enorme em velocidades que seriam impensáveis em uma F-150 convencional. Uma filosofia muito bem conhecida com a Ranger Raptor já testada pelo Auto+

Atrás, a arquitetura também foge daquela solução simples de picape voltada principalmente para carga. A Raptor usa eixo rígido combinado com molas helicoidais e um sistema de cinco braços, permitindo controlar melhor os movimentos da roda e aumentar o curso da suspensão.

https://www.automaistv.com.br/avaliacao/ford-ranger-raptor-transforma-barro-em-parque-de-diversoes-avaliacao/
Ford F-150 Raptor [Auto+/João Brigato]

E sim, existem grandes diferenças com a Tremor. A F-150 Tremor tem suspensão específica, diferencial traseiro blocante, diferencial dianteiro Torsen, pneus all terrain e proteção inferior. Ela é preparada para enfrentar um fora de estrada mais pesado sem sacrificar tanto o uso cotidiano. A Raptor, por outro lado, vai além. Ela foi pensada para andar rápido nesse terreno.

Pneus de até 37 polegadas

Nos Estados Unidos, a F-150 Raptor pode usar pneus de 35 polegadas e, dependendo da configuração, chegar às enormes 37 polegadas. Com os pneus de 35”, a distância livre mínima chega a aproximadamente 30,6 cm. Com os de 37”, sobe para 33,2 cm. O ângulo de entrada também passa de 31 para 33,1 graus. (

A Ford ainda não confirmou qual pacote será escolhido para o Brasil. Além disso, a picape pode enfrentar até cerca de 81 cm de água nas especificações norte-americanas e trabalha com modos eletrônicos voltados ao fora de estrada. Ela sobe mais um degrau.

Ford F-150 Raptor [Auto+/João Brigato]
Ford F-150 Raptor [Auto+/João Brigato]

Também é bom lembrar que estamos falando de uma F-150. Nesse caso, ela mede 5,91 metros de comprimento e tem 3,69 m entre os eixos. Além disso, a carroceria alargada deixa a picape com cerca de 2,20 m.

Quanto vai custar a F-150 Raptor?

A Ford não revelou o preço, mas a organização atual da linha já dá uma pista sobre onde ela precisa entrar. Hoje, F-150 Lariat e Lariat Black custam a partir de R$ 560 mil, enquanto a Tremor parte de R$ 580 mil.  Portanto, se a Ford mantiver a hierarquia internacional da gama, a Raptor naturalmente terá de passar dos R$ 600 mil. Quanto acima disso ainda é impossível afirmar.

Uma rival natural em conceito seria a Ram 1500 RHO, que já apareceu no Brasil como modelo de exposição. Ela usa um 3.0 de seis cilindros biturbo com 547 cv e 74,6 kgfm, além de suspensão Bilstein preparada para o fora de estrada. Até agora, porém, a Ram não confirmou sua comercialização por aqui. 

Ranger também muda bastante em 2027

Ford Ranger PHEV
Ford Ranger PHEV [Divulgação]

A F-150 Raptor é o lançamento que chama mais atenção, mas é a Ranger que terá maior impacto comercial para a Ford no próximo ano. A picape média ganhará duas novas configurações, e ambas mexem em áreas nas quais a linha atual ainda não atua.

A primeira será a Ranger híbrida plug-in, que já havia sido confirmado, e que será produzida em 2027 na fábrica de Pacheco, na Argentina. Mais a grande confirmação é que o motor será flex, com desenvolvimento feito pela engenharia brasileira da Ford. 

No exterior, a Ranger PHEV combina o 2.3 EcoBoost a gasolina com um motor elétrico e chega a 281 cv e 71,1 kgfm de torque combinado, além de usar transmissão automática de dez marchas. A bateria tem 11,8 kWh úteis e permite aproximadamente 43 km elétricos pelo ciclo WLTP. 

Ford Ranger PHEV [divulgação]
Ford Ranger PHEV [Divulgação]

A adaptação para gasolina e etanol pode alterar potência, torque e calibração, e a Ford ainda não revelou a especificação final para nossa Ranger PHEV.

Ranger Tremor vai por outro caminho

Ao mesmo tempo, a Ford também prepara a Ranger Tremor. Nesse caso, a proposta não será eletrificação, mas aumentar a capacidade fora do asfalto sem chegar aos extremos da Ranger Raptor. A novidade terá um 2.3 EcoBoost flex, também desenvolvido pela engenharia brasileira, e começa a ser produzida na Argentina no final de 2026.  

Caminhonete Ford Ranger Tremor de frente no off-road
Ranger Tremor [Divulgação]

A Ford já confirmou suspensão e amortecedores específicos, altura livre maior, pneus todo-terreno, melhores ângulos de entrada e saída, diferencial blocante e proteções inferiores. Portanto, a Ranger vai formar uma escada parecida com a que a F-150 começa a ter. 

Mustang GT Performance também muda ainda em 2026

Antes disso, a Ford ainda mexe no Mustang. O Mustang GT Performance 2026 chega ao mercado brasileiro ainda este ano e fica como uma opção abaixo do Dark Horse. Ele usa o conhecido Coyote 5.0 V8 aspirado, agora com 492 cv, ligado ao câmbio automático de dez marchas. O torque fica em 58 kgfm.

É a mesma potência já usada pela edição manual apresentada anteriormente, depois que a Ford recalibrou o V8 da sétima geração. A versão manual faz zero a 100 km/h em 4,3 segundos. 

Ford Mustang GT Performance [Auto+/João Brigato]

Continuam componentes importantes para a dinâmica, como os freios Brembo de alta performance nos dois eixos e a suspensão adaptativa MagneRide, capaz de alterar o amortecimento conforme as condições e o modo selecionado. Visualmente, a linha 2026 aposta em elementos escurecidos nas rodas, emblemas, retrovisores, teto e aerofólio, além da nova opção de pintura Cinza Avalanche.

Ford também amplia linha de comerciais e picapes

A ofensiva não termina nesses carros. A Ford Pro também prepara a Transit City, van elétrica compacta que chega ao Brasil no segundo semestre de 2026 para operações urbanas e frotas. No caso da Ranger, a expansão será ainda maior porque a família também passa a incorporar configurações diferentes de carroceria e motorização.

Ford Mustang GT Performance [Auto+/João Brigato]
Ford Mustang GT Performance [Auto+/João Brigato]

Não por acaso, a Ranger virou o principal destaque comercial da marca. Segundo a Ford, ela assumiu a liderança das picapes médias em julho, com mais de 25% de participação. No acumulado de 2026, cresceu quase 7%, enquanto o segmento avançou pouco mais de 1%.

Dark Horse SC fica só como vitrine

Por fim, o carro mais exótico apresentado pela Ford em Interlagos não é, ao menos por enquanto, um lançamento brasileiro. O Mustang Dark Horse SC aparece como showcar e serve principalmente para mostrar até onde a Ford Racing consegue levar a atual geração do esportivo.

Ford Mustang GT Performance [Auto+/João Brigato]
Ford Mustang GT Performance [Auto+/João Brigato]

Ele usa um V8 5.2 supercharged de 795 cv e incorpora soluções compartilhadas com carros muito mais extremos da família Mustang, como o GTD e o GT3.  Entre elas estão freios Brembo carbono-cerâmicos e rodas de fibra de carbono, colocando o modelo muito mais perto de um carro de pista homologado para as ruas. A Ford, porém, não anunciou sua venda no Brasil.

Você pagaria mais que os atuais R$ 580 mil da F-150 Tremor para levar uma Raptor de mais de 450 cv? Deixe seu comentário!

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Luiz Forelli

Jornalista pela Faculdade Cásper Líbero, sempre fascinado por carros. Passava horas dirigindo no colo da família dentro da garagem ou empurrando carrinhos pela casa, como se já soubesse que seu caminho estaria entre motores e rodas. Hoje, realiza o sonho de infância escrevendo sobre o universo automotivo com a mesma empolgação de quem brincava com um volante imaginário. No lugar do sangue, corre gasolina, e isso nunca foi segredo.

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