A BMW finalmente apresentou a nova geração do Série 3 a combustão. Depois de meses vendo o sedan camuflado, agora conhecemos por inteiro o G50, oitava geração de um dos carros mais importantes da fabricante alemã. No Brasil, a BMW ainda não confirmou sua chegada, contudo, pelo peso do modelo por aqui, a tendência é que chegue ao longo de 2027, provavelmente entre o meio e o final do ano.
O novo Série 3 segue a escola Neue Klasse que a BMW adota em seus novos produtos e recebe boa parte da nova tecnologia que vemos em seus carros elétricos, que são o auge da maior evolução da marca alemã. Porém, como se trata do modelo a combustão, ele não usa a nova plataforma elétrica. Parece confuso, mas não é tanto assim.
A Neue Klasse começou de verdade com o iX3 no final de 2025, que, inclusive, já está no Brasil por R$ 582.950. Depois apareceu o i3, a interpretação totalmente elétrica do próprio Série 3, enquanto o novo X5 foi o primeiro grande BMW com motores a combustão a levar essa nova linguagem visual adiante. Agora chegou a vez do Série 3 tradicional, o carro que mais representa a BMW há cinco décadas.
Neue Klasse por fora, CLAR por baixo

O i3 elétrico nasceu sobre uma arquitetura Neue Klasse dedicada aos elétricos, enquanto o novo Série 3 G50 continua usando uma evolução da conhecida CLAR, agora profundamente atualizada. Ou seja, por baixo da carroceria, são dois carros diferentes, mesmo que a BMW tenha trabalhado bastante para fazê-los parecer praticamente irmãos visualmente.
Isso também explica por que o Série 3 a combustão tem um capô um pouco mais longo. Afinal, a plataforma precisa acomodar motores longitudinais de quatro e até seis cilindros, além da transmissão, eixo cardã e, futuramente, conjuntos híbridos plug-in. Já o i3 consegue empurrar as rodas mais para as extremidades porque sua arquitetura nasceu exclusivamente para baterias e motores elétricos.

Portanto, Neue Klasse deixa de ser somente uma plataforma. A BMW está usando essa nova fase como uma espécie de linguagem para toda a marca, seja no design, software, eletrônica, telas e, no caso dos elétricos, nova arquitetura. Porém, os modelos com motores a combustão receberam uma evolução da plataforma já conhecida. E é por isso que, olhando, o novo Série 3 parece uma versão a combustão do i3.
Série 3 abandona a cara do G20
Na dianteira, a mudança é enorme diante do atual G20. A BMW juntou os tradicionais rins e os faróis em um único elemento visual horizontal, enquanto as luzes diurnas aparecem verticalizadas nas extremidades e reinterpretam aqueles quatro olhos que acompanharam diferentes gerações do Série 3.

Além disso, o nariz voltou a ficar levemente inclinado para frente, uma referência ao chamado sharknose usado por BMW antigos. Com isso, a dianteira ficou mais baixa visualmente e bem diferente daquela fase recente em que a fabricante parecia disputar consigo mesma quem conseguiria colocar a maior grade possível.
Nas versões equipadas com Iconic Glow, o contorno dos rins também ganha iluminação e três animações diferentes. Já o M350 pode receber faróis amarelos inspirados nos carros de competição da BMW, especialmente nos modelos de GT e no protótipo M Hybrid V8.

De lado, contudo, ainda existe bastante Série 3 naquela carroceria. O capô continua longo, a cabine fica mais recuada e os balanços permanecem relativamente curtos, justamente para preservar aquela proporção clássica de sedan com motor longitudinal e tração traseira.
Entretanto, a superfície ficou muito mais limpa. As maçanetas agora ficam embutidas e saltam quando o carro é destravado, enquanto uma linha mais baixa atravessa as portas e tenta deixar o sedan visualmente mais próximo do chão. Além disso, os para-lamas ficaram mais largos e as rodas variam entre 18 e 20 polegadas, dependendo da configuração.

Atrás, novamente, o i3 serviu praticamente como manual. As lanternas ficaram bastante horizontais, avançam sobre os para-lamas e usam dois elementos internos de cada lado para reinterpretar o tradicional formato em L da BMW. No M350, porém, fica muito fácil descobrir que existe gasolina sendo queimada lá na frente. O modelo recebe spoiler sobre a tampa do porta-malas e quatro saídas de escape.
Novo Série 3 cresceu, mas não muito
Apesar da mudança enorme de desenho, a BMW evitou transformar o Série 3 em um Série 5 menor. O G50 a combustão mede 4,76 m de comprimento, 1,85 m de largura, 1,46 m de altura e tem 2,86 m de entre-eixos. O atual G20, para efeito de comparação, tem 4,71 m, 1,83 m, 1,44 m e 2,85 m entre os eixos.

Portanto, estamos falando de cerca de 5,2 cm extras no comprimento, 2,2 cm na largura, 1,5 cm na altura e somente 9 mm acrescentados ao entre-eixos. Curiosamente, o i3 elétrico parece quase igual, mas mede diferente. Seu entre-eixos chega a quase 2,90 m, 4 cm a mais que o G50, enquanto o capô é menor.
E existe uma perda no porta-malas. No mercado britânico, a BMW informa 450 litros para o porta-malas das versões a combustão, enquanto o G20 atual leva 480 litros. Portanto, nesse caso, falamos de uma diferença de 30 litros.
E o 320 ficou bem mais forte

Quando o assunto é motorização, temos melhoras e para o Brasil, é particularmente interessante. Atualmente, o 320i produzido em Araquari usa o 2.0 turbo de quatro cilindros com 184 cv e 30,6 kgfm, sempre com câmbio automático de oito marchas e tração traseira. Com esse conjunto, faz de 0 a 100 km/h em 7,1 segundos.
Na nova geração, a BMW já confirmou para mercados europeus um novo 320, novamente com 2.0 turbo e câmbio de oito marchas, mas agora trabalhando com um sistema MHEV de 48 volts. Com isso, a potência sobe para 211 cv e o torque chega a 33,6 kgfm.

Curiosamente, apesar desse ganho, a aceleração divulgada fica em 7,4 segundos até os 100 km/h, três décimos acima do nosso 320i atual. Além disso, ainda não sabemos qual calibração a BMW escolherá caso realmente traga o novo 320 para cá. Com isso, não significa, por enquanto, que o próximo 320i brasileiro terá exatamente essa potência.
Nos Estados Unidos, por exemplo, a nova geração do Série 3 terá também as configurações 330 e 330 xDrive com o mesmo 2.0 turbo MHEV de 48V, só que entregando 258 cv e 40,8 kgfm — mesma calibração do X3 30 xDrive vendido no Brasil. Além deles, na terra do Tio Sam terá a versão mais forte divulgada atualmente: a M350 xDrive.
M340i virou M350 e agora tem 443 cv

O salto mais interessante está no topo da gama a combustão. A BMW aposentou a nomenclatura M340i e colocou o novo M350 xDrive no lugar. Por baixo do capô continua uma das coisas que muita gente espera de um Série 3 esportivo: o B58 3.0 turbo de seis cilindros em linha.
Porém, agora o conjunto trabalha com um sistema MHEV de 48 volts que utiliza um motor-gerador ligado ao virabrequim. Com isso, são 443 cv e 59,1 kgfm, sempre acompanhados do câmbio Steptronic Sport de oito marchas e da tração integral xDrive.

Para colocar a evolução em base, o M340i anterior entregava 374 cv. Ou seja, a nova geração ganhou nada menos que 69 cv sem abandonar o seis-em-linha. Além disso, o M350 faz de 0 a 100 km/h em 4,1 segundos e chega aos 250 km/h, limitados eletronicamente.
E a BMW ainda encontrou uma forma de tornar o xDrive um pouco menos comportado. O novo Drift Moment permite desacoplar a tração dianteira e mandar toda a potência para trás. Desta forma, mesmo sendo integral no uso normal, o M350 consegue se transformar em um tração traseira quando o motorista quiser brincar. A função chegará durante 2027 e, curiosamente, poderá ser liberada por atualização remota nos carros já entregues.

Além disso, o M350 já sai com suspensão M adaptativa, direção esportiva variável, diferencial M Sport e freios M. A BMW também reforçou pontos da dianteira e mexeu nos apoios das barras estabilizadoras para aumentar a rigidez da carroceria.
Nas versões comuns, por sua vez, a fabricante recalibrou a geometria das suspensões dianteira e traseira, aumentou as bitolas e manteve uma distribuição de peso próxima de 50:50. Os amortecedores de série agora também trabalham de maneira progressiva conforme o curso, enquanto suspensões adaptativas continuam opcionais dependendo da configuração.

E, mais para frente, ainda chega um híbrido plug-in. A BMW confirmou a inclusão de uma versão PHEV durante 2027, portanto, a família a combustão não restrita só ao MHEV.
Por dentro é onde o Série 3 mais parece outro carro
Se por fora ainda existem proporções bastante tradicionais, abra a porta e praticamente esqueça o G20. O tradicional painel curvado formado pela tela de instrumentos e multimídia desapareceu. No lugar, a BMW levou para o Série 3 o Panoramic iDrive que estreou nessa nova fase da marca.

A grande novidade é o Panoramic Vision, uma faixa de tela que projeta informações em toda a parte inferior do para-brisa, de uma ponta à outra. Com isso, velocidade, navegação e outras informações ficam mais altas, e como nós do Auto+ já dirigimos o novo iX3 dá para falar: ajuda muito ao dirigir por estar na mesma linha de visão de quem dirige.
Logo ao lado aparece a tela central de 17,9 polegadas, inclinada em direção ao motorista. Além disso, existe um Head-Up Display 3D opcional que trabalha junto do Panoramic Vision e consegue projetar navegação e dados dos sistemas de assistência ainda mais acima no para-brisa.

Tudo roda pelo BMW Operating System X, baseado no Android Open Source Project. Com isso, entram atualizações remotas mais profundas, novos aplicativos e integração com Apple CarPlay e Android Auto sem fio. Além disso, o assistente pessoal da BMW passa a incorporar o Alexa+.
Ainda assim, a BMW não deixou os botões físicos para o volume, pisca-alerta, desembaçador traseiro e freio de estacionamento, além do pequeno seletor da transmissão que já conhecemos.
E aquele volante estranho?
![BMW iX3 50 xDrive [Auto+/Luiz Forelli]](https://www.automaistv.com.br/wp-content/uploads/2026/08/BMW-ix3-3-1-1320x743.webp)
No novo iX3, a BMW estreou um volante bastante diferente nas configurações que usam os raios justamente às 12 e às 6 horas. Como não existe mais quadro de instrumentos atrás dele, a fabricante aproveitou o espaço livre e decidiu experimentar. Só que o desenho teve muitas críticas. No novo Série 3, a solução foi de tirar o raio superior nas versões M350i e deixar nas outras configurações, além da base achatada.
Quando começa a vender?

A produção dos Série 3 com motor a combustão começa em novembro de 2026 na fábrica de Dingolfing, na Alemanha. Curiosamente, o modelo volta para uma planta que já fabricava o Série 3 desde 1980. Os motores, por outro lado, sairão de Steyr, na Áustria.
No Reino Unido, 320 e M350 começam a chegar aos clientes em janeiro de 2027. Já nos Estados Unidos, 330, 330 xDrive e M350 xDrive estreiam durante o primeiro trimestre do próximo ano. Enquanto isso, o i3 elétrico já começou a ser produzido em Munique, justamente na fábrica de onde saiu o primeiro Série 3, em 1975. A partir de 2027, inclusive, a unidade de Munique ficará dedicada exclusivamente aos elétricos da Neue Klasse.

Aqui, por enquanto, ainda precisamos falar em expectativa. A BMW do Brasil não confirmou data de lançamento do G50, tampouco disse se a nova geração continuará sendo produzida em Araquari. Contudo o modelo tem probabilidade gigantescas de chegar aqui, já que o modelo elétrico, i3 já foi até flagrado rodando em terras tupiniquins.
E o novo BMW Série 3 no Brasil?
E você, gostou da nova geração do BMW Série 3 ou ainda prefere o desenho do atual G20? Deixe seu comentário!


