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O fim dos SUVs? Jovens querem a volta dos sedans

Os SUVs estão com os dias contados? Estudo revela que jovens rejeitam o carro dos pais e preferem a volta dos sedans e modelos elétricos

6 min de leitura

A regra é clara: o sonho da maioria dos jovens é completar 18 anos para tirar a habilitação. Ela representa o início de uma nova fase e, principalmente a liberdade sobre duas ou quatro rodas. Só que existe um público estratégico que os fabricantes não podem mais ignorar: jovens que ainda não têm idade para comprar um carro e, muitas vezes, nem para tirar a CNH.

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No entanto, o estudo EVForward® 2025 Teenagers DeepDive, da consultoria Escalent, ouviu mais de mil adolescentes entre 14 e 19 anos. Um grupo que já demonstra uma consciência sobre mobilidade. Esses jovens já possuem preferências e opiniões sobre marcas, design e, principalmente, novas tecnologias. Portanto, entender esse comportamento agora é a chave para garantir relevância das marcas na próxima década.

Volkswagen Taos 2026 em movimento
Volkswagen Taos [Divulgação]

A nova geração quer o próprio volante

O pensamento de que as próximas gerações não teriam carro próprio em troca da mobilidade compartilhada encontrou um obstáculo. Ao contrário do que previam muitos analistas, o conceito mudou. Segundo o estudo, a grande maioria dos adolescentes desejam estar no comando. Para 77% dos entrevistados, guiar é algo fundamental ou de grande importância. Além disso, 83% afirmam que ter um veículo próprio é um objetivo.

O estudo ainda mostra uma tendência: a maioria prevê que usará transporte público ou apps de carona com menos frequência no futuro do que utilizam atualmente. Ou seja, para os novos consumidores, o futuro ideal ainda passa pela posse de ter o próprio carro.

O que os jovens realmente desejam

Ter um carro é o sonho. Enquanto os dados atuais da EVForward mostram que os SUVs dominam 57% das vendas para o público adulto, o relatório focado nos adolescentes indica uma ruptura nesse padrão. As conclusões sugerem que os futuros compradores não desejam seguir as escolhas da geração anterior. A próxima onda de consumo pode trazer de volta outros segmentos que muitos já consideravam aposentados.

Os números revelam uma mudança de rota. Quando questionados sobre o carro dos sonhos, mais da metade dos adolescentes (51%) apontou para os sedans. Os SUVs, ficaram com apenas 31% da preferência, seguidos pelas picapes com 14%.

SUV Ford Territory Titanium parado de traseira com muro de cimento ao fundo
Ford Territory Titanium [Auto+ / Rafael Pocci Déa]

O SUV se tornou o carro da família, e os jovens demonstram querer distância. Voltando no tempo, é uma tendência das décadas de 1980 e 1990. Naquela época, as minivans dominavam, mas a geração que cresceu passou a rejeitá-las na vida adulta, migrando para os SUVs. Agora, estamos diante de um fenômeno idêntico.

Nos últimos anos, alguns fabricantes tiraram de cena os sedans para focar nos SUVs. Se essa nova onda de interesse pelas carrocerias com três volumes se consolidar, os fabricantes terão que recalcular a rota e reavaliar seus planos de produto para não perderem a conexão com os compradores da próxima década.

Para os jovens, o futuro já é elétrico

Os adolescentes de hoje já demonstram uma receptividade às novas tecnologias de propulsão. Enquanto o combustível fóssil lidera o interesse geral, com uma pontuação média de 73 no levantamento, as alternativas eletrificadas, incluindo 100% elétricos e híbridos, já aparecem com força, variando entre 55 e 60 pontos.

O dado que mais salta aos olhos é a visão de longo prazo: 47% dos jovens acreditam que os carros elétricos são o futuro e que eles irão, inevitavelmente, substituir a gasolina. Além disso, outros 39% encaram a tecnologia como uma ideia interessante, mostrando que a resistência ao novo é baixa.

Geely EX2 Max verde visto lateralmente. Segundo um levantamento, os jovens estão abertos para novas tecnologias
Geely EX2 Max [Auto+/ Luiz Forelli]

Um ponto curioso revelado pelo estudo é que os adolescentes possuem mais familiaridade com os veículos totalmente elétricos do que com os modelos híbridos. Isso prova que a estratégia de marketing das marcas está funcionando: para quem está crescendo agora, o carro do amanhã não é um meio-termo, mas sim um veículo movido puramente a bateria.

O paradoxo da compra presencial

Nascidos em um mundo de smartphones, realidade virtual e inteligência artificial, os adolescentes de hoje têm uma exigência altíssima quando o assunto é tecnologia. Aliás, 65% dos entrevistados exigem os recursos mais modernos, e 57% consideram a tecnologia um fator decisivo de compra. No topo da lista, estão câmeras de última geração, condução autônoma, som premium e integração total via IA e conectividade.

Porém, se você pensa que essa geração digital quer comprar carros apenas por aplicativos, os dados mostram o contrário. Afinal, a tecnologia não eliminou a experiência física. Ao projetarem a primeira compra, 46% dos adolescentes afirmam que pretendem fechar o negócio pessoalmente, enquanto 39% preferem um modelo híbrido (começar no digital e terminar na loja).

Concessionária Geely vista de fora. De acordo com estudo, os jovens preferem a compra presencial
Concessionária Geely [Thiago Bernardes/ Geely]

Isso indica que eles ainda valorizam o aperto de mão e o contato real com o produto. Além disso, os novos consumidores seguem priorizando o desempenho, a segurança, o conforto e a durabilidade.

O mercado caminha para uma mudança drástica?

O relatório indica uma transformação profunda: à medida que esses adolescentes assumirem o papel de compradores, o mercado norte-americano pode começar a espelhar o comportamento europeu. Isso significa uma demanda muito mais focada em sedans e em motorizações alternativas. O problema? Muitas marcas tradicionais ainda não ajustaram essa nova direção.

Estamos falando de um público que ainda vive a transição para a vida adulta. Cerca de dois terços deles já possuem habilitação ou permissão, mas muitos ainda nem sequer puderam solicitar o documento. As opiniões desses jovens motoristas vão amadurecer e serão moldadas pelas experiências reais que tiverem ao volante nos próximos anos.

Ainda assim, os dados sugerem que parte da indústria pode ser pega de surpresa, oferecendo produtos que não conversam com os desejos de quem terá o dinheiro na próxima década. Em um setor tão competitivo, ignorar essa evolução silenciosa não é apenas um erro de cálculo, é um risco estratégico que pode custar caro.

E você, acredita que os sedans podem retornar com força, abrindo um novo horizonte para quem quer fugir dos SUVs? Deixe sua opinião nos comentários!

1 comentário em “O fim dos SUVs? Jovens querem a volta dos sedans”

  1. Roger

    Suvs são sumidouros de dinheiro, beberrões. Sedã é muito mais legal de dirigir. Espero que os sedans voltem com força e em breve.

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Rafael Dea

Cursou Jornalismo para trabalhar com carros. Formado em 2005, atuou na mídia impressa por mais de 16 anos e também em veículos on-line. Embora tenha uma paixão por caminhonetes, não dispensa um esportivo — inclusive, foi o único brasileiro a participar do lançamento global do Porsche Panamera GTS.

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