A Stellantis, dona da Fiat, Peugeot, Jeep e Ram, deu um alerta sobre o futuro de suas fábricas na Argentina. Isso porque o grupo admitiu a possibilidade de fechar uma ou até as duas unidades que tem no país vizinho, principalmente pelos custos de produção e pela dificuldade de competir com os veículos importados.
Segundo informações do site argentino Autoblog, Herlander Zola, presidente da Stellantis na América do Sul, comentou sua preocupação com a competitividade da indústria argentina. Durante uma conversa com jornalistas, o executivo explicou que a empresa pode matar duas fábricas na Argentina, dependendo das condições do mercado.
“O mercado aberto da Argentina nos deixou de fora da disputa, e tudo pode acontecer. Podemos fechar uma ou ambas as fábricas, ou podemos mantê-las abertas. Mas o custo de produção lá é muito alto: em termos de mão de obra, por exemplo, é o dobro do que no Brasil. Além disso, a cadeia de suprimentos é pequena. A maioria das peças vem do Brasil ”, disse Zola.

Ou seja, o problema, segundo Zola, está principalmente no custo para fabricar carros na Argentina. Com isso, produzir localmente ficou mais complicado, especialmente agora que o mercado argentino está mais aberto à entrada de veículos importados.
Peugeot e Fiat podem ser afetadas
Atualmente, a Stellantis mantém duas fábricas na Argentina, e ambas têm bastante importância para o mercado brasileiro. A primeira fica em El Palomar, na região de Buenos Aires, responsável pela produção do Peugeot 208 e do SUV 2008.

Já a segunda fica em Ferreyra, na província de Córdoba, onde a fabricante produz o Fiat Cronos, além das picapes Fiat Titano e Ram Dakota. Nesse caso, a fábrica de Córdoba vem passando por ajustes. Em setembro, nós do Auto+ mostramos que a Stellantis reduziu a produção de Titano e Dakota, depois que as vendas ficaram abaixo das expectativas, principalmente nos mercados de exportação.
A previsão inicial era fabricar 27 mil unidades das duas picapes em 2026, mas a empresa reduziu esse planejamento para cerca de 16,5 mil exemplares, uma queda de 40%. Além disso, a linha passou a trabalhar com apenas um turno, justamente para adequar o volume à demanda.

Ou seja, isso só mostra que a discussão sobre o futuro das fábricas não apareceu do nada. A Stellantis vem tentando equilibrar os custos e o ritmo de produção na Argentina há algum tempo.
Mas a Stellantis realmente vai fechar as fábricas?
Apesar da declaração de Zola, a fabricante esclareceu posteriormente à Bloomberg Línea que não possui planos para fechar nenhuma das duas unidades. Segundo a empresa, o executivo apenas mencionou possibilidades para o futuro e não anunciou uma decisão industrial.

Inclusive, a Stellantis continua com seus investimentos na Argentina e prepara a inauguração de uma nova fábrica de motores em Córdoba, prevista para estrear no dia 25 de novembro. A unidade faz parte da estratégia de produção do motor 2.2 turbodiesel Multijet, utilizado pela Dakota, Titano, Rampage e Commander.
Ainda assim, a preocupação com a competitividade ainda existe, principalmente porque o mercado brasileiro representa em torno de 65% das operações da Stellantis na América do Sul. Desta forma, qualquer mudança na produção argentina também depende do desempenho dos carros vendidos por aqui.
E você, acredita que a Stellantis realmente poderia fechar suas fábricas na Argentina? Deixe seu comentário!


