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Stellantis explica fechamento da fábrica do Peugeot 208 e Fiat Cronos

Grupo questiona os custos de produção no país vizinho e admite diferentes cenários para suas duas fábricas

4 min de leitura

A Stellantis, dona da Fiat, Peugeot, Jeep e Ram, deu um alerta sobre o futuro de suas fábricas na Argentina. Isso porque o grupo admitiu a possibilidade de fechar uma ou até as duas unidades que tem no país vizinho, principalmente pelos custos de produção e pela dificuldade de competir com os veículos importados.

Segundo informações do site argentino Autoblog⁠, Herlander Zola, presidente da Stellantis na América do Sul, comentou sua preocupação com a competitividade da indústria argentina. Durante uma conversa com jornalistas, o executivo explicou que a empresa pode matar duas fábricas na Argentina, dependendo das condições do mercado.

“O mercado aberto da Argentina nos deixou de fora da disputa, e tudo pode acontecer. Podemos fechar uma ou ambas as fábricas, ou podemos mantê-las abertas. Mas o custo de produção lá é muito alto: em termos de mão de obra, por exemplo, é o dobro do que no Brasil. Além disso, a cadeia de suprimentos é pequena. A maioria das peças vem do Brasil ”, disse Zola. 

fiat cronos uber comfort carros
Fiat Cronos Precision [Auto+ / João Brigato]

Ou seja, o problema, segundo Zola, está principalmente no custo para fabricar carros na Argentina. Com isso, produzir localmente ficou mais complicado, especialmente agora que o mercado argentino está mais aberto à entrada de veículos importados.

Peugeot e Fiat podem ser afetadas

Atualmente, a Stellantis mantém duas fábricas na Argentina, e ambas têm bastante importância para o mercado brasileiro. A primeira fica em El Palomar, na região de Buenos Aires, responsável pela produção do Peugeot 208 e do SUV 2008.

Peugeot 2008 GT cinza de frente
Peugeot 2008 GT [Auto+ / João Brigato]

Já a segunda fica em Ferreyra, na província de Córdoba, onde a fabricante produz o Fiat Cronos, além das picapes Fiat Titano e Ram Dakota. Nesse caso, a fábrica de Córdoba vem passando por ajustes. Em setembro, nós do Auto+ mostramos que a Stellantis reduziu a produção de Titano e Dakota, depois que as vendas ficaram abaixo das expectativas, principalmente nos mercados de exportação.

A previsão inicial era fabricar 27 mil unidades das duas picapes em 2026, mas a empresa reduziu esse planejamento para cerca de 16,5 mil exemplares, uma queda de 40%. Além disso, a linha passou a trabalhar com apenas um turno, justamente para adequar o volume à demanda.

Fiat Titano Ranch 2026 cinza de frente a um muro de pedras
Fiat Titano Ranch 2026 [Auto+ / João Brigato]

Ou seja, isso só mostra que a discussão sobre o futuro das fábricas não apareceu do nada. A Stellantis vem tentando equilibrar os custos e o ritmo de produção na Argentina há algum tempo.

Mas a Stellantis realmente vai fechar as fábricas?

Apesar da declaração de Zola, a fabricante esclareceu posteriormente à Bloomberg Línea que não possui planos para fechar nenhuma das duas unidades. Segundo a empresa, o executivo apenas mencionou possibilidades para o futuro e não anunciou uma decisão industrial.

Ram Dakota Warlock [Auto+ / Rafael Pocci Déa]

Inclusive, a Stellantis continua com seus investimentos na Argentina e prepara a inauguração de uma nova fábrica de motores em Córdoba, prevista para estrear no dia 25 de novembro. A unidade faz parte da estratégia de produção do motor 2.2 turbodiesel Multijet, utilizado pela Dakota, Titano, Rampage e Commander. 

Ainda assim, a preocupação com a competitividade ainda existe, principalmente porque o mercado brasileiro representa em torno de 65% das operações da Stellantis na América do Sul. Desta forma, qualquer mudança na produção argentina também depende do desempenho dos carros vendidos por aqui.

E você, acredita que a Stellantis realmente poderia fechar suas fábricas na Argentina? Deixe seu comentário!

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Luiz Forelli

Jornalista pela Faculdade Cásper Líbero, sempre fascinado por carros. Passava horas dirigindo no colo da família dentro da garagem ou empurrando carrinhos pela casa, como se já soubesse que seu caminho estaria entre motores e rodas. Hoje, realiza o sonho de infância escrevendo sobre o universo automotivo com a mesma empolgação de quem brincava com um volante imaginário. No lugar do sangue, corre gasolina, e isso nunca foi segredo.

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