Toda fabricante de automóveis mais tradicional tem um legado construído ao longo de anos de produtos. Embora a Ram seja uma marca jovem e tenha apenas 17 anos, ela carrega uma história construída por gerações da Dodge Ram, hoje representadas pelas 1500, 2500 e 3500. Além disso, a brasileira Rampage também ajudou a consolidar essa imagem. Agora, a Ram Dakota quer fazer o mesmo.
Para preencher o espaço gigantesco entre a Rampage e a 1500, a Stellantis resgatou o nome clássico Dakota para a caminhonete média da Ram. A estratégia de colocar um produto de alto volume em uma marca fortíssima, com uma dose de saudosismo, parece perfeita. No entanto, o logotipo tem muito peso.
O que se espera de uma caminhonete da Ram, da Rampage à 3500, é uma cabine luxuosa e uma inegável solidez de construção e rodagem. Afinal, a Ram foi desenhada para o Brasil como uma marca que flerta com o segmento premium, entregando picapes que precisam ficar um nível acima.
![Ram Dakota Laramie [Auto+ / João Brigato] laranja de traseira](https://www.automaistv.com.br/wp-content/uploads/2026/06/ram-dakota-laramie-30-1320x743.webp)
Por isso, nada mais justo do que testar a Dakota Laramie, a versão topo de linha e mais luxuosa, para descobrir se ela está à altura de suas irmãs. No Brasil, a marca vende a caminhonete por R$ 322.990. Contudo, a unidade avaliada custava R$ 2 mil a mais por conta da pintura laranja metálica.
Ram Dakota tem DNA de várias marcas
Parte da família KP1, a Ram Dakota tem uma longa árvore genealógica. Suas mães, por assim dizer, são Changan Kaicene e Peugeot Landtrek. As duas nasceram na China com foco em mercados globais. No Brasil, porém, a Stellantis entendeu que vender uma caminhonete Fiat seria mais fácil do que apostar em uma Peugeot. Assim nasceu a Fiat Titano.
![Ram Dakota Laramie [Auto+ / João Brigato]](https://www.automaistv.com.br/wp-content/uploads/2026/06/ram-dakota-laramie-04-1320x743.webp)
Ela passou um ano no mercado brasileiro com uma suspensão terrível e um motor fraco. Já na linha 2026, recebeu o mesmo motor diesel 2.2 turbo de quatro cilindros usado em Rampage, Toro e Commander. Além disso, ganhou uma suspensão muito melhor.
Mas por que estou falando de todas essas caminhonetes? Porque a Ram Dakota representa a etapa final desse desenvolvimento. Ela reúne tudo o que a Stellantis aprendeu ao corrigir a Fiat Titano. Mesmo assim, isso não bastou para colocá-la no mesmo patamar da Rampage ou da 1500.
![Ram Dakota Laramie [Auto+ / João Brigato]](https://www.automaistv.com.br/wp-content/uploads/2026/06/ram-dakota-laramie-21-1320x743.webp)
Ram Dakota fica próxima demais da Fiat Titano
Enquanto existe uma diferenciação gigantesca entre Fiat Toro e Ram Rampage, o mesmo não acontece com Titano e Dakota. Nas menores, nenhuma peça externa é compartilhada. Além disso, ao volante, elas parecem veículos completamente diferentes. Isso vale até para as versões diesel, que usam o mesmo motor.
Na Dakota, as portas são as mesmas da Titano, incluindo as maçanetas desnecessariamente gigantes. Os para-lamas não mudam, assim como as chapas laterais e a tampa da caçamba. A frente é totalmente diferente, mas lembra mais uma Toyota Hilux do que uma Ram. Já a traseira traz um enorme logotipo cromado e lanternas exclusivas.
![Ram Dakota Laramie [Auto+ / João Brigato]](https://www.automaistv.com.br/wp-content/uploads/2026/06/ram-dakota-laramie-26-1320x743.webp)
Ao dirigir, esse parentesco também fica evidente. A Ram Dakota se comporta como uma Fiat Titano, não como uma Ram de verdade. Embora passe robustez, ela não transmite a mesma solidez de Rampage e 1500. O principal problema continua sendo a suspensão. A caminhonete chacoalha demais, tanto vertical quanto horizontalmente.
O motorista precisa corrigir a trajetória da picape mais vezes do que em modelos rivais. Além disso, o constante pula-pula prejudica a dirigibilidade. Em compensação, ao contrário da GWM Poer P30, ela não é dura. Pelo contrário, entrega um acerto mais macio e confortável. Basta conviver com as oscilações constantes.
![Ram Dakota Laramie [Auto+ / João Brigato]](https://www.automaistv.com.br/wp-content/uploads/2026/06/ram-dakota-laramie-11-1320x743.webp)
A direção oferece três modos de atuação, mas eles mudam pouco a experiência ao volante. Ainda assim, a calibração agrada. Ela tem peso adequado em velocidade e fica leve durante as manobras. Nesse aspecto, a Stellantis acertou em cheio. Por outro lado, quem já dirigiu Rampage ou 1500 sentirá falta da estabilidade e da segurança em velocidades mais altas.
Motor da Ram Dakota entrega o necessário, mas poderia mais
O motor 2.2 turbo de quatro cilindros, com 200 cv e 45,9 kgfm de torque, brilha nos modelos Small Wide da Stellantis. Na Ram Dakota, entretanto, ele não impressiona da mesma forma. Enquanto sobra força em Rampage e Commander, além de operar de forma extremamente silenciosa, aqui ele trabalha mais e faz mais barulho.
![motor diesel Ram Dakota Laramie [Auto+ / João Brigato]](https://www.automaistv.com.br/wp-content/uploads/2026/06/ram-dakota-laramie-12-1320x743.webp)
É possível ouvir o motor o tempo todo dentro da cabine. Além disso, por conta do peso da caminhonete e da atuação do câmbio automático de oito marchas, ele reduz marchas constantemente para acelerar com mais disposição. Como consequência, o ronco do Pratola Serra se torna mais presente.
Com aceleração de 0 a 100 km/h em 9,9 segundos, a performance agrada. A caminhonete entrega bastante torque quando necessário, mas poderia mostrar mais ímpeto nas retomadas. Em contrapartida, o câmbio faz trocas suaves e no momento correto. Já o consumo é positivo, com médias de 9,7 km/l na cidade e 10,8 km/l na estrada.
Interior da Dakota é refinado, mas não parece uma Ram
![interior Ram Dakota Laramie [Auto+ / João Brigato]](https://www.automaistv.com.br/wp-content/uploads/2026/06/ram-dakota-laramie-16-1320x743.webp)
O interior da Ram Dakota é, com folga, o mais refinado entre as caminhonetes médias vendidas no Brasil. A cabine traz materiais macios em toda a parte frontal do painel e das portas. Além disso, há uma larga faixa revestida em couro e um acabamento texturizado que imita aço escovado.
Entretanto, fica claro que esse é um ótimo acabamento de carro chinês. Afinal, a cabine é idêntica à utilizada pela Changan Kaicene. O couro tem boa qualidade, mas não alcança o nível de Rampage ou 1500. O mesmo acontece com os revestimentos macios, que ficam distantes do padrão norte-americano adotado pela Stellantis.
![cabine Ram Dakota Laramie [Auto+ / João Brigato]](https://www.automaistv.com.br/wp-content/uploads/2026/06/ram-dakota-laramie-19-1320x743.webp)
Além disso, alguns elementos remetem a carros mais antigos, como as hastes de seta e os comandos dos vidros elétricos. O painel de instrumentos também decepciona, com grafismos difíceis de ler e uma tela que aproveita apenas metade do espaço disponível. Nenhuma dessas peças aparece em outras Ram, mas várias delas surgem em modelos da Changan.
A central multimídia oferece boa definição de imagem. Ainda assim, seus grafismos parecem ultrapassados e a interface não é das mais modernas. Além disso, o sistema sempre inicia com brilho máximo e chega a piscar quando o motorista aciona o farol alto rapidamente. Pelo menos, ela conta com Android Auto e Apple CarPlay sem fio, além de comandos físicos para o ar-condicionado.


Vale destacar também o console central. Ele oferece dois porta-copos, um enorme compartimento sob o apoio de braço e um espaço generoso para guardar o celular. Pena que a conexão física para Android Auto e Apple CarPlay fique, inexplicavelmente, do lado do passageiro.
Ram Dakota compensa com espaço interno e caçamba
Agora, algo que a Dakota tem e que a Rampage não oferece é um bom espaço interno. A caminhonete média garante boa área para as pernas dos passageiros traseiros, além de um banco confortável e bem inclinado. Também é possível rebater o encosto para acomodar objetos menores atrás do banco.



A caçamba leva 1.210 litros e suporta até 1.020 kg. Além disso, a tampa tem abertura facilitada por mola a gás. A lista de série ainda inclui capota marítima e protetor de caçamba. Outro destaque fica para o pacote ADAS completo, que funciona bem na maior parte do tempo. A exceção fica por conta do assistente de permanência em faixa, que corrige a direção de forma exagerada.
Principais itens de série
- Chave presencial
- Seis airbags
- Controle de tração e estabilidade
- Ar-condicionado digital de duas zonas
- Painel de instrumentos digital
- Bancos dianteiros com regulagem elétrica
- Piloto automático adaptativo
- Frenagem autônoma de emergência
- Alerta de mudança de faixa
- Alerta de tráfego cruzado
- Sistema de manutenção em faixa
- Sistema de câmeras 360 graus
- Tração 4×4
![Ram Dakota Laramie [Auto+ / João Brigato]](https://www.automaistv.com.br/wp-content/uploads/2026/06/ram-dakota-laramie-01-1320x743.webp)
Veredicto
No final das contas, a Ram Dakota é uma boa caminhonete média e cumpre a proposta de oferecer um interior mais refinado. Contudo, ela não entrega a solidez que se espera de uma Ram nem o acabamento superior presente em suas irmãs maiores. Seu maior pecado está nos detalhes, enquanto o parentesco muito próximo com a Fiat Titano incomoda mais do que deveria.
Se você comprar a Dakota porque precisa de uma caminhonete média, ela atenderá de forma satisfatória e ainda entregará alguns mimos extras. Por outro lado, se a expectativa for levar para casa uma Grand Rampage ou uma mini 1500, a decepção será inevitável.
![Ram Dakota Laramie [Auto+ / João Brigato]](https://www.automaistv.com.br/wp-content/uploads/2026/06/ram-dakota-laramie-23-1320x743.webp)
Ficha técnica
- Motor 2.2 quatro cilindros turbo diesel
- 200 cv e 45,9 kgfm de torque
- Câmbio automático de oito marchas
- Tração 4×4
- 0 a 100 km/h em 9,9 segundos
- Consumo: 9,7 km/l (cidade) / 10,8 km/l (estrada)
- Medidas: 5,35 m de comprimento, 1,88 m de largura, 1,82 m de altura e 3,18 m de entre-eixos
- Caçamba: 1.210 litros / 1.020 kg
- Altura livre do solo: 31,7 cm
Você teria uma Ram Dakota? Conte nos comentários.


