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É uma Titano com outros logotipos?

A Ram Dakota Warlock é só uma Fiat Titano com grife? | Avaliação

A picape Ram Dakota Warlock mescla pegada esportivada com robustez e custa a partir de R$ 299.990. Será que vale a compra?

9 min de leitura

Quem já passou dos 40 anos que atire a primeira pedra: em algum momento, você também não olhou para a Dodge Dakota como um sonho de consumo? Não sei você, mas essa picape tirava o meu sono no final dos anos 1990, à época em que não tinha CNH e era só um estudante do segundo colegial.

Se memórias devem ser alimentadas, o nome Dakota carrega um peso enorme. Nostalgia? Muita, e de uma época em que a picape era feita em Campo Largo (PR), oferecendo, na versão R/T, o fantástico e borbulhante propulsor V8 5.2 Magnum de 232 cv e 41,6 kgfm.

A Dodge Dakota nacional terminou em 2001. Só que o nome retornou em um utilitário de origem chinesa. A Changan Hunter (também conhecida como Kaicene F70), serve de base para a nossa Fiat Titano, sendo rebatizado como Ram 1200 em outros mercados.

Uma estratégia para capturar os clientes com nostalgia. Independente disso, a Ram Dakota faz companhia às irmãs Rampage, 1500, 2500 e 3500, oferecendo versões Warlock (iniciais R$ 299.990), Laramie (R$ 322.990) e Laramie Night Edition (R$ 329.990). Um sobrenome que aparece nos modelos 1500 e 3500, com acabamentos escurecidos.

Quem é a Ram Dakota

Podemos até dizer que a Ram Dakota é um parente rico da Fiat Titano. Embora sejam estruturalmente a mesma picape, o acabamento interno é superior, embora não esteja no mesmo degrau das full size 1500, 2500 ou 3500. Alguns podem enxergar como um rebadge, mas há uma melhora nítida nos plásticos, nos arremates empregados ao acabamento e também no isolamento acústico.

Basicamente, não há diferença de porte e de capacidades entre a Dakota Warlock e a Titano Ranch. A Ram mede 5,35 m de comprimento, 1,96 m de largura, 1,87 m de altura e 3,18 m de entre-eixos. Já a Fiat Titano Ranch (R$ 290.490) oferece 5,33 m, 1,96 m, 1,85 m e 3,18 m, respectivamente, para comparar.

Picape Ram Dakota Warlock branca parada de lateral com árvores ao fundo
Ram Dakota Warlock [Auto+ / Rafael Pocci Déa]

Se quem compra uma picape está interessado na capacidade de carga, a caçamba da Ram Dakota Warlock possui 1.210 litros e carga útil de 1.020 kg. Aliás, a área dedicada ao transporte de cargas possui 1,58 m de comprimento, 1,53 m de largura e 502 mm de altura. A tampa do compartimento com alívio de peso é leve, podendo ser operada com apenas uma mão.

Para comparar, as dimensões da caçamba da Fiat Titano Ranch são de 1,63 m de comprimento, 1,60 m de largura e 516 mm de altura. Os 1.210 litros de volume 1.020 kg são idênticos. Além disso, aparece outra característica similar entre as duas picapes médias, porém, sob o capô.

Ram Dakota e o motor 2.2 turbodiesel

A Ram Dakota também emprega o motor de quatro cilindros 2.2 turbodiesel Pratola Serra, compartilhado com a Ram Rampage, as Fiat Toro e Titano e Jeep Commander, atrelado à transmissão automática convencional de oito velocidades. São 200 cv e 45,9 kgfm, garantindo um 0 a 100 km/h em 9,9 seconds e 180 km/h de velocidade máxima.

É um conjunto que assegura um desempenho condizente e nem de longe lembra o que era estar ao volante da primeira Titano à venda no Brasil. À época, o utilitário da Fiat contava com o 2.2 turbodiesel herdado do furgão Ducato, trabalhando com uma caixa automática de seis marchas, que entregava 180 cv e 40,8 kgfm.

Motor 2.2 turbodiesel da picape Ram Dakota Warlock
Ram Dakota Warlock [Auto+ / Rafael Pocci Déa]

A Ram Dakota Warlock parte da imobilidade com disposição e transmitindo um ronco de motor cheio, a exemplo da Nissan Frontier Attack (R$ 277.590), que entrega 190 cv e 45,9 kgfm. Além dela, seguindo a mesma pegada parruda da versão Warlock e da Frontier, há a Chevrolet S10 Z71 (R$ 325.290), porém, ela transmite 207 cv e 52 kgfm.

Só que a Ram Dakota Warlock é mais forte em relação à Ford Ranger XLS 2.0 4×4 (R$ 285.900) de 170 cv e 41,3 kgfm, por exemplo, embora não transmita a mesma dinâmica e experiência ao volante do utilitário da marca do oval azul, responsável por elevar a régua no segmento de caminhonetes médias no Brasil desde o seu lançamento.

Suspensões

A Ram Dakota Warlock emprega a conhecida receita de suspensões independentes, dupla A, no eixo frontal, enquanto na traseira utiliza o tradicional eixo rígido. É um acerto que convive bem com o nosso asfalto e evita o típico “pula-pula” dos utilitários médios ao trafegar com a caçamba descarregada.

No entanto, o ajuste do conjunto de suspensões é consideravelmente mais macio em relação ao da Fiat Titano, o que deixa a carroceria rolar ligeiramente nas curvas. Nada que comprometa a segurança dos até cinco ocupantes, sendo uma característica de calibração escolhida pela Ram para se diferenciar do utilitário da Fiat.

Ram Dakota Warlock [Auto+ / Rafael Pocci Déa]

No início deste ano, participamos de uma expedição com a Ram Dakota Warlock no Pantanal Sul-Mato-Grossense, onde percorremos mais de 1.200 km em trajetos majoritariamente rodoviários. Ou seja, nesse cenário a picape da Ram transmite uma boa dose de conforto e de isolamento acústico, mesmo andando acima dos 100 km/h.

Na cidade, a caminhonete lida bem com as irregularidades do piso, no entanto, o acerto macio do conjunto de suspensões faz às vezes dar batidas de final de curso ao passar por lombadas mais pronunciadas ou outros obstáculos urbanos. Além disso, os ângulos de entrada e de saída são de 27,7º e 26,7º, respectivamente, ajudam a vencer as adversidades do off-road.

Ram Dakota Warlock na lida

A Fiat Titano Ranch oferece um ângulo de entrada de 29º e de saída de 27º, enquanto a altura em relação ao solo da Dakota Warlock é de 228 mm contra os 235 mm da picape da Fiat. Além disso, a caixa de direção assistida eletricamente da Dakota transmite suavidade ao esterço em manobras e com o peso ideal ao trafegar acima dos 100 km/h.

Isso ajuda no controle do utilitário, além do conjunto motriz oferecer um comportamento linear, mostrando elasticidade em baixas e médias rotações. Ao pisar fundo no acelerador, o ronco do propulsor Pratola Sierra invade o habitáculo, porém fica nítido que o isolamento acústico recebeu um maior cuidado em relação ao da Fiat Titano.

Ram Dakota Warlock [Auto+ / Rafael Pocci Déa]

A transmissão automática de oito marchas recebeu um mapa de calibração exclusivo desenvolvido sob medida. Na balança, não há variação de peso em ordem de marcha entre as configurações Warlock e Laramie, registrando exatamente 2.150 kg em ambas as configurações. A Laramie se diferencia pelos acabamentos do exterior e do interior, no pacote de equipamentos e na régua iluminada que conecta os faróis.

Não há falta de fôlego partindo da imobilidade ou durante as ultrapassagens na estrada. Para quem desejar uma dose extra, é possível realizar as trocas sequenciais, bastando mover a alavanca seletora para o lado esquerdo no console. Ainda há indicadores de inclinação, pressão dos pneus e de parâmetros do motor.

Modos de condução

Também estão disponíveis quatro modos de condução: Normal, Sport, Snow (neve) e Sand/Mud (areia/lama). Cada um deles atua diretamente no gerenciamento eletrônico para ajustar a entrega de desempenho e a resposta do acelerador de acordo com a demanda. Já falando do consumo, segundo o Inmetro, a Dakota Warlock crava médias de 9,7 km/l (cidade) e de 10,8 km/l (estrada).

O pacote off-road é complementado pelo bloqueio mecânico do diferencial traseiro e pelo sistema de tração 4×4, com seleção pelo seletor giratório no console central. Além disso, o controle e a coxinização da carroceria com cabine dupla merecem elogios, o que transmite uma melhor convivência diante a Fiat Titano.

Seletor de tração da picape Ram Dakota Warlock
Ram Dakota Warlock [Auto+ / Rafael Pocci Déa]

No modo 4×4 Auto, dependendo da pressão exercida no pedal do acelerador, o sistema acopla o eixo dianteiro de forma automática, garantindo mais controle e precisão. Sobretudo, o visual da versão Warlock mostra rodas de 17 polegadas montadas em pneus de medidas 265/65, além do santantônio com um visual bem similar ao da bestial Ram 1500 TRX.

Segurança e habitabilidade

A Warlock sai de fábrica com um pacote de assistência à condução. Entre as tecnologias, aparecem sensores de monitoramento de ponto cego, assistente de permanência em faixa e controle de cruzeiro adaptativo e alerta de colisão frontal.

A lista ainda contempla seis airbags (frontais, laterais e de cortina) freios a disco nas quatro rodas, controle eletrônico de estabilidade, assistentes de partida em rampas e de descida, frenagem autônoma de emergência e detecção de pedestres e ciclistas, para citar.

Só que ao abrir a porta, nota-se um cuidado extra na escolha dos materiais, que são consideravelmente mais refinados do que os encontrados na Fiat Titano. O banco do motorista conta com ajustes elétricos, enquanto o tradicional emblema do carneiro surge estampado em relevo no apoio de braço central dianteiro.

Para quem viaja atrás, a picape mostra um bom espaço para as pernas e joelhos, graças aos 3,18 m de entre-eixos. Ou seja, supera rivais, como a Chevrolet S10 (3,09 m), a Mitsubishi Triton (3,13 m) e a Nissan Frontier (3,15 m). Por outro lado, a medida fica abaixo do porte da Ford Ranger, que possui 3,27 m.

Ram Dakota Warlock [Auto+ / Rafael Pocci Déa]

Veredicto

A Ram Dakota não é uma Fiat Titano com logotipos trocados, porém, não oferece o mesmo nível de requinte das irmãs full size. Ela traz uma atenção maior nos acabamentos, bem como no isolamento acústico e na calibração das suspensões. Já sob o capô, os números de potência e torque ficam dentro da média do segmento de caminhonetes médias.

Se a Ram carrega o status de objeto de desejo e símbolo de sucesso no universo do agronegócio, a Dakota surgiu como o degrau de acesso ao universo das picapes parrudas da marca norte-americana, encurtando o caminho para o produtor ou o consumidor que sonha em chegar às irmãs full-size da marca.

Ram Dakota Warlock [Auto+ / Rafael Pocci Déa]

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Rafael Dea

Cursou Jornalismo para trabalhar com carros. Formado em 2005, atuou na mídia impressa por mais de 16 anos e também em veículos on-line. Embora tenha uma paixão por caminhonetes, não dispensa um esportivo — inclusive, foi o único brasileiro a participar do lançamento global do Porsche Panamera GTS.

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