A Toyota parece ter entendido que o segredo para a sobrevivência das marcas orientais não é acelerar o passo, mas sim saber quando baixar as armas. Koji Sato, o comandante da gigante japonesa, criou um pacto de sobrevivência. Aliás,uma cooperação mútua sem precedentes entre os fabricantes do Japão para blindar o setor antes que encerre o tempo.
A proposta de Sato, que acumula o cargo de Diretor de Indústria da marca e a presidência da JAMA (Associação Japonesa de Fabricantes de Automóveis), é simples na teoria e complexa na execução. Ele defende que marcas como Honda, Nissan, Mitsubishi, Mazda e Suzuki parem de gastar dinheiro de forma isolada tentando decifrar os enigmas de engenharia básica.
A ideia é criar um banco comum de padrões industriais, compartilhando plataformas e componentes mecânicos. Ao dividirem os custos da engenharia, os fabricantes poupam fôlego e caixa para investir no que importa e diferencia cada carro aos olhos do consumidor.

Parcerias já estão no DNA
Para a Toyota, esse espírito colaborativo já é uma realidade consolidada. Afinal, o GR86 nasceu de um projeto conjunto com a Subaru, enquanto o Supra divide a arquitetura com a BMW. Além disso, a marca mantém alianças estratégicas de longa data com a Suzuki e a Mazda em diversos mercados pelo mundo.
Sato quer escalar essa filosofia para todo o ecossistema japonês, atacando o gargalo que mais encarece e engessa a produção local: a cadeia de suprimentos. Atualmente, os fornecedores produzem variações de um mesmo material só para atender às exigências burocráticas e particulares de cada fabricante.

![[divulgação]](https://www.automaistv.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Toyota-GR-Supra-manual-6-1200x720.jpg)
Se o setor unificasse critérios simples, como as margens de tolerância do aço usado nas estamparias, o ganho de produtividade seria imediato. Ao eliminar essas redundâncias operacionais, a indústria japonesa conseguiria liberar recursos preciosos para focar no desenvolvimento de novas tecnologias.
A ameaça chinesa
A urgência desse plano fica evidente quando olhamos para os números. Nos EUA, a grande procura pelo RAV4 superou tanto a capacidade fabril que gerou uma projeção de 55.000 emplacamentos perdidos por falta de estoque. Todavia, a Toyota prepara a abertura de sua primeira nova fábrica em solo japonês desde 2012 para mitigar o problema. Mas, Sato sabe que isso não resolve o problema.
Se os componentes fundamentais fossem padronizados entre as marcas parceiras, a cadeia de fornecedores ganharia flexibilidade para recalibrar o volume de entrega sempre que a demanda disparasse. Essa agilidade deixou de ser um diferencial e virou questão de sobrevivência diante do avanço das marcas chinesas, que já pressionam os resultados globais da Toyota.

Caso a visão de Sato se consolide, dividir a base e os custos pode ser a cartada final para manter o Japão na liderança do mundo automotivo.
E você, acha que essa união é o suficiente para as marcas japonesas barrarem a invasão dos carros chineses? Escreva nos comentários.


