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Pacto de sobrevivência

Toyota quer rivais japonesas unidas e compartilhando tecnologia contra a China

Para sobreviver à onda chinesa, Toyota propõe que rivais como Honda e Nissan compartilhem tecnologia. Será o fim do desenvolvimento isolado?

3 min de leitura

A Toyota parece ter entendido que o segredo para a sobrevivência das marcas orientais não é acelerar o passo, mas sim saber quando baixar as armas. Koji Sato, o comandante da gigante japonesa, criou um pacto de sobrevivência. Aliás,uma cooperação mútua sem precedentes entre os fabricantes do Japão para blindar o setor antes que encerre o tempo.

A proposta de Sato, que acumula o cargo de Diretor de Indústria da marca e a presidência da JAMA (Associação Japonesa de Fabricantes de Automóveis), é simples na teoria e complexa na execução. Ele defende que marcas como Honda, Nissan, Mitsubishi, Mazda e Suzuki parem de gastar dinheiro de forma isolada tentando decifrar os enigmas de engenharia básica.

A ideia é criar um banco comum de padrões industriais, compartilhando plataformas e componentes mecânicos. Ao dividirem os custos da engenharia, os fabricantes poupam fôlego e caixa para investir no que importa e diferencia cada carro aos olhos do consumidor.

Parcerias já estão no DNA

Para a Toyota, esse espírito colaborativo já é uma realidade consolidada. Afinal, o GR86 nasceu de um projeto conjunto com a Subaru, enquanto o Supra divide a arquitetura com a BMW. Além disso, a marca mantém alianças estratégicas de longa data com a Suzuki e a Mazda em diversos mercados pelo mundo.

Sato quer escalar essa filosofia para todo o ecossistema japonês, atacando o gargalo que mais encarece e engessa a produção local: a cadeia de suprimentos. Atualmente, os fornecedores produzem variações de um mesmo material só para atender às exigências burocráticas e particulares de cada fabricante.

Se o setor unificasse critérios simples, como as margens de tolerância do aço usado nas estamparias, o ganho de produtividade seria imediato. Ao eliminar essas redundâncias operacionais, a indústria japonesa conseguiria liberar recursos preciosos para focar no desenvolvimento de novas tecnologias.

A ameaça chinesa

A urgência desse plano fica evidente quando olhamos para os números. Nos EUA, a grande procura pelo RAV4 superou tanto a capacidade fabril que gerou uma projeção de 55.000 emplacamentos perdidos por falta de estoque. Todavia, a Toyota prepara a abertura de sua primeira nova fábrica em solo japonês desde 2012 para mitigar o problema. Mas, Sato sabe que isso não resolve o problema.

Se os componentes fundamentais fossem padronizados entre as marcas parceiras, a cadeia de fornecedores ganharia flexibilidade para recalibrar o volume de entrega sempre que a demanda disparasse. Essa agilidade deixou de ser um diferencial e virou questão de sobrevivência diante do avanço das marcas chinesas, que já pressionam os resultados globais da Toyota.

Caso a visão de Sato se consolide, dividir a base e os custos pode ser a cartada final para manter o Japão na liderança do mundo automotivo.

E você, acha que essa união é o suficiente para as marcas japonesas barrarem a invasão dos carros chineses? Escreva nos comentários.

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Rafael Dea

Cursou Jornalismo para trabalhar com carros. Formado em 2005, atuou na mídia impressa por mais de 16 anos e também em veículos on-line. Embora tenha uma paixão por caminhonetes, não dispensa um esportivo — inclusive, foi o único brasileiro a participar do lançamento global do Porsche Panamera GTS.

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