A Stellantis começou a mexer em uma questão que, até pouco tempo atrás, não seria motivo para uma atualização de linha: a potência dos seus carros. Depois do Jeep Avenger, Fiat Pulse e Fastback, a Strada também entrará na reorganização mecânica para a linha 2027 da picape compacta.
A versão Ranch foi flagrada pelo Autos Segredos durante testes sem qualquer camuflagem, o que já entrega uma parte importante da história. Visualmente, praticamente nada muda. O trabalho está escondido debaixo do capô para uma calibração eletrônica do conhecido motor 1.0 Turbo 200.
Na próxima atualização, a picape passará dos atuais 125 cv com gasolina e 130 cv com etanol para 116 cv independentemente do combustível. Assim como vimos no Jeep Avenger que deu início a essa recalibração e posteriormente chegou ao Pulse e Fastback 2027, a Strada também seguirá o mesmo caminho, todavia enquanto a potência muda o torque de 20,4 kgfm permanece inalterado.
Menos potência para pagar menos imposto

Pode parecer estranho uma fabricante trabalhar deliberadamente para deixar seus carros menos potentes. Só que, atualmente, potência também virou parte da conta tributária.
As novas regras do IPI criaram uma espécie de sistema de bônus e penalizações. Entram nessa equação fatores como eficiência energética, tecnologia de propulsão, reciclabilidade, equipamentos de segurança e, justamente, potência.

Para veículos comerciais leves, caso da Strada, motores com até 85 kW, algo próximo de 115,6 cv, conseguem uma redução de 0,25 ponto percentual no critério de potência. Acima disso, a vantagem desaparece e, conforme a força aumenta, começam os acréscimos.
É justamente aí que os 116 cv passam a fazer sentido. O número divulgado ao consumidor é um arredondamento da potência homologada, deixando o T200 encostado nesse primeiro degrau tributário.

Não por acaso, outras fabricantes seguiram caminho parecido. A Chevrolet, por exemplo, recalibrou o 1.0 turbo do Onix e Tracker para 115,5 cv. A Volkswagen também fez essas mudanças anos atrás para o Polo 170 TSI, entre outras montadoras.
Proconve L8 também aperta em 2027
O imposto, porém, explica também que a Stellantis precisa preparar sua gama para uma etapa mais severa do Proconve L8. A fase L8 começou oficialmente em 2025 e trabalha com uma média corporativa de emissões. Ou seja, não basta olhar isoladamente para um único carro: cada fabricante precisa equilibrar as emissões de toda sua frota comercializada.

A partir de 1º de janeiro de 2027, essa conta fica mais apertada. Para veículos comerciais leves, o limite corporativo cai de 140 para 110 mg/km, antes de uma nova redução que também terá em 2029. Assim, a empresa precisa preparar seus motores tanto para uma tributação diferente quanto para metas ambientais progressivamente mais exigentes.
Strada Ranch manterá aquilo que realmente importa
A perda de até 14 cv chama atenção na ficha técnica, sobretudo porque a Strada turbo sempre usou desempenho como argumento sobre as versões 1.3 aspiradas. Ainda assim, a mudança não desmonta completamente essa vantagem.

O três cilindros continuará combinado ao câmbio CVT com sete marchas simuladas, e como citado, o torque inalterado, não mudará muito na prática as ultrapassagens e retomadas.
Outra diferença em relação ao Pulse, Fastback e Avenger está na eletrificação. A Strada atual não adotará o sistema MHEV de 12 volts junto com essa atualização. Ela continuará utilizando apenas o T200 e o CVT.
Ranch ficará sozinha com o T200

A mudança também servirá para simplificar a gama da picape antes da chegada de sua sucessora. Hoje, a Fiat ainda comercializa a linha 2027 com Ranch e Ultra equipadas com o Turbo 200, enquanto Endurance, Freedom e Volcano usam o 1.3 Firefly.
Na reorganização seguinte, porém, a estratégia muda. A Ranch será a única Strada equipada com o T200, enquanto as demais configurações ficarão concentradas no 1.3 aspirado, como o Auto+ já havia divulgado. Além disso, o Firefly de quatro cilindros não irá passar pela mesma redução de potência.

Por fora, entretanto, quem encontrar um dos protótipos dificilmente perceberá qualquer novidade. O carro flagrado mantém as rodas, carroceria e acabamento conhecidos. Os equipamentos instalados próximos ao escapamento servem justamente para medições durante o desenvolvimento.
A grande mudança ficará para a próxima Strada
Toda essa reorganização também precisa ser entendida como uma preparação para algo bem maior. A atual Strada já entrou na reta final do seu ciclo, enquanto a Stellantis trabalha na terceira geração da picape conhecida internamente como projeto XBP, que abandonará a arquitetura do Mobi e passará a integrar a nova família de produtos baseada no futuro Argo X.
E você, acha que a redução de 130 para 116 cv fará diferença no uso da Fiat Strada Ranch? Deixe seu comentário!


