Quando a Jeep lançou o Renegade em 2015, os entusiastas mais ferrenhos da marca fizeram o maior chilique da face da Terra. Tal qual quando a Porsche fez o Cayenne, diziam que o DNA da marca havia sido profanado. Mas ele se provou um Jeep autêntico, com excelente acabamento e capacidade off-road real. Com o Jeep Avenger, contudo, não aconteceu a mesma situação.
Afinal, a Stellantis já havia provado que a Jeep sabia fazer carros em tamanhos diferentes sem perder as características fortes da marca. Especialmente no caso de modelos desenvolvidos no Brasil, como o Commander, ou com auxílio da nossa engenharia, como o próprio Renegade, o atual Compass e até o Avenger.
E o lançamento do Jeep Avenger mostrou que essas expectativas foram cumpridas. Afinal, basta olhar para ele para ver que tem um jeitinho de filhote de Renegade com Compass, mantendo a identidade visual fortíssima da marca. Mas, depois de conviver com o Avenger Longitude de R$ 135.990 por uma semana, ele é um autêntico Jeep? Já digo: sim e não.

Cara de um, focinho de outro
A Jeep é uma das marcas com identidade visual mais forte hoje no mercado. Todo modelo da marca precisa ter grade frontal com sete fendas, carroceria quadrada, caixas de roda trapezoidais e elementos que passam de um modelo para o outro como forma de manter a familiaridade.
O Avenger é bem isso. Tem frente quadrada, com faróis integrados à grade frontal que trazem muita personalidade a ele e o diferenciam dos irmãos. Já a traseira tem a mesma linha de vidro do Compass, enquanto a lanterna em X é igual à do Renegade. Mas ele é um carro bem menor.

Ao todo, são 4,08 m de comprimento, 1,78 m de largura, 1,58 m de altura e entre-eixos de 2,56 m. Comparado ao Renegade, o Avenger é 19 cm mais curto, 3 cm mais estreito e 13 cm mais baixo, mas tem o mesmo entre-eixos. Por isso, ele é um SUV subcompacto e fica abaixo do Renegade, não o substituindo.
Composição acertada
Nossa primeira avaliação completa com o Jeep Avenger aconteceu na versão Longitude por conta do equilíbrio entre preços e equipamentos. Inclusive, é nossa aposta para a variante mais vendida do SUV. Ele custa R$ 135.990 sem nenhum opcional, mas fica perto demais do Limited quando recebe mais equipamentos.

A Jeep cobra R$ 1.100 pela cor Branco Snow do modelo testado. Já os tons Vermelho Sunset, Verde Boreal, Cinza Granite e Cinza Concrete custam R$ 2.200 a mais. Só o Preto Carbon não tem custo adicional. Por R$ 3.500, vem o essencial Convenience Pack, que adiciona alerta de ponto cego, retrovisor com rebatimento elétrico, entrada USB na traseira e sensor de estacionamento dianteiro.
Esse kit estava no modelo testado, o que levou seu preço final a R$ 140.590. E dá para ir além: a versão Longitude ainda tem teto solar como opcional por R$ 8.500, pacote que inclui o Adventure Intelligence, com painel digital maior e central multimídia integrada à internet.

E vale pontuar que a versão Longitude já vem bem completa, com ar-condicionado digital, chave presencial, sistema ADAS completo, faróis full-LED com acendimento automático e farol alto automático, além de seis airbags e direção elétrica com ajuste de altura e profundidade.
É tudo por conta do Brasil
Se por fora o Avenger é um Jeep autêntico, por dentro ele começa a mostrar que seu sotaque é um pouco francês. A cabine tem o melhor acabamento da categoria, com parte superior das portas revestida em material emborrachado e tecido macio. Há também couro macio na parte inferior do painel.
![interior Jeep Avenger Longitude [Auto+ / João Brigato]](https://www.automaistv.com.br/wp-content/uploads/2026/09/jeep-avenger-longitude-06-1320x743.webp)
O Brasil pediu esses elementos aplicados no Jeep Avenger, visto que, na Europa, a cabine do modelo usava plástico duro em toda parte. Apesar disso, onde há plástico, ele entrega qualidade. A montagem é sólida e bem feita, sem rebarbas ou encaixes mal feitos. Nisso, ele deixa VW Tera, Renault Kardian, Fiat Pulse e Chevrolet Sonic passando vergonha.
Na versão Longitude, o Avenger tem bancos revestidos em tecido, com bordas em couro artificial. É um layout interessante e que traz certa jovialidade ao modelo. Nas portas, o revestimento usa vinil mais simples, mas acolchoado. Já o volante tem couro com aspecto áspero, um tanto quanto incômodo ao toque.
![cabine Jeep Avenger Longitude [Auto+ / João Brigato]](https://www.automaistv.com.br/wp-content/uploads/2026/09/jeep-avenger-longitude-09-1320x743.webp)
É interessante, contudo, notar alguns elementos não tão Jeep nele. As hastes de seta e os comandos dos vidros elétricos são do Peugeot 208. O mesmo vale para as luzes do teto e os famosos retrovisores Stellantis, presentes em 18 carros do grupo. Até a chave é a mesma dos franceses, tal qual o botão de partida, que exige apertar e segurar para ligar o Avenger.
Um único componente original da FCA é a manopla de câmbio, herdada da Fiat Toro. A ergonomia é excelente, com comandos físicos para o ar-condicionado, comandos sempre à mão e uma grande quantidade de ajustes para o banco do motorista e também para o volante.
Heranças de família
![central multimídia Jeep Avenger Longitude [Auto+ / João Brigato]](https://www.automaistv.com.br/wp-content/uploads/2026/09/jeep-avenger-longitude-04-1320x743.webp)
A central multimídia horizontalizada e posicionada bem ao alto do painel do Jeep Avenger é uma herança dos seus primos Peugeot e Citroën. Ela tem 10 polegadas e traz Android Auto e Apple CarPlay sem fio. A conexão é rápida, mas costuma cair algumas vezes quando não usamos o cabo USB.
Entretanto, a câmera de ré deixa muito a desejar. Não somente pelo fato de fazer um jogo de inclinação para parecer 360 graus, como também porque fica extremamente escura durante as manobras à noite. Mesmo com o brilho da tela no máximo, a câmera tem pouca compensação de luz.


Subcompacto no sentido literal
Se o Renegade já não é padrão a ser seguido em espaço interno, o Jeep Avenger agora se torna a referência de pior espaço interno da categoria. Ele é mais apertado que o Volkswagen Tera, que já é pequeno na segunda fileira. O pecado de ter herdado a base do Peugeot 208 faz com que o francês compartilhe esse mesmo problema.
Eu, com 1,87 m, não consigo me sentar atrás de um motorista de mesma altura sem que os joelhos fiquem enfiados nas costas do condutor. A cabeça raspa no teto e a sensação claustrofóbica toma conta. Não há saída de ar para quem senta atrás e todo o acabamento macio da frente não se repete na segunda fileira. Já o porta-malas, dentro da média da categoria, tem espaço para 321 litros de bagagem.



Um belo Peugeot
Construído sobre a plataforma modular CMP, também chamada de STLA Small, o Jeep Avenger usa a mesma base dos Peugeot 208 e 2008, além dos Citroën C3, Aircross e Basalt, sem contar os futuros Fiat Argo X e a segunda geração de Pulse e Fastback. Essa base servirá para todo carro de pequeno porte do grupo.
Ela é extremamente versátil e permite o uso de motorizações totalmente elétricas, a gasolina, híbridas, com tração nas quatro rodas por meio de eletrificação e por aí vai. Sem contar que é uma das bases mais bem nascidas do mercado brasileiro, junto da MQB da Volkswagen. E isso fica claro no Avenger.
![Jeep Avenger Longitude [Auto+ / João Brigato]](https://www.automaistv.com.br/wp-content/uploads/2026/09/jeep-avenger-longitude-11-1320x743.webp)
Ele é um carro bem sólido, bom de curva e estável. Anda em alta velocidade com segurança e postura de carro maior. Ajuda nessa sensação a direção muito bem calibrada. Ela é mais pesadinha, entretanto, fica suficientemente leve nas manobras.
E aí temos um ponto contraditório. O Avenger é um carro muito gostoso de dirigir, mas é como um belo Peugeot. A alma de Jeep de verdade não está presente nele. Um Renegade, um Compass ou um Commander, por exemplo, passam aquela sensação de tanque de guerra.
![Jeep Avenger Longitude [Auto+ / João Brigato]](https://www.automaistv.com.br/wp-content/uploads/2026/09/jeep-avenger-longitude-21-1320x743.webp)
Para os modelos feitos na base Small Wide, não existe buraco, valeta ou rua de superfície ruim. Eles encaram tudo com uma valentia ímpar e dão a sensação de serem pau para toda obra. O Avenger não. Ele é robusto, mas não tanto quanto seus irmãos. Não encara a buraqueira como se fosse brincadeira, mas também não reclama dela.
Tem menos?
Quando a Jeep lançou o Avenger no Brasil, ele se tornou o primeiro modelo da Stellantis com o novo acerto de potência do motor 1.0 três cilindros turbo. Antes eram 130 cv, como ainda permanece em alguns modelos. Agora são 116 cv. Isso independentemente de ser a versão regular ou a variante semihíbrida (MHEV), presente em todo Avenger.
![motor 1.0 MHEV turbo Jeep Avenger Longitude [Auto+ / João Brigato]](https://www.automaistv.com.br/wp-content/uploads/2026/09/jeep-avenger-longitude-01-1320x743.webp)
Pensava que isso seria suficiente para tirar o brilho do conjunto mecânico muito bem acertado da Stellantis, mas não. Como a base muito boa também ajuda e o casamento com o câmbio CVT é sublime, o motor 1.0 turbo MHEV entrega muito mais do que vários de seus rivais diretos.
O Avenger é esperto e acelera sem medo quando preciso. Inclusive, ele não tem o mesmo delay de acelerador extremamente incômodo de seus irmãos com motor 1.3, que também são semihíbridos. O CVT compensa esse atraso jogando a rotação do motor para o alto e fazendo com que o Jeep ande rápido.
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Como o isolamento acústico é bem feito, não fica aquela sensação de gritaria e incômodo. Além disso, a simulação de marchas começa já a meio pedal, ajudando a ampliar a sensação de agilidade e ganho de velocidade. Tudo isso junto de um consumo surpreendentemente melhor do que o divulgado em algumas situações.
As medidas oficiais do Inmetro colocam o Avenger com 8,8 km/l na cidade com etanol e 9,4 km/l na estrada. Já com gasolina, são 12,7 km/l e 13,5 km/l, respectivamente. Durante nossos testes com gasolina, ele marcou 12,3 km/l na cidade e 14,7 km/l na estrada, números dignos de carros híbridos de verdade.

Principais itens de série
- Ar-condicionado digital de uma zona
- Chave presencial
- Seis airbags
- Controle de tração e estabilidade
- Farol com acendimento automático e assistente de luz alta
- Piloto automático adaptativo
- Sistema de manutenção em faixa
- Central multimídia com Android Auto e Apple CarPlay sem fio
- Câmera e sensor de ré
- Sensor de chuva
- Frenagem autônoma de emergência
- Freio de estacionamento eletrônico
- Painel de instrumentos digital
![Jeep Avenger Longitude [Auto+ / João Brigato]](https://www.automaistv.com.br/wp-content/uploads/2026/09/jeep-avenger-longitude-16-1320x743.webp)
Veredicto
No final das contas, o Jeep Avenger é o SUV subcompacto mais acertado do mercado em termos de preço, acabamento, performance e entrega. O espaço interno é seu maior pecado e pode afastar compradores por isso. Mas é uma belíssima porta de entrada para a marca de SUVs da Stellantis.
Mas, se você é ou já foi proprietário de Renegade, Compass e Commander e pensa em trocar algum deles pelo Avenger, esqueça. A alma da Jeep não está presente nele como o visual sugere. Como um segundo Jeep na garagem faz sentido; como substituto de algum Small Wide nessa categoria, surpreendentemente, melhor ir para um Renault Kardian.
Você teria um Jeep Avenger? Conte nos comentários.
