Se você acha que a maior evolução do seu carro foi o multimídia ou o turbocompressor, saiba que há muita tecnologia escondida. Recursos que atualmente asseguram o conforto e a segurança nasceram, na verdade, nos céus para auxiliar os pilotos de caça viajando a duas vezes a velocidade do som.
Essa troca entre a aviação militar e as ruas transformou completamente a dinâmica ao volante. Confira cinco tecnologias que saíram diretamente dos cockpits dos caças, bem como os modelos pioneiros que trouxeram essa herança dos céus para o asfalto.
Head-Up Display (HUD)

Inicialmente nos aviões da década de 1940 durante a Segunda Guerra Mundial, o HUD possibilitou aos pilotos enxergar dados e miras sem desviar os olhos da linha de voo. Nos carros de passeio, a função é exatamente a mesma da aviação militar: evitar que o motorista desvie o olhar da estrada para checar o velocímetro ou as instruções de navegação.
A tecnologia estreou no Oldsmobile Cutlass Supreme de 1988. À época, a tecnologia era bem rudimentar e projetava apenas a velocidade em tons esverdeados. No entanto, abriu as portas para a realidade aumentada que vemos atualmente.


Tecnologia de visão noturna

Criada para dar vantagem tática na escuridão ou sob neblina, a tecnologia de câmeras térmicas por infravermelho projeta silhuetas baseadas no calor dos corpos. Sobre quatro rodas, a tecnologia foi adaptada para ler o asfalto e projetar imagens no painel, alertando sobre perigos ocultos.
A tecnologia estreou no Cadillac DeVille nos anos 2000. Chamado de Night Vision, o opcional utilizava uma câmera térmica instalada na grade dianteira para detectar o calor de pedestres, animais e outros veículos muito antes dos faróis. Sendo assim, garantindo uma dose extra de segurança.

Fibra de Carbono

Para suportar as forças G absurdas e reduzir o peso estrutural, a fuselagem dos caças passou a incorporar materiais compostos avançados. Todavia, a fibra de carbono se mostrou perfeita para blindar o cockpit e dar leveza, chamando o interesse dos projetistas de automóveis.
Embora o automobilismo já utilizasse o material na Fórmula 1, o primeiro carro de rua de produção a ter um chassi monocoque inteiramente feito de fibra de carbono foi o McLaren F1 em 1992. A inovação permitiu o peso de baixíssimos 1.140 kg, bem como a quebra de recordes mundiais de velocidade que duraram anos.

Tecnologia de controles por fio (Drive-by-Wire)

Nos jatos de combate, como o F-16 Falcon, os manches mecânicos foram substituídos pelo sistema Fly-by-Wire, que utiliza impulsos eletrônicos para mover as superfícies de controle das asas. Do outro lado, a indústria automotiva criou o Drive-by-Wire, eliminando cabos físicos.
Sobretudo, o pioneiro a utilizar essa tecnologia foi o BMW Série 7 (E32) de 1987. Equipado com o sistema EML (Elektronische Motorleistungsregelung), o sedan aposentou o cabo de aço do acelerador, aliás, permitindo que a injeção eletrônica controlasse a abertura da borboleta do motor de forma 100% digital.

Freios de Carbono-Cerâmica

Pousar um caça na pista curta de um porta-aviões exige uma alta capacidade imediata de frenagem. Portanto, a engenharia aeroespacial desenvolveu discos de carbono-cerâmica, capazes de suportar temperaturas que ultrapassam os 1.000 °C sem sofrer deformações ou perder a aderência.
Demorou algumas décadas para que o custo de produção permitisse a aplicação dessa tecnologia nas ruas, o que aconteceu pelas mãos da Porsche no 911 GT2 (geração 996) em 2001. O modelo trazia os discos cerâmicos de série, oferecendo frenagens brutais, assim como uma redução de peso não suspenso.

Qual dessas tecnologias você acha mais importante em um carro? Escreva nos comentários.

