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Agradeça a China

Carro zero fica R$ 8 mil mais barato no Brasil em 2026

Levantamento mostra que o valor médio pago por um carro novo caiu 5,1%, enquanto elétricos mais caros chegam a perder 22,4%

6 min de leitura

Depois de anos vendo os carros ficarem cada vez mais caros, o brasileiro finalmente começou a encontrar um cenário diferente nas concessionárias. E não estamos falando apenas de promoções pontuais. O preço médio efetivamente pago por um carro zero km caiu R$ 8.119 em 2026, já que as fabricantes estão precisando negociar mais para conseguir vender.

Segundo um levantamento da Bright Consulting, com dados atualizados até outubro, o valor médio das transações passou de R$ 158.741 para R$ 150.622. Isso representa uma redução de 5,1%, algo curioso e atípico depois de tantos anos de reajustes praticamente consecutivos.

Contudo, os preços de tabela não acompanharam essa queda. O valor público médio anunciado pelas fabricantes subiu 1%, passando de R$ 164.569 para R$ 166.142. Ou seja, o carro continuou ficando um pouco mais caro no catálogo, mas o consumidor passou a pagar menos na hora de fechar negócio.

Jeep Avenger Longitude [Auto+ / João Brigato]

E essa diferença já chega a R$ 15.520, aproximadamente 9,3% do preço de tabela. Não significa que qualquer carro tenha esse desconto disponível, mas mostra o quanto o valor anunciado pode estar distante daquele realmente negociado.

A chegada dos carros chineses mudou a negociação

Parte dessa mudança passa pela concorrência, principalmente com a expansão das fabricantes chinesas no Brasil. BYD, GWM, Geely, GAC e Omoda & Jaecoo vem aumentando suas ofertas de veículos, trazendo tecnologias e equipamentos que antes apareciam somente em carros muito mais caros.

GWM Haval H7 [Auto+ / João Brigato]

Com isso, as marcas tradicionais também precisaram se movimentar. Afinal, ficou mais difícil justificar determinados preços quando o consumidor encontra um concorrente com motorização híbrida, central multimídia maior ou mais equipamentos por um valor semelhante.

E nem sempre essa reação aparece diretamente na tabela. Muitas fabricantes preferem trabalhar com bônus na troca, descontos para determinadas versões, taxas de financiamento e condições especiais nas concessionárias. O resultado é justamente essa diferença entre o preço sugerido e o valor que o comprador acaba pagando.

Jaecoo 5 cinza parado de traseira com árvores ao fundo
Jaecoo 5 [Auto+ / Rafael Pocci Déa]

Segundo Cassio Pagliarini, da Bright Consulting, a chegada de novas fabricantes chinesas vêm pressionando as marcas tradicionais a oferecer mais incentivos para manter a competitividade. Entretanto, o preço médio de transação também depende de quais carros estão sendo comprados. Ou seja, a queda de 5,1% não significa que todos os modelos ficaram exatamente 5,1% mais baratos.

Carros finalmente ficaram mais baratos que a inflação

Para entender o tamanho dessa mudança, basta olhar o que aconteceu nos últimos anos. Em 2021, o preço médio dos carros novos subiu impressionantes 26,3%. No ano seguinte, veio outro aumento de 17,2%, em um período marcado por problemas na produção e falta de componentes.

Volkswagen Tera High 200 TSI azul estático
Volkswagen Tera High 200 TSI [Auto+/Luiz Forelli]

Depois, os reajustes começaram a desacelerar, mas continuaram pesando no bolso. Foram 7,6% em 2023, 6% em 2024 e outros 5,5% em 2025. Agora, em 2026, o aumento nominal de apenas 1% ficou abaixo dos 3,88% de inflação considerados pela Bright Consulting. Descontando esse efeito, o preço público médio dos veículos caiu 2,8% em termos reais.

É a primeira queda real registrada desde o início da série histórica, em 2020. Entretanto, isso não significa que os carros voltaram a ser baratos. Mesmo com a redução recente, o preço médio corrigido pela inflação ainda está 27,9% acima do registrado em 2020.

Elétricos baratos desvalorizam quase como carros a combustão

Chevrolet Sonic RS [Auto+ / João Brigato]

E essa mudança nos preços dos veículos novos também começa a pesar no mercado de usados. Afinal, quando uma fabricante oferece descontos maiores em um zero km, o consumidor passa a olhar de outra maneira para o seminovo daquela mesma categoria.

O levantamento da Bright Consulting também analisou quanto os veículos perdem de valor depois de um ano, considerando diferentes faixas de preço e tipos de motorização. E os números revelam uma diferença interessante entre os elétricos mais acessíveis e aqueles de categorias superiores.

Fiat Fastback Sem Nome [Auto+ / João Brigato]
Fiat Fastback Sem Nome [Auto+ / João Brigato]

Entre os carros de até R$ 170 mil, os modelos totalmente elétricos apresentam desvalorização média de 12,3% depois de um ano. É um resultado próximo dos 11,6% registrados pelos veículos a combustão. Já os híbridos plenos, que não precisam ser carregados na tomada, perdem 15,7% nessa mesma faixa.

Isso mostra que não dá para afirmar que todo carro elétrico necessariamente perde muito mais valor que um modelo a combustão. Pelo menos entre os veículos mais acessíveis, a diferença encontrada pela consultoria é pequena.

BYD King GS e Toyota Corolla Altis Premium [Auto+/Luiz Forelli]

Na categoria de R$ 170 mil a R$ 250 mil, os elétricos perdem 16,8% após um ano, enquanto os modelos a combustão registram queda de 15,5%. Os híbridos convencionais apresentam desvalorização de 18,4%, e os híbridos plug-in, que podem ser carregados na tomada, chegam a 18,9%.

Acima de R$ 350 mil, os elétricos perdem muito mais valor

A situação começa a mudar quando entramos nas categorias superiores. Entre R$ 250 mil e R$ 350 mil, os carros elétricos perdem em média 20% do valor depois de um ano, enquanto os veículos a combustão registram 17%. Já os híbridos convencionais têm o melhor resultado dessa faixa, com desvalorização de 15,7%.

Volvo EX30 Cross Country estático para avaliação e teste
Volvo EX30 Cross Country [Auto+/Luiz Forelli]

Mas a maior diferença aparece nos veículos acima de R$ 350 mil. Nesse caso, os elétricos chegam a perder 22,4% do valor em apenas doze meses, contra 16,4% dos modelos a combustão. Para entender melhor, imagine um carro elétrico comprado por R$ 400 mil. Considerando essa média, ele perderia em torno de R$ 89.600 no primeiro ano. Já um modelo a combustão do mesmo valor teria uma perda estimada de R$ 65.600.

São R$ 24 mil de diferença em apenas um ano, um valor que pode pesar bastante na decisão de compra. Os híbridos também tem perdas nessa categoria. Os convencionais desvalorizam 19,2%, enquanto os plug-in chegam a 19,4%, números inferiores aos dos elétricos puros, mas superiores aos dos veículos a combustão.

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Luiz Forelli

Jornalista pela Faculdade Cásper Líbero, sempre fascinado por carros. Passava horas dirigindo no colo da família dentro da garagem ou empurrando carrinhos pela casa, como se já soubesse que seu caminho estaria entre motores e rodas. Hoje, realiza o sonho de infância escrevendo sobre o universo automotivo com a mesma empolgação de quem brincava com um volante imaginário. No lugar do sangue, corre gasolina, e isso nunca foi segredo.

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