O compartilhamento de plataformas entre as marcas da Stellantis vai ficar mais intenso no futuro. Inclusive, algumas marcas serão responsáveis por desenvolver um modelo, que receberá somente uma pele diferente para ser vendido por outra marca. Mas, durante 20 anos, as Eurovans anteciparam o que Fiat, Peugeot e Citroën fariam juntas na Stellantis.
A parceria de longa data entre o então grupo Fiat e a PSA deu origem ao projeto. Em 1978, elas criaram juntas a Sevel (Sociedade Europeia de Veículos Comerciais). A joint venture nasceu para desenvolver e fabricar as vans Fiat Ducato, Citroën Jumper e Peugeot Expert (as francesas tinham outro nome na primeira geração).
Só que, em 1994, a parceria avançou para o segmento de minivans. Se hoje o mundo é dominado pelos SUVs, nos anos 1990 e 2000 as minivans eram as rainhas. Elas estavam em tudo quanto é canto do mundo e influenciavam diretamente o desenho de todos os carros. De olho nesse segmento, Itália e França se uniram novamente e assim surgiram as Eurovans.
![Fiat Ulysse [divulgação]](https://www.automaistv.com.br/wp-content/uploads/2026/06/fiat_ulysse_765-1320x743.webp)
Ainda que as montadoras nunca tenham oficializado o nome Eurovans, o apelido pegou e se tornou a designação pela qual elas são conhecidas. O projeto previa a produção de uma minivan única, que teria apenas frente, traseira e detalhes internos diferentes para cada marca. A fábrica da Sevel, na França, produziu todas elas.
O nascimento das Eurovans
Assim, em 1994 o quarteto Fiat Ulysse, Citroën Evasion, Peugeot 806 e Lancia Zeta chegou ao mercado. As quatro contavam com uma plataforma desenvolvida exclusivamente para elas e tinham um porte diferente do padrão da categoria. Elas eram menores do que as minivans americanas, como Chrysler Caravan, mas maiores do que europeias, como a Renault Espace.
![Citroën Evasion [divulgação]](https://www.automaistv.com.br/wp-content/uploads/2026/06/citroen_evasion_2.1_turbo_d_9-1320x868.webp)
Outra solução vinda dos EUA e herdada também de Ducato, Boxer e Jumper era a porta lateral corrediça. Por dentro, a solução criativa vinha do freio de estacionamento posicionado ao lado da porta do motorista, além da manopla de câmbio no painel. Isso acabou possibilitando um console central com piso quase plano e mais espaço.
A Citroën Evasion (também chamada de Synergie) e a Peugeot 806 usavam exatamente os mesmos faróis e para-choques. O desenho da grade frontal e da lanterna traseira diferenciava os modelos. Além disso, a Peugeot tinha área da placa em preto. Já a Fiat Ulysse usava o para-choque das francesas, mas tinha faróis menores e grade inspirada no Uno.



Atrás, as lanternas tinham área iluminada somente na parte externa, enquanto o elemento dentro do porta-malas era apenas reflexivo, tal qual na última reestilização da primeira geração da Fiat Strada. A Lancia Zeta, por sua vez, trazia cromados pela carroceria, frente mais elegante e era a única que não compartilhava os para-choques das primas.
Quatro marcas, um mesmo projeto
A Lancia Zeta foi a única que não passou por reestilização. Já em 1998, as demais ganharam mais personalidade. O para-choque seguiu unificado, mas a Citroën Evasion e a Peugeot 806 passaram a usar a parte inferior pintada na cor da carroceria, algo que a Fiat Ulysse não adotou. Outra diferença estava nos faróis, exclusivos para cada francesa.




Na traseira, a Evasion trouxe lanternas com luz de seta e ré brancas, enquanto a 806 passou a exibir o nome Peugeot na parte inferior da região da placa. O modelo da Fiat ganhou faróis menores e escurecidos inspirados no Marea, além de grade frontal levemente ovalada. Por dentro, todas receberam novo volante.
Motores e evolução da primeira geração
A lista de motores era enorme e atendia a todos os gostos. As versões de entrada contavam com um 1.8 quatro cilindros aspirado de 99 cv, descontinuado em 2000, mas nunca oferecido para a Zeta. A Lancia também não era vendida com o 2.0 8V quatro cilindros aspirado de 121 cv, mas somente com o 16V de 132 cv.




Esse 2.0 16V passou por atualização em 2000, chegando a 136 cv, e ganhou opção de câmbio automático de quatro marchas. Até então, todas as Eurovans eram vendidas com câmbio manual de cinco velocidades. No diesel, elas contavam inicialmente com um 1.9 quatro cilindros turbo de 90 cv, substituído por um 2.0 de 109 cv em 2000.
A Zeta também não oferecia o motor de entrada, partindo somente do 2.1 quatro cilindros turbo diesel de 109 cv. Em 2001, a marca trocou esse propulsor por um 2.0 quatro cilindros turbo de mesma potência.
Segunda geração
![Fiat Ulysse [divulgação]](https://www.automaistv.com.br/wp-content/uploads/2026/06/fiat_ulysse_450-1320x743.webp)
Em 2002, chegou a vez de renovar toda a família de minivans. A Stellantis, antes mesmo de existir como grupo, decidiu manter a mesma plataforma, mas ampliou todas as medidas. Dessa vez, o lançamento das Eurovans aconteceu em fases. Primeiro veio a Peugeot 807, em junho de 2002. Depois chegou a Citroën C8, em julho do mesmo ano, seguida por Fiat Ulysse e Lancia Phedra.
Agora elas tinham mais diferenças além da dianteira e traseira. As italianas eram 1 cm mais largas e longas, sendo a Phedra a maior de todas com 3 cm extras. A diferença era pequena e se devia ao desenho dos para-choques e para-lamas. Na prática, continuavam sendo o mesmo carro e saíam da mesma fábrica francesa.
![Lancia Phedra [divulgação]](https://www.automaistv.com.br/wp-content/uploads/2026/06/lancia_phedra_65-1320x742.webp)
Mais personalidade para cada marca
Externamente, cada uma tinha personalidade própria. A C8 trazia faróis com projetores e uma grade frontal bem chamativa. Ela tinha as maiores lanternas traseiras entre as francesas, indo do meio da tampa do porta-malas até o aerofólio. A 807 trazia faróis divididos, com a seta na parte inferior da grade. A lanterna traseira era pequena.
Nas italianas, Ulysse e Phedra usavam lanternas traseiras enormes conectadas ao vidro lateral. A tampa do porta-malas das duas era igual, assim como o para-choque traseiro. O que mudava era o desenho da área da placa. Já a dianteira mostrava propostas bem distintas.




Na Fiat Ulysse, os faróis eram divididos em dois andares, enquanto a grade frontal retangular tentava conectar a parte inferior à superior. Já a Lancia Phedra adotava faróis trapezoidais e grade frontal com elementos cromados verticais, formando a maior abertura de ar dianteira entre as Eurovans.
Cabine e equipamentos ganharam refinamento
A cabine era praticamente idêntica entre elas, com o mesmo volante e peças vindas de outros modelos franceses, mas o tom dos materiais mudava. 807 e Phedra tinham painel de instrumentos com tela colorida ao centro. A iluminação da Peugeot era laranja, enquanto a da Lancia puxava para o verde.




Já a C8 e a Ulysse traziam três mostradores redondos. A iluminação da francesa tinha tom verde-água, enquanto a italiana apostava em um verde mais intenso. A Fiat também mantinha seu tradicional veludo azul, enquanto a Lancia abusava do couro claro combinado à madeira. As francesas apostavam em tons sóbrios puxados para preto e cinza.
Reestilizações trouxeram mudanças discretas
Phedra e Ulysse passaram apenas por uma reestilização, mas as mudanças foram extremamente sutis. A Lancia trocou a grade, enquanto a Fiat adotou um logotipo redondo na traseira. Já as francesas receberam mudanças na grade frontal e nas lanternas. Além disso, conforme envelheciam, adotavam mais cromados nas grades dianteiras.

Motores potentes marcaram a segunda geração
A gama de motores também era grande, sendo que o propulsor mais interessante chegou em 2003: o 3.0 V6 a gasolina da PSA, usado até pelo Renault Clio V6. Ele entregava 207 cv e trabalhava somente com câmbio automático. Havia também um 2.0 quatro cilindros aspirado de 136 cv, atualizado depois para 140 cv apenas nas francesas.
Quem queria mais podia optar pelo 2.2 quatro cilindros de 158 cv, mas, novamente, não na Fiat ou na Lancia. Com diesel, as opções incluíam o 2.0 quatro cilindros de 109 cv, 120 cv ou 136 cv. Além disso, havia o 2.2 turbo diesel de 128 cv e a versão biturbo de 170 cv lançada em 2008.
![Peugeot 807 [divulgação]](https://www.automaistv.com.br/wp-content/uploads/2026/06/peugeot_807_69-1320x743.webp)
O fim das Eurovans
No final das contas, as Eurovans começaram a se desmembrar. A Fiat Ulysse e a Lancia Phedra saíram de linha em novembro de 2010, enquanto a Citroën C8 e a Peugeot 807 permaneceram em produção até junho de 2014. No Brasil, elas chegaram somente em 2004.
Globalmente, as quatro minivans venderam juntas 890.044 unidades ao longo de duas gerações e 10 anos de produção. A mais popular foi a Peugeot 806/807, com 363.734 unidades vendidas, seguida pela Citroën Evasion/C8, com 269.216 unidades. Depois vieram a Fiat Ulysse, com 191.413 unidades, e a Lancia Zeta/Phedra, com 65.681 unidades.

O auge do quarteto aconteceu na virada de geração, no primeiro ano cheio de vendas em 2003. A Peugeot bateu recorde de 35.030 unidades vendidas no mundo inteiro, melhor ano também da Citroën, com 24.049 unidades. Já a Fiat Ulysse atingiu seu melhor resultado em 1998, com 21.539 unidades. Junto de 1999, esses foram os únicos anos em que ela vendeu mais que a Peugeot.
Por fim, a Lancia sempre foi a menos vendida. Ela superou a marca de 10 mil unidades apenas em 2003, quando registrou 10.192 emplacamentos. Nos demais anos, ocupou a última posição do quarteto. Entretanto, em 2009 e 2010, conseguiu vender mais do que a Fiat Ulysse e deixou de ser a menos vendida das Eurovans.

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